Blogie - Cinema na VIP

DVD: "Modelos Nada Corretos", comédia nota mil

quarta-feira, 28 de abril de 2010 - 5 Comentários

Alguém me explique: por que uma das comédias mais engraçadas dos últimos anos nem foi lançada nos cinemas brasileiros?



O filme é Modelos Nada Corretos (Role Models, em inglês), com Sean-William Scott (o Stiffler da série American Pie) e Paul Rudd (um dos integrantes mais talentosas da Máfia da Comédia liderada por Judd Apatow). Os dois colegas, que se metem numa confusão, são penalizados a trabalharem como voluntários numa ONG: cada um deve "adotar" um pré-adolescente carente de amizades. Eles serão o "amigo adulto" dos pirralhos. Scott se vê às voltas com um pequeno delinquente, um moleque boca-suja e obcecado por seios; Rudd adota um nerd jogador de RPG ao vivo (!). Uma festa para os nerds de todo o mundo, com citações de ícones do setor, como Kiss, Star Wars e essa fixação medieval do mundo do RPG. O texto é dos mais engraçados, os atores são ótimos e tem ainda a Elizabeth Banks - a musa unânime dos nerds assumidos.

E nada de lançamento nos cinemas brasileiros. Mas, graças a Deus, as locadoras ainda estão com as portas abertas.  Vale uma visita. O filme é o máximo. Não deixe de ver Role Models.

P.S.: há uma cena em que Scott apresenta o Kiss para o seu pirralho. É sensacional. Falarei dela em um post específico...

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Filme VIP da semana: "Jerry Maguire", de Cameron Crowe

quinta-feira, 22 de abril de 2010 - 2 Comentários

Antes que o leitor calcule ter caído no lugar errado, esclareço: não, aqui não é o site da Claudia ou da Nova. Aqui é o espaço de cinema no site da VIP, mesmo.

Esclarecimento feito, peço ao leitor que baixe a guarda e reconheça: Jerry Maguire, aquele filme que sua namorada/esposa adora, é um baita filme de macho, e todo homem tem muito a aprender com ele.

A aura de "filme de mulherzinha" (chick flick, nos EUA) foi conferida pela presença de Tom Cruise, entre mil sorrisos e aquelas falas que foram incorporadas no imaginário feminino ("você me completa", "você me ganhou no 'oi'', "isso não é um vestido; é um filme da Audrey Hepburn!"...). Mas isso é só a superfície.














Tom Cruise vai suar a camisa pra mostrar a grana pra você.


 Era só uma declaração de intenções!


Jerry Maguire é um agente esportivo - aquele cara que, no Brasil dos boleiros paupérrimos e recrutados nas peneiras mais toscas da vida, é um malandro barrigudo e aproveitador chamado toscamente de "empresário". Na versão americana, o agente esportivo é um cara altamente profissionalizado, de fino trato, de habilidade verbal imbatível e aparência irretocável. Defende jogadores milionários e inteligentes, gerenciando suas carreiras, entre renovações de contratos, aparições em campanhas publicitárias e, eventualmente, enfrentamento de crises. E o rei dos agentes esportivos é Jerry Maguire, o auto-intitulado "rei da sala de estar".


Acontece que a ficha de Maguire caiu. E bateu pesado. Sua vida de voos em classe executiva, quartos de hotel, coletivas de imprensa e mulheres maravilhosas finalmente lhe pareceu vazia. Profissionalmente, sumiu a graça em arrancar até a última gota de suor dos seus clientes - gladiadores modernos que literalmente se matam para ganhar cada bônus, para aproveitar cada momento e garantir o pé de meia. Maguire entende que está explorando os esportistas, e que falta humanidade no negócio. Febril, insone, se põe a escrever o que lhe vem à cabeça.


Na manhã seguinte, cada funcionário da empresa onde trabalha recebe uma cópia da brochura "Coisa que Pensamos e que Não Falamos". Um memorando? Um manifesto? "Uma declaração de intenções", esclarece o agente. O conteúdo da brochura pregava a reinvenção do negócio de gerenciamento da carreira de esportistas, com atendimento mais do que personalizado: humano. Interesse nas pessoas. Menos clientes por agente. Menos dinheiro. Recuperar aquele sentimento de quando se iniciou a carreira. Coisas que pensamos e que, por constrangimento de parecer ingênuos demais ou simplesmente idiotas, evitamos falar.


Esta é o detonador do grande conflito do filme. Enquanto Maguire esteve por cima, vencedor de peito estufado, todos o admiravam. Sua bela noiva (Kelly Preston) era uma máquina de sexo. Seus amigos o amavam. A partir do momento em que sua pequena crise pessoal veio à tona - através da sua "declaração de intenções" -, tudo desmorona. A noiva lhe dá o fora (depois de aplicar-lhe um nocaute e de chamá-lo de "loser"), os amigos somem e o emprego, bem, o que você poderia esperar depois de ele pregar o fim do modus operandi que deixou a empresa rica? Maguire foi pra rua.


O Jardim Secreto

A partir daí, cresce no filme a adorável figura de Reneé Zellweger (então, uma loirinha novinha e linda, bem diferente da estranha mulher que encheu as bochechas de botox até ficar idêntica à sua estátua de cera no museu Madame Tusseau). Ela é Dorothy Boyd, contadora da empresa secretamente apaixonada por Maguire. Dorothy cai na lábia desesperada e levemente desastrada de Maguire na sua despedida, e se torna sua primeira - e única - funcionária na nova empreitada do agente. Ele tem um único e não tão fiel cliente - Rod Tidwell (Cuba Gooding Jr., no papel que lhe valeu o Oscar de melhor ator coadjuvante), um jogador de futebol americano mediano, de bom potencial e péssima atitude. Nada muito promissor.


















Frases de efeito, escadas cômicas eficientes uma câmera amiga: o casal perfeito da comédia romântica


Maguire, finalmente despido de todo o glamour e aparato, terá que aprender a desenvolver relacionamentos de verdade - com seu cliente (e futuro amigo) e com sua funcionária (e futura namorada). Sua dificuldade em criar intimidade é o xis da questão, e uma descida ao fundo do poço pode ser a solução.

No meio do caminho, mil situações engraçadíssimas, saídas do vasto repertório de piadas de Cameron Crowe, fiel seguidor de Billy Wilder (acredito, inclusive, que as rápidas cenas em que aparece um velhinho tido como mentor de Maguire, são inspiradas na série de entrevistas que Crowe conduziu com o velho mestre: Wilder era mestre em frases de efeito e mandamentos para a obtenção do roteiro perfeito).

E o afeto que vai sendo criado entre Maguire e Dorothy (e seu filho engraçadinho, um pirralho de quatro ou cinco anos em atuação inspirada) é realmente tocante, porque é construído sobre erros, movimentos equivocados e bases frágeis. Uma transada antes da hora, uma evolução do relacionamento meio fora de controle, um casamento um tanto prematuro - e uma crise mais melancólica do que apimentada. No entanto, é justamente enquanto tudo dá errado que a força da companhia de Dorothy cresce em Maguire. A trilha sonora perfeita para essa afeição crescente é a canção Secret Garden, do Bruce Springsteen. A melodia, a letra e o solo de sax vão envolvendo o espectador de tal maneira que, após quatro minutos, somos Jerry Maguire. Não dá pra explicar. É um estado de espírito.

Talvez o vídeo abaixo, que traz cenas do filme e a letra de Secret Garden, faça melhor o trabalho:



O final, com sua redenção esportiva e seu final feliz romântico, é perfeitamente adequado para as pretensões comerciais de um filme desse porte. O texto de Crowe, no entanto, nunca cede ao brega e à solução mais fácil. É um dos roteiros mais classudos do cinema contemporâneo.

O filme fez um sucesso estrondoso, foi indicado para uma penca de Oscars e, até hoje, é considerado a melhor atuação de Tom Cruise. Cameron Crowe ganhou carta branca para fazer o que lhe desse na telha (e daí resultaram Quase Famosos, com o qual ganhou Globos de Ouro e um Oscar, o estranho e genial Vanilla Sky e, mais recentemente, Elizabethtowm, que gastou um pouco seu crédito).

