Blogie - Cinema na VIP

Estreia: "Foi Apenas um Sonho", com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009 - 4 Comentários

O Oscar está fechando cada vez mais seu target: se, nos últimos trinta anos, a cultura dos blockbusters passou a espremer os filmes com temas adultos nos três meses que antecedem o prêmio da Academia, agora a novidade é que mesmo neste período não há vida fácil para aqueles de gosto amargo.

Isso fica claro ao vermos que Foi Apenas um Sonho, adaptação do romance de Richard Yates (o nome original, tanto do livro quanto do filme, é Revolutionary Road, bem mais irônico e instigante), recebeu apenas três indicações ao Oscar, todas por categorias secundárias (melhor ator coadjuvante, direção de arte e figurino). O que é uma pena, pois o filme é ótimo.

Frank e April são o casal que se conhece jovem e sonhador, apropriadamente encarnados pela dupla romântica mais vencedora da história do cinema - Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, de Titanic. Em dois minutos de filme, essa fase juvenil do relacionamento é apresentada e cortada direto para a vida que se segue: dois filhos pequenos, trabalho desinteressante para Frank, excesso de tempo livre para April, vidinha vazia para ambos. Estamos no território dos filmes que tratam da falência do sonho americano, do projeto débil que é viver na classe média assentada em ruas tranquilas e casas espaçosas.

















Um trago e colinho não são suficientes para trazer paz à cabeça desse cara...


Para tentar apimentar a vida, e sem saber direito o que estão fazendo, os "jovens Wheeler" (como a corretora de imóveis vivida por Kathy Bates costuma chamá-los) se metem em situações que só pioram a coisa: casos extraconjugais, planos para largar o trabalho e mudança para Paris, pequenas mentiras e grandes discussões.

O filme é dirigido por Sam Mendes, marido de Winslet e vencedor do Oscar por Beleza Americana, outra crônica amarga sobre a vida no subúrbio. A diferença entre Beleza Americana e Foi Apenas um Sonho é que este não abre espaço nem para uma pontinha de redenção (o primeiro oferecia isso, ainda que depois da morte, e com uma boa pontuação de humor ao longo do filme). A visão de Sam Mendes vai na linha "essa vida é tudo de ruim".

Ainda assim, há algo de muito interessante em Foi Apenas um Sonho, e isso é mérito do casal de protagonistas - quando eles sonham com suas mudanças, você acredita; quando dizem se odiar (mesmo se amando), você lamenta. Quando rumam para o fim, você fica olhando para o nada, pensando na vida em termos mais sérios do que gostaria. É impensável por que razão alguém acharia a atuação de Brad Pitt em Benjamin Button superior à de DiCaprio neste filme; é simplesmente uma escolha errada a indicação de Kate Winslet por O Leitor, ao invés desta atuação arrebatadora.


Veja o trailer de Foi Apenas um Sonho. E vá ao cinema!



Foi Apenas um Sonho faz parte da tradição de grandes filmes que estudam a incapacidade humana em manter um relacionamento adulto com um mínimo de estabilidade. Closer, de Mike Nichols, Domicílio Conjugal, de François Truffaut, e metade dos filmes do Woody Allen tratam desse tema com estilos diferentes e igual sucesso.

Mas o filme que mais conversa com Revolutionary Road é Two for the Road (aqui, Um Caminho para Dois), de 1967, dirigido por Stanley Donen. O filme traz Albert Finney e Audrey Hepburn como o casal que enfrenta a crise após dez anos de relacionamento. O cenário, ao invés do lar, é uma viagem pelo sul da França. Os problemas enfrentados, os mesmos (filhos que vieram antes do que se esperava, traições etc). A grande diferença, no entanto, está na maturidade para encarar os problemas e o desafio da vida a dois: enquanto o jovem Sam Mendes e seus personagens com sonhos ainda juvenis rumam para um fim trágico, os mais rodados Donen, Finney e Hepburn permitem-se rir um pouco da situação e buscam o melhor caminho para tocar a vida em frente.

Resumindo: acho que Sam Mendes, quando tiver cinquenta anos, pensará em fazer outro filme com o mesmo tema, mas com um pouco mais de sabedoria, coisa que ele hoje toma por "comodismo". Se fizer isso, ganharemos todos. Ele terá feito outro ótimo filme, valorizando ainda mais a sinceridade de Foi Apenas um Sonho.

