Blogie - Cinema na VIP

Filme VIP da semana: "Os Reis do Iê-Iê-Iê", com os Beatles

quinta-feira, 1 de abril de 2010 - 2 Comentários

A lista dos 10 melhores filmes de rock preparada por BLOGIE elegeu, claro, os Beatles como os campeões dessa conversa.

E não é exagero de fã: Os Reis do Iê-Iê-Iê, apesar do nome bisonho, é muito mais do que o primeiro filme dos Beatles e muito mais do que uma comédia musical bobinha. A bem da verdade, o filme de Richard Lester foi um dos mais inovadores de seu tempo e, de quebra, pode reivindicar o título de inventor da MTV.



















Ignorando o valor histórico e a qualidade das músicas, há, no filme, dois grandes méritos: 1) o de ter renovado o gênero comédia, incluindo uma dose de nonsense que se tornou padrão durante os trinta anos seguintes; e 2) o de ter incutido no mundo todo as personalidades que ficariam famosas dos quatro rapazes de Liverpool. É desse filme que saiu o John Lennon espertalhão, o Paul McCartney certinho, o George Harrison sarcástico, o Ringo Starr "cara normal". É certo que o decantado sarcasmo dos quatro rapazes de Liverpool era espontâneo, mas o filme de Lester ajudou-os a criar personagens muito bem definidos para seus fãs, e eles desempenharam esses papéis por alguns anos, até que a maturidade chegou e eles se meteram a fazer todas aquelas obras-primas psicodélicas.

A direção de Richard Lester, então um renomado diretor de TV, celebrizou um certo humor inglês, calcado na ironia e em tom assumidamente infame, que serviu de inspiração para a turma do Monty Pithon, para a literatura do Nick Hornby e para a persona repleta de auto-ironia do Hugh Grant nos filmes da Working Title.



Veja o trailer renovado de A Hard Day's Night!

Além disso, foi nas filmagens de A Hard Day's Night (melhor ficar com o título original) que George Harrison conheceu Pattie Boyd, sua futura esposa e musa inspiradora de Something - considerada por Frank Sinatra a melhor canção de amor do século 20 -, Layla e Wonderful Tonight (as duas últimas do Eric Clapton, melhor amigo e ladrão-de-mulher de George). Ela aparece como uma das colegiais (a mais bonitinha, diga-se) durante I've Should Have Known Better, tocada pelos Beatles durante uma viagem de trem.


A Hard Day's Night, Can't Buy Me Love, And I Love Her, a lista de canções perfeitas não acaba. E era só o começo.

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Filme VIP da semana: tudo sobre "Escola de Rock"

quarta-feira, 24 de março de 2010 - 6 Comentários

Quando da publicação do post com os dez melhores filmes de rock de todos os tempos, este blogueiro recebeu protestos pela não inclusão de Escola de Rock, comédia de sucesso com o Jack Black. Protestos aceitos - realmente o filme é um grande tributo ao rock'n'roll e merecia um lugar na lista. Para a retratação, BLOGIE preparou um verdadeiro dossiê devassando Escola de Rock, revelando cada uma (ou pelo menos boa parte) das toneladas de citações musicais no filme.

Pra começo de conversa, note que o letreiro do filme emula o logo da revista Rolling Stone, um ícone roqueiro.

1- Do Diretor:

Richard Linklater é um cineasta bem eclético. Ele é autor de comédias românticas que pagam tributo a Truffaut (Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol) e de filmes-cabeça como Fast Food Nation e O Homem Duplo. Mas também é um competente diretor profissional que bota de pé projetos "comerciais" como a comédia meio western The Newton Boys. O ponto em comum na sua trajetória é uma obsessão pela cultura pop e sua força junto aos jovens. Isso aparece em homenagens à nouvelle vague, em estudos sobre a influência do fast food nos EUA e, claro, na celebração do rock. Para isso, um filme chave em sua carreira é o ótimo Dazed and Confused, uma das melhores comédias de high school de todos os tempos, passada no meio da década de 70. Detentora de uma trilha sonora irretocável, a comédia mostra a moçada da década de 70 sofrendo massiva influência das bandas que vendiam milhões e milhões de LPs naquela década dourada para o rock. O próprio título do filme veio de uma canção clássica do primeiro disco do Led Zeppelin - que, em um episódio corriqueiro, não liberou Dazed and Confused para a trilha sonora.

Em Escola de Rock, Linklater voltou à carga. Mostrou tudo o que sabia do assunto e remeteu um vídeo, já no meio das filmagens, para o Led Zeppelin. O vídeo mostrava Jack Black, à frente de um auditório lotado de figurantes, berrando ao microfone: "Ei, Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones: deuses do rock, maior banda de todos os tempos... nós precisamos da sua música, cara. Precisamos de Immigrant Song. Este é um filme sobre rock, e sem essa música... este filme vai desabar. Quer dizer, o filme detona, mas, cara, sua canção seria a cereja roqueira no topo da montanha! Por favor..." - e põe o público todo a repetir, "Senhores do Rock, Led Zeppelin: nos abençoe com seu poderoso amor!", e a galera se põe a acompanhar Black berrando o riff de guitarra de Immigrant Song.

Depois de tal apelação, desta vez os sobreviventes do Zep concordaram. Veja o episódio todo, desde o vídeo enviado para Page e Plant até a cena em que Immigrant Song foi usada - por, digamos, dez ou quinze segundos. Valeu a pena, não?



2- Jack Black:

Todos sabem que Black é mais do que um comediante engraçado - é um roqueiro que é comediante. Ele tem sua banda, ele abraça filmes que reciclam a cultura pop (Rebobine por Favor, Alta Fidelidade), ele não perde a chance de demonstrar suas habilidades musicais (duvidosas, para alguns).

Em Escola de Rock, ele carrega o filme nas costas, com um competente e carismático time de pré-adolescentes que obviamente curte o seu tutor roqueiro. Trouxe um guarda-roupas de Angus Young, do AC/DC, uma atitude de Pete Townsend, do The Who, e uma  entrega de banda punk.

3- A banda perfeita:

Jack Black, como o falso professor substituto Mr. Ass (o codinome pelo qual ele é respeitosamente chamado por seus pupilos), não aceita substitutos, diz o cartaz do filme - citando Substitute, do Who. Para ele, a coisa é séria. Sem saber nada de literatura, matemática ou história, ele se põe a treinar a molecada sob os preceitos mais fundamentalistas do rock e molda a banda dos seus sonhos. Notando alguma habilidade musical na molecada, traz instrumentos e vai ensinando riffs de guitarra, linhas de baixo - e também caras feias, poses e chutes e todo tipo de atitude roqueira. Lá pelas tantas, ele dá lição de casa para a molecada: distribui CDs para cada integrante da banda, escolhidos a dedo. Vejamos a banda perfeita de Mr. Ass:

- A baixista leva um exemplar do primeiro disco do Led Zeppelin;

- Para a loirinha que faz backing vocals afinados, Blondie;

- Para o tecladista, Fragile, do Yes (ele sugere atenção ao solo do Rick Wakeman em Roudabout);

- Para o baterista, claro, o clássico 2112, do Rush (que conta com Neil Peart, tido e havido como maior baterista do mundo);

- Para o guitarrista, Axis: Bold as Love, do Jimi Hendrix. É o disco que traz Little Wing, uma das músicas mais lindas que já foram feitas.