Se algum dia a encruzilhada profissional te pegou de jeito, ou se um relacionamento evoluiu de uma maneira não exatamente planejada por você - e se você já se sentiu sufocado por uma vida que escapou à sua idealização bem intencionada -, este é um filme a que você precisa assistir.

Se não sofreu nada disso, sofrerá um dia. E Jerry Maguire lhe será uma ótima companhia.

P.S.: e há, claro, a cena do "show me the money!", que valeu o Oscar pro Gooding Jr. E há aquele uso especial de clássicos do rock como Magic Bus, do Who, Free Fallin, do Tom Petty, e Bitch, dos Stones

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Filme VIP da semana: tudo sobre "Escola de Rock"

quarta-feira, 24 de março de 2010 - 6 Comentários

Quando da publicação do post com os dez melhores filmes de rock de todos os tempos, este blogueiro recebeu protestos pela não inclusão de Escola de Rock, comédia de sucesso com o Jack Black. Protestos aceitos - realmente o filme é um grande tributo ao rock'n'roll e merecia um lugar na lista. Para a retratação, BLOGIE preparou um verdadeiro dossiê devassando Escola de Rock, revelando cada uma (ou pelo menos boa parte) das toneladas de citações musicais no filme.

Pra começo de conversa, note que o letreiro do filme emula o logo da revista Rolling Stone, um ícone roqueiro.

1- Do Diretor:

Richard Linklater é um cineasta bem eclético. Ele é autor de comédias românticas que pagam tributo a Truffaut (Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol) e de filmes-cabeça como Fast Food Nation e O Homem Duplo. Mas também é um competente diretor profissional que bota de pé projetos "comerciais" como a comédia meio western The Newton Boys. O ponto em comum na sua trajetória é uma obsessão pela cultura pop e sua força junto aos jovens. Isso aparece em homenagens à nouvelle vague, em estudos sobre a influência do fast food nos EUA e, claro, na celebração do rock. Para isso, um filme chave em sua carreira é o ótimo Dazed and Confused, uma das melhores comédias de high school de todos os tempos, passada no meio da década de 70. Detentora de uma trilha sonora irretocável, a comédia mostra a moçada da década de 70 sofrendo massiva influência das bandas que vendiam milhões e milhões de LPs naquela década dourada para o rock. O próprio título do filme veio de uma canção clássica do primeiro disco do Led Zeppelin - que, em um episódio corriqueiro, não liberou Dazed and Confused para a trilha sonora.

Em Escola de Rock, Linklater voltou à carga. Mostrou tudo o que sabia do assunto e remeteu um vídeo, já no meio das filmagens, para o Led Zeppelin. O vídeo mostrava Jack Black, à frente de um auditório lotado de figurantes, berrando ao microfone: "Ei, Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones: deuses do rock, maior banda de todos os tempos... nós precisamos da sua música, cara. Precisamos de Immigrant Song. Este é um filme sobre rock, e sem essa música... este filme vai desabar. Quer dizer, o filme detona, mas, cara, sua canção seria a cereja roqueira no topo da montanha! Por favor..." - e põe o público todo a repetir, "Senhores do Rock, Led Zeppelin: nos abençoe com seu poderoso amor!", e a galera se põe a acompanhar Black berrando o riff de guitarra de Immigrant Song.

Depois de tal apelação, desta vez os sobreviventes do Zep concordaram. Veja o episódio todo, desde o vídeo enviado para Page e Plant até a cena em que Immigrant Song foi usada - por, digamos, dez ou quinze segundos. Valeu a pena, não?



2- Jack Black:

Todos sabem que Black é mais do que um comediante engraçado - é um roqueiro que é comediante. Ele tem sua banda, ele abraça filmes que reciclam a cultura pop (Rebobine por Favor, Alta Fidelidade), ele não perde a chance de demonstrar suas habilidades musicais (duvidosas, para alguns).

Em Escola de Rock, ele carrega o filme nas costas, com um competente e carismático time de pré-adolescentes que obviamente curte o seu tutor roqueiro. Trouxe um guarda-roupas de Angus Young, do AC/DC, uma atitude de Pete Townsend, do The Who, e uma  entrega de banda punk.

3- A banda perfeita:

Jack Black, como o falso professor substituto Mr. Ass (o codinome pelo qual ele é respeitosamente chamado por seus pupilos), não aceita substitutos, diz o cartaz do filme - citando Substitute, do Who. Para ele, a coisa é séria. Sem saber nada de literatura, matemática ou história, ele se põe a treinar a molecada sob os preceitos mais fundamentalistas do rock e molda a banda dos seus sonhos. Notando alguma habilidade musical na molecada, traz instrumentos e vai ensinando riffs de guitarra, linhas de baixo - e também caras feias, poses e chutes e todo tipo de atitude roqueira. Lá pelas tantas, ele dá lição de casa para a molecada: distribui CDs para cada integrante da banda, escolhidos a dedo. Vejamos a banda perfeita de Mr. Ass:

- A baixista leva um exemplar do primeiro disco do Led Zeppelin;

- Para a loirinha que faz backing vocals afinados, Blondie;

- Para o tecladista, Fragile, do Yes (ele sugere atenção ao solo do Rick Wakeman em Roudabout);

- Para o baterista, claro, o clássico 2112, do Rush (que conta com Neil Peart, tido e havido como maior baterista do mundo);

- Para o guitarrista, Axis: Bold as Love, do Jimi Hendrix. É o disco que traz Little Wing, uma das músicas mais lindas que já foram feitas.

- A Tomika, a garota negra tímida com voz de Aretha Franklyn, ele empresta The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd. A intenção é que ela escute Great Gig in the Sky, aquele longo solo de piano com uma mulher gritando de maneira entre etérea e histérica.

Previsível, mas de eficiência inegável.

4- Stevie Nicks, deusa do rock:























Stevie Nicks à frente do Fleetwood Mac nos anos 70


À primeira vista, o vilão de Escola de Rock é a diretora da escola, vivida por Joan Cusack. Ela é durona, incorruptível, conservadora. Jamais dará a permissão para o professor de araque levar a sua turma para o festival de bandas de rock. Até que...

... Na sala dos professores, lhe contam que a diretora, quando toma umas e outras, dá vazão ao seu lado mais louco e se revela fã incondicional de Stevie Nicks, a cantora do Fleetwood Mac, um ícone de comportamento abusivo e maluquice - e também de beleza e talento.

Mr. Ass leva a tal diretora para um bar, vai até a Jukebox e põe Bella Donna, o primeiro disco solo de Nicks (de 1981), pra tocar. Entra o maior clássico da moça, Edge of Seventeen, com seu riff de guitarra seco. Joan Cusack dá show ao se soltar e, em coisa de um minuto, está cantando a letra e emulando os gestos característicos de "Stevie", como a cantora é intimamente chamada pelos seus devotos.
Stevie Nicks, que aqui no Brasil não é muito conhecida, é uma instituição americana - o disco Rumours, do Fleetwood Mac, ostentou por alguns anos a marca de "disco mais vendido de todos os tempos" (ele foi lançado em 1976). Quatro das suas faixas são assinadas por Stevie Nicks, inclusive o maior sucesso da banda, o hit Dreams, que já foi regravado pelo The Coors e em versões bate-estaca para baladas em geral. Na opinião deste blogueiro, maior artista feminina do rock, à frente de Janis Joplin e tudo. Justa homenagem.


5- AC/DC, a referência central:

A roupa, a guitarra e as palavras de Jack Black são totalmente tiradas da banda australiana, cuja barulhenta passagem recente pelo Brasil nos permite dispensar maiores explicações. Mas há muitas outras referências à banda de Angus Young.

Por exemplo, em determinada passagem, o mestre recorre a recursos áudio-visuais para ensinar um pouco de atitude com uma guitarra pendurada no pescoço. Vemos imagens de Pete Townsend girando o braço, em seu movimento característico, vemos Hendrix quase copulando com sua guitarra Fender Stratocaster, mas o ápice da aula é Angus Young rolando no chão com sua Gibson SG.

