Blogie - Cinema na VIP

Estreia: "As Melhores Coisas do Mundo"

quarta-feira, 21 de abril de 2010 - 1 Comentários

"Não é impossível ser feliz depois que a gente cresce; só é um pouco mais complicado." (Mano)

Se você é um dos dois milhões que já foram prestigiar o Chico Xavier recebendo aquele estranhíssimo espírito Emanuel no filme-evento brasileiro do ano, faço-lhe um apelo: vamos dar uma equilibrada nas coisas e dar uma força para o lado do bem. Vá ao cinema e confira o também brasileiro As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanski.

























As Melhores Coisas do Mundo: um filme teen livre de cinismo - um achado!


O filme é uma pequena joia sobre o que é ser adolescente hoje. A rigor, é um filme de high school, só que uma high school diferente - e bem brasileira. Nada de tortas de maçã e super-colas: aqui, o treino da molecada é com prostitutas caidaças. Intercambistas húngaras ninfomaníacas? Não, mocinhas tão tolas quanto os rapazes, e que não sabem direito o que fazer com o poder que têm de escolher os namorados. E uma turma que é capaz de, ao mesmo tempo, praticar humilhações muito mais selvagens do que as do Stiffler - e de ações afetuosas e completamente despidas de cinismo. A sensação que se tem ao sair da sessão de As Melhores Coisas do Mundo é a de ter voltado para o colégio e rejuvenescido alguns bons anos.

O mérito vem da ótima matéria-prima -  a série de livros Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto -, da direção soberba de Bodanski (que mergulhou no universo teen por meses antes de rodar o filme) e do elenco absolutamente excepcional. As palavras saem naturais, cheias da malandragem e das manias da molecada, devidamente moldadas na sintaxe que lhes é peculiar. Se o protagonista, Mano, confessa para Carol, sua melhor amiga, que transou com uma loira que vários caras já pegaram, a reação de Carol é entediada: "que tosco!", comenta a amiga. Quando Mano e seu irmão mais velho, Pedro, descobrem que o pai largou a mãe para ficar com um homem, a primeira ficha que cai é a do caçula: "Pedro, se essa história do papai vazar na escola, a gente tá fudido."

Ou seja, no roteiro de Luís Bolognesi não há espaços para racionalizações "cabeça" do universo juvenil ou diversão fácil e estereotipada. As Melhores Coisas do Mundo é uma volta de montanha-russa pela adolescência, com todas suas inconstâncias, novidades e descobertas. "O inferno é aqui", explica Mano ao pai gay ao pedir seu distanciamento. Mas, em outro momento, ele conclui que a felicidade na adolescência é algo tangível (frase que serve de epígrafe para este post).


O trailer - ao optar a tentar mostrar algo mais épico e estereotipado - não faz justiça ao filme, mas ainda assim é bacana. Já o filme é dez!

O motor da história é a difamação - o esporte preferido dos colégios Brasil afora. Fofocas, acusações, fotos comprometedoras correm pelos celulares em poucas horas - e a vida pode se tornar subitamente insuportável. De difamação em difamação, cada um vai aprendendo sua lição ou aproveitando sua oportunidade. Pode não ser o melhor caminho para crescer, mas é um caminho. A denúncia dessa cultura da humilhação (o tal do bullying) é também o que dá um tom meio indesejável de "moral da história", mas não chega a comprometer, tal a honestidade que transpira de cada cena.

Uma curiosidade interessante é a presença de arquétipos de figuras paternas para Mano em todo o filme. Além do pai distante, temos: o professor de violão (Paulo Vilhena), um camarada de trato fácil, tranquilo e capaz de entender o aluno profundamente (talvez por ter mantido o espírito jovem); o professor de física (Caio Blat) por quem a Carol se apaixona - um cara que, ao invés de ser um comedor de criancinhas, tem por baixo da superfície uma necessidade muito grande de se manter jovem; e o irmão mais velho (o tal do Fiuk - filho do Fábio Jr. -, o galã do momento), Pedro, mergulhado na mais profunda melancolia juvenil - é o herói trágico do filme, encarnando um Baudelaire ou Jim Morrison moderno, cheio de poesias simbolistas de um astral capaz de fazer o Robert Smith, do The Cure, cortar os pulsos. Em momentos diferentes, Mano busca o suporte de todos eles - e é o apoio deles também, pois é ele que injeta de volta nos caras a centelha de vida e adolescência que tanto buscam.

Por fim, há o protagonista, o estreante Francisco Migues, no papel de Mano, e outra novata, Gabriela Rocha, no papel do inevitável interesse romântico de Mano, Carol: dois jovens atores cheios de carisma, angústia e euforia evidentes e naturais, responsáveis por todo o frescor do filme. Gabriela, por sinal, não terá problemas para dar sequência à carreira que inicia - bonita e talentosa, encontrará seu espaço nas novelas da Globo logo, logo.

As Melhores Coisas do Mundo são, a rigor, a listinha de coisas que recheiam o caderninho que Carol carrega pra cima e pra baixo. O caderninho é o rascunho da própria história do filme. E esta é a história da cruzada pessoal de um rapaz contra o bullying na sua escola; ou de seu namorico inexorável com a melhor amiga; ou de sua longa jornada aprendendo a tocar Something, dos Beatles, no violão. Sua evolução é exibida sem pressa, e a canção vai ganhando contornos mais seguros, até ele ter pra quem tocar uma canção tão especial.

Para um velho beatlemaníaco como este blogueiro, é mesmo uma das melhores coisas do mundo.

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Oscar 2010: ainda dá tempo de ver os principais filmes!

sábado, 6 de março de 2010 - 3 Comentários

Caro amigo de BLOGIE,

Você já viu todos os principais indicados ao Oscar?

Isso é o que interessa, no momento. Portanto, dedico este post a montar uma lista do que é realmente essencial ver entre hoje e amanhã. Certamente, todos já viram Avatar (leia a crítica de "Avatar" aqui), então é menos um. Vou listar o que realmente é necessário.

Guerra ao Terror: principal concorrente de Avatar para melhor filme, é o primeiro filme de guerra dos anos 2000 a ganhar a simpatia da classe. É a obra que fecha o caixão da Era Bush. Mostra a guerra do Iraque, urbana, complicada, tediosa, nada heroica, à maneira de Nascido para Matar, Platoon e Apocalipse Now - como um negócio que vicia e enlouquece o cidadão. Grande direção de Kathryn Biggelow (de Caçadores de Emoção, lembra?), que deve ser premiada como melhor diretora.

Coração Louco: traz Jeff Bridges como um cantor country fracassado. Ele ganhará o prêmio de melhor ator, posso afirmar com 95% de segurança. Um belo filme. (leia a crítica de "Coração Louco" aqui)

Amor Sem Escalas: aposto minhas ficha no filme de Jason Reitman para melhor roteiro adaptado. Capta o espírito do seu tempo, arrancou o melhor desempenho de George Clooney e apresentou duas novas estrelas, Vera Farmiga e Anna Kendrick - todos indicados ao Oscar. (leia a crítica de "Amor Sem Escalas" aqui)

Educação: com roteiro de Nick Hornby (autor de Alta Fidelidade e Um Grande Garoto - aliás, um bom concorrente ao Oscar de roteiro adaptado), este filme classudo revela Carey Mulligan, indicada ao Oscar de melhor atriz e dona de um futuro bem promissor. Na semana que vem, quando um colega do trabalho te perguntar se você viu o filme com a Sandra Bullock, que terá vencido o prêmio de melhor atriz, responda orgulhoso: "não, mas vi Educação, que é dez vezes melhor e que traz uma menina que DEVERIA ter ganhado o Oscar no lugar da Sandra Bullock". (leia a crítica de "Educação" aqui)

Bastardos Inglórios: num mundo mais louco e menos ponderado, seria o vencedor absoluto da noite. O épico de guerra desvairado e delirante de Tarantino mudou o fim da Segunda Guerra, fez sucesso e pode levar o prêmio de melhor roteiro original (deveria, pelo menos). Além do mais, é a maior homenagem ao cinema em muito, muito tempo. Eu diria que é a maior homenagem ao cinema desde A Noite Americana, do Truffaut, que é de 1973! (leia a piração do blogueiro ao comentar "Bastardos Inglórios", logo após a sessão!)