- A Tomika, a garota negra tímida com voz de Aretha Franklyn, ele empresta The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd. A intenção é que ela escute Great Gig in the Sky, aquele longo solo de piano com uma mulher gritando de maneira entre etérea e histérica.

Previsível, mas de eficiência inegável.

4- Stevie Nicks, deusa do rock:























Stevie Nicks à frente do Fleetwood Mac nos anos 70


À primeira vista, o vilão de Escola de Rock é a diretora da escola, vivida por Joan Cusack. Ela é durona, incorruptível, conservadora. Jamais dará a permissão para o professor de araque levar a sua turma para o festival de bandas de rock. Até que...

... Na sala dos professores, lhe contam que a diretora, quando toma umas e outras, dá vazão ao seu lado mais louco e se revela fã incondicional de Stevie Nicks, a cantora do Fleetwood Mac, um ícone de comportamento abusivo e maluquice - e também de beleza e talento.

Mr. Ass leva a tal diretora para um bar, vai até a Jukebox e põe Bella Donna, o primeiro disco solo de Nicks (de 1981), pra tocar. Entra o maior clássico da moça, Edge of Seventeen, com seu riff de guitarra seco. Joan Cusack dá show ao se soltar e, em coisa de um minuto, está cantando a letra e emulando os gestos característicos de "Stevie", como a cantora é intimamente chamada pelos seus devotos.
Stevie Nicks, que aqui no Brasil não é muito conhecida, é uma instituição americana - o disco Rumours, do Fleetwood Mac, ostentou por alguns anos a marca de "disco mais vendido de todos os tempos" (ele foi lançado em 1976). Quatro das suas faixas são assinadas por Stevie Nicks, inclusive o maior sucesso da banda, o hit Dreams, que já foi regravado pelo The Coors e em versões bate-estaca para baladas em geral. Na opinião deste blogueiro, maior artista feminina do rock, à frente de Janis Joplin e tudo. Justa homenagem.


5- AC/DC, a referência central:

A roupa, a guitarra e as palavras de Jack Black são totalmente tiradas da banda australiana, cuja barulhenta passagem recente pelo Brasil nos permite dispensar maiores explicações. Mas há muitas outras referências à banda de Angus Young.

Por exemplo, em determinada passagem, o mestre recorre a recursos áudio-visuais para ensinar um pouco de atitude com uma guitarra pendurada no pescoço. Vemos imagens de Pete Townsend girando o braço, em seu movimento característico, vemos Hendrix quase copulando com sua guitarra Fender Stratocaster, mas o ápice da aula é Angus Young rolando no chão com sua Gibson SG.

Já no finzinho do filme, no festival onde a banda de fedelhos debutará, a preleção de Mr. Ass termina com o refrão que dá fim aos shows do AC/DC: "we'll roll tonight to the guitar bite... and for those about to rock... we salute you!" Além disso, o bis da apresentação da Escola de Rock vai de uma esquecida canção do primeiro disco do AC/DC, It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock'n'Roll). A letra, que trata das agruras de ser um pobre integrante de uma banda batalhadora, à espera de fama e fortuna, foi um achado para terminar um grande filme. Enquanto sobem os créditos, vemos a criançada e Black se divertindo muito, como só poderia acontecer quando se juntam uns amigos, se plugam uns instrumentos e se toca um AC/DC.


Veja Jack Black e a meninada de Escola de Rock honrando o AC/DC!

6- As citações, em ordem de aparição no filme:

- Na cena de abertura, vemos Black com uma roupa que evoca Jimmy Page e barbatanas do Ozzy Osbourne. Após seus excessos no solo com uma Gibson Explorer, faz um strip-tease à Angus Young e arrisca um mosh, se estatelando no chão. Sabemos em dois minutos que ele é um roqueiro sonhador, uma compilação de clichês roqueiros - um cara que, na prática, irrita seus companheiros de banda, mais preocupados em ser cool.

- Logo depois, sabemos que Dwey Finn (é esse o nome do personagem de Black) mora de favor com seu amigo professor de primário - um nerd que, antigamente, fora companheiro de banda de Finn num troço chamado Maggot Death (trocadilho com a banda de speed metal  Megadeth, do Dave Mustaine; a imagem e o nome evocam a bizarrice do Marylin Manson). Meio por acidente, meio por necessidade de grana, Finn recebe a ligação de uma escola e, fingindo ser o amigo, topa entrar como professor substituto para uma turma de fedelhos de uma escola pra lá de conservadora.

- Para Zack, o menino que sola lindamente no violão clássico, Finn (já chamado simplesmente Mr. Ass) ensina riffs básicos: Iron Man, do Sabbath, Smoke on the Water, do Purple, e Highway to Hell, do AC/DC. Para o japinha pianista, apresenta uma partitura de Touch Me, do Doors, que o rapaz se põe prontamente a acompanhar, para a piração do professor. Já para Katie, a menina que se vira no baixo, e para o trombadinha que esmurra uns tambores, ele volta ao básico e põe a banda para funcionar pela primeira vez ao som de Smoke on the Water - como aconteceu com praticamente 100% de todas as bandas de garagem formadas durante os últimos 40 anos.

- Influências: a criançada está numas de Christina Aguilera, Puff Daddy, e nunca ouviu falar em Led Zeppelin, Black Sabbath etc. Mr. Ass resolve preparar uma agenda pesada de aulas de rock. Desfaz as noções "equivocadas" de que montar uma banda serve  pra pegar garotas ou ficar chapado de drogas, e então explica o conceito de "enfrentar o homem" (tipo, enfrentar o sistema ou algo assim). Raiva juvenil como combustível. Parece óbvio, mas apropriado para as gerações atuais, criadas com liberdade e excesso de consumo.

- Nome da banda: as groupies oficiais (duas loirinhas angelicais) da turma estão encarregadas de dar nome à banda. Sugerem As Abelhinhas (derivando de Beatles e Crickets) e Os Coalas, mas o professor explica que isso é coisa de veado. Então as meninas mandam, que tal Reto Suíno? Acredito que isso venha da lenda segunda a qual o Van Halen quase se chamou Rat Salad.

- O figurinista afetadinho encarregado do guarda-roupas da banda, por algum motivo, parece ter saído dos anos 70: aparece com um visual entre Marc Bolan (T. Rex) e David Bowie circa 1973.

