Blogie - Cinema na VIP

Kristen Stewart, "Lua Nova" e a não-entrevista

sexta-feira, 30 de outubro de 2009 - 1 Comentários

Neste final-de-semana, dois astros de Lua Nova, o segundo filme da série Crepúsculo, estarão no Brasil para promover o lançamento. Um deles é o índio fortinho que vira lobisomem - alguém cujo nome, sinceramente, não interessa a mim ou ao amigo leitor. Mas a outra pessoa é aquela coisinha linda chamada Kristen Stewart, a Bella Swan da série.


















Bem, este blogueiro obteve a oportunidade de ir até o hotel onde acontecerá a entrevista coletiva. Mas, devido a compromissos familiares inadiáveis em um feriadão como este de Finados, terei que passar. Com isso, o leitor não verá no BLOGIE nenhuma entrevista ou novidade sobre a pequena.


Talvez seja melhor assim. No material, uma série de restrições são impostas. Não se pode fazer perguntas sobre o próximo filme da série, Eclipse. Não é permitida nenhuma pergunta pessoal, seja sobre intimidades, seja sobre opiniões. Só vale perguntas estritamente relacionadas ao filme Lua Nova.

OK, sabemos que isso é padrão nesse tipo de entrevista. Mas a entrevista que não acontecerá, com as três perguntas que eu gostaria de ver Kristen Stewart responder, está aí:

1- Kristen, bom dia. Em Crepúsculo, assistimos ao seu surgimento como uma mulher muito sexy, ainda que não consciente do seu potencial. Vendo algumas cenas de Lua Nova, vejo uma lenga-lenga sobre depressão e muitas cenas de ação com lobisomens, sem o resultado sedutor do primeiro filme. Seria o caso de, tal qual as ninfetas do Nabokov, você ter perdido a graça depois da puberdade?


2- Minha querida, por que você morde o beiço inferior com tanta recorrência? É tique ou é estratagema para parecer mais sexy?


Coletânea de cenas de Kristen mordendo seu beiço inferior.


3- Por favor, você vai ao programa do David Letterman novamente? Por favor, diga que vai, por favor...


A pobre Kristen, dando show de nervosismo e falta de senso de humor no David Letterman.


Bom, vamos parar de pegar no pé da menina. Ela faz um ótimo trabalho. Carregar nas costas uma série dessas não é mole.

Lua Nova estreia em 20 de novembro.

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Trilha da semana: Van Halen dando um gás em "Twister"

segunda-feira, 26 de outubro de 2009 - 0 Comentários

A trilha proposta por BLOGIE para esta semana é agressiva: o filme é a grande bomba de 1996, Twister, de Jan De Bont (o mesmo diretor de Velocidade Máxima). A música é Human's Being, do Van Halen (heróis de infância deste blogueiro, algo que motivou meses de espera ansiosa pelo filme).



Pra falar a verdade, a guitarra de Eddie Van Halen é um dos únicos atrativos deste filme fraquinho. A introdução feita por uma orquestra valoriza bastante a canção, e não seria má ideia lançar uma versão completa numa dessas coletâneas da vida...
De resto, o filme traz como curiosidade a participação de Alan Ruck, o Cameron de Curtindo a Vida Adoidado, outro ícone da infância que estava sumido (e que sumiu de novo depois de Twister).

Este é o espírito da semana: guitarra distorcida, amplificador no último volume e pé no acelerador. Pau na máquina, como diz meu pai!

Boa semana para os amigos do BLOGIE!

P.S.: Justiça seja feita, os efeitos especiais dos tornados são muito bacanas. Em especial, é legal a cena de um furacão que chega na calada da noite, arrebentando um cine drive-in que exibia O Iluminado, do Stanley Kubrick. O furacão arrebenta a tela no mesmo momento em que Jack Nicholson arrebenta a porta (here's Johnny!)...

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São Paulo urgente: é a Mostra de cinema!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 - 6 Comentários

Para os paulistanos, o programa desta sexta-feira já tem endereço. É a Mostra de SP. O difícil vai ser arrumar ingresso - tem que ser rápido no gatilho!

São duas opções:

1) Abraços Partidos, o novo filme de Pedro Almodóvar, com Penélope Cruz. Ao que dizem, é  um filme menos expansivo do que os outros do diretor espanhol (que tem o costume de deixar seus personagens com emoções à flor da pele). Desta vez, a coisa é mais contida. E diz que Penélope está mais linda do que nunca (por exemplo, ela aparece loira, como na foto abaixo, e de muitas outras maneiras), no papel de uma atriz por quem um diretor de cinema se apaixona. Onde e quando: Espaço Unibanco Augusta, 23:10.



2) 500 Dias Com Ela, a grande surpresa do verão americano. Trata-se de uma comédia romântica que trata daquela coisa toda: um rapaz conhece a garota; a garota dá bola pro rapaz; eles brigam, mas ficam juntos. Segundo o trailer oficial, o filme trata não dessas coisas, mas de tudo que vem no meio desses eventos - e que os outros filmes não mostram. O filme é levemente amargo, pois se sabe, de cara, que não há final feliz. Sabe-se que o cara é um mané, e que a mulher é uma maravilhosa - Zooey Deschanel  (foto), dizer mais o quê? - e que o cara vai ser feito de gato e sapato, como o Fynn de Grandes Esperanças... Onde e quando: HSBC Belas Artes, 23:00.
















Para quem perder, vale dizer que esses filmes serão exibidos em mais quatro dias. Aproveite!

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Um vídeo que diz tudo

quinta-feira, 22 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Pra terminar a semana de homenagens ao grande François Truffaut, nada melhor do que ver o próprio falando sobre sua noção de fazer cinema - buscar aquele equilíbrio entre lágrimas e risos que faz a vida -, nesse vídeo irresistível gravado durante as filmagens de Domicílio Conjugal.

Repare na Claude Jade, linda, linda, linda, ao lado dele, embevecida ao observar o cara falando.




Repórter: neste filme, você trata de problemas de relacionamentos. Como você os aborda?

Truffaut (meio constrangido): bem... não como problemas!

Caso encerrado.

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François Truffaut, o Cineasta que Amava as Mulheres

terça-feira, 20 de outubro de 2009 - 3 Comentários

A revista VIP deste mês (que é lançada nesta quarta-feira, dia 21) é a principal do ano: nela, você encontrará as 100 mulheres mais sexy do mundo, embelezando páginas e mais páginas.