O Segredo dos Seus Olhos: filmaço argentino de Juan José Campanella, mesmo diretor de O Filho da Noiva. Ele traz seu eterno parceiro Ricardo Darín como o burocrata que tem dificuldades em superar o insucesso da investigação de um caso de estupro, vinte e poucos anos antes. Tocante, engraçado, de tirar o fôlego, um filme completo e que merece o Oscar de filme em língua estrangeira (embora eu ache que A Fita Branca tem mais chances). (leia a crítica de "O Segredo dos Seus Olhos" aqui)

Acho que é isso. Que me perdoem Um Homem Sério, Preciosa, Um Sonho Possível, Distrito 9, Nine, A Fita Branca. Me dói não recomendar Invictus, do grande e velho Clint, e UP!, a animação do ano (e que você já deve ter visto). Mas o que interessa mesmo neste ano são os seis filmes acima recomendados. Se eu tivesse que escolher um, vejamos... escolha você: se for pra não se sentir por fora da festa, eu iria de Guerra ao Terror; se for pra adotar a linha do "sou mais eu", eu iria de Bastardos Inglórios; e, se o seu vibe for "vou falar do filme que ninguém viu e fazer sucesso", aposte no argentino.

Amanhã, antes do Oscar, confira aqui no BLOGIE os palpites e preferências da casa. E confira a cobertura em real-time pelo Twitter (@rgarrido75)!

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Três filmes de Natal pra macho

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009 - 4 Comentários

Chega o Natal e a vida de quem gosta de ver uns filminhos na TV vira um inferno: é um tal de filmes bíblicos, ou então aquela xaropada "família" à Frank Capra... e acabamos nos refugiando em alguma reprise de comédia infantil - Esqueceram de Mim, etc.

Mas há salvação para os homens de boa vontade. BLOGIE indica três filmes de Natal pra macho nenhum botar defeito. São filmes divertidos, corrosivos, inquietos - mas que, no fim das contas, servem muito bem para enquadrar marmanjos no espírito natalino.

Boa diversão!



3- Os Fantasmas Contra-Atacam (1988):



Versão maluca e contemporânea do Conto de Natal, de Charles Dickens. Aqui, o velhinho muquirana que inspirou Disney a criar o Tio Patinhas é substituído por Bill Murray, como um jovem e implacável executivo de TV. Os fantasmas dos Natais passado, presente e futuro dãs as caras, sob formas bizarras - o do Natal passado, por exemplo, é um motorista de táxi novaiorquino. Murray, como sempre, arrasa.



2- Duro de Matar (1988):



Depois dessa fucking short version, dizer o quê? Filme de Natal bom é isso aí. Bruce Willis resolve sozinho a parada em um arranha-céu que é tomado por terroristas na noite de Natal. Durante o filme, as metralhadoras falam mais alto e os palavrões pontuam as frases. Um terrorista é encontrado morto pelo chefe, vestindo um gorro de Papai Noel e portando uma curiosa frase escrita em sua blusa: "Agora eu tenho uma metralhadora - HO HO HO". De quebra, Willis cria seu bordão imortal: "Yippie-kie-yeah, motherfucker!"



1- Trocando as Bolas (1983):















De todos, o meu filme natalino preferido. John Landis, um gênio da comédia, reúne dois dos maiores comediantes da época, Eddie Murphy e Dan Aykroyd, em uma fábula muito mais inteligente do que parece: Murphy é um mendigo mutreteiro; Aykroyd, um financista milionário. Os dois octagenários patrões de Aykroyd - os Irmãos Dukes, fundadores da Bolsa, uns caras que devem ter andado com o Rockfeller ou algo assim - firmam uma aposta: um deles, racista cínico, acredita que pode transformar um mendigo em um ótimo executivo; o outro, racista convicto, duvida. Um dólar é o valor da aposta, e Murphy e Aykroyd têm seus lugares trocados.

A partir dessa premissa instigante, acontece DE TUDO em Trocando as Bolas. Jamie Lee Curtis é uma prostituta que entrará na jogada, um gorila se apaixonará a bordo de um trem, Dan Aykroyd encarnará o Papai Noel mais escroto da história e, ao final, uma cena inesquecível rodada dentro da Bolsa de Valores decretará quem estava certo na aposta do início, e quem levará a melhor.

Um filme absolutamente genial.

Só para provocar, aqui vai a cena inicial. É ver e identificar, de pronto, que se trata de algo especial:



É isso. Os posts se manterão diários até o Natal. Depois, o BLOGIE entra em recesso de uma semana, voltando dia 04 de janeiro.

PS: às vésperas do Natal do ano passado, também falei desses filmes (entre outros). Mas o texto e as atrações - cenas, trailer, fucking short version - são diferentes. No mais, se alguém se convencer a assistir a Trocando as Bolas, a insistência terá valido a pena.

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FIlme VIP da semana: "Sorte no Amor" (1988), de Ron Shelton

quinta-feira, 5 de novembro de 2009 - 2 Comentários

Muita gente acha que o que Hollywood tem de melhor é sua vocação para o espetacular, o blockbuster, o filme-evento - enfim, essa encrenca que é o filme milionário lançado no verão americano sob uma campanha publicitária agressiva e acompanhado de uma penca de produtos adjacentes. Guerra nas Estrelas, E.T., Titanic, ...E o Vento Levou, todos fazem parte dessa categoria.


Isso tudo é bacana, principalmente quando o oba-oba serve para promover um filme bom (ou ótimo, como os citados acima), mas não é a essência da coisa. Hollywood é o que é não devido aos seus executivos e marqueteiros, mas sim aos seus artistas. E a prova disso são não os filmes-eventos, mas os pequenos filmes que se tornam grandes sucessos (ou que simplesmente se mostram obras grandiosas de tão singelas e despretensiosas). Esses são os verdadeiros símbolos de Hollywood: Casablanca, Bonequinha de Luxo, A Primeira Noite de um Homem, Butch Cassidy & Sundance Kid, Chinatown, Rocky, Uma Secretária de Futuro, Uma Linda Mulher, Ghost... Dispostos em ordem cronológica, todos filmes “pequenos”, de orçamento modesto, produções bancadas por pouco mais do que a teimosia de seus diretores... e que se tornaram grandes clássicos - quase todos os citados foram o grande sucesso dos cinemas nos seus anos de lançamento. Obras de arte cunhadas com a despretensão e a leveza de um filminho. Quando isso acontece, o resultado é único e pensamos: "nada com um bom filme americano".


O grande trunfo desses filmes é, acima da direção e das estrelas que neles são reveladas, o roteiro. Um bom e velho roteiro amarradinho, sucinto, encerrado em três atos bem definidos e recheados de personagens cheios de vida. Faça o teste: o que fez de Curtindo a Vida Adoidado, aparentemente uma comédia adolescente debilóide, esse verdadeiro ícone pop? O roteiro sensacional, cheio de falas antológicas e situações engraçadas - e Bueler, Ferris Bueler, herói de uma geração sem bandeiras.