E aí, talvez, o Oscar se lembre dele novamente.

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Especial Oscar: curiosidades, palpites e dicas

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 - 3 Comentários

Estamos a pouco menos de um mês do Oscar, a premiação mais famosa do cinema. A cerimônia deste ano cairá bem no domingo de Carnaval. Há tempo mais que suficiente para ver todos os filmes que interessam, estourar a pipoca e se sentar na frente da TV, para acompanhar a transmissão da TNT (a Globo, deliberadamente, resolveu não exibir o Oscar deste ano).

Por enquanto, o que tem causado mais polêmica são os "esquecidos" do Oscar, aqueles bons filmes e atores que não receberam indicações.


Dentre eles, o que faz mais barulho é o italiano Gomorra, sobe a máfia napolitana. Grande destaque não-americano do ano, o filme foi ignorado pela Academia. Na sequência, grandes nomes, como Martin Scorsese e Meryl Streep fizeram declarações na linha "isso é ridículo".

Mas mais importante - e mais desagradável - é o esquecimento de Batman - Cavaleiro das Trevas. O filme, que foi o grande blockbuster de 2008, destacou-se por ir muito além de mera distração de verão - trazia bom roteiro, ótima direção e grandes atuações, especialmente do finado Heath Ledger, como Coringa (este, devidamente indicado a melhor ator coadjuvante). Mas o longa foi ignorado nas principais categorias.
















No tapete vermelho do Oscar, o Batman está barrado - só o Coringa tem lugar...


No que diz respeito aos atores, há duas injustiças flagrantes:

1) Sally Hawkings, que ganhou o Globo de Ouro por seu adorável papel de professora primária londrina que leva a vida como criança em Simplesmente Feliz, não foi indicada ao Oscar de melhor atriz. Em seu lugar, a enésima indicação de Meryl Streep (ou dão logo mais uns prêmios pra ela, ou param de indicá-la por QUALQUER trabalho!), a inclusão de Melissa Leo e a condescendência com Anne Hathaway, que teve seu primeiro papel sério em O Casamento de Rachel. A coisa fica muito chata quando não há pelo menos uma indicação de um papel leve e engraçado (e, de quebra, comovente), como o de Sally.




Veja o trailer de Simplesmente Feliz, um dos bons filmes ignorados pelo Oscar.


2) Leonardo DiCaprio, que, desde que esnobou o Oscar em 1998 (por não ter sido indicado por Titanic), passou a ser objeto de retaliação da Academia. Sua não-indicação por Os Infiltrados, há dois anos, já foi algo incômoda (embora ela tenha sido indicado por Diamantes de Sangue). Mas, agora, após a melhor atuação da sua carreira em Foi Apenas um Sonho, é realmente estúpido não vê-lo na lista de indicados a melhor ator. Nela, encontram-se Brad Pitt, por uma atuação correta e satisfatória (mas não mais do que isso) em O Curioso Caso de Benjamin Button, Mickey Rourke, que empresta sua aparência bizarra a um papel bizarro em O Lutador, e Sean Penn, que está atingindo aquele estágio-Meryl-de-carreira, em que é indicado por qualquer papel dramático que faça. Qualquer um dos três poderia ter cedido o espaço para a indicação de DiCaprio.














DiCaprio e Kate Winslet no ótimo Foi Apenas Um Sonho. Aguarde a resenha, aqui no Blogie!


Falando nele, sua parceira em Foi Apenas um Sonho, Kate Winslet, recebeu mais uma indicação a melhor atriz, mas não por esse filme (é uma pena, pois ela está ótima e ganhou o Globo de Ouro por ele) e sim por O Leitor (pelo qual ela também ganhou um Globo de Ouro, mas como coadjuvante). Parece-me uma bela maneira de evitar que Kate ganhe o Oscar, que já deve ter o nome de Angelina Jolie talhado em sua base. O circo está armado.

Enfim, durante as próximas semana, BLOGIE vai postar uma série de comentários sobre os principais indicados, palpites sobre a premiação e curiosidades históricas da premiação.