Já no finzinho do filme, no festival onde a banda de fedelhos debutará, a preleção de Mr. Ass termina com o refrão que dá fim aos shows do AC/DC: "we'll roll tonight to the guitar bite... and for those about to rock... we salute you!" Além disso, o bis da apresentação da Escola de Rock vai de uma esquecida canção do primeiro disco do AC/DC, It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock'n'Roll). A letra, que trata das agruras de ser um pobre integrante de uma banda batalhadora, à espera de fama e fortuna, foi um achado para terminar um grande filme. Enquanto sobem os créditos, vemos a criançada e Black se divertindo muito, como só poderia acontecer quando se juntam uns amigos, se plugam uns instrumentos e se toca um AC/DC.


Veja Jack Black e a meninada de Escola de Rock honrando o AC/DC!

6- As citações, em ordem de aparição no filme:

- Na cena de abertura, vemos Black com uma roupa que evoca Jimmy Page e barbatanas do Ozzy Osbourne. Após seus excessos no solo com uma Gibson Explorer, faz um strip-tease à Angus Young e arrisca um mosh, se estatelando no chão. Sabemos em dois minutos que ele é um roqueiro sonhador, uma compilação de clichês roqueiros - um cara que, na prática, irrita seus companheiros de banda, mais preocupados em ser cool.

- Logo depois, sabemos que Dwey Finn (é esse o nome do personagem de Black) mora de favor com seu amigo professor de primário - um nerd que, antigamente, fora companheiro de banda de Finn num troço chamado Maggot Death (trocadilho com a banda de speed metal  Megadeth, do Dave Mustaine; a imagem e o nome evocam a bizarrice do Marylin Manson). Meio por acidente, meio por necessidade de grana, Finn recebe a ligação de uma escola e, fingindo ser o amigo, topa entrar como professor substituto para uma turma de fedelhos de uma escola pra lá de conservadora.

- Para Zack, o menino que sola lindamente no violão clássico, Finn (já chamado simplesmente Mr. Ass) ensina riffs básicos: Iron Man, do Sabbath, Smoke on the Water, do Purple, e Highway to Hell, do AC/DC. Para o japinha pianista, apresenta uma partitura de Touch Me, do Doors, que o rapaz se põe prontamente a acompanhar, para a piração do professor. Já para Katie, a menina que se vira no baixo, e para o trombadinha que esmurra uns tambores, ele volta ao básico e põe a banda para funcionar pela primeira vez ao som de Smoke on the Water - como aconteceu com praticamente 100% de todas as bandas de garagem formadas durante os últimos 40 anos.

- Influências: a criançada está numas de Christina Aguilera, Puff Daddy, e nunca ouviu falar em Led Zeppelin, Black Sabbath etc. Mr. Ass resolve preparar uma agenda pesada de aulas de rock. Desfaz as noções "equivocadas" de que montar uma banda serve  pra pegar garotas ou ficar chapado de drogas, e então explica o conceito de "enfrentar o homem" (tipo, enfrentar o sistema ou algo assim). Raiva juvenil como combustível. Parece óbvio, mas apropriado para as gerações atuais, criadas com liberdade e excesso de consumo.

- Nome da banda: as groupies oficiais (duas loirinhas angelicais) da turma estão encarregadas de dar nome à banda. Sugerem As Abelhinhas (derivando de Beatles e Crickets) e Os Coalas, mas o professor explica que isso é coisa de veado. Então as meninas mandam, que tal Reto Suíno? Acredito que isso venha da lenda segunda a qual o Van Halen quase se chamou Rat Salad.

- O figurinista afetadinho encarregado do guarda-roupas da banda, por algum motivo, parece ter saído dos anos 70: aparece com um visual entre Marc Bolan (T. Rex) e David Bowie circa 1973.

- Há projeção de slides de uma aula punk. Em cinco segundos, vamos de Iggy Pop a Ramones a Sex Pistols a Kurt Kobain. Direto ao ponto, como só o punk pode ser.

- A aula de reforço fica pro baterista delinquente: vídeo-aulas de Herbie Hancock e imagens clássicas de Keith Moon, do Who.




7- Teoria roqueira:

Uma lousa repleta de ligações entre sub-gêneros roqueiros - cada um acompanhado de nomes de bandas - é um dos objetos de desejo deste blogueiro. O quadro aparece em um pequeno relance, e sua visão completa não é possível em cena. Mas uma observação quadro a quadro permite identificar o seguinte:

- Heavy Metal (Judas Priest, Iron Maiden, Metallica, Black Sabbath, Motorhead, Dio), apresenta ligações com Hard Rock (The Who, Led Zeppelin, Aerosmith, Deep Purple, Van Halen, AC/DC), com Grunge (Nirvana, Peral Jam, Mudhoney, Soundgarden e Alice in Chains) e com Punk (Sex Pistols, Ramones, The Clash, Patti Smith).

- O Rock Psicodélico (The Doors, Jefferson Airplane, Grateful Dead, Velvet Underground) abastece quase todos os gêneros musicais dos anos 70: através de Jimi Hendrix, abastece  Hard Rock; mas também influencia Prog Rock (Yes, Pink Floyd, Jethro Tull, Rush, ELO, Genesis), Glitter/Glam (David Bowie, Alice Cooper, T. Rex, Roxy Music) e Southern Rock (Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, ZZ Top, Black Oak Arkansas).

- Outro "provedor geral" é o Brit Invasion (Beatles, Stones, Animals, Yardbirds, Cream), que cria o Pop Rock (um balaio de gatos que inclui Fleetwood Mac, Beach Boys, Go Gos, Kiss, Elton John e Neil Diamond!) e influencia tanto o Folk Rock (Jackson Browne, Simon and Garfunkel, Byrds, Neil Young) quanto o Soul (Gladys Night, Otis Redding, Sam Cooke, Marvin Gaye, Stevie Wonder, Diana Ross e James Brown). O Soul, por sua vez, abastece Rock Psicodélico, através da Janis Joplin.

- O Doo Wop (grupos vocais negros como The Platters), que dá cria tanto ao Soul quanto ao Funk (Prince, Parliament Funkadelic, Isley Brothers), acaba gerando a Disco (Bee Gees, Village People, Donna Summers) e, por consequência, o Hip Hop (Salt N Pepa, etc).

- Prog Rock chama uma caixa com um inusitado ponto de interrogação, sob o qual aparece o nome do maluco Frank Zappa.

- O início de tudo, ao final revelado no lado esquerdo da lousa, é o Country, o Blues e, indiretamente o Jazz. Deles, surgem o Folk (Woody Guthrie), que tem Bob Dylan como o conector com  Folk Rock, o Rockabilly (Elvis, Buddy Holly, Eddie Cochran), que influenciou as bandas inglesas, e o Rythim and Blues (Chuck Berry, Bo Didley, Little Richard), que abasteceu tanto o Rockabilly e o Doo Wop quanto o distante Hard Rock (o Zep foi beber direto na fonte).

Acho que há nomes suficientes para pesquisar por meses e meses o melhor da música dos últimos 60 anos, não? Mas melhor do que ler tudo isso é checar diretamente na fonte. Por graça de Elvis Presley, alguém no set tirou uma foto do quadro todo preenchido. Deleite-se:
















Acho que é isso. BLOGIE é o único veículo que dá tratamento de Cidadão Kane para Escola de Rock. Como canta Black na canção original, "rock não tem razão, rock não tem rima". Simplesmente existe.

Espero que tenha gostado.

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"Simplesmente Complicado": vida sexual ativa depois dos 60

segunda-feira, 1 de março de 2010 - 2 Comentários

Um bom programa inofensivo para levar a namorada no sábado à noite: Simplesmente Complicado, a nova comédia de Nancy Meyers, que já vinha do sucesso Alguém Tem que Ceder.

A fórmula se repete: se, no primeiro filme, foram escalados Jack Nicholson e Diane Keaton como os sexagenários que arrumam namorada/namorado trinta anos mais novos (até se descobrirem apaixonados), para Simplesmente Complicado Meyers recrutou ninguém menos que Meryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin. Streep é a mãe de família cujo ex-marido (Baldwin, em estado de graça) a trocou por uma mocinha. Dez anos se passam e eles começam a se tratar com alguma cordialidade.


















A vida aos 60: festas, maconha, vinho a rodo e sexo livre - sem mencionar os óculos de leitura e muitas idas ao médico.


Até que, na formatura do filho mais novo, eles acabam engatando uma conversa, e abre um vinho, abre outro vinho... e pronto: vemos Meryl Streep na estranha condição de amante do ex-marido. A atriz tira todo o humor óbvio que existe na situação - servindo-se, para isso, da sua reputação de grande dama do cinema americano em situações ridículas (artifício já usado em Mamma Mia!)-, mas também injeta sua habilidade dramática para evitar que a coisa se transforme numa farsa bizarra.

