"Simplesmente Complicado": vida sexual ativa depois dos 60
segunda-feira, 1 de março de 2010 - 2 Comentários
Um bom programa inofensivo para levar a namorada no sábado à noite: Simplesmente Complicado, a nova comédia de Nancy Meyers, que já vinha do sucesso Alguém Tem que Ceder.
A fórmula se repete: se, no primeiro filme, foram escalados Jack Nicholson e Diane Keaton como os sexagenários que arrumam namorada/namorado trinta anos mais novos (até se descobrirem apaixonados), para Simplesmente Complicado Meyers recrutou ninguém menos que Meryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin. Streep é a mãe de família cujo ex-marido (Baldwin, em estado de graça) a trocou por uma mocinha. Dez anos se passam e eles começam a se tratar com alguma cordialidade.
A vida aos 60: festas, maconha, vinho a rodo e sexo livre - sem mencionar os óculos de leitura e muitas idas ao médico.
Até que, na formatura do filho mais novo, eles acabam engatando uma conversa, e abre um vinho, abre outro vinho... e pronto: vemos Meryl Streep na estranha condição de amante do ex-marido. A atriz tira todo o humor óbvio que existe na situação - servindo-se, para isso, da sua reputação de grande dama do cinema americano em situações ridículas (artifício já usado em Mamma Mia!)-, mas também injeta sua habilidade dramática para evitar que a coisa se transforme numa farsa bizarra.
Pra complicar o que já era complicado, um arquiteto que também passou por uma separação conturbada, vivido por um Steve Martin todo quadradinho e contido (uma projeção do seu personagem de Antes Só do que Mal Acompanhado, vinte anos depois?), entra na jogada e vira o novo namorado de Meryl - despertando ciúmes do hoje bonachão Alec Baldwin, responsável por uma cena cômica digna de Os Três Patetas ou congêneres.
O resultado é um filme infinitamente agradável, com situações engraçadíssimas, capazes de fazer a sala de cinema eclodir em gargalhadas por uma boa dúzia de vezes. E a maior delas acontece durante uma festa, em que Meryl e Martin dividem um baseado e dão um show (de interpretação, de dança, de papo-cabeça, de larica...) - só vendo pra crer.
Veja o trailer de Simplesmente Complicado (a música é de Crosby, Stills & Nash, já devidamente recomendada anteriormente em BLOGIE)
No mais, é dado bom destaque a uma trilha sonora de responsa, formada por clássicos da música americana dos anos 60 e 70, que fizeram a juventude dos personagens , da diretora e do elenco de Simplesmente Complicado: Tom Petty (Don't Do Me Like That), Beach Boys (Wouldn't It Be Nice), Crosby, Stills & Nash (Suite: Jude Blue Eyes)... e uma pitada de anos 80 na tal cena da festa (Fine Young Canibals, com Good Thing).
Como hoje é segunda-feira, não poderia deixar passar a oportunidade de relembrar alguma música antiga. Aí vai a canção de maior destaque no filme (afinal, são as lembranças que ela traz que deflagram o tal caso extraconjugal):
Tom Petty & The Heartbreakers ao vivo, tocando Dont't Do Me Like That (trilha sonora oficial do adultério de Alce Baldwin com sua ex-mulher).
Voltando a Simplesmente Complicado: vale o preço do ingresso, da pipoca e da Coca gigante. Valeria também uma indicação ao Oscar para Meryl Streep (trata-se de um trabalho muito melhor do que o que ela fez em Julie & Julia ou mesmo em Mamma Mia!) e, quem sabe, uma indicação para coadjuvante para Alec Baldwin, que, hoje, vive a melhor fase da sua carreira, servindo-se da sua decadência física e de um talento cômico que sempre esteve lá, mas que não dava ibope na época em que ele era o galã do momento...
Boa diversão!
P.S.: aviso aos interessados que, a partir de amanhã, só Oscar neste blog. Falarei de O Segredo dos Seus Olhos (meu preferido para filme estrangeiro), Guerra ao Terror, Coração Louco (Jeff Bridges arrebentando) e, claro, meus palpites sobre quem leva as estatuetas douradas na cerimônia do próximo domingo, dia 07 de março.
Marcadores: anos 60, anos 70, cinema, comédia, Meryl Streep, rock, Steve Martin, Tom Petty
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