Tudo isso para dizer (e defender a tese de) que Sorte no Amor (Bull Durham), filme de 1988 sobre baseball que passou quase despercebido no Brasil, é um filmaço, uma obra de arte, uma joia rara daquelas que dão orgulho a quem as descobre. Não posso afirmar que "descobri" o filme, porque o mesmo foi um grande sucesso nos EUA, contando com Kevin Costner no auge (e em sua melhor atuação), Susan Sarandon maravilhosa e encantadora (e em sua melhor atuação) e Tim Robbins despontando para o sucesso (e conhecendo sua futura esposa durante as filmagens: a própria Sarandon). Mas descobri o filme no meio de uma pilha de bobagens, numa liquidação das Lojas Americanas. Orgulho-me dessa que é uma das minhas maiores habilidades: descobrir coisas boas no meio do lixo nas Lojas Americanas.
























A história parece besta: Costner, no papel de um jogador de baseball maduro e em fim de carreira, é contratado para tutelar e "acelerar o amadurecimento" de um arremessador jovem, talentoso e inconsequente (Robbins). Sarandon é a improvável groupie do time, que escolhe um jogador a cada temporada para namorar. Por namorar, entenda-se sexo, carinho maternal e lições de literatura.



















E tranquilo, naquele esquema "conhecendo os personagens na primeira meia hora / botando os personagens pra correr atrás das suas necessidades durante sessenta minutos / resolvendo a bagunça na última meia hora", o autor e diretor Ron Shelton (um ex-jogador de baseball nas ligas menores) conseguiu sua pequena obra-prima.


Ao amigo leitor, fica a dica: não há razão para deixar de assistir a Sorte no Amor, obra que diz muito mais sobre a fugacidade da vida e dos seus ciclos (de amor, de carreira, de juventude) do que muito tratado intelectual por aí. Disponível em DVD, lançado há dois ou três anos. Vale uma ida à locadora.

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Filme VIP da semana: "Círculo de Paixões"

terça-feira, 22 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Hoje, às 22 hs, no TC Light: um filme pouco badalado, mas que entrega muito mais do que promete. É Círculo de Paixões, de 1997, a história de dois irmãos pobretões que vivem em torno de três lindas irmãs ricas.
















Juventude transviada: uns rebeldes têm mais motivos, outros menos - mas todo mundo apronta!

A coisa se passa durante a década de 50, e Joaquin Phoenix e Billy Crudup demonstram muito carisma como os irmãos Doug e Jacey. Phoenix, particularmente, dá um show como o caçula tímido que emula o Marlon Brando para disfarçar sua pouca habilidade com mulheres. Já Crudup não quer saber: passa o rodo entre a mulherada, e as vizinhas riquinhas não são poupadas.

As tais riquinhas são as irmãs Abbott, vividas por Liv Tyler (a caçula, amiga de Doug), Jenniffer Connelly (a do meio, maluquinha e que vive um caso com Jacey) e Joanna Going (a mais velha, já com filho - e tão bonita quanto as outras).

Como se vê, um baita elenco!

Entre reviravoltas na linha "todo mundo pega todo mundo", o tema acaba sendo a obsessão e o ódio social. Vemos que Jacey se alimentava da reação escandalizada dos pais das meninas a cada namorico. Seu irmão, que é o narrador do filme, afirma que "se os Abbott não existissem, Jacey os inventaria". A frase é tão certeira que foi para no título original, Inventing the Abbotts. Doug não tem a mesma piração do irmão, e isso acaba se tornando uma zona de atrito constante entre eles (e cada um usará isso à sua maneira).

Outro ponto interessante: os estereótipos e mitos americanos são usados para retratar a época e conferir um clima de inocência e descoberta ao filme: empregos em postos de combustível, carros conversíveis, varandas com porta de tela, um freezer no porão cheio de Coca-Cola (e sexo no porão), escapadas ao celeiro abandonado... e aquele ar vintage de Juventude Transviada.

Veja o trailer, ao som da maravilhosa Sleepwalk, que já foi tema de post deste blog, e da Sheryl Crow:



No mais, o filme teve o mérito de revelar o talento de Phoenix, o melhor ator da sua geração, além de ter arrancado de Liv Tyler sua única atuação satisfatória.
























E, claro, deu conta da missão de tirar a roupa de Jenniffer Connelly, algo que é sempre benvindo...

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Na TV: de Hitchcock ao Capitão Nascimento, tem de tudo

sábado, 19 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Nada de novo no cinema para o final-de-semana. Se o amigo ainda não viu UP! - Altas Aventuras, da Pixar, não perca. Para quem não viu, faço um último apelo para que aproveite o bom e singelo Amantes, com Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw. É um filme diferente, que vale a pena encarar.

No mais, para quem já deu conta dos dois e sabe evitar ciladas como O Sequestro do Metrô 123, a boa do dia é pescar os bons filmes na TV. Já são quase 11:00, já assisti Rocketeer (tem jeito de começar melhor o sábado do que se deleitando com a Jennifer Connelly?), mas tem muita coisa ainda... Selecione o seu!

14:00 - AXN - Melhor É Impossível: Jack Nicholson (Oscar de melhor ator), Helen Hunt (Oscar de melhor atriz) e os melhores diálogos da segunda metade da década de 90. Só a cena de abertura, em que Nicholson joga um cãozinho shin-tzu pela lixeira do seu prédio, arrematando "this is New York; if you can make it here, you can make it anywhere", já vale o filme. E anuncia o que vem pela frente. Grau de acidez máximo, Ph 1.

17:30 - TCM - Jeremiah Johnson: lançado no Brasil como Mais Forte do que a Vingança, este filme do início da década de 70 traz Robert Redford como o cara que vira eremita no meio das montanhas geladas de Utah. Um grande filme, diferente de tudo o que você já viu, exceto se tiver sido um dos poucos felizardos que prestigiaram o recente - e ótimo - Na Natureza Selvagem, do Sean Penn. Acho que este se inspirou em Jeremiah Johnson. Redford, no auge da sua popularidade, era um ator corajoso, que só entrava em filmes que lhe significavam algo (temas preferidos: política com tendências liberais, busca da verdade, contato com a natureza). É um dos heróis deste blogueiro.
















Reford e seu amigo urso: porque é melhor evitar andar com certas pessoas...


19:50 - TC Pipoca - Tropa de Elite: é sempre confortável ver Capitão Nascimento descendo a lenha nos bandidos e dando esporro na rapaziada que faz o curso para entrar no Bope. Além das frases inspiradíssimas de um roteiro sensacional, destaco o trabalho do Wagner Moura, que consegue dar show não só nas grandes tiradas ("fanfarrão", "nunca serão", etc), mas também em frases comuns: sua performance ao entrar no morro gritando "não vai subir ninguém! Não vai subir ninguém!" para a PM é absolutamente genial.

21:00 - HBO - Batman - o Cavaleiro das Trevas: dizer o quê? O grande marco do cinema em 2008 traz aquela performance inesquecível do finado Heath Ledger como Coringa, mas traz mais: baita direção de arte, roteiro redondinho, grandes atuações acessórias de Cristian Bale e Gary Oldman... só podiam arrumar uma mocinha melhor para o Batman! Onde está a Scarlett Johansson quando precisamos dela?

22:00 - TC Cult - O Homem Que Sabia Demais: porque Hitchcock nunca é demais. Este é a segunda versão do diretor, feita em 1956 (ele tinha feito uma primeira em 1934, que ele considerava "amadora"), e traz James Stewart como o americano de férias em Marrocos que testemunha  um assassinato e que se vê em uma situação perigosa - sua vida depende do seu silêncio. Conta com aquele que é, na opinião deste blogueiro, o melhor clímax de todos os filmes de Hichcock: o assassinato que acontece durante um concerto de música clássica no Royal Albert Hall, em Londres. Tudo é arquitetado para o tiro ser disparado no momento exato em que os pratos são tocados. Uma aula de cinema.


