Blogie - Cinema na VIP

"Vanilla Sky": a vida num piscar de olhos

quarta-feira, 30 de setembro de 2009 - 7 Comentários

(Aviso: o final do filme é revelado no texto a seguir.)

 
Ao longo da semana, falei do cartaz do clássico francês Jules e Jim e da comédia teen Picardias Estudantis.

 
O que eles têm em comum?

 
Resposta: Cameron Crowe.

 


 
Cameron Crowe, com Penélope Cruz e Tom Cruise: um cineasta dos bons!

O jovem escritor de Picardias Estudantis tornou-se, mais tarde, um sensível diretor, que obteve grande sucesso com Jerry Maguire e Quase Famosos. A direção de Crowe é apoiada em diálogos inspirados e na celebração de gente comum, em situações comuns, extraindo disso algo de extraordinário. Essas duas características bebem na fonte de, respectivamente, dois mestres: Billy Wilder, o rei dos diálogos ácidos, e François Truffaut, o cineasta mais humano de todos - que é o diretor de, entre outros, Jules e Jim.

 
Bom, o fato é que Crowe um dia fez um filme maluco chamado Vanilla Sky, a partir de uma ideia de Tom Cruise, que adorou o filme espanhol Abre Los Ojos (e se apaixonou pela sua estrela, Penélope Cruz). Cruise bancou o filme, recrutou Penélope (a quem pegou já no set) e contratou o diretor. Veja o trailer:

 


 
Crowe, por sua vez, é um cara esperto. A despeito do roteiro surreal cujo protagonista sofre um terrível acidente e se vê no meio de um sonho ininterrupto, o diretor deu um jeito de polvilhar o filme com toneladas de citações pop - seu esporte favorito. São 429 citações do cinema, da TV e da música espalhadas pelo filme.

 
Mais hábil, no entanto, é a maneira como Crowe conseguiu homenagear seu mestre, Truffaut, e seu Jules e Jim: desde o pôster na porta do seu quarto, até coincidências do roteiro (dois amigos apaixonados pela mesma mulher, mas que lutam para que isso não atrapalhe a amizade; um acidente de carro provocado por uma mulher descontrolada), vários momentos evocam a obra-prima francesa.

 
No mais, tem reconstituição de capa de disco do Bob Dylan, tem filme da Audrey Hepburn, tem aparição do Steven Spielberg, tem discussões sobre o Beatle favorito...

 
Suficiente?

 
Pois aí vem o final, aquela cena em que Cruise se joga do alto do prédio, e sua vida inteira passa pela sua frente enquanto ele cai.

 
E aí entra uma enxurrada de cenas e fotos, coisas da vida do personagem, mas principalmente acontecimentos culturais (filmes, shows, discos) que tornaram a vida do cara algo mais feliz. Veja a cena:

 


 
BLOGIE faz um pente fino na cena, repassando-a quadro a quadro e tentando identificar tudo o que se passa... o finzinho é mais difícil, pois os cortes são muitos. Mas deu pra "pescar" bastante coisa. Veja só:

 
  • Cena da casa de Antoine Doinel em Beijos Probidos
  • Gravações caseiras de bebê e crianças
  • Desenho animado dos anos 30
  • Cena de Os Incompreendidos
  • Cena caseira num barco
  • Foto de Tom Cruise adolescente após vencer uma luta de boxe no colégio
  • Foto do pai em uniforme do exército
  • Fotos de 3 garotas (ex-namoradas?)
  • Foto de Martin Luther King
  • Foto da banda islandesa Sigur Rós, responsável pela trilha desta sequência (música: Nothing Song)
  • Cenas do filme: o fiel conselheiro, ele na cama com Sofia (Penélope Cruz)
  • Mulher loira dançando
  • The Who nos anos 70 (Pete Townsed caindo de joelhos)
  • Cena do filme: o melhor amigo, Jason Lee
  • Cena do filme: Cruise embasbacado na Times Square deserta
  • Jeanne Moreau, estrela de Jules e Jim
  • Mulher de cabelos castanhos pelada
  • Capa do disco Wee Small Hours, do Frank Sinatra
  • Capa do disco The River, do Bruce Springsteen
  • Quadro do Monet com o "céu de baunilha"
  • Foto de Cruise beijando seu snow-board com pintura inspirada no quadro do Monet
  • Foto de Nancy Wilson, guitarrista da banda Heart e esposa do Cameron Crowe
  • Cena de Cruise e Lee, na linha best friends forever
  • Sequência de fotos de bebê e criança em crescimento
  • O céu, visto da janela de um avião
  • Cruise e Cruz na Times Square
  • Um bebê
  • Avós
  • A capa de Houses of the Holy, do Led Zeppelin
  • Mãe com bebê
  • O personagem de Cruise, novinho, no escritório do pai
  • Foto de Penéliope Cruz, mais nova
  • Cameron Diaz, no carro, no dia do acidente
  • Cruise e Lee com snow boards
  • Cena de Quase Famosos - aparece o guitarrista do Stillwater, Russel Hammond (Billy Crudup)!!!
  • Foto de um cão
  • Foto da irmã de Cameron Crowe, com bobs no cabelo, indo embora de casa (foto que inspirou a cena em que a irmã do menino de Quase Famosos vai embora de casa)
  • Cena de Sabrina do Billy Wilder: Audrey Hepburn em cima da árvore
  • Sequência de fotos de Penélope Cruz (é isso que Cruise teria achado nela: sua Audrey Hepburn)
  • Vídeo caseiro da mãe com bebê numa piscina, dando adeus.
Bom, esse foi o exercício cinéfilo-obsessivo da semana.

 
Sintam pena do blogueiro.

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Trilha da semana: "Picardias Estudantis"

segunda-feira, 28 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Volta às aulas na Ridgemont High. Fundava-se, ali, a tradição dos filmes de high school americanos.



O ano: 1981.O filme: Picardias Estudantis, escrito por Cameron Crowe (futuro diretor de Vida de Solteiro, Jerry Maguire e Quase Famosos) e dirigido por Amy Heckerling (que renovaria o gênero nos anos 80, com Patricinhas de Bervely Hills).

A música é American Girl, do Tom Petty and the Heartbreakers.

A letra ("she was an american girl, raised on promises!") entra no exato segundo em que Jennifer Jason Leigh aparece, perdida, nos corredores da escola. Essa grande atriz, então uma adolescente, é só uma das revelações de Picardias Estudantis.

Outras são Eric Stoltz, Nicolas Cage, Forrest Whitaker, Phoebe Cates, Judge Reinhold e, principalmente, o grande Sean Penn, como o maconheiro Spicoli - o primeiro de sua coleção de grandes personagens.

Tudo certo nesse baita filme, que captou a época como poucos. Foi o primeiro a reconhecer o shopping center como o habitat natural do adolescente, e foi um dos primeiros a enaltecer a primeira transa como objetivo de vida do adolescente (tema único desde então). Teve trilha sonora perfeita, que, além da música de Tom Petty, conta com vários outros clássicos do new wave e do rock mais mainstream.