De maneira bem mais modesta, mas rigorosamente adequada, lá no final da revista se encontra um texto deste blogueiro, no qual tentei resumir em uma página boas razões para os amigos leitores comprarem uma caixa de filmes do cineasta François Truffaut. Há dois ganchos: 1) exatamente nesta quarta, é o 25º aniversário de sua morte; e 2) ele pode ensinar muita coisa para nós, homens que habitam o universo VIP.
























Um sujeito simples

Geralmente Truffaut é citado em rodas de papo-cabeça, contextualizado em meio a termos como nouvelle vague, Goddard e Cahiers du Cinema. Explica-se: ele e o outro camarada aí, egressos de uma turma de jovens críticos cheios de gás, fundaram há cinquenta anos a "nova onda" do cinema francês, movimento que revolucionou o cinema mundial, reinvidicando a autoria do filme para o diretor e renovando vários códigos e técnicas da sétima arte.  

Essa conversa toda, acredite, não vale nada. F. Scott Fitzgerald certa vez escreveu: "comece com um indivíduo e, antes que se dê conta, você concluirá que criou um tipo; comece com um tipo e concluirá que o que criou foi - nada." Ou seja, não adianta começar a falar em Truffaut como parte de um conceito, de uma turma, de um troço chato.

Truffaut era um cara único. Um cronista simples. Ele abordou o cinema como Drummond abordava a prosa - através do cotidiano, da simplicidade, da beleza e da dureza que há nas coisas comuns.


E ele gostava de três coisas:



1- Pessoas:

Nos filmes de Truffaut, ninguém salva o mundo. Raramente alguém corre risco de vida. As pessoas têm profissões nada excitantes, mas que fazem parte da vida: balconistas, vigias noturnos, floristas, barbeiros. As grandes questões enfrentadas por seus personagens são as grandes questões que enfrentamos nas nossas vidas: escolher um emprego (ou ser escolhido por ele); arrumar uma mulher (ou como lidar com mais de uma); preencher o vazio deixado pela nossa própria limitação.

A melhor declaração sobre a humanidade de Truffaut está no magnífico Beijos Roubados (1968), segundo filme da série que narra a vida do jovem Antoine Doinel, vivido por Jean Pierre Leaud. Em determinada cena, o jovem está obcecado pela mulher do seu patrão (o dono de uma loja de calçados), e lhe escreve uma carta. Para sua surpresa, a dondoca surge, como uma aparição, em seu quarto.


E se põe a destruir o mito em que ela tinha sido transformada pelo próprio Antoine: diz a ele que, se ele a julga extraordinária, ela aceita o elogio - afinal, todas as pessoas são extraordinárias, posto que são únicas. Mas ela diz isso de uma maneira inigualavelmente agradável e sexy - e vai pra cama com o rapaz.

Veja a cena (com legendas em inglês, foi o melhor que consegui). É um tratado sobre humanismo em forma de cortejo pré-acasalamento.


"Pessoas são maravilhosas", disse o pai dela antes de morrer. Cena-chave na obra do diretor.


2- Mulheres:


Truffaut, assim como seus personagens, era uma criança quando o assunto era mulher. Claramente apaixonado por suas atrizes, o cineasta as fotografava como ninguém. Jeanne Moreau (Jules e Jim), Catherine Deneuve (Sereia do Mississipi e O Último Metrô), Jacqueline Bisset (A Noite Americana), Isabelle Adjani (A História de Adèle H.), todas foram exibidas como entidades em seus filmes.

Com Claude Jade, no entanto, foi diferente: aos 19 anos, ela foi descoberta pelo diretor para ser a namorada de Doinel em Beijos Proibidos. Depois de namorar a atriz (e de levar um pé na bunda), Truffaut a efetivou no cargo, trazendo-a como a esposa de Doinel em Domicílio Conjugal (1970) e em Amor em Fuga (1978).















Claude Jade e Jacqueline Bisset: duas musas eternizadas pela câmera de Truffaut.


No final da carreira, Truffaut casou-se com a grande atriz francesa Fanny Ardant, com quem filmou A Mulher do Lado (1981).

Mas sua homenagem defintiva às mulheres está na comédia O Homem que Amava as Mulheres (1979), um despretensioso retrato de um escritor que dedicou toda sua vida a seduzir mulheres. Autobiográfico é pouco.


3- Cinema:


Ningúém se sentiu tão realizado ao dirigir um filme quanto François Truffaut. Isso pode ser percebido assistindo a qualquer um dos seus filmes, desde sua brilhante estreia em Os Incompreendidos (pelo qual ganhou o prêmio de melhor direção em Cannes em 1959) até sua participação como ator na ficção Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1979), do fã e amigo Steven Spielberg. Ou através das deliciosas entrevistas conduzidas pelo francês junto ao ídolo, Alfred Hitchcock, no melhor livro sobre cinema já escrito (intitulado simples e adequadamente Hitchcock/Truffaut). Ou de suas homenagens ao cinema mudo (em Jules e Jim), ao cinema de suspense de Hitchcock (A Sereia do Mississipi) ou, simplesmente, ao cinema.


É isso que se encontra em A Noite Americana, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1973: um filme sendo feito, do seu primeiro dia de filmagens até o último. Truffaut faz o papel do diretor, seu staff faz papel do seu staff, Jean Pierre Leaud faz o papel do seu ator principal. Truffaut faz um filme sobre Truffaut fazendo um filme, e o cinema reina. Veja que beleza! Um trecho selecionado de A Noite Americana:



Com uma música dessas, quem precisa de legendas?


Uma vida que vale uns filmes

Do delinquente juvenil que achou na cinemateca sua verdadeira escola ao jovem diretor que influenciou meio mundo, Truffaut viveu a vida. Fez amigos bacanas como Spielberg e Hitchcock e ironizou o elitismo do seu rival Goddard, sugerindo que este escrevesse uma autobiografia chamada Uma merda é uma merda. Seguiu produzindo um filme por ano até sua morte, em 1984, aos 52 anos.

Apesar de ser fundador de um movimento que fez a cabeça de gerações de intelectuais esnobes, Truffaut incutiu uma humanidade e uma paixão no seu "novo cinema", sem receio de parecer brega, ingênuo, popular - e se tornou um militante da arte contra o cinismo.
Ninguém filmou mulheres com tanta paixão. Ninguém fez cinema com tanta devoção. Ninguém, no papel quase divino de diretor de um filme, se colocou de maneira tão humilde para fazer filmes tão despretensiosos - e ainda assim geniais. Truffaut foi um artista cujo talento, hoje, só encontraria rivalidade em um um Woody Allen, um Scorsese ou um Almodóvar.  Para os quais, aliás, Truffaut foi herói e influência.