Até em trailer Hitchcock era diferente. Veja James Stewart "vendendo" o filme e falando sobre a tal cena do concerto.

23:00 - Warner - Penetras Bons de Bico: ótima comédia com Owen Wilson e Vincent Vaughn. Eles são os amigos que se profissionalizaram na arte de entrar em casamentos para os quais não foram convidados, com o único objetivo de pegar mulher. A vida vai bem para os fanfarrões, mas tudo muda quando ambos se apaixonam por duas irmãs (Isla Fisher é a ruivinha ninfomaníaca que dá um jeito em Vaughn; Rachel McAdams é a garota cabeça e sensível que fará de Wilson um homem sério). Despretensioso, traz uma equação agradável para servir de pano de fundo para o "esquenta" da balada de sábado: festas + alta brodagem + garotas = sábado à noite.

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Filmes na TV: fugindo do Fantástico

domingo, 30 de agosto de 2009 - 1 Comentários

Que o Fantástico suscita aquela deprê de que o final-de-semana acabou, todos já sabem. Mas nada é mais deprimente do que começar uma semana vendo gente comer olho de cabra sob as ordens do Zeca Camargo em No Limite. Sai fora, bicho.

Há algumas boas opções de filmes na TV. Veja as dicas de BLOGIE!

Saneamento Básico - o Filme (TC Light, 22 h): mais um bom filme do gaúcho Jorge Furtado, um dos diretores com obra mais consistente desde a Retomada (Houve uma Vez Dois Verões, O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara). Aqui, um baita elenco, que inclui Wagner Moura, Fernanda Torres, Camila Pitanga e Lázaro Ramos, se vê socado dentro de uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, com graves deficiências no saneamento básico. Como não há orçamento para obras de infra-estrutura, a turma se vale de uma verba governamental para a produção de cinema, e começa a produzir um curta-metragem de terror. A metalinguagem sobre o processo de fazer cinema, e mais do que isso, de levantar recursos para tal, é simplesmente mágica. A tosquice do filme provoca risos, mas acaba comovendo. No final, não há como não ver beleza na obra amadora dos caras - até porque há Camila Pitanga, fotografada com reverência e carinho. Filme ótimo e adequado para uma noite de domingo!


Veja o trailer de Saneamento Básico - O Filme!

Orgulho e Preconceito (TCM, 22h): se você tiver que enveredar por um processo de convencimento da sua mulher, esta é a melhor pedida. Não há ser humano do sexo feminino que não goste da história de Jane Austen sobre a jovem Miss Bennet, uma pobretona que encontra no arrogante e milionário (mas ao mesmo tempo honesto e solitário) Mr. Darcy a alma gêmea. A coisa é romântica total, mas é muito bem feita - é a melhor adaptação de um clássico da literatura para o cinema nos últimos anos. Por algum motivo que ainda não entendi, a mulherada realmente pira no tal Mr. Darcy. Vale dar uma olhada e ver como se faz. É instrutivo.

Dizem Por Aí (Warner, 19h): uma estranha experiência em forma de filme convencional. E mal sucedida. Coisa pra cinéfilo curioso. Veja só: Rob Reiner, um diretor de qualidades (Harry & Sally, Spinal Tap), resolve fazer uma comédia romântica estrelada pela Jennifer Aniston. Sua personagem descobre que sua família fora a inspiração para A Primeira Noite de Um Homem (o filme com Benjamin Braddock - Dustin Hoffman - sendo seduzido pela coroa Mrs. Robinson - Anne Bancroft). No caso, sua avó (aqui, vivida pela Shirley MacLaine) era a Mrs. Robinson. Daí, às vésperas do casamento, ela vai procurar o verdadeiro Benjamin Braddock - e o cara é o Kevin Costner! Enfim, um lance meio estranho, que dialoga pouco ou nada com o filme que lhe serve de inspiração. Mas que deixa uma pulga atrás da orelha: como um diretor competente, com um elenco estrelado e de carisma, consegue partir de um ponto de partida promissor e acabar num filme vagabundo? Se eu não for no cinema hoje, acabarei vendo novamente...

Indiana Jones e o Templo da Perdição (TC Action, 19h45): dizer o quê? Você sabe tudo sobre esse filme. Tem aquela sequência de abertura na China, depois a sequência do avião desgovernado, depois a vila indiana cujas crianças sumiram, depois o jantar no palácio (miolos de macaco no menu!), daí a descoberta do Templo da Perdição e a operação de resgate das crianças... e Indiana Jones matando uns idiotas pelo caminho e criando um clima para pegar a Kate Capshaw no final. Aliás, uma das melhores cenas finais de todos os tempos. Nunca é demais ver mais uma vez...

Agora, se sua ideia é pegar um cineminha, vá de comédia: tem Os Normais 2 e tem Se Beber, Não Case! Se você ainda não viu Se Beber..., esta é a hora! O filme é um festival de nonsense, incorreção política e situações engraçadíssimas.

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Harrison Ford, um homem de família

quinta-feira, 20 de agosto de 2009 - 3 Comentários

Da série "bobagens interessantes" do You Tube: um camarada preparou essa compilação do Harrison Ford querendo sua família / sua esposa de volta em vários filmes - Busca Frenética, Força Aérea Nº 1, O Fugitivo, Uma Segunda Chance, Jogos Patrióticos e outros...

Dá só uma olhada:



Por favor, alguém devolva a mulher do cara!!!

O interessante é notar que os melhores filmes de Ford são aqueles em que ele não tem família nem esposa: a trilogia original Guerra nas Estrelas, American Graffiti, a série Indiana Jones, A Testemunha e o remake de Sabrina.

Entre outras razões, porque esses filmes não nos obrigam a aguentar chororô de marmanjo.

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Filme VIP de hoje: "Um Dia de Fúria"

quinta-feira, 13 de agosto de 2009 - 8 Comentários

Lembra daquele filme Um Dia de Fúria, com o Michael Douglas? Ele é um engenheiro normal, indo para o trabalho. Está preso no trânsito. Um calor infernal. O cara suando. Até que ele simplesmente abandona o carro no meio do congestionamento e sai andando a pé.

Daí pensamos: o cara pirou! Mas isso era só o começo da ladeira da loucura: ele percorre uma via-crúcis por Los Angeles, lidando com trombadinhas, imigrantes asiáticos, criminosos perigosos, lanchonetes de fast-food, malucos neonazistas, policiais, velhinhos abastados jogando golfe e o tipo mais difícil de lidar: a ex-esposa. O saco cheio do cara - e a sua demência - vão explodindo gradualmente, como mostra a evolução das suas ferramentas: um canivete, um taco de baseball, armas de fogo, até a coisa chegar ao clímax absurdo de vermos Douglas explodir uma obra pública (que causava o trânsito do início do filme) com uma bazuca portátil (tipo Rambo II)!


Veja Michael Douglas passando do último retorno em Um Dia De Fúria!

Até hoje, não sei analisar se o filme é bom ou não. Eu gostei. O que sei é que foi uma experiência catártica ver Douglas acertando as contas com o mundo. Lembro de ter chegado na faculdade no dia seguinte (o filme tinha sido exibido na Tela Quente) e todo mundo só falava disso.

Pois bem, hoje é o meu Dia de Fúria. Acordei mal da garganta. Mal consigo falar. O carro, quebrado. A agenda de trabalho, uma bagunça. Daí penso em aproveitar para subir uns posts daqueles que estou devendo faz tempo, e o fuckin' Blogger resolve parar de subir fotos. Ele simplesmente desistiu. Fica lá girando, girando... e nada.

Ah, se eu tivesse uma bazuca como a do Michael Douglas - e se o Blogger fosse um alvo fácil, como uma ponte...

