Blogie - Cinema na VIP

Um vídeo que diz tudo

quinta-feira, 22 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Pra terminar a semana de homenagens ao grande François Truffaut, nada melhor do que ver o próprio falando sobre sua noção de fazer cinema - buscar aquele equilíbrio entre lágrimas e risos que faz a vida -, nesse vídeo irresistível gravado durante as filmagens de Domicílio Conjugal.

Repare na Claude Jade, linda, linda, linda, ao lado dele, embevecida ao observar o cara falando.




Repórter: neste filme, você trata de problemas de relacionamentos. Como você os aborda?

Truffaut (meio constrangido): bem... não como problemas!

Caso encerrado.

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François Truffaut, o Cineasta que Amava as Mulheres

terça-feira, 20 de outubro de 2009 - 3 Comentários

A revista VIP deste mês (que é lançada nesta quarta-feira, dia 21) é a principal do ano: nela, você encontrará as 100 mulheres mais sexy do mundo, embelezando páginas e mais páginas.

De maneira bem mais modesta, mas rigorosamente adequada, lá no final da revista se encontra um texto deste blogueiro, no qual tentei resumir em uma página boas razões para os amigos leitores comprarem uma caixa de filmes do cineasta François Truffaut. Há dois ganchos: 1) exatamente nesta quarta, é o 25º aniversário de sua morte; e 2) ele pode ensinar muita coisa para nós, homens que habitam o universo VIP.
























Um sujeito simples

Geralmente Truffaut é citado em rodas de papo-cabeça, contextualizado em meio a termos como nouvelle vague, Goddard e Cahiers du Cinema. Explica-se: ele e o outro camarada aí, egressos de uma turma de jovens críticos cheios de gás, fundaram há cinquenta anos a "nova onda" do cinema francês, movimento que revolucionou o cinema mundial, reinvidicando a autoria do filme para o diretor e renovando vários códigos e técnicas da sétima arte.  

Essa conversa toda, acredite, não vale nada. F. Scott Fitzgerald certa vez escreveu: "comece com um indivíduo e, antes que se dê conta, você concluirá que criou um tipo; comece com um tipo e concluirá que o que criou foi - nada." Ou seja, não adianta começar a falar em Truffaut como parte de um conceito, de uma turma, de um troço chato.

Truffaut era um cara único. Um cronista simples. Ele abordou o cinema como Drummond abordava a prosa - através do cotidiano, da simplicidade, da beleza e da dureza que há nas coisas comuns.


E ele gostava de três coisas:



1- Pessoas:

Nos filmes de Truffaut, ninguém salva o mundo. Raramente alguém corre risco de vida. As pessoas têm profissões nada excitantes, mas que fazem parte da vida: balconistas, vigias noturnos, floristas, barbeiros. As grandes questões enfrentadas por seus personagens são as grandes questões que enfrentamos nas nossas vidas: escolher um emprego (ou ser escolhido por ele); arrumar uma mulher (ou como lidar com mais de uma); preencher o vazio deixado pela nossa própria limitação.

A melhor declaração sobre a humanidade de Truffaut está no magnífico Beijos Roubados (1968), segundo filme da série que narra a vida do jovem Antoine Doinel, vivido por Jean Pierre Leaud. Em determinada cena, o jovem está obcecado pela mulher do seu patrão (o dono de uma loja de calçados), e lhe escreve uma carta. Para sua surpresa, a dondoca surge, como uma aparição, em seu quarto.


E se põe a destruir o mito em que ela tinha sido transformada pelo próprio Antoine: diz a ele que, se ele a julga extraordinária, ela aceita o elogio - afinal, todas as pessoas são extraordinárias, posto que são únicas. Mas ela diz isso de uma maneira inigualavelmente agradável e sexy - e vai pra cama com o rapaz.

Veja a cena (com legendas em inglês, foi o melhor que consegui). É um tratado sobre humanismo em forma de cortejo pré-acasalamento.


"Pessoas são maravilhosas", disse o pai dela antes de morrer. Cena-chave na obra do diretor.


2- Mulheres:


Truffaut, assim como seus personagens, era uma criança quando o assunto era mulher. Claramente apaixonado por suas atrizes, o cineasta as fotografava como ninguém. Jeanne Moreau (Jules e Jim), Catherine Deneuve (Sereia do Mississipi e O Último Metrô), Jacqueline Bisset (A Noite Americana), Isabelle Adjani (A História de Adèle H.), todas foram exibidas como entidades em seus filmes.