- Há projeção de slides de uma aula punk. Em cinco segundos, vamos de Iggy Pop a Ramones a Sex Pistols a Kurt Kobain. Direto ao ponto, como só o punk pode ser.

- A aula de reforço fica pro baterista delinquente: vídeo-aulas de Herbie Hancock e imagens clássicas de Keith Moon, do Who.




7- Teoria roqueira:

Uma lousa repleta de ligações entre sub-gêneros roqueiros - cada um acompanhado de nomes de bandas - é um dos objetos de desejo deste blogueiro. O quadro aparece em um pequeno relance, e sua visão completa não é possível em cena. Mas uma observação quadro a quadro permite identificar o seguinte:

- Heavy Metal (Judas Priest, Iron Maiden, Metallica, Black Sabbath, Motorhead, Dio), apresenta ligações com Hard Rock (The Who, Led Zeppelin, Aerosmith, Deep Purple, Van Halen, AC/DC), com Grunge (Nirvana, Peral Jam, Mudhoney, Soundgarden e Alice in Chains) e com Punk (Sex Pistols, Ramones, The Clash, Patti Smith).

- O Rock Psicodélico (The Doors, Jefferson Airplane, Grateful Dead, Velvet Underground) abastece quase todos os gêneros musicais dos anos 70: através de Jimi Hendrix, abastece  Hard Rock; mas também influencia Prog Rock (Yes, Pink Floyd, Jethro Tull, Rush, ELO, Genesis), Glitter/Glam (David Bowie, Alice Cooper, T. Rex, Roxy Music) e Southern Rock (Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, ZZ Top, Black Oak Arkansas).

- Outro "provedor geral" é o Brit Invasion (Beatles, Stones, Animals, Yardbirds, Cream), que cria o Pop Rock (um balaio de gatos que inclui Fleetwood Mac, Beach Boys, Go Gos, Kiss, Elton John e Neil Diamond!) e influencia tanto o Folk Rock (Jackson Browne, Simon and Garfunkel, Byrds, Neil Young) quanto o Soul (Gladys Night, Otis Redding, Sam Cooke, Marvin Gaye, Stevie Wonder, Diana Ross e James Brown). O Soul, por sua vez, abastece Rock Psicodélico, através da Janis Joplin.

- O Doo Wop (grupos vocais negros como The Platters), que dá cria tanto ao Soul quanto ao Funk (Prince, Parliament Funkadelic, Isley Brothers), acaba gerando a Disco (Bee Gees, Village People, Donna Summers) e, por consequência, o Hip Hop (Salt N Pepa, etc).

- Prog Rock chama uma caixa com um inusitado ponto de interrogação, sob o qual aparece o nome do maluco Frank Zappa.

- O início de tudo, ao final revelado no lado esquerdo da lousa, é o Country, o Blues e, indiretamente o Jazz. Deles, surgem o Folk (Woody Guthrie), que tem Bob Dylan como o conector com  Folk Rock, o Rockabilly (Elvis, Buddy Holly, Eddie Cochran), que influenciou as bandas inglesas, e o Rythim and Blues (Chuck Berry, Bo Didley, Little Richard), que abasteceu tanto o Rockabilly e o Doo Wop quanto o distante Hard Rock (o Zep foi beber direto na fonte).

Acho que há nomes suficientes para pesquisar por meses e meses o melhor da música dos últimos 60 anos, não? Mas melhor do que ler tudo isso é checar diretamente na fonte. Por graça de Elvis Presley, alguém no set tirou uma foto do quadro todo preenchido. Deleite-se:
















Acho que é isso. BLOGIE é o único veículo que dá tratamento de Cidadão Kane para Escola de Rock. Como canta Black na canção original, "rock não tem razão, rock não tem rima". Simplesmente existe.

Espero que tenha gostado.

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The real Guns'n'Roses Experience

quarta-feira, 17 de março de 2010 - 0 Comentários

Resumo da semana do Guns'n'Roses no Brasil: os caras deram bolo no "show surpresa" que aconteceria numa boate, onde rolou uma briga entre roadies do Guns e público frustrado (equipamento quebrado, etc); no sábado, em São Paulo, atraso de três horas e show correto; no Rio, no domingo, palco desaba e show é cancelado.

Toda vez acontece algo parecido. Em 1992, fui ver o Guns'n'Roses. Numa sexta-feira, após umas oito horas na fila, o show foi cancelado em razão da chuva e da enchente que tomou o Anhembi. Mesmo com a água nojenta que transbordava do rio Tietê chegando aos nossos joelhos, continuamos na fila por mais 24 horas, aguardando pelo dia seguinte. No sábado, o show aconteceu lindamente: a banda entrou sem atraso, estava no seu auge e fez um show incrível de três horas de duração... até que, já no bis (Paradise City, claro), alguém jogou um copo plástico em Axl Rose. Ele ficou gritando "stop! stop! stop!" tresloucadamente até que a banda o obedecesse. Então gritou, pausadamente: "Good night... and fuck you!" - e jogou o microfone para a galera. Fim de show.

(Uma matéria na VIP deste mês fala desse incidente - e traz inclusive uma entrevista com a moça que levou a microfonada na cabeça! Clique aqui e leia um trecho da matéria!)

Bem, o show do Guns em São Paulo no último domingo mostra um Axl Rose mais maduro. Submetido à mesma situação de 17 anos atrás, ele se mostrou alguém mais aberto à conversa, mais compreensivo... vejam só:



Num gesto de reciprocidade entre nações, vou repetir o que disse o Obama sobre o Lula:  eu adoro esse cara. Ele é completamente pinel.

Esta é a verdadeira experiência em matéria de Guns'n'Roses. O desajuste do Axl Rose é o motor da coisa. Essa banda não pode virar um Deep Purple, um Black Sabbath, um The Who, que ficam se arrastando de maneira profissional e sem personalidade por palcos cada vez menores e para públicos cada vez menos empolgados.

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Lista: rock no cinema

segunda-feira, 15 de março de 2010 - 4 Comentários

O rock'n'roll está associado ao cinema desde antes do seu nascimento. O padrão de comportamento e o vestuário básico dos primeiros roqueiros foi definido por Marlon Brando e James Dean em filmes como Sindicato dos Ladrões e Juventude Transviada, ambos lançados meses antes do do primeiro compacto de Chuck Berry. Já em 1956, acompanhando o frisson em torno do novo ritmo, o cinema faturou com The Girl Can’t Help It, filme que celebrizou (ou surfou na onda de) Little Richard, Eddie Cochran, Fats Domino e mais um monte de gente.


Veja o trailer do eufórico e orgulhoso veículo de divulgação do rock'n'roll: The Girl Can't Help It, com Jayne Mansfield!


No entanto, são poucos, muito poucos os bons filmes sobre rock ou dentro de um contexto de rock. Esta lista se propõe justamente a garimpar esses raros exemplos.