Pra complicar o que já era complicado, um arquiteto que também passou por uma separação conturbada, vivido por um Steve Martin todo quadradinho e contido (uma projeção do seu personagem de Antes Só do que Mal Acompanhado, vinte anos depois?), entra na jogada e vira o novo namorado de Meryl - despertando ciúmes do hoje bonachão Alec Baldwin, responsável por uma cena cômica digna de Os Três Patetas ou congêneres.

O resultado é um filme infinitamente agradável, com situações engraçadíssimas, capazes de fazer a sala de cinema eclodir em gargalhadas por uma boa dúzia de vezes. E a maior delas acontece durante uma festa, em que Meryl e Martin dividem um baseado e dão um show (de interpretação, de dança, de papo-cabeça, de larica...) - só vendo pra crer.


Veja o trailer de Simplesmente Complicado (a música é de Crosby, Stills & Nash, já devidamente recomendada anteriormente em BLOGIE)

No mais, é dado bom destaque a uma trilha sonora de responsa, formada por clássicos da música americana dos anos 60 e 70, que fizeram a juventude dos personagens , da diretora e do elenco de Simplesmente Complicado: Tom Petty (Don't Do Me Like That), Beach Boys (Wouldn't It Be Nice), Crosby, Stills & Nash (Suite: Jude Blue Eyes)... e uma pitada de anos 80 na tal cena da festa (Fine Young Canibals, com Good Thing).

Como hoje é segunda-feira, não poderia deixar passar a oportunidade de relembrar alguma música antiga. Aí vai a canção de maior destaque no filme (afinal, são as lembranças que ela traz que deflagram o tal caso extraconjugal):


Tom Petty & The Heartbreakers ao vivo, tocando Dont't Do Me Like That (trilha sonora oficial do adultério de Alce Baldwin com sua ex-mulher).

Voltando a Simplesmente Complicado: vale o preço do ingresso, da pipoca e da Coca gigante. Valeria também uma indicação ao Oscar para Meryl Streep (trata-se de um trabalho muito melhor do que o que ela fez em Julie & Julia ou mesmo em Mamma Mia!) e, quem sabe, uma indicação para coadjuvante para Alec Baldwin, que, hoje, vive a melhor fase da sua carreira, servindo-se da sua decadência física e de um talento cômico que sempre esteve lá, mas que não dava ibope na época em que ele era o galã do momento...

Boa diversão!

P.S.: aviso aos interessados que, a partir de amanhã, só Oscar neste blog. Falarei de O Segredo dos Seus Olhos (meu preferido para filme estrangeiro), Guerra ao Terror, Coração Louco (Jeff Bridges arrebentando) e, claro, meus palpites sobre quem leva as estatuetas douradas na cerimônia do próximo domingo, dia 07 de março.

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Tudo sobre John Hugues, o "bardo da juventude"

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010 - 0 Comentários

Se você gostar muito mesmo de cinema - e se encarar um texto em inglês -, não hesite em procurar a atual edição da revista americana Vanity Fair. A edição de fevereiro, como sempre, é a "Hollywood edition", aproveitando o gancho do Oscar. Neste ano, uma capa tripla traz toda a nova geração de estrelas do cinema (Kristen Stewart, Carry Mulligan, Anna Kendrick...). No recheio, um making of com fotos sensacionais da produção de Touro Indomável. Outra matéria trata das ilustradoras e pintoras (todas mulheres, coisa de tarado) que empregavam toda sua delicadeza na preparação das animações clássicas da Disney, nos anos 30 e 40. Um ensaio com os principais indicados ao Oscar, clicados pela lendária fotógrafa Annie Leibovitz.

Mas a maior atração de todas é uma matéria sensacional tratando de um enigma contemporâneo: o que fez John Hugues, cineasta falecido em agosto de 2009, se afastar do cinema no início dos anos 90?

























John Hugues e o elenco da obra-prima O Clube dos Cinco, de 1985.


John Hugues, como bem sabem os leitores assíduos deste blog - e um grupo muito mais numeroso, formado por todo mundo que cresceu durante os anos 80 -, é o escritor que chegou em Hollywood em 1983 com um cartão de visitas poderoso - Férias Frustradas - e que se tornou o Woody Allen dos filmes adolescentes - Gatinhas e Gatões, Curtindo a Vida Adoidado e Clube dos Cinco (como diretor) e A Garota de Rosa Shocking, Alguém Muito Especial e Mulher Nota Mil (como roteirista). Depois, inventou a comédia familiar padrão, com Antes Só do que Mal Acompanhado, Quem Vê Cara não Vê Coração e, finalmente, Esqueceram de Mim, já em 1990.

Depois dessa fulminante carreira construída em 7 anos, ele se enfiou numa fazenda com sua família e nunca mais deu as caras. 

Clique aqui para ler o post sobre os grandes filmes de John Hugues!

Pois a Vanity Fair empreendeu uma baita reportagem, intitulada "O Doce Bardo da Juventude". Um texto sensacional, para o qual foram entrevistados os dois filhos de Hugues e os atores que se tornaram ícones de uma década pelas suas mãos - Molly Ringwald (a primeira musa indie), Anthony Hall (o nerd original) e Mathew Broderick (Bueller, Ferris Bueller). Esse grupo consegue pintar um perfil intrigante do cara meio infantilizado, centralizador, genial e genioso que era Hugues.

Deliciosas histórias de como Molly Ringwald foi hostilizada pelo seu mentor quando resolveu fazer filmes com outros diretores. Ou como os próprios pupilos sofriam com a possessividade do chefe.

Descrições minuciosas do estilo Peter Pan oitentista do diretor já quarentão, sempre com o tênis Nike de cano alto da moda, cabelos com mullets horrorosos e sua obsessão por gravar fitas cassete para seus atores preferidos.

E uma evolução meio assustadora de uma certa loucura (ainda que tratada com distância e eufemismos): o cara tinha centenas e centenas de cadernos, enchendo-os com descrições sobre tudo e todos. Escrevia incessantemente, contos, roteiros, livros, piadas, descrições soltas. Desenhos se misturavam. Dia e noite, noite e dia. Quando recebia visitas, conversava por horas e horas, testando a resistência do amigo.

A melhor notícia de todas é que a matéria está inteirinha aberta no site da Vanity Fair. E com conteúdo adicional, como uma entrevista conjunta com Broderick, Ringwald e Hall.

http://www.vanityfair.com/hollywood/features/2010/03/john-hughes-201003

Boa diversão!

Aliás, uma boa pergunta: por que ainda não tiveram a ideia de reunir os filmes do cara em um box bacana?

Enquanto isso, aproveitem, pois Antes Só do que Mal Acompanhado acaba de ser lançado em DVD.

P.S.: aguardo homenagem póstuma séria a John Hugues no Oscar.

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Filme VIP da semana: "Um Dia a Casa Cai"

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 - 1 Comentários

Imagine o leitor algo muito chato e muito trabalhoso. Dia-a-dia no escritório? Compras de fim de ano?

Nada. A coisa mais desgastante que já inventaram é mudança de casa. Este blogueiro tem vivido esse drama durante os últimos meses - marceneiros que botam a culpa nos pintores; pintores que reclamam dos pedreiros; pedreiros que veem no pobre cliente um estorvo que só atrapalha seu trabalho. Voltando do reveillón, deparei-me com o caso de um colocador de papel de parede que simplesmente sumiu.

Depois vem a mudança em si: só de pensar na sua vida toda empacotada e depositada sem muito cuidado ao longo do apartamento novo... dá uma preguiça...

E então, casa nova, instalado, tudo fica melhor, certo?

Negativo, diriam Tom Hanks e Shelley Long, o jovem casal que compra a "casa dos sonhos" em Um Dia a Casa Cai, comédia irresistível lançada em 1986.















O casal, após um início de filme maluco - como era comum nas comédias da era Saturday Night Live -, compra a preço de banana uma mansão gigantesca. A dona, que dizia precisar consumar logo o negócio devido à situação de seu marido (ele estaria sendo perseguido por judeus por ter sido piscineiro de Hitler!), se manda e deixa a bomba nas mãos de Hanks e Long.