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Filme VIP da semana: "A Última Sessão de Cinema"

quinta-feira, 16 de julho de 2009 - 8 Comentários

Um tesouro meio escondido: A Última Sessão de Cinema, de Peter Bodganovich. É um dos menos badalados dos grandes filmes dos anos 70 mas, ao mesmo tempo, um dos mais importantes. Ele permanece como uma das obras mais sensíveis sobre o que era ser jovem nos EUA do pós-guerra.

Alugue. Compre o DVD. Faça alguma coisa, mas não deixe de ver esta obra-prima.


Trailer de A Última Sessão de Cinema.



Estamos, adequadamente em branco-e-preto e ao som de vitrolas cheias de ruído que tocam o country de Hank Williams, em uma cidadezinha do Texas, em 1951. Jovens aproveitam os meses finais de colégio, jogando no time de futebol americano, vagando pela rua, indo ao cinema e tentando transar com suas namoradas.

Daí até o final do filme, exatamente um ano depois, veremos que não havia direito à adolescência ou juventude na geração que precedeu os baby-boomers: os ritos de passagem acabavam passando pela constatação da falta de perspectivas e da entrada em um ciclo de repetição e sufocamento dentro da cidadezinha empoeirada. O sexo, que deveria ser algo libertário e novo, apresenta-se como algo frustrante e sujo, trazido por intermediários adultos - o sócio do pai da menina, a prostituta gorda, a esposa do treinador do rapaz...

Os dois principais personagens são dois rapazes, Sonny e Duane (Thimothy Buttons e Jeff Bridges, perfeitos), que têm a amizade abalada pelo fato de que ambos estão apaixonados pela mesma garota - Jacy, a menina rica e linda, tão desorientada e sem perspectivas quanto os outros. Cybill Shepherd interpreta Jacy, numa escolha inacreditavelmente feliz - pois só ela mesmo, com sua beleza fria e irretocável, conseguiria fazer contraponto a tanta feiúra e mesmice.



















Cybill Chepherd: mais de dez anos antes de A Gata e o Rato, ela já dava show no cinema. Você não quer perder isso. Mesmo.

Mais sobre o filme, não vale a pena falar. Basta dizer que é um filme triste e bonito, que injeta a angústia de ser jovem em quem o assiste. E que se deve comemorar o Big Bang da adolescência, que viria alguns anos depois, com a invenção do rock'n'roll e dos filmes do James Dean, com a chegada dos Beatles, e com a popularização da universidade. Todos ganhamos mais uns anos pra errar por aí, mas a principal mudança foi outra: ao contrário dos jovens de A Última Sessão de Cinema, que queriam queimar logo as etapas juvenis e entender logo o papel que lhes caberia no mundo, adquirimos o gosto por curtir os anos de transição, cumprindo os ritos com gente da mesma idade, celebrando nossa cabeça vazia ou nossas dúvidas.

E, se nada disso lhe interessar e se o filme não lhe servir para mais nada, pelo menos servirá pela visão de Cybill Shepherd, novinha, ora com roupa, ora sem roupa, se empenhando para perder a virgindade ao longo de duas horas.

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Fechando o Dia Mundial do Rock: "Febre de Juventude"

segunda-feira, 13 de julho de 2009 - 1 Comentários

Como não tive sucesso preparando a lista dos DVDs essenciais para este Dia Mundial do Rock, aproveito para celebrar meu fracasso falando sobre o melhor filme roqueiro que nunca foi lançado em DVD: Febre de Juventude, um clássico da Sessão da Tarde que, se você tiver mais de trinta anos, deve conhecê-lo bem e ter saudades...
















Você não se lembra dessa turma? Calma, já explico...

Relembrando ou explicando a quem nunca conheceu: Febre de Juventude é uma produção de 1978, ideia da cabeça do já milionário Steven Spielberg (ele estava entre Tubarão e Contatos Imediatos do Terceiro Grau). Foi roteirizado e dirigido por Robert Zemeckis, que depois ganharia fama, fortuna e prêmios por De Volta Para o Futuro e Forrest Gump.

Interessante, não?

Mas fica melhor: o filme tem por nome original I Wanna Hold Your Hand. Começa com a tela negra, onde se lê: "New York City - Sábado, 8 de fevereiro de 1964". E tome locação externa. No coração da Big Apple, policiais preparam a rua para receber uma multidão, colocando cavaletes. Um homem, na fachada de um auditório da emissora CBS, conserta o letreiro, trocando uma letra "E" no meio de uma palavra por uma letra "A" e, então, se lê na tal fachada: "The Beatles". Do lado de dentro, um famoso apresentador de TV (Ed Sullivan) ensaia o texto que será usado para apresentar a maior atração da história do seu programa, que seria exibido ao vivo no dia seguinte.

E aí entra I Wanna Hold Your Hand, a música, tendo como fundo aquelas deliciosas e famosas cenas dos Beatles desembarcando nos EUA pela primeira vez, embasbacados com a multidão e a demência generalizada, depois dando show de carisma e bom humor na primeira entrevista coletiva, na qual responderam a perguntas como "vocês sabem cantar?" e "vocês vão cortar o cabelo?" com uma ironia e uma euforia simplesmente nova para os americanos - e para o mundo.















George diz ter cortado seu cabelo ontem. John levanta a lebre de que todos são carecas. Ringo rebola, dizendo que ele dança, como forma de compensar a suposta falta de talento de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison como cantores (!). Foi assim que os EUA conheceram os Beatles.


O filme, no entanto, não é sobre os Beatles. Essas cenas são as únicas que trazem os rapazes de Liverpool. A partir do final dos créditos iniciais, passamos a acompanhar a saga de uma turma de jovens de New Jersey que faz de tudo - repito: de tudo - para conseguir ver os Beatles ao vivo.

Febre de Juventude é isso: 24 horas na vida de cinco jovens americanos - e ao mesmo tempo de todos os jovens do mundo -, a partir da chegada de quatro rapazes no aeroporto, até o final do programa de TV em que eles apareceram. O programa que se notabilizou por ser a maior audiência da história da TV americana, ao longo do qual se registrou o menor índice de crimes, e mais um monte de outras lendas.

24 horas que, sem exagero, mudaram o mundo.

Um ótimo registro histórico, um filme vibrante e juvenil, uma trilha sonora na linha "melhor é impossível", formada pelos dois primeiros discos dos Beatles.

E tem a cena inesquecível de Nancy Allen (que seria esposa e musa do Brian DePalma em Vestida para Matar e Um Tiro na Noite) escondida na suíte dos Beatles, embaixo da cama, ouvindo a conversa dos caras, que jamais aparecem. Um momento marcante da infância de qualquer um que tenha visto o filme (e que, no mínimo, acabou fazendo deste blogueiro mais um beatlemaníaco no mundo).














A fantasia de uns era estar no lugar da Nancy Allen; de outros, no lugar do pé do Paul McCartney.

Por que não lançam em DVD, não sei. Mas eu fui atrás e consegui um exemplar, que tratei de ver ontem mesmo. Hoje, sou uma pessoa mais feliz.

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"Sim, Senhor": filme engraçado, trilha de responsa

quarta-feira, 17 de junho de 2009 - 4 Comentários

Entre os últimos lançamentos em DVD, encontramos a comédia Sim, Senhor, com o Jim Carrey.

O filme é legal: Jim Carrey está engraçado e alucinado, como nos seus melhores momentos, e ainda temos a gracinha Zooey Deschanel, atriz carismática e charmosa e cantora talentosa. Tudo certo.
















Zooey: ela canta, atua e faz graça. Mas basta existir...

Pra melhorar, só mesmo uma trilha sonora matadora. E é o que o filme entrega, logo na sua cena de abertura: a música é Separate Ways, do Journey, uma das grandes bandas americanas dos anos 80. Uma paulada, que é recuperada no clímax do filme, uma hora e meia mais tarde.