Abaixo, BLOGIE lista os 10 melhores filmes de rock de todos os tempos. Coisas como The Song Remains the Same e Rattle and Hum não valem, pois são shows que foram lançados em cinema para promover ou demonstrar a grandeza de suas estrelas (Led Zeppelin e U2, respectivamente). Documentários, como Woodstock - 3 dias de Paz, Amor e Música e Imagine: John Lennon também não são elegíveis. A lista abaixo traz só filmes, sendo "filme" algo fictício, com roteiro, direção, falas - e, neste caso, alto e bom som.


A lista:


1- Os Reis do Iê-Iê-Iê (A Hard Day's Night, 1964)


2- Quase Famosos (Almost Famous, 2000)
Leia aqui o comentário de BLOGIE sobre a melhor cena de "Quase Famosos" (trilha by Sir Elton John)!


3- Alta Fidelidade (High Fidelity, 2000)
Leia aqui tudo o que você precisa saber sobre Nick Hornby, autor de "Alta Fidelidade"...


4- The Wonders (That Thing You Do!, 1996)
Reveja a cena em que os Wonders ouvem sua música tocando no rádio pela primeira vez!


5- Febre de Juventude (I Wanna Hold Your Hand, 1978)
Leia aqui o comentário de BLOGIE sobre "Febre de Juventude"!


6- The Doors (1991)
Leia o comentário sobre a edição em DVD do filmaço de Oliver Stone!

7- Vida de Solteiro (Singles, 1992)

8- The Ruttles - All You Need Is Cash (1978)

9- Rock Star (2001)

10- Rock'n'Roll High School (1979)


A partir da semana que vem, BLOGIE comentará alguns dos filmes acima (aqueles que ainda não ganharam comentários por aqui). Pra começar, na próxima semana, o pai de todos os filmes de rock: Os Reis do Iê-Iê-Iê, tradução idiota para o sensacional A Hard Day's Night, primeiro filme dos Beatles.

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"Simplesmente Complicado": vida sexual ativa depois dos 60

segunda-feira, 1 de março de 2010 - 2 Comentários

Um bom programa inofensivo para levar a namorada no sábado à noite: Simplesmente Complicado, a nova comédia de Nancy Meyers, que já vinha do sucesso Alguém Tem que Ceder.

A fórmula se repete: se, no primeiro filme, foram escalados Jack Nicholson e Diane Keaton como os sexagenários que arrumam namorada/namorado trinta anos mais novos (até se descobrirem apaixonados), para Simplesmente Complicado Meyers recrutou ninguém menos que Meryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin. Streep é a mãe de família cujo ex-marido (Baldwin, em estado de graça) a trocou por uma mocinha. Dez anos se passam e eles começam a se tratar com alguma cordialidade.


















A vida aos 60: festas, maconha, vinho a rodo e sexo livre - sem mencionar os óculos de leitura e muitas idas ao médico.


Até que, na formatura do filho mais novo, eles acabam engatando uma conversa, e abre um vinho, abre outro vinho... e pronto: vemos Meryl Streep na estranha condição de amante do ex-marido. A atriz tira todo o humor óbvio que existe na situação - servindo-se, para isso, da sua reputação de grande dama do cinema americano em situações ridículas (artifício já usado em Mamma Mia!)-, mas também injeta sua habilidade dramática para evitar que a coisa se transforme numa farsa bizarra.

Pra complicar o que já era complicado, um arquiteto que também passou por uma separação conturbada, vivido por um Steve Martin todo quadradinho e contido (uma projeção do seu personagem de Antes Só do que Mal Acompanhado, vinte anos depois?), entra na jogada e vira o novo namorado de Meryl - despertando ciúmes do hoje bonachão Alec Baldwin, responsável por uma cena cômica digna de Os Três Patetas ou congêneres.

O resultado é um filme infinitamente agradável, com situações engraçadíssimas, capazes de fazer a sala de cinema eclodir em gargalhadas por uma boa dúzia de vezes. E a maior delas acontece durante uma festa, em que Meryl e Martin dividem um baseado e dão um show (de interpretação, de dança, de papo-cabeça, de larica...) - só vendo pra crer.


Veja o trailer de Simplesmente Complicado (a música é de Crosby, Stills & Nash, já devidamente recomendada anteriormente em BLOGIE)

No mais, é dado bom destaque a uma trilha sonora de responsa, formada por clássicos da música americana dos anos 60 e 70, que fizeram a juventude dos personagens , da diretora e do elenco de Simplesmente Complicado: Tom Petty (Don't Do Me Like That), Beach Boys (Wouldn't It Be Nice), Crosby, Stills & Nash (Suite: Jude Blue Eyes)... e uma pitada de anos 80 na tal cena da festa (Fine Young Canibals, com Good Thing).

Como hoje é segunda-feira, não poderia deixar passar a oportunidade de relembrar alguma música antiga. Aí vai a canção de maior destaque no filme (afinal, são as lembranças que ela traz que deflagram o tal caso extraconjugal):


Tom Petty & The Heartbreakers ao vivo, tocando Dont't Do Me Like That (trilha sonora oficial do adultério de Alce Baldwin com sua ex-mulher).

Voltando a Simplesmente Complicado: vale o preço do ingresso, da pipoca e da Coca gigante. Valeria também uma indicação ao Oscar para Meryl Streep (trata-se de um trabalho muito melhor do que o que ela fez em Julie & Julia ou mesmo em Mamma Mia!) e, quem sabe, uma indicação para coadjuvante para Alec Baldwin, que, hoje, vive a melhor fase da sua carreira, servindo-se da sua decadência física e de um talento cômico que sempre esteve lá, mas que não dava ibope na época em que ele era o galã do momento...

Boa diversão!

P.S.: aviso aos interessados que, a partir de amanhã, só Oscar neste blog. Falarei de O Segredo dos Seus Olhos (meu preferido para filme estrangeiro), Guerra ao Terror, Coração Louco (Jeff Bridges arrebentando) e, claro, meus palpites sobre quem leva as estatuetas douradas na cerimônia do próximo domingo, dia 07 de março.

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Trilha Sonora no ritmo do Oscar - 1

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 - 2 Comentários

Pra começar a semana, vamos de uma música indicada ao Oscar de melhor canção - em 1991. Os anos 80 tinham terminado, o grunge ainda não tinha dado as caras e a banda que mais vendia discos e enchia estádios pelo mundo tinha dado um tempo. Seu guitarrista, Richie Sambora, gravou um disco de blues-rock, com convidados como Eric Clapton. Seu tecladista, David Bryan, gravou um disco com composições próprias, dando os primeiros passos para sua futura carreira como autor de musicais da Broadway.