Veja o trailer!


E foi baseado no romance escrito por Crowe, então jornalista da Rolling Stone, que pediu demissão e se matriculou no colégio para escrever o livro.

Se você é da geração criada à base de American Pie: não deixe de conferir! Por outro lado, se você é daqueles que sempre julgou esses filmes de high school uma grande bobagem... não perca Picardias Estudantis. É a manifestação mais despretensiosa da arte de captar a essência da juventude de uma época.

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Um pôster de cinema para se ter na parede de casa

sábado, 26 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Outro dia, achei um site que mostra os melhores pôsters de cinema...

Vou preparar um top ten ao meu gosto, mas já adianto qual é o meu preferido: 
























Jules e Jim, de François Trufffaut.

Esse pôster traz tudo o que faz do filme uma maravilha: Jeanne Moureau, um ar de "alegria de viver", um tom meio melancólico, meio distante - e transpirando humanidade. Além disso, é uma obra-de-arte, como o filme.

E isso, sem entregar nada do que se trata.

Em Vanilla Sky, a atordoante colagem pop de Cameron Crowe (segundo ele, há 429 referências à cultura pop no filme!), o quarto de Tom Cruise traz na porta um pôster gigante de Jules e Jim. Para se ter uma ideia do que isso significa, vale dizer que as paredes desse cômodo abrigam uma tela original do Monet e uma guitarra estraçalhada do Pete Tonwshend, do The Who.

Aliás, cabe um post para esmiuçar as referências de Vanilla Sky.

E outro para discutir Truffaut. (Esse estou guardando para uma data especial, dentro de um mês...)

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BLOGIE, ano um!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Um pouquinho de história: este blog entrou no ar há pouco mais de um ano.

Como falei do Humphrey Bogart e do fato de ele ter sido escolhido como santo padroeiro do BLOGIE (emprestando nome e foto, inclusive), aproveito para celebrar o primeiro aniversário com o primeiro post.

http://vip.abril.com.br/cinema/2008/09/teste-teste-teste-teste.shtml

A todo mundo que acompanha o BLOGIE, obrigado!

E vamos indo ao cinema, pois, citando um amigo que realmente sabe das coisas, "quem gosta de cinema gosta de sonhar" - e eu só confio em gente dessa laia.

Um abraço,

Ricardo Garrido

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Lista: as 100 melhores frases do cinema

quarta-feira, 23 de setembro de 2009 - 1 Comentários

Dica do blog Desculpe a Poeira: o American Film Institute (AFI) divulgou a lista das 100 melhores frases de filmes de todos os tempos.

http://www.afi.com/tvevents/100years/quotes.aspx

Em primeiro destaque, o tratamento master de Clark Gable a Vivian Leigh em ...E o Vento Levou:

"Frankly, my dear, i don't give a damn!"






















Gable está na pegada, mas diz que não tá nem aí...

Destaque também obteve O Poderoso Chefão, com suas ofertas irrecusáveis e tantas outras bossas - foram sete frases pescadas da trilogia.

O maior autor de frases da lista é o grande Billy Wilder, com 13 frases espalhadas pelos seus clássicos (Se Meu Apartamento Falasse, Crepúsculo dos Deuses, Sabrina, Quanto Mais Quente Melhor...).

E o patrono deste blog, o ícone macho Humphrey Bogart, é o ator com mais frases imortais: dez ao todo, e a principal delas é o título do primeiro post de BLOGIE: o irresistível e sóbrio brinde com Ingrid Bergman...

"Here's looking at you, kid."

Lembrando a quem passou a acompanhar este espaço recentemente: o apelido de Bogart em Hollywood (mas só junto à alta brodagem e ao mulherio) era "Bogie". Em homenagem a ele, chamei este espaço de BLOGIE. E essa foto ridícula aí do lado é uma montagem feita em cima de uma foto clássica do cara em O Falcão Maltês.

























O Bogie original. Não confundir com imitações baratas.

Qualquer dia falo de Casablanca no Filme VIP da Semana. Tenho o filme como um guia de vida. Tudo o que um homem precisa saber - sobre mulheres, trabalho, amizade, causas nobres, prazeres mundanos, angústias supremas -, está tudo lá. Bogie ensina o caminho.

Em tempo: e ele nunca disse "play it again, Sam"... essa é do Woody Allen, em sua peça Sonhos de um Sedutor, na qual ele recebe conselhos amorosos de Bogart.

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Série "grandes citações cinematográficas" - 1

terça-feira, 22 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Nada diverte mais um cinéfilo do que uma citação bem sacada sobre um filme.


Este é um exemplo clássico: imagine-se em 1981, domingão à noite, família reunida no sofá, unificada pelo riso. Eram os Trapalhões. Aí entra o quadro abaixo:



Olha o absurdo da situação: o programa da família brasileira, antes do Fantástico, traz Zacarias travestido de mulher, afirmando querer se casar com o Marlon Brando.

E Didi Mocó, pai zeloso, canta: "com o Marlon Brando, ocê num casa bem... o Marlon Brando mantegô a Maria Scheinda... e adepois vai mantegá ocê também..."

Há quem vá dizer que isso é humor de baixo nível, mas acredito que o grau de subversão desse quadro é absolutamente adequado à infame cena da manteiga em OÚltimo Tango em Paris. 

E o final, sobre o Matogrosso, é um arremate muito engraçado, vai... tem que ter senso de humor...

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Filme VIP da semana: "Círculo de Paixões"

Hoje, às 22 hs, no TC Light: um filme pouco badalado, mas que entrega muito mais do que promete. É Círculo de Paixões, de 1997, a história de dois irmãos pobretões que vivem em torno de três lindas irmãs ricas.
















Juventude transviada: uns rebeldes têm mais motivos, outros menos - mas todo mundo apronta!

A coisa se passa durante a década de 50, e Joaquin Phoenix e Billy Crudup demonstram muito carisma como os irmãos Doug e Jacey. Phoenix, particularmente, dá um show como o caçula tímido que emula o Marlon Brando para disfarçar sua pouca habilidade com mulheres. Já Crudup não quer saber: passa o rodo entre a mulherada, e as vizinhas riquinhas não são poupadas.

As tais riquinhas são as irmãs Abbott, vividas por Liv Tyler (a caçula, amiga de Doug), Jenniffer Connelly (a do meio, maluquinha e que vive um caso com Jacey) e Joanna Going (a mais velha, já com filho - e tão bonita quanto as outras).

Como se vê, um baita elenco!

Entre reviravoltas na linha "todo mundo pega todo mundo", o tema acaba sendo a obsessão e o ódio social. Vemos que Jacey se alimentava da reação escandalizada dos pais das meninas a cada namorico. Seu irmão, que é o narrador do filme, afirma que "se os Abbott não existissem, Jacey os inventaria". A frase é tão certeira que foi para no título original, Inventing the Abbotts. Doug não tem a mesma piração do irmão, e isso acaba se tornando uma zona de atrito constante entre eles (e cada um usará isso à sua maneira).