Fique de olho!




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Lista: As Mulheres Mais Artificiais do Cinema

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 - 5 Comentários

Nesta sexta-feira, estréia Austrália, a grande bomba deste ano. Todos os jornais, revistas, sites e público são unânimes: o filme é horrível, longo, chato e brega. BLOGIE concorda com tudo isso, e não perderá tempo falando do longa. Mas puxa a discussão para um fato pouco discutido e muito mais relevante: a estrela do filme, Nicole Kidman, está se especializando em filmes ruins... veja só: A Feiticeira, Cold Mountain, A Invasão... desde o Oscar conquistado por As Horas, a moça só mandou na trave. Qual a razão desses fracassos?

Um palpite: além de um péssimo agente, o motivo mais plausível reside na ausência de expressão de Nicole. Em outras palavras, as plásticas que ela empreendeu pra melhorar o que era perfeito transformaram aquela que era a maior estrela de Hollywood em uma das mulheres mais artificiais do cinema.

A seguir, a lista das mulheres que acompanham Nicole no Olimpo das atrizes de plástico:



5. Jessica Rabitt:






















OK, ela tem mais curvas que as demais moças desta lista. Ela é sexy. A expressão dela tem um quê de Kylie Minogue... mas Jessica Rabitt, a esposa animada do coelho Roger Rabitt, é de mentira! Na verdade, ela foi o resultado de uma boa sacada, encarnando a femme fatale do cinema noir (aquele gênero de filmes da década dos anos 30/40, em que o detetive é feito de bobo por uma loira) como ela é: falsa, traiçoeira, uma ficção. Enfim, uma bela maneira de começar a lista!

4. Nicole Kidman:














À esquerda, Nicole perfeita e arfante em Batman Eternamente. À direita, Nicole botocada, com testa devidamente congelada, maçãs do rosto pontudas e nariz tão fino quanto o do Michael Jackson. A primeira era a mulher mais desejada de Hollywood; a segunda trilha precocemente o triste caminho da decadência e da loucura em pleno tapete vermelho. Faz lembrar Crepúsculo dos Deuses, do Billy Wilder.

Resumindo, Nicole entra na onda e desce a ladeira.



3. Meg Ryan:














Assustado leitor, responda: o que é essa boca nova? E o queixo esculpido, deixando um ar de sorriso do Coringa?

A ex-namoradinha da América já enfrenta o ocaso há algum tempo, em grande parte devido à sua deformação facial causada pelas desastradas intervenções cirúrgicas. E volta ao noticiário nesta semana: ela acaba de ser indicada à Framboesa de Ouro (o tradicional anti-Oscar, prêmio aos piores do cinema) como pior atriz, junto com todo o elenco do filme Mulheres, anunciado como a grande volta de Meg Ryan.



2. Pamela Anderson











Primeiro, nos tempos de Baywatch. Depois, aos 42 anos, com rostinho de 65.

OK, Pam nunca foi exatamente um exemplo de naturalidade em cena - sempre foi esse ser mutante com peitos gigantes e jeito de secretária de filme pornô -, mas a coisa só faz piorar. Pra tentar consertar o triste efeito do tempo, ela tapeia mais: fica mais loira, aumenta (mais!) os seios, engorda mais a boca... e está virando, como diz o mineiro, esse trem esquisito aí.



1. Angelina Jolie:



















Não xingue o blogueiro (ainda): sim, ela é uma das mulheres mais lindas do mundo do cinema, e é tida como a grande estrela de Hollywood durante os últimos anos. Mas o problema com Angelina, além das canelinhas cada vez mais finas, se divide em três:

1- Essa boca enorme e imóvel, em estado semiaberto full-time, impedindo que ela tenha qualquer traço mais falível ou frágil.

2. A atitude militante-maluquete: adota filhos a rodo pelo mundo e é embaixadora da Unicef, ao mesmo tempo em que assume o papel de destruidora de lares (lembra do casal Brad Pitt / Jennifer Aniston?) e de ninfomaníaca. A gente nunca entende qual é a dela.