Sua obra, toda lançada em DVD, merece ser descoberta. Sugiro começar pela caixa As Aventuras de Antoine Doinel, que é o objeto da seção Estante VIP deste mês (leia mais lá na revista), e então partir para os dois clássicos absolutos, Jules e Jim A Noite Americana. Depois disso, difícil será parar de comprar os outros DVDs...

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Crítica: "O Desinformante!", de Steven Soderbergh

segunda-feira, 19 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Steven Soderbergh é um desses caras que apresentam um primeiro filme muito promissor e que, na sequência da carreira, são sempre tratados como "autor", mesmo que seus filmes não tragam nada de autoral ou interessante.

De fato, ele teve um começo de carreira bem interessante com Sexo, Mentiras e Video-Tape, e causou grande impacto em 2000, ao enfiar dois filmes na lista dos principais indicados ao Oscar (Erin Brokovitch e Traffic). Mas a partir daí sua carreira ficou oscilando entre competentes e carismáticos filmes-pipoca (Onze Homens e um Segredo) e bombas pretensiosas que ele pensa vender como "pequenos filmes independentes" (Full Frontal, Confissões de uma Garota de Programa). É no primeiro banquinho dessa gangorra que se senta seu mais novo filme, O Desinformante!, que estreou nos cinemas na última sexta-feira.

















Matt Damon dá tilt no detector de mentiras...

A história, baseada em fatos reais, trata de Mark Whitacre, vice-presidente de uma grande empresa agrícola que mentiu. Mentiu uma vez, para seus patrões, e a mentira foi crescendo, a ponto de ele ter que inventar outra mentira para encobrir a primeira. E depois outra. E depois mais outra. Daqui a pouco, o executivo será um informante do FBI infiltrado dentro da tal empresa, prestando valiosas informações sobre a formação de cartel na qual ele teria se envolvido a mando dos chefes.

Matt Damon engordou bastante e ostentou um bigode horrível para encarar o papel, e o defendeu de uma maneira um tanto confusa, que até agora não entendi se é habilidade do ator e parte do personagem, ou se é apenas uma atuação limitada. De qualquer modo, o jeito esquisito de Damon e sua fala mansa acabam confundindo o espectador. Há quem goste disso, e há quem se irrite. O crítico Inácio Araújo, da Folha de São Paulo, considera uma trapaça a maneira como Soderbergh nos enrola, deixando uma sensação de que assim não dá pra jogar...

Já eu gostei; acho que iludir o público através de uma falsa trama é um artifício lícito nas mãos de cineastas espertos. Hitchcock tinha até nome pra isso: MacGuffin. Mas Hitchcock usava MacGuffins com parcimônia, enquanto Soderbergh se lambuza nas mentiras do executivo - e esconde demais a "verdade", ao não dar nenhum indício desse tipo de motivador no mitômano Whitacre.


Veja o trailer de O Desinformante!

De qualquer modo, vale dizer que O Desinformante! é um filme inteligente, com boa trama, integralmente conduzido por diálogos e classudo. Desde seus créditos iniciais, vemos que se trata de um filme que remete às décadas de 50 e 60, época em que Hitchcock e seus thrillers assombravam as sessões de cinema. É um filme que proporciona duas horas bem agradáveis e que adiciona mais um tijolinho na obra que, aos trancos e barrancos, Soderbergh vai construindo. Tramas emboladas, mentiras e conspirações corporativas são seus temas preferidos.

Quando isso é colocado a serviço da diversão, todos saem ganhando. Boa sessão!

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Trilha da semana: The Clash arrebentando em "Ligeiramente Grávidos"

Já falei algumas vezes que muito me agradam as comédias do Judd Apatow e da sua turma de astros não exatamente convencionais, como Seth Rogen e Jonah Hill. E a melhor de todas é Ligeiramente Grávidos, na minha opinião a melhor comédia desta década.

A trilha da semana é pinçada de uma cena chave desse filme - aquela em que Katherine Heigl entra em trabalho de parto. O som escolhido é o urgente e acelerado Police on My Back, daquela que foi chamada de "a única banda que importa" na virada da década de 70 para a de 80: The Clash.



Não consegui a cena, mas a qualidade de som está ótima, assim como a montagem com as fotos da banda de Mick Jones e Joe Strummer.

Boa semana a todos!

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100 grandes frases em três minutos

sexta-feira, 16 de outubro de 2009 - 6 Comentários

Alguém se deu ao trabalho de juntar 100 das melhores frases do cinema em 200 segundos.

A pegada é pop: tem desde clássicos obrigatórios como Cidadão Kane e Taxi Driver até comédias despretensiosas como Ace Ventura  e Penetras Bons de Bico - mas sempre com frases imediatamente identificáveis. Tem o Adriaaaaan! de Rocky Balboa e o I'll be back do Terminator. Tem Biff praticando um bullying pra cima de Marty McFly em De Volta para o Futuro e tem Han Solo "desejando" que a Força esteja com Luke Skywalker...

Veja o resultado:



Vendo todas juntas, as que mais me chamam a atenção são as aparições do Marlon Brando: o grito desesperado (Steeeeella!) em Uma Rua Chamada Pecado, o desabafo (I could've been a contender...) em Sindicato dos Ladrões e a calma da "oferta que ele não poderá recusar" em O Poderoso Chefão.

Assustadora também é a fala do diretor do presídio em Rebeldia Indomável (aquela frase que foi usada na abertura de Civil War, do Guns'n'Roses).

E o contraponto cômico é ver Mel Gibson urrando por liberdade no seu Coração Valente...

Diga o que achou da lista!

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45 anos sem Cole Porter

quinta-feira, 15 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Ontem, completaram-se 45 anos sem Cole Porter.

O homem que foi, provavelmente, o maior compositor do século 20. Páreos para ele, apenas John Lennon, Paul McCartney e seus contemporâneos, Irving Berlin e os irmãos Gershwin. (Eu acrescentaria Paul Simon na lista, mas aí é gosto pessoal.)

























Profícuo, Porter escreveu canções avulsas, peças para a Broadway e, de bola cheia, aportou em Hollywood para ser o dono da bola na era de ouro dos musicais.

Seu repertório ficou imortalizado nas vozes dos maiores cantores americanos (Frank Sinatra, Tony Bennet, Ella Fitzgerald fizeram carreira baseados na obra de Porter) e meio mundo pop (U2, Rod Stewart e muitos outros ganharam uma grana gravando seus clássicos).

Mas Porter não pensava em astros pop ao compor. Pensava em ter suas canções cantadas por Fred Astaire no palco ou na tela grande.

