quarta-feira, 16 de setembro de 2009 - 1 Comentários
Dica do amigo e cinéfilo Adriano Abreu, para quem gostou de UP! - Altas Aventuras, e que, como este blogueiro, não consegue parar de pensar no filme: o link abaixo traz alguns teasers, cenas inéditas (na verdade, pequenos episódios sem relação com a trama) e trailers -e tudo em alta definição!
O meu preferido é Inside UP: Pixar 3D, um making of da produção em 3D. Aparecem alguns dos responsáveis por essa obra-prima. Dá pra sentir o orgulho dos caras e a segurança de que fizeram um negócio histórico.
A temporada de filmes "sérios" de Hollywood está só começando (é depois do verão nos EUA que os postulantes ao Oscar programam os lançamentos), mas já dou por encerrada a briga pelo posto de filme do ano.
O filme do ano é uma animação: Up! - Altas Aventuras, da Pixar. Faz tempo que as animações vêm se mostrando tão boas quanto os melhores "filmes de verdade" - e, a despeito de terem como público a criançada, demonstram personagens mais desenvolvidos e mais sensibilidade que quase toda a produção americana. Depois da série Shrek, de Procurando Nemo, de Monstros S.A., de Os Incríveis, do ousado Wall-E, de tanta coisa, chegou a hora de dizer: um desenho animado é o melhor filme do ano.
Isso não acontece pelos seus óbvios méritos técnicos: pra falar a verdade, não ligo para a definição da imagem (que é ótima), para as cores (que são incríveis), para o realismo (que é desnecessário) ou para o 3-D (prefiro até 2D, pra não desviar atenção). Ligo mesmo para a história, para os personagens, para o cinema.
E Up! começa com a melhor sequência de cinema dos últimos tempos: evocando outra época, através do cinejornal (da mesma maneira que começa Cidadão Kane), o filme mostra um menino no cinema, sonhando com as grandes aventuras de um explorador famoso. Depois ele brinca na rua e conhece uma menina doidinha, esperta e com o mesmo fascínio pelas aventuras do tal explorador. São só quatro minutos de filme.
E então, sem que uma palavra seja dita, um vídeo-clipe de cinco minutos conta a vida de Carl e Ellie, agora crescidos, que se casam, que trabalham no mesmo zoológico (ela, como zoóloga; ele, como vendedor de balões), que sempre adiam o grande plano - explorar um paraíso tropical na Venezuela - devido a gastos mais urgentes, que acumulam frustração sobre frustração... mas que se tornam um adorável casal de velhinhos, até que Ellie morre e Carl fica sozinho, na casa que construíram juntos, rodeado das lembranças da sua mulher esperta.
Repito: é a melhor sequência do cinema em muito tempo. Não importa se você é macho, muito macho, novo, velho, mulher, indeciso... você vai chorar.
Apresentados os personagens, sabemos que Carl tem uma dívida com sua finada esposinha: concretizar sua GRANDE AVENTURA. As circunstâncias - a iminência da mudança para um asilo - o fazem bolar o plano. E aí entra a fantasia genial da Pixar: o vendedor de balões enche centenas de bexigas, ergue sua casa do chão e se põe a buscar o paraíso perdido da América do Sul.
Por acaso, um escoteiro gordinho - Russel -, que está focado em completar a tarefa de ajudar um velhinho, está na varanda no momento em que a casa alçava voo. Será ele o companheiro de Carl na sua aventura, e será ele o responsável por dar bons motivos para Carl continuar vivendo sua própria vida.
Veja o trailer de UP - Altas Aventuras!
Como em qualquer desenho animado, personagens secundários engraçados - bichos falantes, desengonçados e exóticos - vão popular a tela e dar aquele tom cômico. A criançada se amarra, mas todos vão rir. A sensibilidade com que hábitos de dia-a-dia são expostos - especialmente a relação entre homens e cães - é tocante. A sacada do cão falar com um dispositivo digital, que verbaliza o pensamento do bicho, é genial: por exemplo, após levar um esporro do velhinho e de dar uma sumida, o cachorro está na porta. O velhinho abre e fica supreso - e o cachorro explica, abanando o rabo: "é que eu te amo, então fiquei escondido embaixo do balcão da varanda..."
Ao longo do filme, Carl terá que lidar, entre outras coisas, com a limitação da sua "nave": os balões cheios de hélio não durarão muito, e é uma metáfora muito bonita a maneira como eles vão murchando e anunciando o tempo de vida que Carl vai perdendo na sua expiação da perda de Ellie. E é de dar um nó na garganta (de novo) a maneira como ele consegue buscar um gás novo para sua vida: tirando o peso de dentro da casa (o que significa se livrar da tralha que lhe traz tantas lembranças). Ele finalmente se desapega e pode abrir seu novo livro de aventuras.
Inspirador, sensível, observador, genial... e infantil. Lidemos com a verdade: ninguém neste século consegue fazer cinema com a qualidade da Pixar. Up! para o Oscar de melhor filme!