3. No trabalho, ela não consegue se mostrar como algo diferente do que ela é: uma baita gata com personalidade forte e valores "do bem". Por isso, não teve, até hoje, um grande papel no cinema (seu papel vencedor do Oscar em Garota Interrompida é o melhorzinho, mas ela nem era protagonista).


O esforço atual de Angelina é provar que ela, além de estrela onipresente nos tablóides, é uma grande atriz. Uniu-se a Clint Eastwood e estrela A Troca, em cartas nos cinemas brasileiros. Pela sua performance como mãe-coragem na linha Zuzu Angel/Olga, angariou indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar. Mas isso é a Academia forçando a barra, como já fez com Nicole Kidman e Halle Berry, entre outras.

Enfim, ela é bem irritante, e o motivo pode ser resumido assim: ela é artificial.

Perto dela, a Jessica Rabbit, o mulherão animado de Uma Cilada para Roger Rabbit, é a girl next door.

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Estreia: "O Curioso Caso de Benjamin Button"

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 - 9 Comentários

Imagine se contratassem o diretor de cinema brasileiro mais estiloso - digamos, Fernando Meirelles - e lhe dessem um baita orçamento para contratar o elenco que quisesse, com aparato técnico de ponta e tudo mais, com o melhor roteirista, para transformar em filme um conto do mais celebrado escritor brasileiro - pode ser A Causa Secreta, do Machado de Assis. E digamos que, para o elenco, contratassem Wagner Moura como protagonista, que abraçaria o trabalho como um papel "definidor de carreira".

Interessante, não? Pois é mais ou menos isso o que significa, para os americanos, a estreia de O Curioso Caso de Benjamin Button, filme de David Fincher (Clube da Luta) que parte de um conto sinistro de F. Scott Fitzgerald, tido (ao lado de ernest Hemingway) o como grande escritor americano do século 20. A premissa é bem curiosa mesmo: o tal Benjamin Button nasce velho, com ossos e juntas degeneradas e pouco cabelo grisalho, e vai rejuvenescendo, até morrer bebê.
Mais curioso é ter Brad Pitt como protagonista, e saber que é Pitt que aparece em cada momento da vida de Benjamin - seja bebê, imberbe, jovem, velho, muito velho, é sempre Brad Pitt que está ali, se valendo de alguma mágica digital incrível e inédita.

Portanto, é um filme-evento, e é um dos certos indicados a muitos Oscars. (Perdeu um pouco de força ao não ganhar nenhum Globo de Ouro, mas a Academia costuma ser muito mais amiga desse tipo de empreitada.)



Veja o trailer de O Curioso Caso de Benjamin Button!


O filme estreia nesta sexta-feira no Brasil, e certamente vale a ida ao cinema, mas cabe dar uma contida nas expectativas: o resultado não é tão bom quanto a promessa.

Isso acontece, em primeiro lugar, porque da ideia original de Fitzgerald, sobrou pouca coisa (basicamente, só aquele breve resumo aí de cima; o foco e o espírito da coisa é bem diferente); das palavras elegantes do escritor, não sobrou nada. É tudo obra do roteirista Eric Roth, o mesmo do premiado (e excelente) Forrest Gump.

Acontece que Roth desfigurou a reflexão de Fitzgerald e a transformou em outro Forrest Gump: aqui, assim como no filme com Tom Hanks, o protagonista é alguém que, devido a alguma característica excepcional (QI baixo no filme de 1994; relógio biológico ao contrário no de 2008), é condenado a viver na solidão - ainda que ele sempre encontre porto seguro na velha casa de sua mãe e em encontros esporádicos com seu amor de infância. Tudo isso, devidamente encaixado no contexto dos grandes eventos da história americana recente.

É um roteiro muito, muito parecido com Forrest Gump, só que sem a graça deste - e sem o carisma de Tom Hanks. O clima de Benjamin Button é de melancolia do início ao fim, e o trabalho de Brad Pitt é bom, muito bom, mas não mais do que isso. Principalmente na fase jovem de Benjamin, Pitt fica meio sem graça. (Mas sua atuação como velhinho com vitalidade de criança é um show!)











Brad Pitt: velhinho com cara de safado e vitalidade de meninão.