Foi assim em A Alegre Divorciada, primeiro filme de Astaire com sua parceira ideal, Ginger Rogers. O grande dançarino mostrou que era um excelente cantor ao apresentar ao mundo o grande clássico de Cole Porter: Night and Day. Veja!

Um pensamento: mesmo para os padrões atuais, Ginger Rogers é nota dez!

Muitas outras músicas de Porter chegaram ao cinema. No mínimo dois filmes foram feitos em sua homenagem: Night and Day, biografia chapa-branca estrelado por Cary Grant, teve resultado constrangedor. Já De-Lovely, mais recente e com Kevin Kline defendendo com elegância o papel do compositor, foi bem ao escancarar o homossexualismo e o lado menos agradável de Porter. E teve resultados irregulares ao misturar Elvis Costello, Alanis Morrisete, Diana Krall e outros para cantar seus standarts. Bom mesmo, só o I Get a Kick Out of You com Robie Williams.

Mas mais bacana é lembrar a parceria de Frank Sinatra e Bono Vox em I've Got You Under My Skin (composta para o filme Born to Dance, de 1936, indicada - e inacreditavelmente derrotada - para o Oscar de melhor canção daquele ano).


Sinatra em seu campo de jogo (nota 10). Bono tirando uma onda (nota 8). Na média, um 9,0 honroso para a versão. 

Cole Porter representa uma era de ouro de Hollywood, época de produtores poderosos, diretores tiranos, estrelas inatingíveis. Filmes de sonho, escapistas, maiores que a vida. Catarse coletiva. Trilha sonora mais adequada, impossível.

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Naomi Watts: o melhor investimento de Hollywood

quarta-feira, 14 de outubro de 2009 - 3 Comentários

Durante a semana passada, a Forbes deu uma notícia curiosa: dentre todas as estrelas de Hollywood, a que dá mais retorno financeiro para os estúdios não é Angelina Jolie, Nicole Kidman ou Scarlett Johansson, mas sim a australiana - e agora quarentona - Naomi Watts.

























Naomi Watts: quem não investiria nela?

A conta é a seguinte: pegaram a bilheteria total dos filmes em que as moças atuaram e dividiram pelo cachê de cada uma. E Naomi venceu, ao pagar aos empregadores US$ 41 milhões pra cada milhão recebido.

Avaliação do BLOGIE: justo, justíssimo. Naomi é linda, talentosa e séria como atriz. Protagoniza dramalhões (21 gramas), thrillers (Trama Internacional) e blockbusters de ação (King Kong) e de terror (O Chamado). De vez em quando, privilegia filmes de autor, como o cult Cidade dos Sonhos, do David Lynch. No ano que vem, estará no novo filme do Woody Allen.
















Em Cidade dos Sonhos, Naomi embarca na viagem de David Lynch - e deixa pelo menos uma cena na história do cinema...

Quer dizer: Angelina Jolie emagrece, adota pencas de filhos, rouba o marido da Jennifer Aniston, representa a Unicef, causa confusões, se tatua e tudo mais, mas, no fim das contas, ela deveria é estar estudando uns roteiros e escolhendo bons filmes pra fazer. Sua decantada atuação em A Troca, do Clint Eastwood, é a única coisa digna de nota que ela fez desde Garota, Interrompida - e, mesmo assim, não é grande coisa.

Veja a lista das estrelas que dão grana pros estúdios:

1- Naomi Watts (O Chamado, King Kong, 21 Gramas)

2- Jennifer Connelly (Uma Mente Brilhante, Hulk, Diamante de Sangue, Ele Não Está Tão a Fim de Você - aliás, depois de ter sido musa teen, que grande carreira Jennifer tem feito nesta década!)

3- Rachel McAdams (Diário de uma Paixão, Penetras Bons de Bico, Meninas Malvadas - uma surpresa, não? Mas a moça é talentosa e muito bonita, merece um ingresso sério no primeiro escalão de Hollywood...)

4- Natalie Portman (série Star Wars, Closer - Perto Demais  e poucos outros filmes: Natalie escolhe a dedo seus projetos, faz filmes independentes por dinheiro de pinga e evita a superexposição. Seu papel de Rainha Amidala a garante na lista.)

5- Meryll Streep (graças a Mamma Mia! e O Diabo Veste Prada, e sem perder a mão de grande atriz, como mostram Dúvida e tantos outros...)

Depois, vêm Jennifer Aniston, Halle Berry, Cate Blanchett, Anne Hathaway e Hillary Swank.

Nem sinal de Scarlett e Angelina.

Tem gente se atribuindo um preço muito alto para o que entrega.

Quanto a mim, nem preciso mentir. Já escrevi no BLOGIE várias vezes que considero Naomi Watts a atriz que está no "ponto ótimo" (maturidade, talento e beleza). A aposta mais segura que posso fazer é que ela ganhará um Oscar dentro dos próximos três anos (já deveria ter levado o seu por 21 Gramas).

Minhas outras apostas pessoais são Natalie Portman e Scarlett Johansson. Tirando o preço alto e a falta de medo de se expor da loira, ela é sempre uma atração e, hoje, é provavelmente a maior estrela do cinema. Natalie cuida melhor da carreira, é mais seletiva, mas ainda vai fazer bastante barulho. O destino de ambas é serem ícones complementares de uma era, como foram Marylin Monroe e Audrey Hepburn nos anos 50.

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Crítica: "Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino

segunda-feira, 12 de outubro de 2009 - 7 Comentários

(Aviso: comentário escrito sob forte impacto pós-sessão. Revela-se mais sobre o filme do que seria razoável. Funciona melhor se lido após a ida ao cinema... afinal, quem precisa de um conselho de um blogueiro para ver o novo Tarantino?)

Dizer o quê?

Coloquemos a coisa da seguinte maneira: ninguém - repito, ninguém - vai tão longe quanto Quentin Tarantino. Depois de ter marcado o cinema da década de 90 com Cães de Aluguel e Pulp Fiction, e de ter chutado o balde da indulgência com Kill Bill, o cara resolveu mudar o curso da História.

A História segundo Tarantino














O Hitler mais afetado desde o de Mel Brooks em Primavera para Hitler. By Tarantino.

Em Bastados Inglórios, seu anunciado "épico da Segunda Guerra Mundial", uma milícia de judeus americanos escalpela nazistas e uma menina judia que perdera toda a família tem seu próprio plano pra ganhar a guerra sozinha. O nazista que é apelidado "caçador de judeus" é a atração cômica do filme.