E o cantor da banda topou preparar um disco inteiro que serviria de trilha sonora para um western com Emilio Estevez, Kiefer Sutherland e um monte de outros jovens atores de destaque. O filme era Jovens Demais Para Morrer, que conta a história de Billy the Kid. Nada de mais, veja o trailer:



Bom, o que interessa é mesmo a trilha sonora. O tal cantor é Jon Bon Jovi, líder da banda que carrega seus sobrenome. E a música que quase levou o Oscar é Blaze of Glory, um som que, machos do mundo, baixem a guarda!, podemos finalmente admitir, é nota dez e ponto final. Veja a performance de Jon no Oscar (na hora H, o resto da banda veio junto pra dar uma força):



Diga aí, o cara foi o galã das menininhas (e das balzacas de hoje) e foi tirado de brega pela geração Nirvana e tudo mais mas... canta muito, não?

Detalhes: além do reforço de Richie Sambora com sua guitarra competente e sua ótima voz de fundo, Jon contou na apresentação com o guitarrista Whaddy Mitchell (Stevie Nicks, James Taylor) no slide guitar.

Reforços justos, considerando que quem gravou as guitarras no disco foi o lendário e genial Jeff Beck.

Não levou o Oscar (uma música do filme Dick Tracy, defendida ao vivo por Madonna, ganhou), mas merecia - especialmente se lembrarmos que havia pelo menos outras duas faixas no disco que poderiam concorrer em igualdade com Blaze of GloryMiracle (cujo vídeo, que mostra Jeff Beck solando,  fez sucesso na MTV) ou Santa Fe (uma das preferidas do "núcleo duro" dos fãs-clubes).

Enfim, comprei um blu-ray de um show recente do Bon Jovi e entrei numa nostalgia pesada da adolescência.

Boa semana!

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Sobre Ferris Bueller, Zooey Deschanel e Smiths

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 - 3 Comentários

O Carnaval será usado por este blogueiro avesso a bailes, micaretas e folias em geral para zerar a leva de filmes do Oscar. É uma longa tradição, e a ansiedade é comparável à de uma colegial às vésperas de ir pra Salvador no trio do Chiclete ou algo que o valha.

Mas o momento é de respirar fundo e pensar no que realmente deu alegria em 2009. E, apesar de coisas ótimas como Bastardos Inglórios e Amor Sem Escalas e À Deriva, o que guardarei pra sempre na memória é mesmo 500 Dias com Ela.

Uma das cenas que me ficou na memória (entre tantas) é uma em que o rapaz aumenta o som da sua estação de trabalho, pra ver se a Summer (Zooey Deschanel) nota que ele está ouvindo Smiths - na verdade, pra ver se ela nota que ele existe.

A cena não tem nada de mais - mas a música, ah, a música... Please, Please, Please (Let Me Get What I Want), clássico singelo da banda inglesa mais amada depois dos Beatles, é daquelas que grudam na sua cabeça com apenas dez segundos de exposição - e nunca mais vão embora.

Ouça uma versão ao vivo da banda de Morrisey e Johnny Marr, com direito a um solinho de guitarra melódico e cortante no final. É curtinho, vale a pena:



Meses se passaram desde que vi o filme, a música ficou lá, martelando: "please, please, please... let me, let me, let me..." - e algo me remetia a outra cena memorável de outro filme que nunca mais saiu da minha memória RAM:  Curtindo a Vida Adoidado.

A comédia juvenil de John Hugues, lançada em 1986, é hoje um filme mitológico, com seu protagonista Ferris Bueller tendo sido promovido a ícone pop. A cena a que fui remetido é aquela em que Ferris, sua namorada e seu amigo passeiam pelo Museu de Chicago, no meio do seu "dia de folga". Eles andam entre Picassos e Matisses, ao lado de crianças de excursões escolares, namoram na frente de vitrais e Cameron, o amigo solitário, pira na frente da obra-prima do pontilhismo, Domingo no Parque (de George Seurat).



Coisa linda, não? E a música, percebeu?

É a mesma Please, Please, Please (Let Me Get I Want), aqui em uma versão instrumental do Dream Academy.

Que é a coisa mais distante que consigo pensar de qualquer tipo de sentimento carnavalesco.

OK, vai, uma pontinha de melancolia antes da esbórnia não vai atrapalhar nada o pé na jaca dos amigos de BLOGIE. Mandem ver, moçada!

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The Who, trilha sonora da adolescência

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 - 2 Comentários

Pra começar a semana, vamos de uma banda que tocou em Woodstock, que atravessou os anos 70 como grande atração do rock de arena, que inspirou o punk rock e que viu seu vocalista arriscar umas incursões no cinema, como ator. Com dois sobreviventes, essa banda fez o show do intervalo de ontem do Super Bowl, o grande evento dos EUA (é a final do campeonato de futebol americano).

Falo do The Who, claro.

Aqui, no auge, num show de 1977, em Killburn. A melhor gravação do Who ao vivo, e um dos melhores shows já filmados da história (há um DVD e uma versão importada em Blu-Ray desse show, chamado The Kids Are Allright). Curta:



A música é Baba O'Riley, do melhor disco do Who, Who's Next?. Canção que já foi usada em vários filmes, graças ao seu refrão irado, que brada repetidamente "Teenage wasteland! Teenage wasteland!"...

Já foi mostrada aqui no BLOGIE a cena de O Verão de Sam, do Spike Lee, em que Adrian Brody faz um punk ítalo-americano que incomoda sua vizinhança de machões. Outros usos famosos da música: Slackers, Febre de Bola (a versão inglesa do livro de Nick Hornby, uma raridade!) e, mais recentemente, a genial comédia juvenil Show de Vizinha. Baba O'Riley é usada como trilha do preenchimento do álbum de formatura que o nerd Emile Hirsch encara, após um ano de descobertas em companhia da sua romântica namoradinha que escapou da indústria da pornografia.

Mas bacana mesmo é ver o Super Bowl, sempre com atrações do primeiro escalão. O Who continua mandando bem, hoje e sempre.

Boa semana!

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Euforia nos anos 60: "The Wonders"

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 - 4 Comentários

Uma cena mágica: nos anos 60, a bandinha de garagem The Wonders, duma cidadezinha qualquer, tem sua canção tocada pela primeira vez no rádio. Os integrantes da banda vão descobrindo aos poucos e, intuitivamente, todos se encontram na loja de eletrodomésticos do pai do baterista. Euforia difícil de ser igualada:



O filme é The Wonders, de 1996, dirigido por Tom Hanks (que faz uma ótima participação, como executivo da gravadora Play-Tone). Várias coisas fizeram esse filme funcionar:

1- A direção genuinamente humana de Hanks, interessado acima de tudo nos personagens;

2- A música, That Thing You Do!, é uma pequena obra-prima pop. Se tivesse sido criada nos anos 60, teria feito tanto sucesso.

3- Liv Tyler: ela segura o filme como a única fonte de tensão e competição dentro do grupelho de rapazes talentosos, mas desfocados e ingênuos.

Pra terminar, Hanks soube juntar muitos dos elementos do folclore da indústria pop, retratando-os de maneira didática e inteligente: as bandas de um sucesso só; os empresários com suas receitas de popularização; os bastidores de turnês, estúdios e programas de TV... o modus operandi do "fazer a América" - à maneira dos Beatles, da Motown, do Led Zeppelin e de todo mundo que veio depois - é esmiuçado com muita classe.