Outro problema está no interesse amoroso do protagonista: a personagem de Cate Blanchet (que também interpreta a garota da infância até a velhice) começa interessante, mas bem na hora do ápice, aquele meio da vida em que os dois são jovens e aptos a consumar um amor que vinha sendo cozido em banho-maria... ela é uma mala. Uma enorme mala sem alça, que fala, fala, fala pelos cotovelos. E você pensa, por que um cara bacana e vivido como Benjamin amarraria seu burro com essa chata?

De resto, os efeitos são muito bons, realmente impressionantes e ganharão aquela premiação técnica do Oscar (maquiagem, efeitos...).

Mas não é o suficiente para fazer um filme realmente memorável. Hollywood continua devendo uma grande adaptação da obra de Fitzgerald. Nos anos 70, Francis Ford Copolla, logo depois de ter brilhado com os dois primeiros Poderosos Chefões, falhara ao ser extremamente reverente em O Grande Gastby. Desta vez, é David Fincher que erra, ao assumir liberdade demais neste Benjamin Button.





















Fitzgerald: ainda não conseguiram fazer um baita filme a partir dos seus baita livros...


Torçamos para alguém encarar Suave é a Noite e finalmente honrar a obra de um escritor que admirava tanto o cinema.

Mas, por ora, o que temos são as duas horas e meia de O Curioso Caso de Benjamin Button - e isso já é melhor do que quase todos os outros filmes em cartaz. Então, esqueçam a frescura confessa deste blogueiro e bom cinema!

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Lista: Musas Teen (Bem) Mais Desinibidas do que Bella, de "Crepúsculo"

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 - 4 Comentários

O filme-fenômeno Crepúsculo se vale de uma incômoda tendência dos fenômenos culturais juvenis: a falta de sexo. Harry Potter, High School Musical e os meninos da pequena e gelada Forks, onde a vampirada se instala, todos têm uma coisa em comum: ninguém transa nesses filmes.

Além de pouco natural, é um desperdício: a pequena Kristen Stewart (como Bella, a protagonista de Crepúsculo) não faria feio no papel de Engraçadinha, do Nelson Rodrigues. Mas são as regras do jogo nos dias de hoje...

Isso tudo faz BLOGIE se lembrar da época em que crianças eram criadas vendo loiras seminuas (e com ficha corrida extensa e variada, incluindo pornochanchadas, revistas masculinas, concurso de panteras, namoro com celebridades etc) comandando os programas infantis. Tempos em que os filmes destinados ao público jovem não economizavam naquilo que ocupa boa parte das atenções da moçada: inaugurar o marcador, sair da sêca, comer logo alguém.

Esses filmes traziam musas que variavam em estilo, beleza e talento. Mas que, certamente, eram (bem) mais desinibidas do que a Bella. Aqui estão elas:


A Pioneira: Phoebe Cates, a Linda de Picardias Estudantis



















Tudo começou em 1981, no filme Picardias Estudantis. A comédia adolescente por excelência revelou Sean Penn, Jennnifer Jason Leigh, Forest Whitaker, Nicolas Cage e mais gente. Mas a cena inesquecível é mesmo aquela em que a musa Phoebe Cates (como Linda, a garota mais vagaba do colégio) sai da piscina para entrar no inconsciente coletivo de uma geração. Seu top less ficou tão famoso que, segundo lenda de meados dos anos 80, as locadoras de vídeo tiveram problemas com as cópias em VHS do filme: estavam todas estragadas, de tanto a molecada operar o pause, rewind e slow-motion dos seus aparelhos de vídeo-cassete.


A Globalizada: Shannon Elizabeth, a Nadia de American Pie


















American Pie está para a década de 90 assim como Picardias Estudantis está para a década de 80. Portanto, para quem está na casa dos 25 anos, a estudante de intercâmbio Nadia permanece imbatível. A menina húngara (interpretada pela americana Shannon Elizabeth), por algum motivo, resolve dar um adianto na iniciação sexual do bobalhão Jim (Jason Biggs). Ela fica nua, praticamente monta em cima do rapaz, mas tudo dá errado - e o vídeo do fracasso de Jim vai parar na Internet.