Desnecessário dizer que Tarantino anda numa corda bamba - basta lembrar de quanta gente reclamou de Roberto Benigni e de um suposto revisionismo histórico no seu A Vida é Bela -, mas o que realmente impressiona é que ele não anda nessa corda com cuidado; antes, corre tresloucadamente, esbarrando em tudo e todos e berrando, e chega ao final ateando fogo no seu próprio filme. E chega intacto.

Bastardos pode não ser o melhor filme de Tarantino (talvez Pulp Fiction, por seu impacto e influência, seja imbatível), mas é a coisa mais inusitada que chegou aos cinemas neste ano. Vale cada centavo do ingresso.

O festival de referências cinematográficas









Mélanie Laurent em Bastardos e Catherine Deneuve em O Último Metrô: mais do que mera coincidência...

Em Bastardos, o diretor paga seu maior tributo ao cinema.O início é Sergio Leone puro, aquela calma e aquele acúmulo de tensão que beira o insuportável, como em Era Uma Vez no Oeste. É ali que aparece o Coronel Landa, o tal "caçador de judeus". Sua abordagem é genial, e este é provavelmente o melhor diálogo de Tarantino desde Pulp Fiction.

As referências ao western não param por aí: a trilha é cheia de canções marcantes do bangue-bangue à italiana, como O Dólar Furado e uma saraivada de canções do Ennio Morricone. A trupe dos Bastardos Inglórios - os judeus liderados por Brad Pitt - tem como costume escalpelar suas vítimas, como se fossem índios apaches. A história, como a de Kill Bill, é a de vingança irredutível.

Além do western, há espaço para homenagens a todo tipo de filme:

- Aos épicos de guerra, com seus heróis e vilões caricatos e planos grandiosos;

- A filmes europeus, como mostra a preparação de Mélanie Laurent para a grande noite, ao som de Puttin' Out the Fire, do David Bowie, trilha de A Marca da Pantera... ou, mais forte, as recorrentes discussões sobre o cinema alemão da década de 20, contraposto aos filmes ufanistas -e tecnicamente geniais - do 3º Reich;


Ouça Puttin' Out the Fire, de David Bowie, acompanhada de uma montagem de fotos de Bastardos Inglórios!
- Ao cinema francês, com toques de Goddard aqui e plots de Truffaut ali (por exemplo, a heroína da história é uma moça linda, herdeira de um cinema que acaba virando foco de resistência em Paris - alguma semelhança com O Último Metrô, que traz Catherine Denéuve como herdeira de um teatro que acaba virando foco de resistência em Paris?);

- Ao próprio cinema de Tarantino, como mostra a cena do bar clandestino no porão: soldados alemães e alguns dos Bastardos (devidamente disfarçados) jogam Perfil, discutem cinema e acabam protagonizando a situação clássica de Tarantino: um apontando arma para o outro, o outro apontando arma pra fulano, fulano apontando arma para o um...

Enfim, o filme é uma festa para cinéfilos, e mesmo estes perderão dezenas de referências, pois desta vez Tarantino gastou todo seu arsenal - e ninguém é páreo para ele em matéria de "nerdice".

Enfim, um grande diretor

















A primeira cena de Bastardos, entrando direto na lista das melhores cenas de todos os tempos.

Tarantino começou como um roteirista fanfarrão e genial, criador de diálogos de efeito e que ignoravam a necessidade de trazer algum conteúdo. Seus personagens pareciam saídos de HQ, tão visualmente definidos e tão rasos em suas motivações. Dessa primeira leva saíram Assassinos por Natureza (dirigido por Oliver Stone), Cães de Aluguel e Pulp Fiction.

Depois, melhorou e tentou criar personagens mais complexos. Patinou um pouco em Jackie Brown, mas criou uma Noiva e um Bill sensacionais em Kill Bill Vol. 2.

Foi também em Kill Bill  - o primeiro - que notamos a enorme evolução de Tarantino como diretor - fotografia e direção de arte passaram a dar as cartas, mais do que o próprio texto. O visual da vingança da Noiva é, de fato, um soco no estômago.

E agora chegamos a Bastardos Inglórios, em que o diretor não precisa de cores espalhafatosas ou de artimanhas engraçadinhas como a de um David Fincher. Aqui, ele atinge a maturidade como cineasta: tem a calma de um Sergio Leone, a delicadeza de um Truffaut, a mordacidade os irmãos Cohen... e uma esperteza que só encontra paralelo em Scorsese. 

Atuações sensacionais

















Christoph Waltz como o Cel. Landa: a atuação do ano... That's a bingo!, diria o nazista...

Sua direção de atores também atinge um novo patamar com as atuações de Mélanie Laurent (uma pequena joia francesa prestes a conquistar o mundo), de Diane Kruger (uma atriz limitada e que, sob orientação do mestre, faz um grande trabalho) e, principalmente, do alemão Cristoph Waltz - o engraçadíssimo e atordoante Coronel Landa, que fala alemão, francês, inglês e italiano fluentes, e que é capaz de uma afetação absurdamente caricata, de uma crueldade digna dos piores vilões nazistas e de uma sagacidade de Dr. House. Pode talhar o nome do rapaz no Oscar de melhor ator coadjuvante.

Digna de nota também é a atuação do francês Denis Menochet, como o fazendeiro francês que é confrontado pelo histrionismo do Cel. Landa na primeira cena. Ele vai da indiferença ao ódio ao terror dizendo muito pouco e movendo poucos músculos da face. Realmente impressionante.

Gran Finale

Da metade para a frente, a coisa já foi tão longe que começamos a pensar, "como ele vai terminar esse filme sem frustrar o público?" - afinal, seguindo a História oficial, teríamos que ter tanques Aliados chegando a Paris e libertando todo mundo, algo que, sejamos sinceros, já cansou.

Mas Tarantino não tem compromisso com a História; tem compromisso com o cinema. E é numa sala de cinema que ele resolve fazer sua própria História, com heróis de guerra como um projecionista negro, um crítico de cinema britânico e a moça que se prepara para a noite como a Nastassja Kinski. Suas armas serão pilhas e pilhas de filmes. Os nazistas ganharão um final espetacular, bem hollywoodiano.

E o líder dos Bastardos, um caipira vivido por Brad Pitt, vai dar voz à sensação do seu criador, declarando para o mundo: "acho que esta é minha obra-prima".

P.S.: ver o filme foi uma aventura. A sessão foi interrompida no meio da primeira cena por um incêndio no Shopping Bourbon, e fomos orientados a evacuar o Shopping. Mas o amor pela sétima arte falou mais alto, e fiquei dando uma de bobo por ali, até controlarem a situação, reabrirem as lojas e assistirmos aos Bastardos. Porque, depois daquela abertura, eu não suportaria mais um dia sem ver o filme.

