Filme VIP da semana: "Um Tiro na Noite", de Brian DePalma
terça-feira, 1 de setembro de 2009 - 3 Comentários
Brian DePalma, você sabe, é um baita cineasta. O mundo todo viu com prazer suas competentes empreitadas "mercenárias", como Os Intocáveis e Missão Impossível. Uma legião de seguidores exalta Scarface, que virou ícone pop. Muitos se lembram de Carrie, a Estranha, primeiro filme de destaque do diretor. Uns poucos discutem as obsessões de DePalma - loiras, voyeurismo, assassinatos, procedimentos técnicos de filmagem, fotografia, gravação etc... - em seus filmes mais autorais, como Vestida Para Matar, Dublê de Corpo e o mais recente Femme Fatale. Mas quase ninguém viu o melhor filme do cara: Um Tiro na Noite, de 1981.
Um Tiro na Noite é simplesmente o filme em que DePalma desenvolveu suas obsessões pela primeira vez, com um grau de novidade, inventividade e genialidade que não foi jamais igualado. Suspense de primeira, no nível dos melhores Hitchcocks!
Olha esse trailer...
John Travolta (em seu último registro de destaque antes de mergulhar no ostracismo de onde só Tarantino o resgataria, quinze anos depois) é Jack, o especialista de som que trabalha na produção de um filme de terror. Ele passa suas noites captando sons para usar no filme. Em uma delas, está no meio do mato captando o vento, o farfalhar das folhas, uma coruja - e, de repente, ele grava e testemunha um acidente de carro que pode ser algo bem pior do que isso... um pneu estourou? Ou foi um tiro?
A condução que a polícia dá ao caso deixa uma pulga atrás da orelha de Jack. Enquanto ele procura sarna pra se coçar, os envolvidos no crime por ele flagrado providenciam uma limpeza de evidências - ou seja, matar umas pessoas por aí. E aí entra Nancy Allen (então mulher de DePalma, o que significa que ele terá prazer em desnudá-la para o público), como Sally, a prostituta que é chave na solução do mistério.
Travolta, DePalma e sua musa/esposa, Nancy Allen: o fim de uma época em que deixaram os loucos tomarem conta do hospício...
O filme é uma sucessão de cenas incríveis, desde o falso filme de terror no início; os créditos iniciais apresentados enquanto Jack prepara seus sons, a tela dividida em dois, dando espaço para a TV que traz nótícias relevantes para a trama (veja abaixo!); e então todas aquelas perseguições e diálogos ásperos e realistas e cenários sinistros; e aquela inacreditável sequência do Dia da Independência - coisa de tirar o fôlego!
Atenção ao corte na tela... marca registrada de DePalma!
O que mais encanta no trabalho de DePalma são os deliciosos detalhes em que ele insiste ir cada vez mais fundo. Se DePalma tem um fotógrafo no filme, os detalhes de revelação ou de enquadramento são importantíssimos na solução da trama. Em Um Tiro na Noite, o ofício de encontrar sons adequados e gravá-los é explicado, colocado à prova e preservado em uma última cena desesperadora (gostaria de escrever um tratado sobre esse final, mas é mais honesto simplesmente pedir para que o leitor veja com seus próprios olhos).
Ao vermos Um Tiro na Noite, fica a certeza: nunca houve um cineasta como Brian DePalma. Este é o primeiro filme para entender sua obra. Depois, vale a pena ir de Vestida para Matar e Dublê de Corpo, e então Femme Fatale e A Dália Negra. E aí chega a hora de Scarface, que ficará melhor ainda. E, finalmente, os filmes pop como Missão Impossível e Os Intocáveis ganharão uma nova dimensão, pode crer.
Marcadores: Brian DePalma, cinema
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3 Comentários:
mais um praquela lista interminável de filmes que não vi mas que fiquei curiosa. Vou divulgar para uma sobrinha adolescente que é louca pelo Travolta! Tudo porque se apaixonou por ele ao ver Grease, na minha casa...
2 de setembro de 2009 às 13:08
Lembre-se que o filme é do DePalma... perto de "Um Tiro na Noite", "Pulp Fiction" parece "Encantada"... Sua prima nunca mais será a mesma...
2 de setembro de 2009 às 19:12
Super bem lembrado! Faz tempo que não revejo. Filmaço!
Abraços,
Patrícia
2 de setembro de 2009 às 19:22
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