Veja o Journey tocando Separate Ways ao vivo, em 1983, no Japão. Coisa linda. As cordas vocais privilegiadas que você ouve são de Steve Perry, provavelmente o melhor cantor que já se juntou a uma banda de rock.


Viva os anos 80: Journey chutando rabos no Japão.

De resto, se você ainda não viu Sim, Senhor, não perca a oportunidade: alugue o filme e se divirta.

Fico devendo dois posts: um, com o melhor de Jim Carrey, e outro, sobre a Zooey Deschanel, a próxima grande estrela de Hollywood. Pelo menos na vontade deste blogueiro.

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Até que enfim: "The Doors" em DVD

terça-feira, 16 de junho de 2009 - 2 Comentários

Demorou demais, mas chegou: The Doors, do Oliver Stone, está sendo lançado em DVD.

Há uns doze anos, desde que o DVD varreu as fitas mofadas de VHS das prateleiras das locadoras, esta vem sendo a maior lacuna na formação de novas gerações de moleques. E na nostalgia de marmanjos.


Veja o trailer de The Doors!

O filme do maluco por reconstituições Oliver Stone foi um grande evento quando do seu lançamento, no início dos anos 90. Colegiais faziam fila nos cinemas para descobrir Jim Morrison e sua banda. Light My Fire, Break on Through e The End se tornaram hino para uma nova geração de adolescentes impressionados com a atitude escrota de Jim e suas letras desajustadas. A onda riponga influenciou a geração que foi pras ruas, com as caras pintadas, exigir o impeachment de Fernando Collor.

À parte toda essa história, temos um grande filme, com Val Kilmer em estado de graça, em atuação merecedora de Oscar (seu Jim Morrison bota o Ray Charles de Jamie Foxx e o Johnny Cash de Joaquin Phoenix no chinelo), e com Meg Ryan linda, linda, ousando pela primeira vez em sua carreira: cheira, bebe, fala palavrão e até arrisca um peitinho, como Pamela Courson, a namorada do líder dos Doors.

Vale muito a pena comprar e guardar este verdadeiro documento. Saudades dos tempos em que Oliver Stone tinha estilo próprio e sem concessões. E dos tempos em que idolatrávamos um bêbado que havia morrido trinta anos antes.

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Férias: filmes para curtir o ócio

sexta-feira, 1 de maio de 2009 - 0 Comentários

Este blogueiro ficará longe da civilização por sete dias. Isso significa que não comentarei a estreia de X-Men Origens: Wolverine, e também outras coisinhas menos importantes que vão estrear.

Na volta, eu corro atrás e comento a nova aventura de Hugh Jackman.

Rápida listinha de filmes que eu gostaria de ver - ou rever - nas férias (eu ando numas de anos 70):

O Cavaleiro Elétrico, com Robert Redford

Três Dias do Condor, thriller classudo e roteiro perfeito, também com Redford. Olha só o trailer:



A Última Sessão de Cinema, com a Cybill Chepard novinha!

American Graffiti, a despedida oficial da juventude, by George Lucas

Barbarella, porque Jane Fonda matando homens com uma vagina dentada não é algo a ser ignorado...

E, no fundo, no fundo, eu gostaria mesmo é de rever aquelas Sessões da Tarde de quando eu tinha 15 anos e muito tempo livre. Sem obviedades na linha Curtindo a Vida Adoidado:

Namorada de Alguel: Patrick Dempsey (de Grey's Anatomy) quer deixar de ser nerd, e a melhor maneira de fazer isso é alugando a gata Cindy Mancini por uns tempos.

Alguém Muito Especial: Eric Stoltz está paradão na Lea Thompson (De Volta para o Futuro), mas Mary Stuart Masterson é a mulher certa. Filme pra menininha, mas OK. É citado no atual Ele Não Está Tão a Fim de Você.

Admiradora Secreta: uma confusão é armada a partir de cartas de amor enviadas para as pessoas erradas. C. Thomas Howell é o herói da fita, com a melhor musa das fitas juvenis dos anos 80: Kelly Preston, atual Sra. John Travolta.

A Primeira Transa de Jonathan: Kelly Preston de novo, como Marylin, a predestinada que tirará o Jonathan do título do zero a zero. Uma trama rock'n'roll, que se passa nos anos 50. Classe A. De onde recupero uma cena essencial, para o filme e para a deturpada formação sexual de uma geração de moleques.



Jonathan fez o que tinha de ser feito. Pelo menos nisso é o que queríamos acreditar.

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Scarlett Johansson: os seios mais belos de Hollywood

quarta-feira, 29 de abril de 2009 - 5 Comentários

O programa Access Hollywood divulgou os resultados de uma pesquisa mui relevante - diria essencial: os seios mais bonitos do cinema.

A campeã, como era de se esperar, é Scarlett Johansson. Apesar de, infelizmente, a moça nunca ter exibido seus tão preciosos ativos em filme.

Conheça as cinco primeiras colocadas:


1. Scarlett Johansson
























BLOGIE viu antes: ela era uma menininha meio sem graça, mas de muito talento em O Encantador de Cavalos, do Robert Redford. Não percebi potencial nenhum ali. Até que veio o plano de abertura de Encontros e Desencontros, e o mundo foi apresentado ao derrière da moça.
Onde conferir: Match Point, A Dália Negra, Vicky Cristina Barcelona, Encontros e Desencontros.

A equação: Scarlett + grandes diretores (Woody Allen, Brian DePalma, Sophia Coppola) = duas horas bem gastas.


2. Salma Hayek




















BLOGIE viu antes: A Balada do Pistoleiro acabava de ser lançado em vídeo. Queiroz, meu vizinho malandro, obrigou a turma toda a ver o filme. A contragosto, topamos. E o cara ficou comentando cada cena do filme, dizendo: "esse é o Banderas!", "o Banderas é f...!" - e aí apareceu a Salma Hayek, matadora, e ele se pôs de pé e começou a gritar: "é com esse cara que eu tinha que andar, e não com esses otários do Tucuruvi (nós). Olha essa morena!". E o filme passou a ficar mais interessante.

Onde conferir: A Balada do Pistoleiro, Um Drink no Inferno (dançarina sexy), Frida (nudez e lesbianismo), Era Uma Vez no México (mais uma vez, o Queiroz pirando).

A equação: Salma Hayek + Robert Rodriguez = diversão total, filme pra ver com os amigos.


3. Halle Berry
























BLOGIE viu antes: mentira, vi depois de todo mundo. Todos falaram dos peitos da mulher em A Senha, filme que nunca assisti (até hoje!). Mas não dispensei a oportunidade de ver A Última Ceia, mesmo sabendo se tratar de um filme bem chato.

Onde conferir: A Senha, A Última Ceia (a cena de sexo com Billy Bob Thornton compensa a chatice do filme), A Estranha Perfeita (Halle é a mulher fatal, sexy 100%).

A equação: Halle Berry + filmes ruins = garantia de exposição do corpo da moça.



4. Jessica Simpson

























BLOGIE viu antes: sorry, não conheço o trabalho dessa moça. Ela é cantora, é isso?

Onde conferir: no Google Images.

A equação: Jessica Simpson = seus peitos.



5. Jennifer Love Hewitt
























BLOGIE viu antes: vi mesmo. Até hoje, a moçada não entende por que eu assistia Party of Five com tal devoção. A Sarah de Jennifer era a namorada perfeita. E foi a razão pela qual eu me tornei fã daqueles filmes de terror de meados dos anos 90.

Onde conferir: Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (timidamente explorado), Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (plenamente explorado), Mal Posso Esperar (muito comportada), Party of Five (principalmente nas últimas temporadas, quando ela estava tentando traçar o namorado, Bailey, cujo equipamento insistia em não funcionar).