A casa, claro, está caindo aos pedaços, e as tensões decorrentes das reformas e dos rolos com os fornecedores não muito honestos, pouco habilidosos e pra lá de preguiçosos, acabam afastando o casal. Aí entra o chefe da moça - que é violinista -, o maestro da orquestra, dando em cima da pequena. Hanks atura a situação até saber que a esposa acabou indo pra cama com o cara.



Para uma comédia despretensiosa, é impressionante a tensão quase insuportável que se abate sobre o personagem de Hanks. Você se pega pensando, "pra que aprontar uma sacanagem dessas num filminho desses?"

Mas o final, é claro, acaba redimindo tudo, aparando as pontas, explicando as coisas e destinando o casal a curtir sua enorme mansão, finalmente impecável. Ou não.

Uma curiosidade interessante: Um Dia a Casa Cai foi escrito pelo mesmo roteirista que criou As Loucuras de Dick e Jane - outra comédia de "casal em crise", no caso Jim Carrey e Tea Leoni, que passam pelas agruras do desemprego, colocando em xeque seu poder aquisitivo. A casa "troféu", conquistada como símbolo de tudo que a vida pode oferecer de bom, também tem papel central.

Infelizmente, o filme, lançado em 2005, não causou impressão muito boa. Talvez porque, nos dias de hoje, o público esteja menos afeito a premissas absurdas e simplificadoras, que davam um delicioso tom farsesco às comédias oitentistas. Uma pena, pois o filme de Carrey e Leoni também vale muito a pena.Especialmente como complemento do genial Um Dia a Casa Cai.

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Filme VIP da semana: "A Última Festa de Solteiro"

terça-feira, 1 de dezembro de 2009 - 4 Comentários

Antes de se transformar no modelo de americano honesto (Philadelphia, Forrest Gump, Apollo 13, O Náufrago), de ter passado pela fase de galã de comédias românticas com a Meg Ryan e de ter se exposto ao ridículo como Robert Langdon em Código DaVinci, Tom Hanks foi um grande comediante - diria que foi o cara mais engraçado do seu tempo.


Hanks apareceu em 1984, na comédia romântica inusitada Splash - Uma Sereia em Minha Vida, e se tornou o engraçadinho do momento (algo como o que aconteceria com Jim Carrey uns seis anos depois, e então com Adam Sandler, já no final dos anos 90). Enfileirou meia dúzia de comédias insanas, a mais famosa delas Quero Ser Grande, que lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar (como o menino que faz um pedido para virar logo adulto e acorda no corpo do Tom Hanks)... e que tem pelo menos uma cena imortal: a de Hanks e o velhinho que é dono da loja de brinquedos pulando em cima de um teclado-tapete, tocando o "bife" a dois.

Mas o assunto de hoje é bem mais picante: Hanks protagonizou, no meio de tantas comédias, a sensacional A Última Festa de Solteiro. Um filme responsável por elevar os padrões das expectativas de pelo menos duas gerações sobre as festas de despedidas de solteiros dos seus amigos (mas nunca a própria).


























O filme, dirigido por Ricahrd Benjamin, traz Tom Hanks como o pobretão (ele é motorista de ônibus escolar) que vai se casar com uma moça milionária, e é claro que o pai - devidamente suportado pelo ex-namorado almofadinha, que tem a preferência da casa - tem planos para impedir o casamento.

A moça é interpretada por Tawny Kitaen, uma tremenda gata que causou sensação nos anos 80 por ter estrelado os vídeo-clipes mega-bregas do Whitesnake (Is This Love?, Here I Go Again e Still of the Night) - e por ter se casado com o vocalista da banda, David Coverdale.

























Não confunda: Tawny é a pessoa de verde; Coverdale é a pessoa de preto. Ah, esses anos 80...

Na outra ponta, Hanks tem os amigos mais fiéis, mais imbecis, mais divertidos: é um deles que dá a ideia ("vamos fazer uma despedida de solteiro! Com drogas, com armas, com caminhões de bombeiro e putas!") e todos se dividem nos preparativos: um providencia prostitutas, o outros providencia as drogas, o outro providencia... um travesti.
















Mentes brilhantes planejam a maior despedida de solteiro de todos os tempos.

A festa é o máximo: a música é perfeita (new wave oitentista descartável), as atrações também - dançarinas, vôlei dentro do apartamento, um asno cheirador de pó (literalmente)... e mulheres.


Já a noiva e suas amigas vão à forra e entram num clube das mulheres - e aí surge outra cena que ficou pra história: um garçom serve hot-dogs na bandeja, até que sobra apenas um - o "extra-grande" - e a mãe da noiva tem especial dificuldade em puxar o sanduba...

Só vendo o trailer para ter uma ideia da falta de noção:



Enfim, filmes de festas de solteiro e bom gosto não são coisas que andam juntas. A Última Festa de Solteiro é uma clara influência para o recente e enorme sucesso Se Beber, Não Case. Talvez uma comparação entre os dois filmes revele um envelhecimento do humor de vinte, trinta anos atrás... mas também revela uma abordagem mais brincalhona, menos destrutiva, com a escrotidão juvenil. Parece-me que, hoje, o negócio é ir pra Las Vegas e quebrar tudo. Antes, era realmente se divertir.

Ou então estou teorizando demais sobre o que só se propõe a divertir, e o faz com sucesso.

A Última Festa de Solteiro: um filme para ser visto com a alta brodagem, com pacotes de Doritos circulando e cerveja a rodo.

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Som da semana, direto da "Escola de Rock"

segunda-feira, 30 de novembro de 2009 - 1 Comentários

O som da semana pinga sem parar na cabeça ainda atordoada deste blogueiro. O show do AC/DC no Morumbi foi nota mil. A voz ainda está rouca. Os ouvidos, ainda zunindo. E me sinto como Jack Black no final da comédia Escola de Rock:



A música é It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock'n'Roll), do próprio AC/DC. Um final perfeito para um ótimo filme, cheio de citações nada superficiais e bem sacadas de muitos itens da mitologia do rock.

Minhas citações preferidas são as da Stevie Nicks e, claro, as do AC/DC, que estão nas roupas do Jack Black, nas canções e até embutidas em algumas falas.

O filme foi dirigido por Richard Linklater, um cara eclético (imagine que ele é o responsável pelos romances Antes do Amanhecer Antes do Entardecer). E talentoso.

Boa semana a todos!

P.S.: Vai, Mengão!

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Zohan, o rei da praia

sexta-feira, 20 de novembro de 2009 - 3 Comentários

O blogueiro está na praia.

Para entrar no clima, nada melhor do que uma cena de praia, digamos, inusitada:



Esta é a abertura da bizarra comédia Zohan - O Agente Bom de Corte, estrelada por Adam Sandler - um dos improváveis ídolos de BLOGIE.

Há quem odeie, e eu entendo. Mas tive grande prazer ao ver o início SEM NOÇÃO de Zohan.

Porque não dá pra ficar levando tudo muito a sério o tempo todo. Há de se saber a hora de chutar o balde. Nisso, Adam Sandler é o melhor.

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Estreia: "500 Dias com Ela"

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 - 6 Comentários

Já falei tanto sobre a expectativa da estreia de 500 Dias com Ela, que é até bobagem falar mais.

De qualquer forma, pra quem não sabe do que se trata: 500 Dias com Ela é uma comédia romântica com ar de cinema independente e pop (Juno, Encontros e Desencontros, etc), que arrebatou o verão nos EUA. Fez de Zooey Deschanel a estrela do momento (ver post desta semana) e revelou Joseph Gordon-Levitt, até então um ator secundário, aqui se mostrando um cara versátil, talentoso e carismático.

O filme foge do esquema comum das comédias românticas "de mulherzinha". O foco é no homem, ele está perdidamente apaixonado por Summer (Zooey), uma mulher que o faz de gato e sapato - e que deixa isso claro logo na saída. Quer dizer, bem diferente do que vemos no cinema e bem mais próximo do que realmente acontece na vida.