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Trilha da semana: Stevie Nicks e Tom Petty, feitos um para o outro

Vídeo para começar muito bem a semana. Stevie Nicks e Tom Petty, acompanhados dos Heartbreakers, em 1981. A música é Stop Draggin' My Heart Around.



Dois ícones americanos no auge. Naquela época, Nicks lançava seu primeiro disco fora do Fleetwood Mac. A Rolling Stone a botou na capa e a chamou de rainha do rock'n'roll. Petty, que lançava seu melhor disco - Hard Promises, que o colocou como ponta-de-lança de uma geração brilhante de compositores americanos  (Bruce Springsteen, Jackson Browne...) -, cedeu essa canção para a moça. Gravaram juntos. Fizeram o vídeo, para um canal de TV novo, que acabara de ser lançado: MTV.

Foi o sucesso do ano. A história estava feita.

Acho que nunca usaram essa música como tema de filme. É um erro.

P.S.: no You Tube, você acha uma versão dessa música mais recente, com a Joss Stone e o Rob Thomas, do Matchbox 20. Vendo, dá pra entender o valor da parceria Nicks / Petty. Ninguém precisa se esgoelar nem fazer caras e bocas pra mandar bem. Artista seguro do seu talento é outra coisa.

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5 Motivos para ver "Bastardos Inglórios"

sexta-feira, 9 de outubro de 2009 - 3 Comentários

Estreia hoje, repleto de expectativas, o sétimo filme de Quentin Tarantino: Bastardos Inglórios. O filme fez enorme sucesso nos EUA, já se pagou (feito merecedor de destaque hoje em dia) e vai levar bastante gente aos cinemas brasileiros.

Se você é daqueles que, como este blogueiro, aguardou por esta data como se espera por uma final de Copa do Mundo, não é necessário dizer mais nada.


















Tarantino e elenco: eles matam nazistas no cinema. Uma tradição americana.

Mas se você é da turma que ainda está à procura de boas razões para escolher este filme entre os outros doze do multiplex mais próximo, este post foi feito pra você. Aqui estão as 5 principais razões para ver Bastardos Inglórios:


1- Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill, Kill Bill Vol. 2

A obra de Tarantino vai se construindo com calma (ele não é dos diretores mais profícuos), muitas idiossincrasias e nenhuma acomodação. Cada filme do homem é recheado com suas manias, ideias malucas e diálogos de efeito. Na série Kill Bill, ele mostrou grande evolução nos aspectos artísticos - fotografia, direção de arte, etc. Ele ainda não chegou no auge, e Bastardos está dando mais um passo nessa direção.

2- Prova de Morte

O último filme de Tarantino nem chegou a ser lançado no Brasil! Também pudera: o diretor chutou o balde ao fazer esse "meio-filme" para ser lançado em conjunto com o Planeta Terror de Robert Rodriguez. Cortes que emulam um filme mal montado, sujeira proposital e uma história bizarra... Prova de Morte, mesmo com seu caráter de brincadeira, deixou um cheiro de derrapada no currículo de Tarantino, e ele quis limpar a barra em grande estilo com Bastardos.

3- Os Bastardos

















Brad Pitt ensina a grande arte de escalpelar nazistas...

Quantos filmes de Segunda Grande Guerra ainda merecem ser feitos? Tarantino responde: o dele, pois ele faz diferente de tudo que veio antes. Em seu novo filme, ele inverte a História e dá vida aos Bastardos, uma milícia de judeus americanos que mata nazistas com requintes de crueldade (escalpo é a marca registrada). A trama se passa na França ocupada pelos alemães, e Brad Pitt lidera a trupe, com um plano ambicioso de virar a guerra na marra.

No mais, como todo Tarantino, toneladas de citações pop: música de primeira, apropriação de códigos do western, dos filmes de guerra e de diretores clássicos, brincadeiras com a mitologia americana...

4- Mélanie Laurent e Diane Kruger












Enfeitam a milícia dos Bastardos duas moças inacreditavelmente bonitas: a alemã Diane Kruger - que já foi a Helena de Troia e que estava à procura de uma chance para virar atriz de verdade - e a francesa Mélanie Laurent - que pôde ser vista recentemente em Paris, no qual atormenta um professor universitário de meia-idade. Mélanie, que é a verdadeira protagonista do longa, é uma atriz de recursos mais vistosos e de beleza menos convencional - e mais marcante.

5. O Trailer:




Dizer mais o quê? Escolha uma sala com tela bem grande e som ensurdecedor e boa sessão!

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Indiana Jones: contagem de corpos

quinta-feira, 8 de outubro de 2009 - 3 Comentários

Já se falou muito sobre o fato de que Harrison Ford é o maior assassino do cinema, graças ao seu principal personagem, Indiana Jones.


Pois bem, um maluco resolveu editar todas as mortes acumuladas durante os três primeiros filmes da série. E com contador de corpos!


Veja o vídeo, as mortes estão organizadas em ordem cronológica:



As minhas preferidas são as mortes às pencas no final de Indiana Jones e o Templo da Perdição, na cena da ponte partida. A cada balançada na ponte, é meia dúzia que cai para os crocodilos comerem.

E, claro, tem a oitava morte da lista, aquela em que o espadachim exibe sua lâmina, faz mil firulas com a mesma e leva um tiro de um indiferente Prof. Jones. Assassinato que a patrulha politicamente correta condenou, pois o cara não poderia ter usado uma arma de fogo contra um coitado com arma branca...

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Filme VIP da semana: "Descalços no Parque"

quarta-feira, 7 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Como hoje é aniversário de casamento deste blogueiro, elejo como filme VIP da semana um filme que, ao mesmo tempo, é caro ao casal que ora comemora e que, de quebra, serve como referência para todo homem que resolve juntar os trapos com uma mulher. O filme é Descalços no Parque, de 1967, baseado numa peça da Broadway de grande sucesso, escrita pelo grande Neil Simon.

O filme trata de um jovem casal que inicia a vida em comum. A primeira coisa que sabemos sobre eles é que sua lua-de-mel foi uma maratona sexual, pois seis dias se passam sem que eles saiam da sua suíte. Findada a inauguração do casamento, o casal deixa o quarto e vemos os jovens Robert Redford - no caminho para se tornar o maior astro de Hollywood - e Jane Fonda - de beleza dourada e graça estonteantes. Um casal incomparavelmente atraente, esperto e promissor. Era o final da década de 60 e nada poderia detê-los.























Jane Fonda nem precisaria se esforçar muito para dar graça ao casamento, mas ela não se acomoda...