A equação: Filmes no cinema - Jennifer Love Hewitt = mundo sem graça.



E você? O que achou da lista do Access Hollywood? Sentiu falta de alguém?

Pra ficar em um par só, BLOGIE aponta: faltou Megan Fox, claro.

E, historicamente, vale a menção honrosa ao par de seios mais famoso do cinema - o par que, segundo o gênio Billy Wilder, desafiava as leis da gravidade:

























Segundo Wilder, em sua biografia E o Resto é Loucura, certa vez ele falou para Marylin que ela não deveria usar sutiã em tal cena. E ela respondeu, "mas não estou usando". Como Wilder fez uma cara incrédula, ela tratou de eliminar as dúvidas do chefe: pegou a mão dele e pousou sobre seu peito.

Foi aí que ele observou o lance da gravidade.

Peito também é cultura.

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"Eu Te Amo, Cara" e outros filmes de brodagem

domingo, 26 de abril de 2009 - 3 Comentários

Uma das estreias da semana traz o sempre engraçado Paul Rudd em mais uma comédia de macho: Eu Te Amo, Cara - a história de um rapaz que, às vésperas do casamento, percebe que não tem nenhum amigo para ser seu padrinho (o best man dos americanos). E aí ele entra numa cruzada em busca do brother.

É um filme que toma como tema central uma preocupação clássica do cinema: a amizade masculina. Veja o trailer:




A crítica de cinema Isabela Boscov escreveu na VEJA desta semana que o filme trata do "amor intenso, estritamente não gay, entre homens heterossexuais". E listou alguns filmes que vão fundo no assunto, como Gênio Indomável, Superbad e Onze Homens e um Segredo.

BLOGIE aproveita para entrar de sola no assunto: o "bromance" (romance de bróder, em tradução porca) é um tema tradicional do cinema, mas alguns filmes têm maior receio de discutir o componente gay da amizade, outros não.

Por exemplo: Butch Cassidy & Sundance Kid - há como negar que há atração entre os heróis vividos por Paul Newman e Robert Redford? O filme traz um monte de insinuações, tão escancaradas quanto naqueles episódios de Batman & Robin dos anos 60.

Perdidos na Noite, com Dustin Hoffman e Jon Voight: muito além da amizade, tá na cara.

A maioria dos filmes, no entanto, evita entrar nessa seara - como Gênio Indomável.

Eu Te Amo, Cara até brinca com o assunto, mas o filme mais indigesto e corajoso com esse tema foi trazido por Kevin Smith em meados dos anos 90: Procura-se Amy, com Ben Affleck e Jason Lee.


















Lembrando: os caras são cartunistas, parceiros e melhores amigos. Ben Affleck se apaixona por uma lésbica (a Amy do título), situação que bota a amizade em xeque. A própria Amy é quem percebe que tem coisa estranha por ali, e constata que Jason Lee está se comendo de ciúmes do amigo, mas de uma maneira muito mais doída do que seria razoável. Ela joga no ar: o cara ama o melhor amigo. E é uma verdade tão verdadeira que não é possível conviver com ela. A amizade acaba, os amigos se separam, e a gente fica com a pulga atrás da orelha.

Ainda assim, pinta aquela bela cena final - os caras se encontram em uma convenção de HQ, e se cumprimentam meio de longe, e sorriem, e a velha amizade está toda ali, ainda que eles entendam que o convívio não será restaurado... e aí eu me pego lamentando pelas amizades perdidas com os amigos de infância, do colégio e tal.

O que me faz pensar no filme que melhor trata da amizade masculina, não entre dois caras, mas entre uma turma toda: Brincando de Seduzir (em inglês: Beautiful Girls). O filme nunca foi lançado em DVD no Brasil, mas é um filmaço. Tem o Timothy Hutton, o Matt Dillon e a Uma Thurman (e a Natalie Portman com 14 aninhos). Hutton é o cara que mora em Nova Iorque, e que volta para a sua cidadezinha no interior do Massachussets para o Natal. Encontra todos os velhos amigos: um casado e cheio de filhos; o outro chafurdando no casa-não-casa com sua noiva; outro, que era o pegador da cidade e astro do colégio, tentando viver no passado, enquanto enrola sua eterna namorada que merece coisa melhor (papel da Mira Sorvino); e assim por diante.

A vida está dura para todo mundo, e todos estão enfrentando em silêncio os desafios de ser adulto e lidar com a frustração dos sonhos juvenis. Mas aí, quando todos se juntam no mesmo boteco de sempre, e Hutton senta no piano e toca Sweet Caroline (o hino informal do Red Sox, o lendário time de baseball do estado), os problemas se dissolvem: os amigos cantam juntos, e se apoiam em suas misérias, e se redimem em conjunto enquanto berram que "os bons tempos nunca pareceram tão bons". Veja a cena:



E aí podemos pensar, é isso aí, a amizade está bem retratada, em terreno seguro e confortável.

Que é como devemos nos sentir perto dos amigos de verdade.

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Na TV: "Cidade de Deus"

domingo, 19 de abril de 2009 - 2 Comentários

Hoje, na Globo, às 23:00: o melhor filme brasileiro de todos os tempos, Cidade de Deus.

É tão lugar-comum falar do filme de Fernando Meirelles desse jeito, que até esquecemos dos detalhes que fazem do longa a obra-prima que é. Da sequência de abertura (uma perseguição infernal à galinha que foge do churrasco na laje) até ao final, com a molecada da Caixa Baixa comemorando a tomada do poder no morro, tudo é tão bem acabado e feito com um cuidado jamais visto no cinema nacional. É coisa de Hollywood. Veja o trailer e relembre:



Os personagens (Busca-Pé, Dadinho/Zé Pequeno, Bené - "virei prayboy!" -, Cabelereira, Mané Galinha...) são muito bem construídos. Os atores são todos perfeitos (o filme revelou Alice Braga, como Vânia, a namoradinha do Busca-Pé). Aquela sequência do baile funk. A sequência do motel, em que o sangue ruim do Dadinho aparece. A cena em que o Benê convoca o playboy Tiago para apostar uma corrida de bike. O Busca-Pé traçando a jornalista. Zé Pequeno e gangue posando para a foto no jornal. Enfim, aquele momento antológico, em que Zé Pequeno toma a boca do Neguinho:

- Porra, Dadinho, como é que cê entra assim na minha boca?

- Quem disse que a boca é tua?, rapá...

- Queéisso, Dadinho?

- Dadinho é o caralho; meu nome agora é Zé Pequeno, porra!

A maior frase do cinema nacional, e a melhor do cinema mundial neste século, pode crer. Tá lá em cima, junto com o "Ninguém é perfeito" de Quanto Mais Quente, Melhor e os grandes.

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Cuidado com o que você pede à sua namorada!

domingo, 29 de março de 2009 - 2 Comentários

A cena abaixo mostra o risco que o camarada está correndo quando pede algo "mais apimentado" para a sua namorada. Ela é retirada de O Verão de Sam, filmaço do Spike Lee (falarei sobre ele em outro post, ao longo da semana).

Um breve contexto: estamos na década de 70, era do disco e do Studio 54. O John Leguizamo é um cabelereiro ítalo-americano descolado que, por dançar bem, tem uma namorada gostosa (Mira Sorvino). No fundo, não passa de um John Travolta wannabe. Entupidos de pó, eles acabam indo - por sugestão dele e sob resistência dela - a uma pós-balada pesada: um bacanal sem regras, suingueira total, todo mundo transando com todo mundo. A conversa que se segue é a volta pra casa depois da loucura toda.


Lição nº 1 para cabelereiros baixinhos e feios: se você descolou uma Mira Sorvino, agradeça aos céus - e não vá inventar bobagem que possa estragar o encanto.