No recheio, muitas cenas sensacionais (Gordon-Levitt cantando Here Comes Your Man, dos Pixies, no karaoke), alguns diálogos antológicos ("meu gato foi batizado em homenagem ao Springsteen...") e um show de carisma de Zooey Deschanel, com olhos que, não importa a distância e a posição no enquadramento, são sempre o centro das atenções. Trata-se de um filme muito criativo, com recursos variados de fotografia, edição, animação, o diabo... sob esse aspecto, lembrou-me Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, do Woody Allen - e não consigo pensar num elogio melhor do que este.

Só um teaser para o leitor de BLOGIE: em determinada cena, o cara consegue finalmente levar Summer pra cama. Este é ele deixando o apartamento na manhã seguinte:



O som é soul-pop descartável dos anos 80, da dupla Hall & Oates. A cena que antecede (a da transa) cita A Primeira Noite de um Homem (referência recorrente no filme) e Beijos Roubados. De resto, é música pop de primeira qualidade, referências à mitologia do cinema e do rock... tudo de primeira.

Boa ida ao cinema!

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Trilha da semana: "Picardias Estudantis"

segunda-feira, 28 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Volta às aulas na Ridgemont High. Fundava-se, ali, a tradição dos filmes de high school americanos.



O ano: 1981.O filme: Picardias Estudantis, escrito por Cameron Crowe (futuro diretor de Vida de Solteiro, Jerry Maguire e Quase Famosos) e dirigido por Amy Heckerling (que renovaria o gênero nos anos 80, com Patricinhas de Bervely Hills).

A música é American Girl, do Tom Petty and the Heartbreakers.

A letra ("she was an american girl, raised on promises!") entra no exato segundo em que Jennifer Jason Leigh aparece, perdida, nos corredores da escola. Essa grande atriz, então uma adolescente, é só uma das revelações de Picardias Estudantis.

Outras são Eric Stoltz, Nicolas Cage, Forrest Whitaker, Phoebe Cates, Judge Reinhold e, principalmente, o grande Sean Penn, como o maconheiro Spicoli - o primeiro de sua coleção de grandes personagens.

Tudo certo nesse baita filme, que captou a época como poucos. Foi o primeiro a reconhecer o shopping center como o habitat natural do adolescente, e foi um dos primeiros a enaltecer a primeira transa como objetivo de vida do adolescente (tema único desde então). Teve trilha sonora perfeita, que, além da música de Tom Petty, conta com vários outros clássicos do new wave e do rock mais mainstream.

Veja o trailer!


E foi baseado no romance escrito por Crowe, então jornalista da Rolling Stone, que pediu demissão e se matriculou no colégio para escrever o livro.

Se você é da geração criada à base de American Pie: não deixe de conferir! Por outro lado, se você é daqueles que sempre julgou esses filmes de high school uma grande bobagem... não perca Picardias Estudantis. É a manifestação mais despretensiosa da arte de captar a essência da juventude de uma época.

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Aprenda a ser a alma da festa com Patrick Dempsey

sábado, 12 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Para entrar no espírito do fim-de-semana: Ronald Miller (Patrick Dempsey, hoje astro de Grey's Anatomy) era um CDF que queria virar um cara popular na sua escola. Exposto à prova de fogo para nerds metidos a malandro - a pista de dança -, ele mostra suas armas: evoca o obscuro "ritual do tamanduá africano". E ganha a balada.



O filme é Namorada de Aluguel, de 1987. Acredite se quiser, mas cenas muito parecidas com esta aconteciam nas festinhas ginasiais do fim dos anos 80, quando o filme ficou bem popular, graças às reprises na Sessão da Tarde.

Piada que serviu para disfarçar a falta de jeito de nerds mil, incluindo este blogueiro.

Bom final-de-semana a todos!

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Estreias fracas e um refúgio seguro

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 - 6 Comentários

Sexta-feira de tempinho modorrento (pelo menos aqui em São Paulo) e poucas estreias no cinema. A maioria, bomba garantida.

Pra se ter uma ideia, um dos filmes que entram em cartaz hoje é A Teta Assustada, um filme peruano sobre uma menina que tem uma batata na vagina. Enough said.

Outra estreia é Veronika Decide Morrer, com a Sarah Michelle Gellar (a nossa querida Buffy). Trata-se de adaptação do livro de Paulo Coelho... o resultado é uma mistura de Garota, Interrompida com aqueles finais dos episódios do He-Man, nos quais os personagens apareciam para soletrar com calma a moral da história. Enfim, como dizia Didi, é fria!

Mas há salvação para sua noite de sexta: entra em cartaz Se Beber, Não Case!, mais um exemplar de uma tendência cada vez mais comum: a das comédias sobre idas a Las Vegas. Aqui, uns amigos vão fazer despedida de solteiro na cidade dos cassinos, tomam umas drogas, saem do ar e, ao acordarem, não encontram justamente O NOIVO. O desafio é achá-lo a tempo do casamento. O mote desse filme, assim como o de tantos outros (Jogo de Amor em Las Vegas, Quebrando a Banca, etc), é aquela frase que vira e mexe alguém repete: "what happens in Vegas, stays in Vegas" - algo parecido com a nossa expressão brasileira "amor de praia não sobe a serra".



Veja o trailer de Se Beber, Não Case!

Apesar do elenco não muito conhecido, o filme fez bastante sucesso nos EUA e parece ser uma boa opção. O clima é de comédia amalucada - bizarrices como casamento com prostituta, o aparecimento de galinhas, um tigre e um bebê cruzam o caminho dos amigos. O mais absurdo de tudo é a aparição de Mike Tyson, como se viu no trailer. Comédia rasgada para ver com os amigos, e que deve fazer boa carreira em DVD.

Se nada disso lhe agradar, vale sempre buscar uma velha amiga na TV. No caso, Scarlett Johansson.





















Scarlett em O Diário de Uma Babá: como garota normal, ela é ainda mais atraente...
Hoje, às 20:05, no Telecine Premium, será exibido O Diário de uma Babá, um dos filmes menos badalados da beldade e um dos poucos em que ela foge do estereótipo de loira fatal (que, sejamos sinceros, está começando a cansar pela repetição). Aqui, Scarlett é uma moça de New Jersey que estuda em uma faculdade de primeira em NYC, mas, para pagar as mensalidades, trabalha como babá para uma família ricaça.
A graça está na protagonista (flagrada em um momento logo depois de sua aparição em Encontros e Desencontros e antes do hype de ter se tornado musa do Woody Allen e do Brian DePalma), num papel de girl next door bem interessante e bem interpretado. E também na sua antagonista e patroa, a mãe pouco cuidadosa, fútil e cruel vivida pela sempre ótima Laura Linney (na minha opinião, melhor atriz americana do momento). De quebra, Paul Giamatti faz o marido ausente de Laura, como um executivo escroto e sinistro. O filme começa como uma comédia, e aí vai engrossando, engrossando, e no final se sai algo bem amargo e interessante. O final é redentor, de acordo com a cartilha de Hollywood, mas nada que atrapalhe o clima criado antes. Um bom filme.


É isso. Se estiver mesmo a fim de ir no cinema, minha sugestão continua sendo o brasileiro À Deriva, por sorte ainda em cartaz em várias salas em São Paulo, Rio e outras capitais. (Leia a crítica de À Deriva, publicada na quarta-feira!)

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Começando a semana com gás total

segunda-feira, 10 de agosto de 2009 - 0 Comentários

Ainda em homenagem ao grande John Hugues, o inventor dos anos 80 como gostamos de lembrá-los, sugiro o vídeo abaixo para começar bem a semana:


Curtindo a Vida Adoidado: Mathew Broderick fecha a Parada de Chigago cantando Twist and Shout, dos Beatles.

Salve Ferris! Salve John Hugues!

Boa semana a todos.

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John Hugues, o dono dos anos 80

sexta-feira, 7 de agosto de 2009 - 2 Comentários

Morreu John Hugues.

Quem?




















Conto uma história: um jovem publicitário/escritor de Chicago chega a Hollywood em 1982 e consegue vender um de seus contos para o cinema. Escreve o roteiro e imagina ter um grande sucesso nas mãos: a história da viagem de uma família cruzando o território dos EUA, de costa-a-costa, com coisas bizarras acontecendo ao longo do caminho. O ponto-de-vista adotado era o do filho adolescente. Mas o estúdio havia escolhido Chevy Chase, um dos maiores comediantes da época, para estrelar o filme, e o roteiro foi todo mudado, transferindo o foco para o pai da família.