Enfim, Tom Hanks deveria dirigir mais filmes.

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Trilha sonora para entrar de sola em 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 - 2 Comentários

BLOGIE começa o ano com pouco papo e ligado no 220: aqui está o Van Halen, que já foi a banda mais pra cima e cheia de energia do planeta, na flor da idade, em 1979, durante a lendária Van Halen World Invasion Tour:



A música é Dance the Night Away, trilha obrigatória de festinhas, bebedeiras e viagens (pelo menos as minhas) ao longo dos últimos trinta anos. Esta é a banda que Spicolli, o clássico personagem maconheiro de Sean Penn em Picardias Estudantis (1981), contratou para seu aniversário após ter recebido 1 milhão de dólares como prêmio por ter salvo Brooke Shields de um afogamento.

Eu não saberia gastar melhor essa grana.

Este é o vibe de BLOGIE para o ano que se inicia.

E vamos ao cinema, porque o Globo de Ouro está aí: 17 de janeiro. E a temporada do Oscar fica um pouco mais longa: a cerimônia será apenas em 07 de março, para não coincidir com o encerramento das Olimpíadas de Inverno...

Daqui até lá, muitos, muitos filmes... BLOGIE tentará dar conta de todos!

Um bom ano para quem acompanha este espaço!

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Uma canção natalina que é bacana

terça-feira, 22 de dezembro de 2009 - 4 Comentários

No Natal de 1984, não houve concorrência: o hit de fim de ano foi Do They Know It's Christmas?, do Band-Aid. Para este blogueiro, a canção de Natal definitiva.


E quem era Band-Aid?















Band-Aid: não é por falta de gente que um sucesso lhes faltaria...

Trata-se da turma de grandes astros da música britânica reunida por Bob Geldof, numa iniciativa pioneira e que fez escola. Hoje virou carne de vaca reunir astros em torno de uma causa, mas aqui foi onde tudo começou.


Bob Geldof era o líder de uma banda pós-punk no máximo mediana - Boomtown Rats -, que ganhou certa fama por ter estrelado o filme Pink Floyd - The Wall (não que ele tivesse algo a ver com rock progressivo), fez algum sucesso com seu hit I Don't Like Mondays, mas que se tornou uma lenda por ter se sensibilizado com um documentário da BBC sobre fome na África.


Após se informar sobre o assunto, Geldof teve a grande ideia: escreveu uma música, mas não só isso, reuniu seus amigos, gravou a música, lançou o disco no Natal e levantou uma grana para ajudar a mitigar a fome na África. Meio ano depois, reuniu mais gente ainda e botou de pé o Live Aid, o enorme festival simultâneo em Londres e na Philadelphia, com gente do calibre de Paul McCartney, Led Zeppelin, David Bowie, Madonna, Bob Dylan, Mick Jagger, The Who, Queen, U2 e muitos, muitos outros.


Mas o objetivo deste post é esmiuçar a canção que deu início a tudo: Do They Know It's Christmas é uma baita música; bem produzida, refrão irresistível, bela letra. E é cantada por gente de primeiríssima qualidade. BLOGIE aproveita para decifrar para o leitor, verso a verso, quem é quem no clássico composto por Sir Geldof.

Primeiro, o vídeo-clipe, do qual jamais me cansarei:



Agora, a doença: para cada verso, BLOGIE identifica o(s) cantor(es) responsável(eis) e qual o sucesso de cada um na época da gravação.

Paul Young (Everytime you go):

It's Christmas time
There's no need to be afraid
At Christmas time
We let in light and we banish shade

Boy George (Culture Club, Do You Really Want to Hurt Me?):

In a world of plenty
We can spread a smile of joy
Throw your arms around the world
at Christmas time

(e aqui aparece Phill Collins, na bateria)

George Michael (Careless Whisper):

But say a prayer
Pray for the other ones
At Christmas time it's hard

Simon Le Bon (Duran Duran, Save a Prayer):

But when you're having fun
There's a world outside your window

Sting (The Police, Every Breath You Take) se junta a Simon Le Bon:

And it's a world of dread and fear
Where the only water flowing is

Bono (U2, Pride) se junta a Sting:

The bitter sting of tears
And the Christmas bells that ring there
Are clanging chimes of doom

Bono, solo:

Well, tonight thank God it's them instead of you!


Todos:

And there won't be snow in Africa this Christmas time
The greatest gift they'll have this year is life
Where nothing ever grows
No rain or river flows
Do they know it's Christmas time at all?

Ponte (todos cantam o começo da frase, Paul Young completa):

Here's to you / raise a glass for everyone
Here's to them / underneath that burning sun
Do They Know it's Christmas time at all?

Refrão (moçada toda, o mundo todo, repetindo mil vezes):

Feed the world,
Let them know it's Christmas time

Bacana, não?

O que acho mais admirável nessa iniciativa é a auto-suficiência da turma de Geldof: ao invés de apelarem para Clapton, McCartney, Elton John, etc, resolveram se virar com os jovens astros da sua própria geração (cabendo observar que Bono, Sting e Duran Duran se tornaram tão lendários quanto os dinossauros). Na banda que gravou o sucesso, e no coro que imortalizou o refrão, integrantes de bandas como Ultravox, Spandeau Ballet, Bananarama e Culture Club (além das já citadas). New wave, new romantic e outras "novidades" de cabelo estranho e cores vivas.

Pra terminar, Do They Know It's Christmas? provocou ciúmes do outro lado do Atlântico e, por influência de Bob Geldof, Lionel Richie procurou Michael Jackson para compor We Are the World e dar a contribuição ianque para o combate da miséia na Etiópia e adjacências.

Mas isso é assunto para outro post.

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Estreia: "Aconteceu em Woodstock", de Ang Lee

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 - 2 Comentários

Dica rápida para a sexta-feira: a estreia da semana é Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee. O cara já dirigiu Brokeback Mountain e Desejo e Perigo, e não para de fazer coisas diferentes.

Desta vez, resolveu mostrar a história real - e surreal - dos jovens que "organizaram", há 40 anos, o festival mais famoso de todos os tempos: Woodstock.

Veja o trailer:



O elenco é ótimo e traz sacadas como a escolha de Demetri Martin (um premiado comediante stand-up nova-iorquino, estreante na tela grande) como o protagonista. Martin demonstra carisma suficiente para segurar o filme, com um personagem que tem seu grande dilema: sair ou não sair do armário.
















Assumir ou não assumir?, eis a grande dúvida de um dos viabilizadores de Woodstock.


De quebra, para garantir a juventude necessária ao projeto, Ang Lee escala Emile Hirsch e Paul Dano, dupla de brothers nerds da comédia adolescente Show de Vizinha, e Eugene Levy, a esta altura uma lenda para a geração que adolesceu nos anos 90, graças ao seu eterno papel de pai do Jim, de American Pie.