Dois detalhes sobre essa cena:

1) Ela virou um tipo de símbolo do girl power (o que isso significa, não sei muito bem - afinal, até as Spice Girls eram símbolo do girl power);

2) Ela contribuiu bastante para outra marca importante do filme de Spike Lee: é o sexto colocado no Top Fuck List do Wikipedia. Ou seja, é o sexto filme em que mais se falou a palavra fuck ou seu derivado qualitativo, fucking.

Ainda nesta semana, uma análise sobre O Verão de Sam.


PS: o primeiro colocado do Top Fuck List é Cassino, do Martin Scorsese. Só podia ser dele.

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Homens VIP do Cinema: Marlon Brando / Don Corleone

segunda-feira, 23 de março de 2009 - 0 Comentários

Marlon Brando em O Poderoso Chefão. Provavelmente, o papel mais lendário da história do cinema, tanto pela importância - afinal, o filme foi um enorme sucesso, sustentando a marca de maior bilheteria de todos os tempos até o lançamento de Star Wars - quanto pelas curiosidades que o cercam - entre elas, o Oscar que Brando ganhou e não buscou, tendo mandado uma índia falsa em seu lugar para recusá-lo.

Mas o surgimento em si do Vito Corleone de Brando é a melhor história de todas.

O autor do livro O Poderoso Chefão, o ítalo-americano Mario Puzo, viu sua obra se tornando um best seller, e conseguiu vender os direitos de filmagem para um grande estúdio de cinema - a Paramount. Certo dia, mandou uma carta para Marlon Brando, dizendo: "Sr. Brando, eu escrevi um livro chamado The Godfather, e acho que você é o único ator vivo que pode fazer o protagonista, Don Vito Corleone".



Marlon Brando, o Chefão: o melhor ator no melhor melhor papel do melhor filme. Coisa única.


Convencer Brando a aceitar o papel era o menor dos obstáculos - difícil era convencer os estúdios a aceitarem Brando. À época, o ator já era uma lenda, tido como o maior de todos os tempos e tudo mais, mas estava em franca decadência. Tinha fama de encrenqueiro e vinha de uma série de filmes fracassados. Os executivos da Paramount condicionavam a grana para produzir o filme à não-escalação de Brando.

Mas estávamos nos anos 70 e, por algum motivo, o diretor escalado para o filme era o iniciante e talentoso Francis Ford Coppola, um sujeito que, aprenderiam os estúdios, gosta das coisas do seu jeito e não liga muito para estouros de orçamento. Coppola comprou a visão do autor do livro e queria emplacar Brando como protagonista. Encheu tanto o saco dos chefes que conseguiu um "teste de câmera" para Brando.

Só que, entenda, estamos falando de Marlon Brando, e Marlon Brando não faz "teste de câmera". Para disfarçar, lá foi Coppola com uma câmera na mão na casa do ator, para um "teste de maquiagem". E então aconteceu, bem em frente à câmera ligada do diretor, a transformação histórica.

Brando falou "andei pensando em algumas coisas", e começou a se transformar em Don Corleone. Passou as mãos cheias de graxa no cabelo, deixando-os pretos e esticados para trás. Encheu a boca com lenços Kleenex, para ficar com as bochechas gordas, pois acreditava que o seu personagem deveria ter o aspecto de um buldogue, "com aparência feroz mas, no fundo, de natureza pacata e carinhosa". E começou a falar em uma rouquidão sofrida, pois, na sua cabeça, o personagem tinha levado um tiro na garganta em seu passado. Nascia, ali, Don Vito Corleone.

A cena está gravada e disponível, escondida no meio do monte de extras contidos na caixa de DVDs da trilogia O Poderoso Chefão. Oportunidade rara de ver um gênio fazendo seu trabalho.

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Especial Roman Polanski no Telecine Premium

quinta-feira, 19 de março de 2009 - 4 Comentários

Começou ontem o Especial Roman Polanski no Telecine Premium. Por uma semana, o canal exibirá filmes da carreira do diretor polonês que ficou tão famoso pela sua obra quanto por detalhes sórdidos de sua vida pessoal.

Explicando: em 1969, a esposa grávida de Polanski, Sharon Tate, foi assassinada pelo maluco Charles Manson e sua turma, num dos crimes mais famosos da história recente, em boa parte por causa da suposta inspiração em Helter Skelter, música do Álbum Branco dos Beatles.

Outra: em 1977, pegaram Polanski transando com uma menina de 13 anos. Quando viu que não tinha saída e que seu futuro era cana, ele se mandou dos EUA e passou a viver na França. Para não ser preso, não voltou nem para buscar seu Oscar de melhor diretor por O Pianista, em 2002.

Para rivalizar com isso, tem que ter filme bom, certo? E ele tem: Repulsão ao Sexo, com a Catherine Deneuve; O Bebê de Rosemary, que deu Oscar à Mia Farrow; Chinatown, o exemplo padrão de roteiro perfeito em Hollywood; o já citado O Pianista, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes e deu Oscars a Polanski e ao seu protagonista, Adrien Brody; e o mais recente Oliver Twist, uma adaptação respeitável de Charles Dickens.

Há também umas bombas no currículo do homem: Busca Frenética, com o Harrison Ford, e A Morte e a Donzela, com Sigourney Weaver, são dois exemplos básicos.

Mas a parte boa prevalece, e é ela que o Telecine Premium exibe nesta semana, sempre às 22 hs. Ontem já passou o pesadão O Bebê de Rosemary. Veja os próximos filmes, e não perca!

19/março (quinta-feira), 22:00: Chinatown. Com Jack Nicholson e Faye Dunaway. É o melhor filme de Polanski, uma homenagem aos filmes noir - aqueles filmes de detetive da década de 40 (Humphrey Bogart, loiras fatais e muita fumaça). É também um roteiro impecável, tendo ganhado o Oscar em 1974 (só não ganhou melhor filme porque concorria com O Poderoso Chefão Parte 2).




Veja o trailer de Chinatown, e veja por que Jack Nicholson tem lugar cativo na primeira fila do Oscar. Ele domina L.A.


20/março (sexta-feira), 22:00: O Pianista. Oscars de melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor ator. Adrien Brody é o pianista polonês (e judeu) que luta para sobreviver ao Holocausto. É uma obra muito pessoal para Polanski, que foi separado dos pais (cada um mandado a um campo de concentração - a mãe, enviada a Aushwitz, não voltou) e se virou sozinho no mesmo Gueto onde o personagem de Brody passa a maior parte do filme. É um filme bom e triste, talvez não adequado a uma sexta-feira. Não troque sua cerveja no boteco mais próximo por esse filme.

21/março (sábado), 22:00: Lua-de-Fel. Esse é pra quem gosta de sacanagem (e Polanski sabe dessas coisas). O cara botou a mulher dele (a atriz Emmanuelle Seigner) para se submeter a todo tipo de tara: voyeurismo, sado-masô, submissão. A história: num cruzeiro, o casal inglês formado por Hugh Grant e Kristin Scott Thomaz é envolvido nos joguinhos de um deficiente físico tarado e sua esposa gostosinha (Emmanuelle). Rola um pouco de tudo (até as garotas se pegam, num baile chique), e o final é bem melancólico mas, em um sábado à noite, com um filme desses... você e sua companhia já terão partido para o quarto antes do final.










Emmanuelle Seigner posando e em ação, em Lua-de-Fel. Roman Polanski não hesita em exibir sua esposa.
Agora, se nada disso lhe interessou, vá de Tropa de Elite, hoje mesmo, no Telecine Premium, às 22 hs. Capitão Nascimento não quer saber de frescura e cobre os bandidos e os playboys de porrada.

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