O filme era Férias Frustradas, que abriu oficialmente a década de 80 como a era da "comédia família". Era o programa perfeito para noites de sábado no sofá, pai, mãe, filhos e cachorro se entupindo de pipoca, assistindo a filmes "para toda a família", naquela incrível invenção que era o vídeo-cassete.



















Chevy Chase e família: programão nos anos 80 era ver Férias Frustradas - e suas continuações - em vídeo...

O jovem roteirista não parou de acreditar no potencial de suas histórias baseadas em adolescentes. Aproveitou o sucesso de Férias Frustradas e se tornou diretor. Escreveu e dirigiu, durante os três anos seguintes, Gatinhas e Gatões, O Clube dos Cinco, Mulher Nota Mil e Curtindo a Vida Adoidado. De quebra, escreveu e produziu A Garota de Rosa-Shocking e Alguém Muito Especial.

Esse foi John Hugues.

Sim, é isso mesmo: todos esses filmes que cansamos de ver na Sessão da Tarde - e que são parte essencial do imaginário pop dos anos 80 - são obra de um único cara, que produziu tudo isso de uma vez!


Veja o trailer de O Clube dos Cinco!

Desnecessário dizer que o homem era um gênio.

Depois de satisfeita sua fase teen, Hugues voltou à comédia familiar e perpetrou outra obra-prima: Antes Só do que Mal Acompanhado, com Steve Martin e John Candy (1987). Arrancou do gordão Candy a melhor atuação da sua vida e fez dele um astro. A parceria entre Hugues e Candy voltou um ano depois, em Quem Vê Cara Não Vê Coração: outro sucesso.
















Steve Martin e John Candy: símbolo de uma geração de comediantes brilhantes que chegava ao auge.

E, em 1990, Hugues fechou a década de 80 escrevendo e produzindo o maior sucesso daquele ano e de sua carreira: Esqueceram de Mim.

Depois disso, ele se isolou em uma fazenda e a última foto que se viu do diretor foi em uma visita ao seu filho, em 2001.

John Hugues morreu ontem, aos 59 anos, de ataque cardíaco. Mas isso é papo chato. Vamos lembrar do que ele nos ensinou, através do herói de uma geração, Ferris Bueller:


Esta é parte da primeira e da segunda cena de Curitndo a Vida Adoidado, de 1986.

Como epitáfio, sugiro a frase abaixo, escrita por Hugues e proferida por Bueller, no início e no final de Curtindo a Vida Adoidado:

A vida passa rápido demais. Se você não parar para dar uma olhada de vez em quando, pode perdê-la.

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Clássico: "O Rei da Comédia", da dupla Scorsese / DeNiro

quinta-feira, 6 de agosto de 2009 - 2 Comentários

Para atiçar os sentidos e entrar no clima da espera por Funny People, do Judd Apatow, vale dar uma relembrada em O Rei da Comédia, outro grande filme que examina o combustível sinistro da comédia.

Robert DeNiro é o comediante medíocre que sequestra o próprio ídolo (Jerry Lewis, no papel mais ou menos dele mesmo) para tentar roubar um pouco de sua popularidade. Dirigido por Martin Scorsese, não foi compreendido quando do seu lançamento (como parece estar acontecendo com Funny People), mas é uma obra-prima.


Veja o trailer original de O Rei da Comédia, com Robert DeNiro e Jerry Lewis!


É um filme sobre comédia, mais do que uma comédia propriamente dita. É coisa rara e genial. É difícil achar, mas vale a pena conhecer!Qualquer dia, publico um post sobre o tratamento indecente que as comédias americanas têm recebido no Brasil. Pinneapple Express e Role Models, dois genuínos e fortes representantes do gênero, nem chegaram aos cinemas. Saíram direto em DVD e sem alarde. Outros filmes são adiados e adiados e adiados. É triste a situação. Espero que Funny People receba logo seu nome em português e tenha sua data de lançamento confirmada. Para breve.

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Vem aí: "Funny People", a comédia do ano

terça-feira, 4 de agosto de 2009 - 5 Comentários

A estreia mais esperada do ano, pelo menos para mim, é Funny People, comédia dramática (que raio de definição é essa? Chegaremos lá em um minuto) que chegou aos cinemas americanos neste último final-de-semana, ficou em primeiro lugar, mas não parece ter empolgado muito em termos de crítica e bilheteria.

Ainda assim, aguardo com muita apreensão pelo filme. Ele é dirigido por Judd Apatow, o diretor de Ligeiramente Grávidos e O Virgem de Quarenta Anos. O cara é o mentor do atual momento de comédias - e comédias românticas! - que estão enterrando aqueles filminhos da Sandra Bullock e da Meg Ryan... são as comédias românticas de macho. Palhaçada e papo sério, assuntos leves e pesados, abordagem sensível e ao mesmo tempo grosseira - tudo aquilo que só a sua turma de amigos mais chegados consegue ser, de preferência num bar.



















Funny People é o filme mais pessoal de Apatow. A história trata de um comediante que, do nada, se torna um milionário, e que precisa continuar a achar graça na vida. É mais ou menos a situação do diretor. De diferente, uma doença grave entra para dar uma reviravolta mais crível no comportamento, mas o componente de sofrimento e auto-humilhação que serve de combustível para fazer rir está ali...

Escalado como alter-ego do diretor, ninguém menos do que Adam Sandler, o maior comediante americano (rivalizando com Jim Carrey, OK, mas prefiro Sandler). Nos papéis da mulher e das filhas do tal comediante, a própria mulher (Leslie Mann, ela mesma uma ótima atriz e comediante) e as filhas de Apatow! Cenas das crianças filmadas em casa pelo próprio diretor anos atrás entram no filme. Uma filmagem feita por Apatow de Sandler quando ambos eram colegas de apartamento antes da fama também chegam ao filme... vida real e ficção se misturam. É a desconstrução da comédia, metalinguagem pra dar nó na cabeça!

Tem mais: completa o elenco Seth Rogen, a grande novidade da comédia neste século - o gordão maconheiro que estourou com Ligeiramente Grávidos e que tem enfileirado sucessos de bilheteria. E ainda o resto da "máfia" de Apatow, à frente Jonah Hill, um cara ainda mais balofo e mais boca-suja do que Rogen.

O que mais dizer? Aguardo a chegada de Funny People no Brasil como espero pelos novos lançamentos do Woody Allen, do Scorsese ou do Brian DePalma. É isso. Por enquanto, ficamos com o trailer:


Adam Sandler e a gangue de Judd Apatow: combinação perfeita...

Agora é esperar!

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"Sim, Senhor": filme engraçado, trilha de responsa

quarta-feira, 17 de junho de 2009 - 4 Comentários

Entre os últimos lançamentos em DVD, encontramos a comédia Sim, Senhor, com o Jim Carrey.

O filme é legal: Jim Carrey está engraçado e alucinado, como nos seus melhores momentos, e ainda temos a gracinha Zooey Deschanel, atriz carismática e charmosa e cantora talentosa. Tudo certo.
















Zooey: ela canta, atua e faz graça. Mas basta existir...

Pra melhorar, só mesmo uma trilha sonora matadora. E é o que o filme entrega, logo na sua cena de abertura: a música é Separate Ways, do Journey, uma das grandes bandas americanas dos anos 80. Uma paulada, que é recuperada no clímax do filme, uma hora e meia mais tarde.

Veja o Journey tocando Separate Ways ao vivo, em 1983, no Japão. Coisa linda. As cordas vocais privilegiadas que você ouve são de Steve Perry, provavelmente o melhor cantor que já se juntou a uma banda de rock.


Viva os anos 80: Journey chutando rabos no Japão.

De resto, se você ainda não viu Sim, Senhor, não perca a oportunidade: alugue o filme e se divirta.

Fico devendo dois posts: um, com o melhor de Jim Carrey, e outro, sobre a Zooey Deschanel, a próxima grande estrela de Hollywood. Pelo menos na vontade deste blogueiro.

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Lista: filmes que se passam no Shopping Center

segunda-feira, 13 de abril de 2009 - 0 Comentários

Estamos vivendo a era da comédia. Tudo o que tem de novo e fora dos padrões em Hollywood vem em forma de gente engraçada. Seth Rogen é o símbolo deste momento. Borat é o herói que mostrou o quão longe se pode ir. E um monte de mulheres bonitas e talentosas está entrando de cabeça na onda: Anna Farris, Elizabeth Banks, Leslie Mann...