O trio: Jennifer Connely, Liv Tyler e Joanna Going - as irmãs Abbot em Círculo das Paixões














No meio da década de 50, os irmãos pobres Jayce e Doug vivem orbitando em torno das três lindas e ricas filhas do Sr. Abbot. Liv Tyler é a caçula e a única com a cabeça no lugar. Joanna Going nos faz perguntar por que não há mais filmes com ela...

... E Jennifer Connelly, como é de costume, não decepciona a torcida: manda ver com Jayce, enquanto se diverte ao sentir que a transa é espiada por Doug.
























Jennifer Connelly nunca nos decepciona!

Outros momentos especiais da grande Jennifer: Rocketeer, Waking the Dead, Um Lugar Muito Quente e Requiém por um Sonho. E, para quem é mais velho, sua revelação em Labirinto continua dando saudades.


A Experiente: Elisha Cuthbert, a Danielle de Show de Vizinha





















Danielle: ela quer conhecer os amigos do namorado já no primeiro encontro...

A vizinha perfeita: linda, maluquinha e, digamos, bem experiente: Danielle, depois descobre Emile Hirsh, é uma estrela pornô. Mas aí o mané já está apaixonado pela moça. Belo filme, que fez de Elisha Cuthbert ( a filha do Jack Bauer, de 24 Horas) como a maior musa teen desta década.



O Sonho de Consumo: Ammanda Petterson como Cindy Mancini em Namorada de Aluguel



















Cindy no vestiário: quem roubou meu nerd?

Ronald Miller (Patrick Dempsey, atual estrela de Grey's Anatomy e vários filmes de Hollywood) é o maior mané da sua escola. Anda com os nerds e descola uns trocados cortando a grama dos vizinhos (seus próprios colegas!).

Cindy Mancini (Amanda Peterson) é a deusa do pedaço, e jamais daria bola para Ronald.

Certo dia, numa festa, Cindy derruba vinho no casaco de camurça que ela pegara escondido da mãe - e que custa uma fortuna. Ronald sente o cheiro da oportunidade e faz uma proposta que ela não pode recusar: ele banca, com seus trocados de aparador de grama, um casaco novo para a menina - e esta finge ser sua namorada por uns tempos.

E aí, Ronnie vira o maioral no Colégio, anda com os atletas, traça todas as gostosas - e Cindy acaba se revelando uma namorada perfeita, inteligente e interessada nos papos de astronomia do CDF.

Enfim, segundo Namorada de Aluguel, há redenção na Terra para os nerds.

Cindy Mancini, se vendendo por tão pouco - e mantendo sua "essência" -, lidera este time de musas teen que apavorariam não só Bella, como todos os vampiros e resto do elenco de Crepúsculo.

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Globo de Ouro: jantar (indiano) com as estrelas

domingo, 11 de janeiro de 2009 - 2 Comentários

Acaba de acontecer a entrega anual dos Globos de Ouro - aquele prêmio que traz tantas celebridades quanto o Oscar, com a vantagem de ter roteiro mais solto, clima mais informal e senso de humor mais ácido. E, para os famosos presentes, rola uma boca livre e bebida a rodo. O que retroalimenta o sistema e faz a coisa ficar mais engraçada.

BLOGIE prestigia esse tipo de evento e se diverte com as piadas, os discursos e tudo mais. E lista os pontos altos da festa:

1- Bruce Springsteen vence Clint Eastwood

O Boss foi indicado para o prêmio de melhor canção, por O Lutador (filme que traz o retorno retumbante de Mickey Rourke - assunto para daqui a pouco). Outro indicado era Clint Eastwood, que sempre compõe as músicas para seus filmes. Bruce ganhou. E observou, para riso geral do público milionário: "é a primeira vez que sou indicado para um prêmio contra Clint Eastwood". Clint não riu. Briga de gente grande.

2- Heath Ledger ganha Globo de Ouro póstumo

Como se esperava, o prêmio de melhor ator coadjuvante ficou para o finado Heath Ledger, pelo seu desempenho assombroso como Coringa em Batman - Cavaleiro das Trevas. Cristopher Nolan, o diretor do filme, recebeu o prêmio e fez um discurso sóbrio e breve. Evitou-se, assim, aquele sentimentalismo mais brega. Que deve dar as caras no Oscar, é muito provável.