E então o filme ganha seu cenário definitivo: o pequeno apartamento no sexto andar de um prédio sem elevador. O apartamento, em sua precariedade de lar de recém-casados, será o detonador dos conflitos internos do casal.

Paul (Redford) é um advogado certinho, pé no chão, conservador, e vê o apartamento como ele é: um cubículo com um buraco no teto, sem aquecimento e com um quarto que mal abriga uma cama. Vê problemas em tudo e desconfia do vizinho fanfarrão e de prestadores de serviço.

Corie (Fonda) é uma moça espontânea, atrapalhada, que faz amigos com grande facilidade, preocupada com lances intangíveis como a "energia" que cerca o seu novo lar. Insiste em enxergar o potencial do apartamento, tendo uma visão otimista sobre todas as suas limitações, e se preocupa em levantar o astral do difícil começo dessa história.

As brigas começarão cedo e, ao final, veremos Redford enchendo a cara e trocando ideias com um mendigo no parque mais próximo. A moça vai buscá-lo, dando forma a uma inversão de papéis que os reaproximará. Aprender a conviver com as diferenças é, para este casalzinho, dar uma volta descalço no parque em pleno inverno.


Veja o trailer original de Descalços no Parque!


Descalços no Parque é uma bela crônica de como é viver com alguém sob o mesmo teto. Isoladas as variáveis da atração e da "liga" que se obtém no sexo, e afastadas as questões relativas a grana e família, a grande questão é suportar, mas mais do que suportar, se acostumar, se divertir e absorver as manias do outro. No fundo, Paul e Corie formam um ser único e diferente - e ainda mais interessante - do que eram separados. A beleza e a certa semelhança física de Redford e Jane ajudam a constituir essa nova unidade, que é garantida pela personalidade forte dos dois atores.

Quando me casei, não pude deixar de pensar nesse filme, ciente de que questões bestas como a louça escolhida para o lavabo ou o papel de parede poderiam se tornar ameaças sérias ao casamento. E esperançoso de que, assim como o casal-modelo do cinema americano (considero Redford e Fonda os astros com a melhor combinação de talento, beleza, carisma e caráter), atingíssemos rapidamente o clima de convivência feliz e orgulhoso que dá fim a Descalços no Parque.
























Robert Redford e Jane Fonda em 1967: que modelo pode ser melhor?


Três anos depois, tudo ótimo em casa. Acertar na primeira é sorte? Acho que não. Aprendemos bastante no cinema. Quem começa como Descalços no Parque não termina como A Guerra dos Roses.

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Lista: os melhores pôsteres de filmes

terça-feira, 6 de outubro de 2009 - 1 Comentários

Muita gente reclama de "cinema comercial", "música comercial", tudo que for comercial...

Particularmente, acho isso um papo muito chato. Silverster Stallone já disse, na coletiva de lançamento de um dos filmes da série Rambo, que "ninguém aqui está tentando fazer Cidadão Kane. Apoiado. No mais, a grande graça da "sétima arte" reside no fato de ela ser um produto de uma linha de criação, uma verdadeira indústria estabelecida em Hollywood. E isso permite o lançamento de centenas e centenas de filmes todo ano (e impede que o cinema, pelo menos nos EUA e em alguns outros países, seja essa mendicância de dinheiro público que vemos no Brasil).

Pelo menos em um dos vários aspectos da experiência de curtir cinema (são vários: a sala escura, a pipoca, as críticas que antecedem o lançamento, as notícias sobre as estrelas...), Marketing e Arte andam de mãos dadas: falo dos cartazes que enfeitam as salas de espera e que são usados para chamar a atenção para os filmes que serão lançados.

Muitos cartazes, assim como muitos filmes, são feitos meio no piloto automático. Mas, quando os caras acertam a mão, um pôster pode se tornar um complemento perfeito para o filme - e não é por acaso que é uma atividade comum à moçada tentar herdar um pôster do seu filme preferido na locadora do bairro (pelo menos era assim no meu tempo!).

Sem mais, BLOGIE elegeu e preparou a lista dos 10 melhores pôsteres de filmes de todos os tempos: 

10- A Bela da Tarde




Quando se tem uma foto perfeita, não precisa inventar muito. O pôster revela o erotismo e a insegurança de Catherine Deneuve no clássico de Buñuel.

 

9- Tubarão


Steven Spielberg inventou o filme-evento de verão em 1975, com Tubarão. Que ganhou cartaz tão ameaçador quanto o filme.


8- Encontros e Desencontros



O filme fez de Scarlett Johansson uma estrela, e ela nem aparece no pôster? Pois é, mas Sofia Coppola tinha uma foto insuperável: a solidão e o aspecto patético do homem de meia-idade estão perfeitamente registrados no momento de Bill Murray.


7- Pulp Fiction


O que dizer? Tarantino criou sua própria mitologia pop. Tudo é perfeito nessa capa surrada de livro de bolso transformada em pôster. O preço, o clima barato em torno de Uma Thurman, as letras, tudo ajuda a criar o universo único de Pulp Fiction.

 


6- Lolita

"Como fizeram de Lolita um filme?" Escândalo é o que grita o pôster do filme de Kubrick. Acho que os óculos escuros da menina é que dão o toque genial...


5- A Primeira Noite de um Homem



Uma cena antológica, filmada de um ângulo único, tinha que chegar ao pôster da obra-prima de Mike Nichols. O toque mágico é o texto, extraído do próprio filme: "este é Benjamin. Ele está um pouco preocupado com seu futuro". E vemos Dustin Hoffman com cara de bobo, enquanto uma ameaçadora e torneada perna de mulher se despe para ele.



4- Taxi Driver


Uma obra-de-arte. O ambiente em torno de DeNiro é imundo, sinistro, perigoso - coisas que deixam o personagem, Travis Bickle, enojado. Você vê o pôster e pensa, "esse cara vai aprontar algo". E vai.


3- Laranja Mecânica



Kubrick era um gênio não só na criação, mas também na divulgação. No pôster de Laranja Mecânica, a cultura pop ganha um ícone. Fora a coragem do texto: "seus principais interesses são estupro, ultraviolência e Beethoven"...


2- Casablanca

Casablanca é tudo. E está tudo prometido nesse cartaz perfeito, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em destaque. É o melhor de uma série de pôsteres sensacionais deste que é, provavelmente, o maior clássico de Hollywood.


1- Jules e Jim


Já falei sobre o meu preferido anteriormente, mas repito: esse pôster traz tudo o que faz do filme de Truffaut uma maravilha: Jeanne Moureau, um ar de "alegria de viver", um tom meio melancólico, meio distante - e transpirando humanidade. Além disso, é uma obra-de-arte, como o filme. E isso, sem entregar nada do que se trata.