Outro ponto interessante: os estereótipos e mitos americanos são usados para retratar a época e conferir um clima de inocência e descoberta ao filme: empregos em postos de combustível, carros conversíveis, varandas com porta de tela, um freezer no porão cheio de Coca-Cola (e sexo no porão), escapadas ao celeiro abandonado... e aquele ar vintage de Juventude Transviada.

Veja o trailer, ao som da maravilhosa Sleepwalk, que já foi tema de post deste blog, e da Sheryl Crow:



No mais, o filme teve o mérito de revelar o talento de Phoenix, o melhor ator da sua geração, além de ter arrancado de Liv Tyler sua única atuação satisfatória.
























E, claro, deu conta da missão de tirar a roupa de Jenniffer Connelly, algo que é sempre benvindo...

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O melhor vídeo da história do You Tube

domingo, 20 de setembro de 2009 - 4 Comentários

O assunto não é cinema, mas emociona como os melhores filmes de reminiscências: o vídeo abaixo representa aquilo que o You Tube trouxe de melhor: a capacidade de ressucitar peças que não mereciam ser jogadas no fundo do baú, fazendo a linha "quem viu, viu". O You Tube é o Vale a Pena Ver de Novo inesgotável, descontrolado.

Este é o melhor vídeo da história do site, pelo menos na minha opinião.

O ano era 1980. O saudoso humorista Costinha fazia uma matéria para a TV, e levou o filho junto. A matéria, na verdade, era mostrar o moleque de oito anos conhecendo o ídolo, Zico (maior jogador da história do Flamengo).

E aí, o menino fica em estado de choque, e começa a soluçar, e só consegue repetir: "eu vi o Zico! Eu vi o Zico!"


Só vendo.





Gosto, particularmente, da reação do craque: entre constrangido e comovido, ele tenta deixar o menino mais confortável na sua presença. Majestade.

Porque Zico era isso: ele se preocupava em se mostrar como um cara normal, trabalhando sério e tentando fazer o correto e o melhor. 

A diferença entre ele e o resto é que Zico nunca deixava de seguir essa receita para relaxar e aproveitar fama e grana. (A outra diferença é que ele era genial: fez mais de 800 gols e deu assistências para mais de mil.)

Zico é um ídolo que toda torcida - não só a do Flamengo - merecia. Por rivalidade, bairrismo ou simples dor-de-cotovelo, os torcedores de outros times abriram mão de abraçar o jogador como grande ídolo.

Dizem que faltou Zico ganhar uma Copa do Mundo. Como disse o Juca Kfouri, azar da Copa do Mundo.

Para quem não acredita (e pra quem quer lembrar), veja essa compilação de gols do Galinho, com as camisas da Seleção, do Flamengo, da Udinese e do final de carreira no Japão. É inacreditável, especialmente a seção de gols de falta no final!



Num domingão preguiçoso, Esporte Espetacular é isso aí.

Esse You Tube é demais.

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Na TV: de Hitchcock ao Capitão Nascimento, tem de tudo

sábado, 19 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Nada de novo no cinema para o final-de-semana. Se o amigo ainda não viu UP! - Altas Aventuras, da Pixar, não perca. Para quem não viu, faço um último apelo para que aproveite o bom e singelo Amantes, com Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw. É um filme diferente, que vale a pena encarar.

No mais, para quem já deu conta dos dois e sabe evitar ciladas como O Sequestro do Metrô 123, a boa do dia é pescar os bons filmes na TV. Já são quase 11:00, já assisti Rocketeer (tem jeito de começar melhor o sábado do que se deleitando com a Jennifer Connelly?), mas tem muita coisa ainda... Selecione o seu!

14:00 - AXN - Melhor É Impossível: Jack Nicholson (Oscar de melhor ator), Helen Hunt (Oscar de melhor atriz) e os melhores diálogos da segunda metade da década de 90. Só a cena de abertura, em que Nicholson joga um cãozinho shin-tzu pela lixeira do seu prédio, arrematando "this is New York; if you can make it here, you can make it anywhere", já vale o filme. E anuncia o que vem pela frente. Grau de acidez máximo, Ph 1.

17:30 - TCM - Jeremiah Johnson: lançado no Brasil como Mais Forte do que a Vingança, este filme do início da década de 70 traz Robert Redford como o cara que vira eremita no meio das montanhas geladas de Utah. Um grande filme, diferente de tudo o que você já viu, exceto se tiver sido um dos poucos felizardos que prestigiaram o recente - e ótimo - Na Natureza Selvagem, do Sean Penn. Acho que este se inspirou em Jeremiah Johnson. Redford, no auge da sua popularidade, era um ator corajoso, que só entrava em filmes que lhe significavam algo (temas preferidos: política com tendências liberais, busca da verdade, contato com a natureza). É um dos heróis deste blogueiro.
















Reford e seu amigo urso: porque é melhor evitar andar com certas pessoas...


19:50 - TC Pipoca - Tropa de Elite: é sempre confortável ver Capitão Nascimento descendo a lenha nos bandidos e dando esporro na rapaziada que faz o curso para entrar no Bope. Além das frases inspiradíssimas de um roteiro sensacional, destaco o trabalho do Wagner Moura, que consegue dar show não só nas grandes tiradas ("fanfarrão", "nunca serão", etc), mas também em frases comuns: sua performance ao entrar no morro gritando "não vai subir ninguém! Não vai subir ninguém!" para a PM é absolutamente genial.

21:00 - HBO - Batman - o Cavaleiro das Trevas: dizer o quê? O grande marco do cinema em 2008 traz aquela performance inesquecível do finado Heath Ledger como Coringa, mas traz mais: baita direção de arte, roteiro redondinho, grandes atuações acessórias de Cristian Bale e Gary Oldman... só podiam arrumar uma mocinha melhor para o Batman! Onde está a Scarlett Johansson quando precisamos dela?

22:00 - TC Cult - O Homem Que Sabia Demais: porque Hitchcock nunca é demais. Este é a segunda versão do diretor, feita em 1956 (ele tinha feito uma primeira em 1934, que ele considerava "amadora"), e traz James Stewart como o americano de férias em Marrocos que testemunha  um assassinato e que se vê em uma situação perigosa - sua vida depende do seu silêncio. Conta com aquele que é, na opinião deste blogueiro, o melhor clímax de todos os filmes de Hichcock: o assassinato que acontece durante um concerto de música clássica no Royal Albert Hall, em Londres. Tudo é arquitetado para o tiro ser disparado no momento exato em que os pratos são tocados. Uma aula de cinema.


Até em trailer Hitchcock era diferente. Veja James Stewart "vendendo" o filme e falando sobre a tal cena do concerto.