3- Kate Winslet começa a virar lenda

Faz tempo - uns oito anos - que Kate Winslet é a melhor atriz da sua geração. Conseguiu se livrar do estigma de ser "a moça de Titanic," e já acumula nove indicações ao Oscar. Mas ainda lhe faltam prêmios, que servirão no futuro como indicador do seu enorme talento. Isso começou a mudar hoje, com dois Globos de Ouro em uma única noite: melhor atriz coadjuvante, por O Leitor, e melhor atriz, por Foi Apenas um Sonho - este, batendo Meryl Streep e a favorita Angelina Jolie. Kate deu uma pirada no discurso, pois este foi um prêmio inesperado. Ficou bem nervosa e reiterou seu amor pelo colega de cena no filme (e de estrelato), Leonardo DiCaprio.
























Kate recebe o primeiro de seus dois Globos de Ouro.

No futuro, esses prêmios virarão números, assim como aquela penca de indicações e prêmios da Meryl ou do Jack Nicholson. Sim, eu acho que ela é tão boa assim.

4- Laura Linney também!

A principal concorrente de Kate como maior atriz do momento é Laura Linney, que já foi indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro algumas vezes, mas que ainda não tinha levado nada de destaque. Hoje, Laura levou um Globo de Ouro de melhor atriz em série de TV, por John Adams, da HBO. É só o começo.

5- Tina Fey chuta rabos

Ela deu nome aos bois e citou os desafetos que falam mal dela na Internet, mandando um "you can suck it" pra cada um deles. Foi ovacionada, mais por sua famosa imitação da Sarah Palin, durante a campanha presidencial do ano passado, do que pelo seu trabalho premiado (a série 30Rock).

5- Spielberg ganha o prêmio pelo conjunto da obra

... E quem merece mais do que ele um prêmio pelo conjunto da obra? Steven Spielberg é um nome tão forte, tão consagrado, que a gente às vezes se esquece de que ele é um gênio absoluto. Na introdução ao prêmio, o amigo Martin Scorsese colocou Spielberg entre os grandes inventores/reinventores do cinema. E é mesmo. Se temos telas grandes, som digital e dezenas de salas de cinema em qualquer shopping center, devemos boa parte dessa dádiva ao diretor de Tubarão, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T., Indiana Jones, A Lista de Schindler, O Resgate do Soldado Ryan, Prenda-me se for Capaz e tantos outros.

6- Slumdog Millionaire pinta como favorito ao Oscar

Até aqui pouco comentado (aqui no Brasil), o filme de Danny Boyle (o mesmo diretor de Trainspotting) ganhou os prêmios de melhor roteiro, melhor diretor e melhor filme dramático. Torna-se o mais provável "filme do ano". Trata de um rapaz pobre indiano que tem a chance de ganhar uma grana no programa de TV Who Wants to Be a Millionaire?, enquanto tenta recuperar a namorada. O elenco é essencialmente indiano, composto por estrelas de Bollywood (a única indústria cinematográfica que faz algum tipo de paralelo com o cinema americano).


Veja o trailer de Slumdog Millionaire!

Pelo tanto que foi ovacionada pela platéia de famosos milionários, parece ser mesmo o grande favorito ao Oscar. A conferir!


7- Momento trash: Mickey Rourke ganha um Globo de Ouro

Se essa notícia fosse publicada em meados dos anos 80, o leitor acharia que se tratava de piada de 1º de abril. Mas estamos em 2008, o cara está com um look que faz o Capitão Jack Sparrow parecer uma menininha colegial e, aparentemente, fez um grande trabalhoem The Wrestler. O filme, que mostra a volta de um lutador à ativa, traz Evan Rachel Wood e Marisa Tomei. Tem a música de Bruce Springsteen, a quem Rourke agradeceu em seu discurso. Outro citado no discurso foi Axl Rose, que levantou uma grana para a produção do filme. Enfim, momento sui generis.



É isso. O filme que todos esperavam ser o grande premiado, O Curioso Caso de Benjamin Button, não levou nada e perdeu força na briga pelo Oscar.

Leiam, aqui no BLOGIE, as resenhas sobre cada um dos principais filmes indicados e premiados no Globo de Ouro e, provavelmente, no Oscar. A partir desta semana!