Bom, esta é a lista de BLOGIE. Certamente há dezenas de pôsteres tão bons quanto esses... diga se faltou o seu preferido!

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Mais três cenas de abertura matadoras

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 - 0 Comentários

Continuando com a série de cenas de abertura espetaculares, hoje BLOGIE traz três clássicos dos anos 80.


Nenhum dos filmes aspirou a Oscar ou a algum lugar especial na história do cinema, mas todos foram dirigidos com grande competência e, mais importante, contam com sequências de abertura que garantem a atenção do espectador.


Comprove!

Garotos Perdidos (1987): quando vampiros adolescentes eram gente realmente estranha...


Nestes dias chatos, Crepúsculo faz sucesso com vampiros adolescentes que evitam fazer aquilo que vampiros e adolescentes mais querem fazer - se alimentar com sangue alheio e transar.


Já nos anos 80, Joel Schumacher fez um filme com vampiros jovens que são verdadeiramente barra-pesada: se divertem matando uns desavisados, andam de moto, pegam a mulherada geral e moram numa caverna sinistra com pôster do Jim Morrison na parede.






A sequência inicial traz a mãe solteira Dianne Wiest, com seus filhos adolescentes, Corey Haim e Jason Patric, chegando a uma cidadezinha de fim de mundo. Os moleques já preveem uma vidinha tediosa, pois o único point local é um parque de diversões.


Mas logo descobrirão que a cidade é cheia de gente estranha. Trilha sonora: People are Strange, do Doors, tocada com classe pelo Echo the Bunnymen, com direito a solo de teclado do grande Ray Manzareck!


Alguém Muito Especial (1987): o triângulo amoroso padrão dos anos 80


Um exercício de estilo bem interessante: na história escrita pelo então maioral do cinema adolescente John Hugues, temos um clipe de 3 minutos em que todos os personagens principais são apresentados, sem que uma fala seja dita.





Temos Mary Stuart Masterson como a roqueira solitária; Eric Stoltz como o pobretão sonhador; e Lea Thompson como a patricinha que passa o rodo. O triângulo está apresentado, e uma geração de meninas idolatram esse filme de roteiro redondinho, um campeão da Sessão da Tarde. (O recente Ele Não Está Tão a Fim de Você presta uma homenagem incrível a Alguém Muito Especial, elegendo-o um tipo de Curtindo a Vida Adoidado das meninas.)

Em tempo: a música, Dr. Mabuse,  é duma banda chamada Propaganda.



Afinado no Amor (1998): Adam Sandler enfia o pé na jaca

Este filme foi feito no meio da década de 90, mas tem o mérito histórico de ter sido o primeiro "filme de época" ambientado nos anos 80.

Adam Sandler é o cantor de casamentos que, como todo cantor de casamentos, inclui no repertório todos os sucessos do momento, pois seu trabalho é animar a festa.

Essa festa começa ao som de gosto abjeto da banda de tecno-pop Dead or Alive: You Spin Me Round (Like a Record).



O que faz dessa cena tão simples uma ótima cena de abertura? Primeiro, a apresentação do personagem: de cara, reconhecemos em Adam Sandler um cara amável, de bom coração, meio sem senso do ridículo (e muitos, como eu, conheceram Sandler através deste filme, o que significa que não entramos esperando "uma comédia do Adam Sandler). Depois, temos a reconstituição de época que ressalta o aspecto absurdo dos anos 80:  penteados, cores, roupas - enfim, toda a cafonice. E há os créditos de abertura rapidinhos, que emulam aqueles efeitos de vídeo de casamento dos primórdios do VHS. Enfim, nota dez!

Hoje, fui numa lista de filmes mais despretensiosos. A próxima vai voltar no cinema mais "sério".

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Estreia: "Terror na Antártida" (ou Só Kate Beckinsale Salva)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Entre as estrieas dessa sexta-feira, temos o brasileiro Salve Geral (que faz aquela embolada sócio-ideológica pró-ladrão em cima do dia em que o PCC parou São Paulo) e mais umas coisinhas... e tem Terror na Antártida, filme de suspense policial que só tem levado pau da crítica, e que não deve arrebatar lá muito público.

Sinceramente, não sei muito sobre o filme, mas garanto que vou assisti-lo. A razão é uma só, e suficiente: Kate Beckinsale.

























Kate Beckinsale, uma inglesinha linda, já fez a esposinha pra lá de interessante de Adam Sandler na comédia familiar Click. Já foi a enfermeira sexy que causou briga entre os amigos Josh Hartnet e Ben Afleck na bomba Pearl Harbor. Já foi heroína de filme de ação. E já fez o papel de Ava Gardner, a mulher que Billy Wilder definiu como "o animal mais belo que já existiu", em O Aviador, do Martin Scorsese.

Resumindo: é uma gata. E tem talento, pois enfeita qualquer tipo de filme.

Ela traz aquela qualidade que é sempre bem-vinda em atrizes tão privilegiadas pela natureza: não tem medo de tirar a roupa.

Diz que, logo na primeira cena de Terror na Antártida, a moça já aparece pelada. Bom, muito bom. Ela também tira a roupa em Laurel Canyon (2003) e em dois filmes inéditos ou "secretos" por aqui:  Uncovered e Haunted.



Mas o meu momento preferido de Kate Beckinsale é mais comportado: a comédia romântica Escrito nas Estrelas, em que ela faz par com John Cusack, é uma das coisas mais agradáveis de se assistir dos últimos anos.


















Eles se conhecem em Nova Iorque, em uma cena muito interessante. Eles patinam no Rockefeller Center, enquanto conversam rapidamente sobre preferências. O filme preferido dele: Rebeldia Indomável, com Paul Newman. Palavra preferida dela: "serendipity" (que é o nome original do filme). E por aí vai. Daí entra num lance de ela fugir do cara, acreditando que o destino vai fazer seu trabalho, enquanto ele corre contra o relógio (tem casamento marcado com uma zinha sem graça) para reencontrar Kate.

Enfim, aquele filme de mulherzinha regular. Mas, juro, não faz mal nenhum passar duas horas assistindo Kate Beckinsale sorrindo, falando, chorando, se atrapalhando. É até reconfortante.

Veja se estou mentindo:


Algumas cenas de Escrito nas Estrelas, com Kate Beckinsale e John Cusack.

Agradável, não?

Por essas e outras, lá vamos nós encarar mais uma estreia no cinema.

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