23:00 - Warner - Penetras Bons de Bico: ótima comédia com Owen Wilson e Vincent Vaughn. Eles são os amigos que se profissionalizaram na arte de entrar em casamentos para os quais não foram convidados, com o único objetivo de pegar mulher. A vida vai bem para os fanfarrões, mas tudo muda quando ambos se apaixonam por duas irmãs (Isla Fisher é a ruivinha ninfomaníaca que dá um jeito em Vaughn; Rachel McAdams é a garota cabeça e sensível que fará de Wilson um homem sério). Despretensioso, traz uma equação agradável para servir de pano de fundo para o "esquenta" da balada de sábado: festas + alta brodagem + garotas = sábado à noite.

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Listão: o melhor da década 00

quinta-feira, 17 de setembro de 2009 - 5 Comentários

Moçada, o ano 2000 chegou, o mundo não acabou (reagendaram o evento para 2012) e filmes continuaram a ser feitos, e nós continuamos a ir ao cinema. Graças a Deus.

Já se vão quase dez anos e é chegada a hora de fazer um balanço. Como foi o cinema nestes anos 00?

Eu classifico esta primeira década do milênio como uma época difusa para o cinema. Não há um filme com "a cara" da década - como A Primeira Noite de um Homem foi para os anos 60 (contra-cultura), Taxi Driver para os 70 (realismo e autoria), E.T. para os 80 (fantasia) e Pulp Fiction para os 90 (cinema "independente"). Vejo um pouco de tudo, e nada muito dominante.

BLOGIE peneirou seus filmes preferidos, para ver no que dá... Veja, em ordem cronológica, a lista dos melhores filmes desta década:

- Quase Famosos, de Cameron Crowe

- Alta Fidelidade, de Stephen Frears (baseado no livro do Nick Hornby)

- Cidade dos Sonhos, do doido David Lynch

- Fale Com Ela, o melhor de uma série genial do Almodóvar

- Cidade de Deus (e sem unfanismo!)

- Encontros e Desencontros (já falo deste)

- Sobre Meninos e Lobos, do grande Clint Eastwood

- Match Point, da fase europeia de Woody Allen (Vicky Cristina Barcelona também merece lugar na lista)

- Closer - Perto Demais, teatro filmado pelo gênio Mike Nichols (o mesmo por trás de A Primeira Noite de um Homem e Uma Secretária de Futuro)

- Procurando Nemo, da Pixar

- Kill Bill, um grande exercício de estilo de Tarantino

- Os Infiltrados, porque um bom Scorsese vale ouro hoje em dia

- Juno, uma bela surpresa de um ótimo diretor novo, Jason Reitman

- Gran Torino, epitáfio dos personagens-machos de Eastwood

- Up! - Altas Aventuras, outra vez a Pixar


Como dá pra ver, tem um pouco de cinema pop e com pinta indie (Alta Fidelidade e Juno), que são praticamente um tributo aos anos 90; há grandes obras de gênios incansáveis (Woody Allen, Clint Eastwood, Martin Scorsese, Pedro Almodóvar); há pontos fora da curva (o representante brasileiro e os acertos de Tarantino e de David Lynch); há as animações da Pixar, que divide com a Dreamworks (Shrek, etc) as grandes bilheterias desta década...

... e há Encontros e Desencontros.


Se eu tivesse que escolher um filme como representante da década, seria este.

Encontros e Desencontros é o segundo filme de Sofia Coppola, filha do grande Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão, Apocalipse Now). A moça tentou de tudo na vida: quis ser atriz, quis ser fotógrafa, foi patricinha, ficou entediada. E atendeu ao óbvio chamado da natureza e realizou o talento que a genética lhe transmitiu: virou diretora.

Fez o ótimo e subestimado As Virgens Suicidas. E aí emendou esse filme incrível e sem paralelo que é Encontros e Desencontros. O nome original, Lost in Translation ("perdido na tradução"), explica mais sobre o filme. Ele é sobre aquilo que não se fala, mas que fica entalado. Frustração de viver em uma época em que se pode tudo, e isso simplesmente não é suficiente.


Veja o trailer - com legendas! - de Encontros e Desencontros..

Os protagonistas, você sabe, são Bob Harris (Bill Murray), um ator que já viveu dias melhores e que curte sua decadência fazendo comerciais de uísque no Japão, e Charlotte (Scarlett Johansson), uma moça que não sabe o que quer na vida e que está em Tóquio acompanhando seu namorado workaholic.

Bob e Charlotte, embora sejam de gerações diferentes e, aparentemente, nada tenham em comum (Bill Murray é feio a dar com pau, e Scarlett é uma deusa), acabam se entendendo, firmando uma rápida amizade baseada na auto-ironia e na cumplicidade e, eventualmente, se enroscam em um caso passageiro.

Sofia Coppola abre mão do cinismo e da vontade de ser esperta que caracterizaram o cinema dos anos 90, e é aí que Encontros e Desencontros vira símbolo desta década esquisita: você pode ficar conectado com o mundo, viajar até Tóquio, entrar nas baladas mais loucas, mas não precisa fingir que está mandando bem. Admitir a frustração é um passo nobre a ser dado, e Scarlett Johansson construiu uma carreira a partir dessa aparição inesquecível - foi, sem dúvida, a revelação da década. Bill Murray também ganha aqui o papel da sua vida, e foi uma pena Sean Penn ter vivido Sobre Meninos e Lobos no mesmo ano. Murray merecia seu Oscar, era sua grande chance (enquanto Penn já ganhou outro e, tudo indica, tem mais pela frente).

Encontros e Desencontros tem também uma trilha sonora com cara de anos 00 - rock independente, música eletrônica, lounge, essas coisas que eu não sei direito como rotular, tudo muito etéreo e desconexo, disperso como tudo neste mundo em que pessoas ficam se xingando em fóruns de discussão e blogs, que teoricamente têm a capacidade de unir e incluir.

Acredito que o futuro reservará um lugarzinho de destaque para essa singela e sincera realização de Sofia Coppola.

E espero que ela não se entregue aos maneirismos a que tentam reduzir seu trabalho (moças solitárias, música independente, potencial de ícone fashion). Se ela morder essa isca (e parece que mordeu em Maria Antonieta), poderá desperdiçar um grande talento para contar histórias. Que ela reencontre seu caminho.

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Extras inéditos de "UP!"

quarta-feira, 16 de setembro de 2009 - 1 Comentários

Dica do amigo e cinéfilo Adriano Abreu, para quem gostou de UP! - Altas Aventuras, e que, como este blogueiro, não consegue parar de pensar no filme: o link abaixo traz alguns teasers, cenas inéditas (na verdade, pequenos episódios sem relação com a trama) e trailers -e tudo em alta definição! 

www.apple.com/trailers/disney/up

O meu preferido é Inside UP: Pixar 3D, um making of da produção em 3D. Aparecem alguns dos responsáveis por essa obra-prima. Dá pra sentir o orgulho dos caras e a segurança de que fizeram um negócio histórico.

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Crítica: "Up! - Altas Aventuras"

terça-feira, 15 de setembro de 2009 - 14 Comentários

A temporada de filmes "sérios" de Hollywood está só começando (é depois do verão nos EUA que os postulantes ao Oscar programam os lançamentos), mas já dou por encerrada a briga pelo posto de filme do ano.