Com Claude Jade, no entanto, foi diferente: aos 19 anos, ela foi descoberta pelo diretor para ser a namorada de Doinel em Beijos Proibidos. Depois de namorar a atriz (e de levar um pé na bunda), Truffaut a efetivou no cargo, trazendo-a como a esposa de Doinel em Domicílio Conjugal (1970) e em Amor em Fuga (1978).















Claude Jade e Jacqueline Bisset: duas musas eternizadas pela câmera de Truffaut.


No final da carreira, Truffaut casou-se com a grande atriz francesa Fanny Ardant, com quem filmou A Mulher do Lado (1981).

Mas sua homenagem defintiva às mulheres está na comédia O Homem que Amava as Mulheres (1979), um despretensioso retrato de um escritor que dedicou toda sua vida a seduzir mulheres. Autobiográfico é pouco.


3- Cinema:


Ningúém se sentiu tão realizado ao dirigir um filme quanto François Truffaut. Isso pode ser percebido assistindo a qualquer um dos seus filmes, desde sua brilhante estreia em Os Incompreendidos (pelo qual ganhou o prêmio de melhor direção em Cannes em 1959) até sua participação como ator na ficção Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1979), do fã e amigo Steven Spielberg. Ou através das deliciosas entrevistas conduzidas pelo francês junto ao ídolo, Alfred Hitchcock, no melhor livro sobre cinema já escrito (intitulado simples e adequadamente Hitchcock/Truffaut). Ou de suas homenagens ao cinema mudo (em Jules e Jim), ao cinema de suspense de Hitchcock (A Sereia do Mississipi) ou, simplesmente, ao cinema.


É isso que se encontra em A Noite Americana, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1973: um filme sendo feito, do seu primeiro dia de filmagens até o último. Truffaut faz o papel do diretor, seu staff faz papel do seu staff, Jean Pierre Leaud faz o papel do seu ator principal. Truffaut faz um filme sobre Truffaut fazendo um filme, e o cinema reina. Veja que beleza! Um trecho selecionado de A Noite Americana:



Com uma música dessas, quem precisa de legendas?


Uma vida que vale uns filmes

Do delinquente juvenil que achou na cinemateca sua verdadeira escola ao jovem diretor que influenciou meio mundo, Truffaut viveu a vida. Fez amigos bacanas como Spielberg e Hitchcock e ironizou o elitismo do seu rival Goddard, sugerindo que este escrevesse uma autobiografia chamada Uma merda é uma merda. Seguiu produzindo um filme por ano até sua morte, em 1984, aos 52 anos.

Apesar de ser fundador de um movimento que fez a cabeça de gerações de intelectuais esnobes, Truffaut incutiu uma humanidade e uma paixão no seu "novo cinema", sem receio de parecer brega, ingênuo, popular - e se tornou um militante da arte contra o cinismo.
Ninguém filmou mulheres com tanta paixão. Ninguém fez cinema com tanta devoção. Ninguém, no papel quase divino de diretor de um filme, se colocou de maneira tão humilde para fazer filmes tão despretensiosos - e ainda assim geniais. Truffaut foi um artista cujo talento, hoje, só encontraria rivalidade em um um Woody Allen, um Scorsese ou um Almodóvar.  Para os quais, aliás, Truffaut foi herói e influência.

Sua obra, toda lançada em DVD, merece ser descoberta. Sugiro começar pela caixa As Aventuras de Antoine Doinel, que é o objeto da seção Estante VIP deste mês (leia mais lá na revista), e então partir para os dois clássicos absolutos, Jules e Jim A Noite Americana. Depois disso, difícil será parar de comprar os outros DVDs...

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Um pôster de cinema para se ter na parede de casa

sábado, 26 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Outro dia, achei um site que mostra os melhores pôsters de cinema...

Vou preparar um top ten ao meu gosto, mas já adianto qual é o meu preferido: 
























Jules e Jim, de François Trufffaut.

Esse pôster traz tudo o que faz do filme uma maravilha: Jeanne Moureau, um ar de "alegria de viver", um tom meio melancólico, meio distante - e transpirando humanidade. Além disso, é uma obra-de-arte, como o filme.

E isso, sem entregar nada do que se trata.

Em Vanilla Sky, a atordoante colagem pop de Cameron Crowe (segundo ele, há 429 referências à cultura pop no filme!), o quarto de Tom Cruise traz na porta um pôster gigante de Jules e Jim. Para se ter uma ideia do que isso significa, vale dizer que as paredes desse cômodo abrigam uma tela original do Monet e uma guitarra estraçalhada do Pete Tonwshend, do The Who.

Aliás, cabe um post para esmiuçar as referências de Vanilla Sky.

E outro para discutir Truffaut. (Esse estou guardando para uma data especial, dentro de um mês...)

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