Mas a grande sacada de Ang Lee é ter entendido que Woodstock, o festival, foi feito não por Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who e Creedence, mas pelos mais de 300 mil jovens gente-fina (também chamados, à época, de hippies, vagabundos, mendigos, drogados...) que tomaram a fazenda literalmente de assalto, entrando sem pagar, tirando a roupa, copulando livremente, rolando na lama e pouco se importando com a falta de condições básicas para a sobrevivência (saneamento, comida, água).

Por isso mesmo, Aconteceu em Woodstock não mostra um só segundo dos shows que se tornaram lendários do festival (para isso,  nada superará o documentário Woodstock - 3 Dias de Paz, Amor e Música, já devidamente comentado por aqui), mas mostra tudo o que antecedeu o evento e tudo que aconteceu em volta dos shows.

Há vários outros aspectos que merecem ser discutidos - por exemplo, a suposta "pureza" de propósitos do festival em oposição à real atuação de homens de negócios por trás de tudo; ou ainda a atuação soberba do personagem principal como intermediador entre a moçada hippie e os habitantes conservadores da cidadezinha. Vou tentar aprofundar em outro post.

Por ora, vamos ao cinema!

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Som da semana, direto da "Escola de Rock"

segunda-feira, 30 de novembro de 2009 - 1 Comentários

O som da semana pinga sem parar na cabeça ainda atordoada deste blogueiro. O show do AC/DC no Morumbi foi nota mil. A voz ainda está rouca. Os ouvidos, ainda zunindo. E me sinto como Jack Black no final da comédia Escola de Rock:



A música é It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock'n'Roll), do próprio AC/DC. Um final perfeito para um ótimo filme, cheio de citações nada superficiais e bem sacadas de muitos itens da mitologia do rock.

Minhas citações preferidas são as da Stevie Nicks e, claro, as do AC/DC, que estão nas roupas do Jack Black, nas canções e até embutidas em algumas falas.

O filme foi dirigido por Richard Linklater, um cara eclético (imagine que ele é o responsável pelos romances Antes do Amanhecer Antes do Entardecer). E talentoso.

Boa semana a todos!

P.S.: Vai, Mengão!

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Hoje é dia de rock: AC/DC no Morumbi

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 - 2 Comentários

Nesta sexta, não vou ao cinema. Mas posso ser encontrado onde todo mundo que gosta de rock MUITO alto estará: no Morumbi. Hoje, um sonho de infância se realizará e verei o AC/DC ao vivo.

Tudo começou em 1984: contava eu 9 anos, andei com uns caras inseridos na escola e cheguei em casa com um disco debaixo do braço. O disco ostentava o perigoso nome If You Want Blood (You've Got It). A capa deixou minha mãe preocupada com coisas inéditas, como drogas, violência e satanismo:
























Semanas depois, nomes como Angus Young, e então Eddie Van Halen e mais tarde Jimmy Page se tornaram deuses reverenciados com pôsteres, revistas e mais revistas e um violãozinho tosco que se esforça até hoje para reproduzir os ruídos dos heróis.

O tempo passou, assim como as dores de cabeça (constrangedoramente comuns aos onze, doze anos) decorrentes das imitações da performance do guitarrista do AC/DC. O meu menu musical se mantém em saudável e constante expansão (abraçando folk, MPB, jazz e outras coisas antes odiadas), o que abre espaço, inclusive, para sessões de nostalgia roqueira catárticas de tempos em tempos.

E hoje, como dizia o Zé Rodrix, ainda é dia de rock. O mundo mudou, eu também, o AC/DC também. O cantor beberrão do vídeo abaixo, Bon Scott, morreu há quase trinta anos, engasgado no próprio vômito. Mas é como um dos moleques agitados aí do vídeo que vou encarar uma muvuca no Morumbi: como se fosse 25 anos atrás.



A música é Riff Raff, do álbum Powerage, de 1976. É uma performance muito parecida com a que dá início ao tal disco ao vivo que levei pra casa na época do primário.

Ouvir AC/DC é um negócio que faz parte da formação macha de qualquer moleque, assim como ter uma briga na escola, folhear uma revista pornô ou aprender a arrotar mais alto no recreio. Coisas que não deixam ninguém mais nobre ou mais rico, mas que nos fazem ser respeitados nas horas mais difíceis.

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Folk à mineira: começando a semana com inspiração

segunda-feira, 23 de novembro de 2009 - 0 Comentários

Um som sincero pra começar a semana: Sá, Rodrix e Guarabyra, o trio que fundou o "rock rural" (rótulo meio besta dado às investidas brasileiras no folk rock americano misturado com MPB, nos idos dos anos 70). Aqui, eles apresentam um medley de três canções, cada uma composta por um dos integrantes (e todas grandes clássicos da música brasileira):



As canções são: Casa no Campo, do finado Zé Rodrix, que fez enorme sucesso na voz de Elis Regina; Caçador de Mim, de Sá e Tavito, que foi gravado por Milton Nascimento, 14 Bis e meio mundo; e Espanhola, de Guarabyra e Flavio Venturini, que ficou bem conhecida na voz do segundo (trilha da novela Que Rei Sou Eu?, se não me engano).

O mais bacana - e até tocante - é o final, em que eles arrematam com uma mistura dos três clássicos.

Gosto muito. É a mistura de dois gêneros que muito me agradam - o folk à Crosby, Stills & Nash e a MPB mineira do Clube da Esquina.

Boa semana a todos!

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Zooey Deschanel, a próxima grande estrela

terça-feira, 3 de novembro de 2009 - 7 Comentários

A VEJA publicou uma matéria de duas páginas sobre a Zooey Deschanel, aproveitando o gancho do lançamento, na próxima sexta-feira, de 500 Dias Com Ela, comédia romântica diferentona que foi a sensação do verão americano. A crítica Isabela Boscov aproveitou para rotular a estrela como "musa do homem romântico", daquele que se encanta mais com os enormes olhos de Zooey do que com a sacanagem escancarada de uma Megan Fox.

Bem, não quero me gabar, mas BLOGIE sentiu o cheiro desse fenômeno antes e declarou que Zooey será a próxima grande estrela de Hollywood. Relembre o post de 25 de junho deste ano:

http://vip.abril.com.br/cinema/2009/06/falando-em-zooey-deschanel.shtml

Bem, e isso faz de mim - e dos leitores que nutrem uma afeição especial pela moça - um "homem romântico"? Sinceramente, não me importo.

O ponto é que Megan Fox, Angelina Jolie e outras mulheres mais fatais, dessas que exalam sexo, não têm alguns dos tributos de Zooey, a saber:

1) Em Quase Famosos, ela sai de casa e deixa para o irmão sua coleção de discos. É Led Zeppelin, The Who, Simon & Garfunkel, Yes... Eu angariei a minha coleção com enorme esforço, e imagino o sonho que seria ter ganhado esse tesouro de uma gata com aqueles olhos me dando instruções detalhadas sobre como ouvir Tommy.