O filme do ano é uma animação: Up! - Altas Aventuras, da Pixar. Faz tempo que as animações vêm se mostrando tão boas quanto os melhores "filmes de verdade" - e, a despeito de terem como público a criançada, demonstram personagens mais desenvolvidos e mais sensibilidade que quase toda a produção americana. Depois da série Shrek, de Procurando Nemo, de Monstros S.A., de Os Incríveis, do ousado Wall-E, de tanta coisa, chegou a hora de dizer: um desenho animado é o melhor filme do ano.

Isso não acontece pelos seus óbvios méritos técnicos: pra falar a verdade, não ligo para a definição da imagem (que é ótima), para as cores (que são incríveis), para o realismo (que é desnecessário) ou para o 3-D (prefiro até 2D, pra não desviar atenção). Ligo mesmo para a história, para os personagens, para o cinema.
















E Up! começa com a melhor sequência de cinema dos últimos tempos: evocando outra época, através do cinejornal (da mesma maneira que começa Cidadão Kane), o filme mostra um menino no cinema, sonhando com as grandes aventuras de um explorador famoso. Depois ele brinca na rua e conhece uma menina doidinha, esperta e com o mesmo fascínio pelas aventuras do tal explorador. São só quatro minutos de filme.

E então, sem que uma palavra seja dita, um vídeo-clipe de cinco minutos conta a vida de Carl e Ellie, agora crescidos, que se casam, que trabalham no mesmo zoológico (ela, como zoóloga; ele, como vendedor de balões), que sempre adiam o grande plano - explorar um paraíso tropical na Venezuela - devido a gastos mais urgentes, que acumulam frustração sobre frustração... mas que se tornam um adorável casal de velhinhos, até que Ellie morre e Carl fica sozinho, na casa que construíram juntos, rodeado das lembranças da sua mulher esperta.

Repito: é a melhor sequência do cinema em muito tempo. Não importa se você é macho, muito macho, novo, velho, mulher, indeciso... você vai chorar.
















Apresentados os personagens, sabemos que Carl tem uma dívida com sua finada esposinha: concretizar sua GRANDE AVENTURA. As circunstâncias - a iminência da mudança para um asilo - o fazem bolar o plano. E aí entra a fantasia genial da Pixar: o vendedor de balões enche centenas de bexigas, ergue sua casa do chão e se põe a buscar o paraíso perdido da América do Sul.

Por acaso, um escoteiro gordinho - Russel -, que está focado em completar a tarefa de ajudar um velhinho, está na varanda no momento em que a casa alçava voo. Será ele o companheiro de Carl na sua aventura, e será ele o responsável por dar bons motivos para Carl continuar vivendo sua própria vida.


Veja o trailer de UP - Altas Aventuras!

Como em qualquer desenho animado, personagens secundários engraçados - bichos falantes, desengonçados e exóticos - vão popular a tela e dar aquele tom cômico. A criançada se amarra, mas todos vão rir. A sensibilidade com que hábitos de dia-a-dia são expostos - especialmente a relação entre homens e cães - é tocante. A sacada do cão falar com um dispositivo digital, que verbaliza o pensamento do bicho, é genial: por exemplo, após levar um esporro do velhinho e de dar uma sumida, o cachorro está na porta. O velhinho abre e fica supreso - e o cachorro explica, abanando o rabo: "é que eu te amo, então fiquei escondido embaixo do balcão da varanda..."

Ao longo do filme, Carl terá que lidar, entre outras coisas, com a limitação da sua "nave": os balões cheios de hélio não durarão muito, e é uma metáfora muito bonita a maneira como eles vão murchando e anunciando o tempo de vida que Carl vai perdendo na sua expiação da perda de Ellie. E é de dar um nó na garganta (de novo) a maneira como ele consegue buscar um gás novo para sua vida: tirando o peso de dentro da casa (o que significa se livrar da tralha que lhe traz tantas lembranças). Ele finalmente se desapega e pode abrir seu novo livro de aventuras.

Inspirador, sensível, observador, genial... e infantil. Lidemos com a verdade: ninguém neste século consegue fazer cinema com a qualidade da Pixar. Up! para o Oscar de melhor filme!

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RIP: Patrick Swayze, 1952-2009

segunda-feira, 14 de setembro de 2009 - 4 Comentários

Patrick Swayze, galã de uma geração, morreu ontem de câncer no pâncreas.


Todo mundo vai se lembrar dele pelos seus papéis de galã: o finado de Ghost e o dançarino muito vivo de Dirty Dancing.

















Swayze e Demi Moore em Ghost: histórico.


Mas Swayze também foi um cara que merecia uma cadeira na nossa mesa do bar. Ele era o herói da molecada no grande Vidas Sem Rumo, do Coppola. A molecada era uma geração de aprendizes de galã (Tom Cruise, Ralph Machio, Rob Lowe...).

Acima de tudo, Swayze quebrou tudo no filme B Matador de Aluguel. Nele, ele é Danton, um cara com doutorado em psicologia pela NYU, mas que prefere ganhar a vida como leão de chácara em espeluncas de beira de estrada.

Você não quer mexer com Danton. Ele é mestre em artes marciais, usa mullets pavorosos e consegue transformar uma equipe de fracotes em hooligans maus.


E ainda pega a gata da cidade, uma médica que é  propriedade do mafioso dono do pedaço.


Vamos lembrar de Swayze como o cara que resolve a parada. A cena abaixo é a briga com melhor trilha sonora da história: Jeff Healey e sua banda tocam ao vivo no boteco, enquanto Danton e seus amigos botam os malandros pra correr.



Falando sério: o cara era um ótimo ator. Tinha carisma, dançava e cantava. Deixa um bando de mulheres na faixa dos 30 de luto.

Descanse em paz, camarada.

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Trilha sonora para a semana

Pra começar a semana com gás total:



O filme é Jerry Maguire, de 1996. Um belo filme, com roteiro e direção elegantes e indicados ao Oscar. No mais, papel da vida de Tom Cruise.

Depois de ter sido demitido e de ter levado um pé na bunda da noiva, o tal do Maguire (Cruise) acaba de sair de uma reunião que lhe promete grandes negócios. O rádio oferece Bitch, dos Stones, mas não é exatamente a trilha sonora que traduz seu momento.Ele vai girando o dial e passa por Angel of the Morning, com a Olivia Newton-John. Nada a ver. E passa batido por outra música, um easy listening infernal.

E aí entra Free Fallin', do Tom Petty. Que som!

Tom Cruise, Cameron Crowe (o diretor do filme, que sempre dá um jeito de colocar suas músicas preferidas em destaque) e eu berramos junto com Petty: "I am free... Free fallin'!"

Boa semana a todos!

P.S.: pra quem quiser saber mais, essa música é do primeiro disco de Petty sem sua banda, os Heartbreakers. O disco é Full Moon Fever, de 1989. Produção do então onipresente Jeff Lynne, responsável pelo som do George Harrison, Bob Dylan e Roy Orbison naquele rico final dos anos 80. Todos esses figurões e produtor se juntaram naquele mesmo ano e formaram os Traveling Wilburys, a superbanda mais bacana da história. Assunto pra mais de metro.