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Crítica: "Marley & Eu", cinemão honesto

sábado, 10 de janeiro de 2009 - 1 Comentários

O filme mais visto do momento, tanto nos EUA quanto no Brasil, é Marley & Eu, a adaptação do best-seller escrito pelo jornalista americano John Grogan, sobre sua vida em família - ao lado do tal Marley, um cão labrador infernal, "o pior cão do mundo".

Pois bem: o filme é cinemão 100% honesto, feito para ser lançado no Natal, agradar à família toda, fazer rir por duas horas e chorar no final. E é bem sucedido.

Acima de tudo, o autor é muito sutil em retratar aqueles momentos em que nosso bicho de estimação nos surpreende, com uma compreensão incompreensível das coisas, com arroubos de carinho - ou com trapalhadas absurdas. Quem tem ou já teve um cachorro vai se deixar levar pelo filme.


Veja o trailer do filme (e aprecia a forma de Jennifer Aniston, aos 40 anos!)


Ajuda bastante a atuação do casal principal - Owen Wilson, em seu melhor momento, e Jennifer Aniston, carismática, competente e linda, como sempre -, que vive um aperto dos infernos ao tentar equilibrar carreiras, vida em casal, criação de três filhos e, de quebra, MARLEY.

O final é meio previsível, lembra Sessão da Tarde, você sabe por onde estão te levando - e você cai, mesmo assim. O grande perigo em assistir a Marley & Eu é ir acompanhado de uma namorada (ou um encontro do qual você espera que renda alguma coisa), e acabar dando papelão na frente da moça, chorando feito uma criança no fim de O Campeão...

... Como sou casado há quase três anos, não estou nem aí. Marley & Eu me fez lembrar do meu cachorro de infância, e não consegui segurar a onda. Mas ninguém no cinema conseguiu.

A vida segue. Acho que essa é a moral da história.

Vamos a posts mais machos.

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"Crepúsculo": Bella para maiores

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009 - 7 Comentários

Indo direto ao assunto: o fenômeno teen do ano, o filme Crepúsculo (em cartaz em cinemas a rodo por aí), é bacana e merece ser visto por você, amigo leitor adulto da VIP.

Apesar da castidade irritante da história. Apesar dos grupos de menininhas colegiais que tomam o cinema e suspiram juntas a cada lance mais romântico. Apesar, enfim, do vampiro canastrão Edward Cullen, congelado nos seus 17 anos desde o início do século 20 - e sempre fiel à sua imitação meio tosca de James Dean e do Dylan, de Barrados no Baile.

O grande atrativo do filme está na pequena Kristen Stewart, 18 aninhos, no papel de Bella Swan, a heroína romântica do momento.

















Bella e o vampiro: ela desperta os instintos mais primitivos.


Bella é a girl next door defintiva. Não tem nada de "fatal", é meio desajeitada, passa o filme todo coberta por moletons, calças jeans e casacões. Ela encarna, como ninguém, aquela namoradinha dos tempos de colégio: ela é sensual sem fazer força. Dá pra sentir sua respiração, quente, na nossa cara. É impossível desgrudar os olhos da sua boca, sempre semiaberta, em estado de apreensão. Quase é possível sentir o seu cheiro, e não dá pra culpar o tal vampiro imitador de James Dean por ter vontade de sugar a moça até a morte. É inevitável.

(Como disse aquele senador ladrão, ela desperta os instintos mais primitivos.)

Não é só isso: o sucesso do filme reside em grande parte na identificação do seu público (meninas adolescentes) com a protagonista. E a atriz dá conta do recado. Ela faz qualquer um sentir a desconexão com o mundo, com lugares novos, com gerações diferentes, com os outros adolescentes... torna crível aquela sinuca de bico em que todos já nos metemos: a sensação de que a vida depende de engatar um namorico com a "única pessoa do mundo que te entende".

Tudo isso, enfiado em uma história de vampiros que, de tempos em tempos, é sempre bem recebida pelo público jovem.

Enfim, Crepúsculo é um bom filme, agrada em cheio à meninada, mas serve como alimento para a nostalgia de todos nós. E é registro lindo do surgimento de uma bela mulher e de uma grande atriz: Kristen Stewart.

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