2) Em Sim, Senhor, ela surge como uma aparição para Jim Carrey, num momento sinistro: ele acabara de ficar sem gasolina, em uma área um tanto inóspita. Dá uma carona para o cara na sua scooter e vira sua namoradinha, dando uma graça superior a uma comédia que ficaria abaixo da média. Bem, eu já passei por uma situação de ficar sem gasolina durante a madrugada, e quem me deu uma carona até o posto mais próximo foram dois caras que fumavam maconha dentro de um Gol branco 1991. Confesso que confiaria mais numa bonequinha numa scooter do que em dois maconheiros, mas é a vida...

3) Ela canta no She & Him, um misto de folk com Beatles com Supremes - um som pra lá de agradável e nostálgico, que me dá a sensação de que estamos em 1964, e que não houve Jimi Hendrix, nem punk rock, nem hip hop. A vida é simples como um programa de auditório da Jovem Guarda. Nos sentimos em casa. Veja uma apresentação da dupla na MTV Canada:


"Estou sozinha numa bicicleta para dois", diz a cantora-atriz. Isso porque ela não pinta na nossa área.

4) Aqueles olhos.

Bom, além disso tudo, 500 Dias Com Ela estreia na sexta. Outro post tratará do filme, mas é bem previsível a minha dica para o final-de-semana, não?

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Trilha da semana: Van Halen dando um gás em "Twister"

segunda-feira, 26 de outubro de 2009 - 0 Comentários

A trilha proposta por BLOGIE para esta semana é agressiva: o filme é a grande bomba de 1996, Twister, de Jan De Bont (o mesmo diretor de Velocidade Máxima). A música é Human's Being, do Van Halen (heróis de infância deste blogueiro, algo que motivou meses de espera ansiosa pelo filme).



Pra falar a verdade, a guitarra de Eddie Van Halen é um dos únicos atrativos deste filme fraquinho. A introdução feita por uma orquestra valoriza bastante a canção, e não seria má ideia lançar uma versão completa numa dessas coletâneas da vida...
De resto, o filme traz como curiosidade a participação de Alan Ruck, o Cameron de Curtindo a Vida Adoidado, outro ícone da infância que estava sumido (e que sumiu de novo depois de Twister).

Este é o espírito da semana: guitarra distorcida, amplificador no último volume e pé no acelerador. Pau na máquina, como diz meu pai!

Boa semana para os amigos do BLOGIE!

P.S.: Justiça seja feita, os efeitos especiais dos tornados são muito bacanas. Em especial, é legal a cena de um furacão que chega na calada da noite, arrebentando um cine drive-in que exibia O Iluminado, do Stanley Kubrick. O furacão arrebenta a tela no mesmo momento em que Jack Nicholson arrebenta a porta (here's Johnny!)...

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Trilha da semana: The Clash arrebentando em "Ligeiramente Grávidos"

segunda-feira, 19 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Já falei algumas vezes que muito me agradam as comédias do Judd Apatow e da sua turma de astros não exatamente convencionais, como Seth Rogen e Jonah Hill. E a melhor de todas é Ligeiramente Grávidos, na minha opinião a melhor comédia desta década.

A trilha da semana é pinçada de uma cena chave desse filme - aquela em que Katherine Heigl entra em trabalho de parto. O som escolhido é o urgente e acelerado Police on My Back, daquela que foi chamada de "a única banda que importa" na virada da década de 70 para a de 80: The Clash.



Não consegui a cena, mas a qualidade de som está ótima, assim como a montagem com as fotos da banda de Mick Jones e Joe Strummer.

Boa semana a todos!

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Trilha da semana: Stevie Nicks e Tom Petty, feitos um para o outro

segunda-feira, 12 de outubro de 2009 - 0 Comentários

Vídeo para começar muito bem a semana. Stevie Nicks e Tom Petty, acompanhados dos Heartbreakers, em 1981. A música é Stop Draggin' My Heart Around.



Dois ícones americanos no auge. Naquela época, Nicks lançava seu primeiro disco fora do Fleetwood Mac. A Rolling Stone a botou na capa e a chamou de rainha do rock'n'roll. Petty, que lançava seu melhor disco - Hard Promises, que o colocou como ponta-de-lança de uma geração brilhante de compositores americanos  (Bruce Springsteen, Jackson Browne...) -, cedeu essa canção para a moça. Gravaram juntos. Fizeram o vídeo, para um canal de TV novo, que acabara de ser lançado: MTV.

Foi o sucesso do ano. A história estava feita.

Acho que nunca usaram essa música como tema de filme. É um erro.

P.S.: no You Tube, você acha uma versão dessa música mais recente, com a Joss Stone e o Rob Thomas, do Matchbox 20. Vendo, dá pra entender o valor da parceria Nicks / Petty. Ninguém precisa se esgoelar nem fazer caras e bocas pra mandar bem. Artista seguro do seu talento é outra coisa.

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Trilha da semana: "Picardias Estudantis"

segunda-feira, 28 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Volta às aulas na Ridgemont High. Fundava-se, ali, a tradição dos filmes de high school americanos.



O ano: 1981.O filme: Picardias Estudantis, escrito por Cameron Crowe (futuro diretor de Vida de Solteiro, Jerry Maguire e Quase Famosos) e dirigido por Amy Heckerling (que renovaria o gênero nos anos 80, com Patricinhas de Bervely Hills).

A música é American Girl, do Tom Petty and the Heartbreakers.

A letra ("she was an american girl, raised on promises!") entra no exato segundo em que Jennifer Jason Leigh aparece, perdida, nos corredores da escola. Essa grande atriz, então uma adolescente, é só uma das revelações de Picardias Estudantis.

Outras são Eric Stoltz, Nicolas Cage, Forrest Whitaker, Phoebe Cates, Judge Reinhold e, principalmente, o grande Sean Penn, como o maconheiro Spicoli - o primeiro de sua coleção de grandes personagens.

Tudo certo nesse baita filme, que captou a época como poucos. Foi o primeiro a reconhecer o shopping center como o habitat natural do adolescente, e foi um dos primeiros a enaltecer a primeira transa como objetivo de vida do adolescente (tema único desde então). Teve trilha sonora perfeita, que, além da música de Tom Petty, conta com vários outros clássicos do new wave e do rock mais mainstream.

Veja o trailer!


E foi baseado no romance escrito por Crowe, então jornalista da Rolling Stone, que pediu demissão e se matriculou no colégio para escrever o livro.

Se você é da geração criada à base de American Pie: não deixe de conferir! Por outro lado, se você é daqueles que sempre julgou esses filmes de high school uma grande bobagem... não perca Picardias Estudantis. É a manifestação mais despretensiosa da arte de captar a essência da juventude de uma época.

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