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Aprenda a ser a alma da festa com Patrick Dempsey

sábado, 12 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Para entrar no espírito do fim-de-semana: Ronald Miller (Patrick Dempsey, hoje astro de Grey's Anatomy) era um CDF que queria virar um cara popular na sua escola. Exposto à prova de fogo para nerds metidos a malandro - a pista de dança -, ele mostra suas armas: evoca o obscuro "ritual do tamanduá africano". E ganha a balada.



O filme é Namorada de Aluguel, de 1987. Acredite se quiser, mas cenas muito parecidas com esta aconteciam nas festinhas ginasiais do fim dos anos 80, quando o filme ficou bem popular, graças às reprises na Sessão da Tarde.

Piada que serviu para disfarçar a falta de jeito de nerds mil, incluindo este blogueiro.

Bom final-de-semana a todos!

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Por um 11 de setembro feliz em Nova York

quinta-feira, 10 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Nada de baixo-astral neste 11 de setembro. Nova York deve ser lembrada e celebrada pelo que ela tem de melhor.


Para mim, assim como para o cara que escreveu, narrou e dirigiu a cena abaixo, não importa a estação: Nova York ainda existe em preto-e-branco e pulsa ao som de George Gerwshwin.



O filme é Manhattan, obra-prima do Woody Allen. Para mim, melhor cena de abertura de todos os tempos. E maior homenagem a uma cidade já feita por um cineasta.

Aí vai a tradução do texto:


"Capítulo Um. Ele adorava Nova York. Ele a idealizava muito além da conta - ãh, não, vai assim: ele... ele romantizava-a muito além da conta - YES. - Para ele, não importa qual a estação, esta ainda era uma cidade que existia em preto-e-branco e que pulsava ao som das grandes canções de George Gershwin. - Ãh, não, perdi alguma coisa...

"Capítulo 1. Ele era romântico demais sobre Manhattan, como ele era sobre todo o resto. Ele se deliciava em andar no meio da multidão e do trânsito. Para ele, Nova York significava mulheres bonitas e caras espertos que sabem de tudo - não, não, brega, muito brega para alguém com meu estilo. Será que dá... dá pra tentar algo mais profundo?


"Capítulo um. Ele adorava Nova York. Para ele, a cidade era uma metáfora da decadência da cultura contemporânea. A mesma falta de integridade individual que levava tanta gente a buscar o caminho mais fácil estava rapidamente transformando a cidade dos seus sonhos em... - não, ficou meio sermão. Quer dizer, você sabe, vamos encarar, eu quero vender alguns livros.

"Capítulo um. Ele adorava Nova York, embora para ele a cidade fosse uma metáfora da decadência da cultura contemporânea. Como era difícil viver numa sociedade descaracterizada por drogas, música alta, televisão, crime, lixo... - muito raivoso. Não quero ser raivoso...


"Capítulo Um. Ele era forte e romântico como a cidade que ele amava. Por trás de seus óculos de aro preto, se escondia o apetite sexual de um gato selvagem - gostei disso. - Nova York era sua cidade, e sempre seria..."
E aí somos arrebatados pela incrível Rapshodie in Blue, de George Gershwin, e pela fotografia maravilhosa de Gordon Willis.












O rapaz aí é que sabe das coisas.

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Crítica: "Amantes", com Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw

quarta-feira, 9 de setembro de 2009 - 10 Comentários

Tirando Up, a nova animação da Pixar, não tem nada de novo que valha a pena encarar no cinema. Para o leitor que, a esta altura, já viu Se Beber, Não Case! e os outros filmes mais badalados, uma boa pedida continua sendo Amantes, de James Grey.
O filme traz Joaquin Phoenix como um jovem que se recupera de uma depressão daquelas (tentou se matar e tudo mais). Basicamente, ele enfrenta aquelas questões familiares a todos os jovens: se livrar da sombra dos pais controladores; querer achar um caminho diferente daquele que seu destino parece lhe ter reservado; encontrar alguma imprevisibilidade, emoção e romantismo num mundo bem sem graça. Um ponto de partida bem parecido com o de A Primeira Noite de um Homem (clássico de Mike Nichols, com Dustin Hoffman no papel do jovem entediado).

Pra balançar a vida do rapaz - assim como em A Primeira Noite... -, aparecem duas mulheres: a filha do sócio do pai (as coincidências não param) e uma vizinha misteriosa. A primeira é interpretada por Vinessa Shaw, uma atriz de nuances, na linha Laura Linney - uma grata surpresa. A segunda é defendida com competência por Gwyneth Paltrow, que não fazia nada que prestasse há muito tempo. O jovem vai se dividir entre as duas (ou melhor, tenta se livrar de uma enquanto aumenta a obsessão pela outra), enquanto decide se casa ou se compra um guarda-chuva.
















Joaquin Phoenix e Vinessa Shaw: mais uma grande performance de um, revelação do talento da outra.

As comparações com A Primeira Noite de um Homem, no entanto, se sustentam por mais algumas citações espertas (como o aquário no quarto de Phoenix ou a sua trajetória desesperada do quarto até a porta da rua no meio de uma festa chata cheia de amigos dos seus pais)... e só. Todo o bom humor, a ironia e a juventude do filme de Nichols não dão as caras em Amantes. Aqui, a coisa é pesada.

O filme não tem grandes seduções, nem grandes brigas, nenhum momento "cinematográfico". A coisa é levada em banho-maria, como a vida dessas pessoas (e da maioria das pessoas). O clima é morno, e os tons, frios, como em Interiores, do Woody Allen. Apropriado para o desfile de personagens bem construídos, com personalidades complexas e que não se preocupam em fazer sentido. Tudo muito normal, especialmente se lembrarmos da máxima segundo a qual "de perto, ninguém é normal."





















Brinde para a moçada: Gwyneth exibe seus atrativos (que já lhe valeram um Oscar por Shakespeare Apaixonado).

Dessa maneira, sem nada mágico acontecendo, só com frustração em cima de frustração, Amantes vai nos conduzindo num passeio por uma praia durante o inverno, sob garoa fina, até que a maré decida o que Phoenix fará de sua vida. 
Incomoda? Um pouco. Mas vale a pena ver um filme desses de vez em quando.

Se você estiver de bem com a vida.

PS: aliás, que grande interpretação de Joaquin Phoenix! Ele é um dos grandes, não há dúvida, e sua piração momentânea (de abandonar a carreira de ator para virar produtor de hip-hop), tomara, será apenas um detalhe curioso na sua biografia de lenda de Hollywood.

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Livro: "O Clube do Filme", de David Gilmour

terça-feira, 8 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Da pilha de livros que se acumula num canto incômodo do escritório, consegui matar um. Aproveitando uma viagem a trabalho, dei conta de uma preciosa indicação de um amigo cinéfilo: O Clube do Livro, lançado há cerca de três meses, e que andou frequentando algumas listas dos mais vendidos.