O problema é que a tendência não está sendo abraçada aqui no Brasil. Os filmes são lançados nos EUA, fazem sucesso e demoram uma eternidade para ganharem lançamento por aqui - quando ganham: Pinneaple Express, por exemplo, foi direto para DVD (mesmo tendo sido um enorme hit no verão do ano passado nos EUA). Outro filme que demorou para estrear foi Pagando Bem, Que Mal Tem?, objeto de uma resenha que BLOGIE publicou e republicou a cada lançamento em falso anunciado pela distribuidora.

Durante o último final-de-semana, estreou outra comédia bacana nos EUA: Observe and Report, com o Seth Rogen e a Anna Farris. O filme, que, claro, não tem previsão de data para estreia no Brasil, traz Rogen como o segurança de um shopping center que encontra a oportunidade de dar uma de policial (seu sonho de infância; ele não pôde ser policial por sofrer de transtorno bipolar). Seu interesse romântico é a personagem de Anna Farris, funcionária de uma loja de maquiagens. O filme ganhou avaliação A- da Entertainment Weekly.


Veja o trailer de Observe and Report!

Enquanto não podemos conferir Observe and Report por aqui, BLOGIE relembra comédias (ou filmes sérios com cenas engraçadas) que se passam em shopping centers. Relembre!


Filmes de Shopping:

O shopping center era o lugar onde a vida adolescente convergia nos anos 80. Picardias Estudantis, escrito por Cameron Crowe, soube captar isso como ninguém. O shopping center da cidade é o epicentro do filme, onde todo o elenco busca brechas em seus empregos chatos para paquerar: Jennifer Jason Leigh negocia ali a perda da sua virgindade, com a orientação da deusa Phoebe Cates (sua parceira no fast-food que vende pizza em pedaços). De longe, Brian Backer recolhe as entradas do cinema enquanto sonha com Jennifer e ensaia convidá-la para sair. De vez em quando, o jovem cambista Robert Romanus aparece para conversar um pouco com o rapaz, enquanto é abordado por meninos de 12, 13 anos em busca de ingressos para shows do Van Halen e do Ozzy Osbourne. O único que não dá as caras no shopping é o surfista chapado Spicoli, primeiro personagem de destaque de Sean Penn.















Phobe Cates e Jennifer Jason Leigh como Linda e Stacey, as pizza girls de Picardias Estudantis.


Picardias Estudantis foi o primeiro filme que mudou o centro do filme adolescente da escola para o shopping center. O filme começa com o shopping sendo aberto e termina com o elenco baixando suas portas das lojas onde trabalham. Um clássico.

Já nos anos 90, outro filme que adota o shopping como cenário é Barrados no Shopping, comédia de relativo sucesso e status de cult, dirigida por Kevin Smith (o mesmo de Procura-se Amy e do mais recente Pagando Bem...). Jason Lee e Jeremy London, após levarem um pé na bunda das suas namoradas, ficam rosetando pelo shopping local. Um certo buzz está no ar, pois um programa de TV na linha Quer Namorar Comigo? vai ser gravado ali, e Jason Lee domina as atenções com sua boca-suja, seu mau humor e sua nojenta sacada de cumprimentar os desafetos com stinky hands(mãos enfiadas por um bom tempo no próprio rabo, de modo a deixar um cheiro incontornável e insuportável nas mãos do outro).


Perseguições: o maior clichê do Shopping

Filmes de ação, comédias, aventuras, não há filme oitentista que evite uma boa perseguição no shopping center. O clichê é tão forte que foi incluído em uma boa propaganda de cartão de crédito, que brinca com cenas manjadas do cinema enquanto um casal corre para não perder a sessão.

Um dos filmes que certamente inspiraram essa peça é Comando Para Matar. Ao mesmo tempo durão e engraçado, o filme de Arnold Schwarzenegger inaugurou a era da perseguição no meio das lojas. Ele é John Matrix, um ex-militar que está atrás dos bandidos que sequestraram sua filha. A coisa acaba no shopping, e ele voa por cima das cabeças, pendurado em um enfeite (como se fosse um cipó), e aterrissa em cima de um elevador panorâmico. Veja a cena:




Arnold gostou tanto da brincadeira que repetiu a dose em O Exterminador do Futuro 2, de 1991. O Exterminador está protegendo Edward Furlong de outro robô, mais moderno e mais letal. E tome perseguição no mall.

Em Viagem Insólita, aventura de 1987 que trazia Dennis Quaid como o cara que é miniaturizado e que se encontra dentro de uma seringa. Bandidos querem roubar o experimento, e rola uma perseguição do laboratório até o shopping center mais próximo. O cientista que carrega a seringa se vê encurralado e, ao sair do obrigatório elevador panorâmico, tenta salvar o experimento, injetando-o na bunda da primeira pessoa que encontrou - Martin Short, que assume as rédeas do filme e faz ótimo contraponto cômico para o personagem de Quaid.


O paraíso das colegiais

Shopping Center é o local onde patricinhas se amontoam, com suas roupas curtas e seus cabelos pintados de loiro. Alicia Silverstone é a rainha desse domínio, como fica claro em As Patricinhas de Bervely Hills. Ali, ela transforma a freak Brittany Murphy em uma garota popular.

















Alicia Silverstone sabe o que fazer em um shopping center.


Já a passa-mal Lindsey Lohan vê a coisa de outra maneira. Em Garotas Malvadas, ela é a menina que veio da África direto para a "civilização". Mais ou menos enturmada com o grupo das meninas mais populares do colégio, ela enxerga nas colegas flanando pelo shopping algo muito parecido com o que viu nos safáris habitados por bichos selvagens.

O shopping, enfim, é um local onde até a garota mais cool da história dos filmes adolescentes, Juno, vai para espairecer. Devidamente barriguda e com seu eterno ar de indiferença, Juno encontra a futura mãe adotiva de seu bebê e, pela primeira vez, entende algo da maternidade.


É isso. Aparentemente, Observe and Report funciona como um apanhado de tudo isso. Coisas engraçadas, perseguições, garotas superficiais e até um pouco de amadurecimento são temas que Seth Rogen e Anna Farris vão encarar ao longo do filme.

Agora é esperar pela boa vontade da distribuidora.

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Estréias: "Rebobine, Por Favor", com Jack Black

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

No cinema, a estréia mais interessante da semana é Rebobine, Por Favor, filme esquisitíssimo do diretor Michael Gondry, que já fez pelo menos uma obra-prima (Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças). De quebra, o novo filme traz Jack Black em seu melhor: disparando citações pop em sua metralhadora giratória, sempre histérico e engraçado.

Mas é importante avisar: a coisa toda é bem estranha. Black é um maluco que vive enfiado na locadora do Sr. Fletcher (Danny Glover, construindo uma bela carreira na terceira idade). A locadora está quebrada, pois o dono não acredita na "novidade" dos DVDs. Pra piorar, Jack Black é eletrocutado e magnetiza todas as fitas da espelunca.

Para não perder os clientes, ele e o funcionário Mike (Mos Def) começam a refilmar os clássicos em versões toscas, tosquérrimas, absurdas. Os Caça-Fantasmas, Robocop, O Rei Leão, Conduzindo Miss Daisy... as versões caseiras dos amigos viram um grande sucesso e a vizinhança começa a fazer fila para obter as novas fitas.







































Os Caça-Fantasmas, Robocop, Conduzindo Miss Daisy: Jack Black e Mos Def produzem cinema trash em Rebobine, Por Favor...


Essa é a grande graça do filme e, pra quem é tarado pop, dá vontade de assistir a mais "versões" dos camaradas. De resto, Rebobine, Por Favor não é grande coisa. E exige bastante boa vontade do espectador que quer só uma comédia OK prum programa de fim-de-semana. É candidato a uma meia dúzia de pessoas deixando a sessão na metade.

Mas, enfim, não dá pra esperar que todos os filmes acertem na mosca. Vale ser visto pela boa idéia, por Jack Black e pela Mia Farrow, que hoje em dia raramente dá as caras na tela grande, mas, quando aparece, sempre impressiona.

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