O livro chama a atenção por dois motivos:

1) a história é ótima: um pai percebe que está perdendo o controle sobre o filho adolescente, que simplesmente não é compatível com a escola. E propõe algo polêmico e arriscado: o filho pode abandonar a escola, desde que assista a três filmes por semana com o pai (que é crítico de cinema);

2) a história é real. O autor, o canadense David Gimour (que não é o guitarrista homônimo, do Pink Floyd), realmente deu essa oportunidade duvidosa para seu filho, e ambos saíram vivos, felizes e crescidos da experiência.














Gilmour e o meliante cinéfilo: uma aposta arriscada.


Para o leitor do BLOGIE, o que interessa são as deliciosas opiniões sobre o monte de filmes a que pai e filho assistiram durante o período mais nervoso da adolescência de Jesse (esse é o nome do mau elemento). De Casablanca a Instinto Selvagem, de Woody Allen a Rocky III, de O Poderoso Chefão a Picardias Estudantis, cada filme merece um comentário inspirado e apaixonado de um cara que entende de cinema. Isso vale o livro.

Como literatura, a coisa é mediana: seu texto e - principalmente - seus diálogos não resistem a comparações com os de um Nick Hornby ou de um Jonathan Coe (pra ficar em autores especialistas em romances cheios de citações pop). No entanto, a honestidade e a completa falta de cinismo do autor, aplicados a uma experiência tão poderosa, são capazes de conquistar qualquer pessoa, especialmente aquelas que têm filhos para criar... O amigo que me indicou o livro tem esse desafio muito presente em sua vida e simplesmente amou O Clube do Filme. Dá pra entender.

Ressalvas nerds de um blogueiro chato

Gimour bem que poderia fazer uma checagem antes da publicação do livro. Peguei alguns erros (uma brincadeira doentia que alimento ao ler livros sobre minhas obsessões: filmes, Beatles e Corinthians). Vamos lá:

1- O autor diz ter visto um show dos Beatles em 1965, no qual ele destaca a lembrança de John Lennon cantando Long Tall Sally com aquele sotaque de Liverpool. Só que quem cantava essa canção (que é do Little Richard) era o Paul McCartney.

2- Menos de uma página depois, ao tentar provar que os Beatles eram o máximo para seu filho, o autor diz ter colocado pra tocar It's Only Love, do álbum Rubber Soul. Na verdade, a música não é desse disco, mas sim do Help!, seu antecessor.

3- Este é o mais grave: é dado grande destaque à primeira vez em que pai e filho assistem a Assim Caminha a Humanidade (filmaço, by the way). Gimour descreve a maneira como seu filho comia um croissant, fazendo barulho, enquanto o filme começava, quando parou pra perguntar, com a boca cheia, "quem é esse?" - e o pai respondeu, "James Dean". Ora, Dean só aparece com mais de vinte minutos de filme! E essa demora na sua primeira aparição é uma lenda do cinema! Inexplicável...

















James Dean em Assim Caminha a Humanidade: ele demora pra aparecer, mas domina a cena.

Deixando a chatice de lado, esses pequenos erros são balanceados com belos acertos, como a sessão de "tesouros escondidos" - filmes maravilhosos que não têm a mesma fama dos clássicos. Pra terminar, então, listo os tesouros escondidos de Gilmour (já vi metade deles e o cara tem razão: é tudo coisa boa!).


Tesouros escondidos, segundo O Clube do Filme:

- Quiz Show (1994), de Robert Redford (com Ralph Fiennes)

- A Última Missão (1973), de Hal Ashby (com Jack Nicholson) - com roteiro de Robert Towne (o mesmo de Chinatown)!

- A Última Investigação (1977), de Robert Benton (com Lily Tomlin)

- Memórias (1980), de Woody Allen (lançando entre Manhattan e Zelig, um filme normalmente esquecido como um "Allen menor")
- Ishtar (1987), de Elaine May (com Warren Beatty e Dustin Hoffman, nos papeis de músicos fracassados que vão tocar no reino de Ishtar e se envolvem na política local - e com a Isabelle Adjani, mais bonita do que nunca! É um dos filmes preferidos do autor, e é realmente algo meio secreto... pra garimpar pela web!)

- Irresistível Paixão (1998), de Steven Soderbergh (com George Clooney e Jennifer Lopez)

- Amor à Queima-roupa (1993), de Tony Scott (primeiro roteiro do Quentin Tarantino!)

Enfim, uma bela seleção de raridades para procurar e se divertir. Já tenho passatempo para as próximas semanas.


Pensando bem, deveriam fazer mais livros como esse O Clube do Livro.

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Direto do Twitter 2: mais filmes resumidos em 140 caracteres

domingo, 6 de setembro de 2009 - 2 Comentários

Vamos continuar resumindo clássicos do cinema em 140 caracteres. A maioria veio do meu Twitter. Outros são sugestões dos leitores de BLOGIE. Mande a sua sugestão!


Mulher se suicida após café da manhã com “manteiga”. Viúvo ninfomaníaco encontra parisiense cheia de amor pra dar.

(O Último Tango em Paris, por Patrícia, do blog E a Nave Vai)


Mistério: jovem inventor do rock'n'roll desaparece a bordo de carro futurista.

(De Volta Para o Futuro)



Lester é um homem de meia-idade, triste com a vida e decidiu fumar maconha. Altas confusões vão acontecer com esse tiozão pra lá de louco!
(Beleza Americana, por Fábio, fazendo a linha narrador da Sessão da Tarde)



Primeiro escalão de Hollywood brinca de polícia e ladrão e todo mundo morre no final.
(Os Infiltrados)



Cabeludo feioso que veste saias vive 700 anos, decepa a cabeça de um monte de gente e sobrevive a uma tempestade elétrica.
(Highlander, o Guerreiro Imortal)


Jovem arrogante pilota aviões de caça, anda de moto, joga vôlei, pega a instrutora loira e mata russos. Mas não engana ninguém.
(Top Gun)

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Lista: as melhores cenas de abertura - 1

quinta-feira, 3 de setembro de 2009 - 7 Comentários

Outro dia, num almoço, uma jovem colega, nos seus vinte e poucos anos, chocou os comensais ao afirmar que ela não conhecia Os Goonies. Eu fiquei estupefato. Como alguém pode ter atravessado a pré-adolescência sem ter conhecido Mike, Bocão, Bolão, Dado? Sem ter se divertido com Sloth, o monstro bonzinho? Sem ter ficado na dúvida se Mamma Fratelli é mulher ou homem? Sem ter se apaixonado por Andy (Keri Green), estrategicamente um pouco mais crescida do que a molecada do filme (e da plateia)?

Enfim, ser um Goonie é algo a que todos os moleques de doze anos aspiraram, pelo menos na minha geração.

De quebra, lembrei-me de que o filme, dirigido por Richard Dooner a partir de história de Steven Spielberg, conta com uma das melhores cenas de abertura de todos os tempos.

O que me obriga a pensar na lista de melhores cenas de abertura de todos os tempos. Este é um dos meus temas preferidos, então não vou fechar em uma lista nem colocar em um ranking. Vou simplesmente listar as cenas de abertura inesquecíveis. À medida que eu for me lembrando, vou listando... espero que se divirtam!

Pra começar: três filmes bem diferentes e excelentes, todos com cenas de abertura não menos do que inesquecíveis.

Pulp Fiction: assaltos, um bom assunto para o café-da-manhã



O segundo filme de Quentin Tarantino tornou-se simplesmente o filme mais importante da década de 90. E todo o seu espírito e suas virtudes são apresentadas em um preâmbulo interessantíssimo, sem personagens principais e sem relação (aparente) com a trama. Um casal discute, num restaurante - enquanto toma seu café-da-manhã -, sobre suas perspectivas como assaltantes. O risco de levar um tiro, problemas logísticos durante o assalto, o dilema entre tomar a carteira dos clientes ou ficar só com a grana da loja... Tudo é discutido numa tranquilidade, dando o tom da violência banalizada que caracterizaria o filme e um monte de imitações que vieram depois. Os diálogos inspirados de Tarantino estão ali, como a observação da garçonete ("Garçon means boy!"). De repente, eles explodem, numa tempestade de palavrões e armas e baba pulando pra fora das bocas - e entra a abertura, com letras garrafais e o som de Dick Dale anunciando que Tarantino é um cara talentoso e esperto, e que ele estava fazendo história. Sensacional.


Carruagens de Fogo: heroísmo esportivo em escala gigante



É assim que se começa um filme: sem letreiro, nem nada. Uma rápida cena em um funeral. Um velhinho discursa em memória ao amigo que morreu. Ele termina a fala dizendo que se lembra como se fosse ontem de um grupo de jovens, do qual só sobravam ele e mais um vivos - "um formidável grupo de jovens, com sonhos no coração e asas nos calcanhares"... e corta para o tal grupo, correndo na praia - era a delegação de atletismo inglesa, se preparando para as Olimpíadas de 1920. A música de Vangelis irrompe em sua melodia perfeita, enquanto todos os personagens principais são apresentados. Duas consequências históricas: 1) Carruagens de Fogo, a música, tornou-se hino dos jogos olímpicos para sempre; 2) Carruagens de Fogo, o filme, ganhou Oscar de melhor filme em 1981.


Os Goonies: simplesmente a melhor abertura!























Essa, eu fico devendo. Não apareceu uma boa alma para postar a sequência de abertura de Goonies no You Tube. Uma pena, porque é uma aula de cinema: uma única ação - a fuga de uns bandidos da cadeia - serve para apresentar, um a um, todos os personagens principais e secundários da trama, bem como o ambiente onde se passará o filme (uma periferia decadente na California). Créditos, música e contexto - lanchonetes, fliperamas, malhação caseira, aparelhos de som - ajudam a formar um verdadeiro inventário pop dos anos 80.

Para quem nunca assistiu: não desperdice mais um dia de sua vida sem conhecer Os Goonies.

Para quem já viu dezenas de vezes, no cinema, no vídeo-cassete e na Sessão da Tarde: veja novamente e perceba como o filme, além de despertar aquela nostalgia, se revelará cinema de gente grande, com roteiro perfeito, ótimos personagens, edição inacreditável e produção impecável.

Porque fazer filme de matinê já foi atividade muito séria, a cargo de gente muito competente. Ave, Spielberg.

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Filme VIP da semana: "Um Tiro na Noite", de Brian DePalma

terça-feira, 1 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Brian DePalma, você sabe, é um baita cineasta. O mundo todo viu com prazer suas competentes empreitadas "mercenárias", como Os Intocáveis e Missão Impossível. Uma legião de seguidores exalta Scarface, que virou ícone pop. Muitos se lembram de Carrie, a Estranha, primeiro filme de destaque do diretor. Uns poucos discutem as obsessões de DePalma - loiras, voyeurismo, assassinatos, procedimentos técnicos de filmagem, fotografia, gravação etc... - em seus filmes mais autorais, como Vestida Para Matar, Dublê de Corpo e o mais recente Femme Fatale. Mas quase ninguém viu o melhor filme do cara: Um Tiro na Noite, de 1981.

Um Tiro na Noite é simplesmente o filme em que DePalma desenvolveu suas obsessões pela primeira vez, com um grau de novidade, inventividade e genialidade que não foi jamais igualado. Suspense de primeira, no nível dos melhores Hitchcocks!


Olha esse trailer...

John Travolta (em seu último registro de destaque antes de mergulhar no ostracismo de onde só Tarantino o resgataria, quinze anos depois) é Jack, o especialista de som que trabalha na produção de um filme de terror. Ele passa suas noites captando sons para usar no filme. Em uma delas, está no meio do mato captando o vento, o farfalhar das folhas, uma coruja - e, de repente, ele grava e testemunha um acidente de carro que pode ser algo bem pior do que isso... um pneu estourou? Ou foi um tiro?

A condução que a polícia dá ao caso deixa uma pulga atrás da orelha de Jack. Enquanto ele procura sarna pra se coçar, os envolvidos no crime por ele flagrado providenciam uma limpeza de evidências - ou seja, matar umas pessoas por aí. E aí entra Nancy Allen (então mulher de DePalma, o que significa que ele terá prazer em desnudá-la para o público), como Sally, a prostituta que é chave na solução do mistério.




















Travolta, DePalma e sua musa/esposa, Nancy Allen: o fim de uma época em que deixaram os loucos tomarem conta do hospício...


O filme é uma sucessão de cenas incríveis, desde o falso filme de terror no início; os créditos iniciais apresentados enquanto Jack prepara seus sons, a tela dividida em dois, dando espaço para a TV que traz nótícias relevantes para a trama (veja abaixo!); e então todas aquelas perseguições e diálogos ásperos e realistas e cenários sinistros; e aquela inacreditável sequência do Dia da Independência - coisa de tirar o fôlego!


Atenção ao corte na tela... marca registrada de DePalma!

O que mais encanta no trabalho de DePalma são os deliciosos detalhes em que ele insiste ir cada vez mais fundo. Se DePalma tem um fotógrafo no filme, os detalhes de revelação ou de enquadramento são importantíssimos na solução da trama. Em Um Tiro na Noite, o ofício de encontrar sons adequados e gravá-los é explicado, colocado à prova e preservado em uma última cena desesperadora (gostaria de escrever um tratado sobre esse final, mas é mais honesto simplesmente pedir para que o leitor veja com seus próprios olhos).

Ao vermos Um Tiro na Noite, fica a certeza: nunca houve um cineasta como Brian DePalma. Este é o primeiro filme para entender sua obra. Depois, vale a pena ir de Vestida para Matar e Dublê de Corpo, e então Femme Fatale e A Dália Negra. E aí chega a hora de Scarface, que ficará melhor ainda. E, finalmente, os filmes pop como Missão Impossível e Os Intocáveis ganharão uma nova dimensão, pode crer.

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