Blogie - Cinema na VIP

Na TV: "Serpico", com Al Pacino

sexta-feira, 31 de julho de 2009 - 5 Comentários

Nada de novo no cinema (o filme a ser visto ainda é Inimigos Públicos, de Michael Mann). A pedida de hoje está na TV, e é uma raridade: Serpico, um dos grandes filmes dos anos 70 - e um dos que se perderam com o tempo (por exemplo, nunca foi lançado em DVD no Brasil). O filme será exibido na TCM, às 22:00.
























Pacino como Serpico: ícone dos anos 70 (esta foto está na parede do quarto de Tony Manero, personagem do John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noite).

O filme, dirigido por Sidney Lumet, traz Al Pacino como Frank Serpico, o policial dos sonhos dos liberais: um cara normal, fazendo seu trabalho e, que coisa!, incorruptível. Em Nova York, na década de 70, bem antes do "tolerância zero" - a cidade era um lixo. Como é um cara normal, e como estamos nos anos 70, ele anda barbudo e vestido feito um hippie, o que faz com que tenha mais facilidade para arrumar umas mulheres e fazer amigos, mas também faz com que seja visto como uma excrecência por seus colegas e superiores. Trabalhando à paisana, começa a ter sucesso nas suas missões de deter traficantes e outros bandidos.


Mas o problema aparece quanndo ele recebe seu primeiro envelope de dinheiro: a princípio, não entendendo tratar-se de suborno, leva para os colegas, depois para os chefões; depois, contrariando os conselhos de todos (ficar com a grana e fechar o bico), Serpico leva o caso às mais altas instâncias, provocando a ira de toda a corporação. Um tiro na cara é o mínimo que ele vai levar. A história é real, e o filme causou grande sensação quando do seu lançamento.


Veja o trailer de Serpico!

Sua jornada quixotesca ilustra a morte do sonho hippie e prenuncia a era Reagan: o sonho dourado de "uma vida melhor no futuro", "com gente fina, elegante e sincera, com habilidade de dizer mais 'sim' do que 'não'", estava acabando. Anos depois, John Lennon seria assassinado na mesma Nova York de Serpico e os EUA seriam jogados numa era de conservadorismo que acabaria, eventualmente, dando um jeito no problema da violência em NYC - mas à maneira de Rudy Giulliani, na base da porrada.

Bem diferente do jeito sonhado por Serpico, Lumet e o público idealista do início dos anos 70.

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Lista: melhores cenas de sexo explícito (ou quase)

quinta-feira, 30 de julho de 2009 - 6 Comentários

Na VIP deste mês, que acaba de chegar às bancas, você encontra uma matéria que traz as melhores cenas de sexo do cinema. O autor da matéria, Carlos Messias, entrevistou uma turma que entende do assunto: diretores de cinema como Bruno Barreto e Zé do Caixão, produtores da indústria pornô nacional e críticos de cinema de maior ou menor credibilidade (Sérgio Rizzo, da Folha de São Paulo, representa o primeiro grupo; este blogueiro segura orgulhosamente a bandeira do segundo). Essa turma votou e acabou elegendo clássicos do cinema sério com sacanagem, como O Império dos Sentidos e O Último Tango em Paris, entre outros.

Os filmes em que votei aparecem na matéria (fico feliz que meus votos tenham dado espaço nela para dois dos filmes!) que, no mais, ficou ótima. Compre o seu exemplar e confira!

Aproveitando, BLOGIE comenta os filmes que fornecem as suas cenas de sexo preferidas.

Cinema e sexo: uma reflexão rapidinha

Arte e sexo sempre conviveram no cinema, mas raramente há equilíbrio nessa relação. Quando a sacanagem é boa, o filme deixa a desejar; quando o diretor tem uma verdadeira obra-de-arte nas mãos, ele acaba afinando e amenizando as cenas de sexo, deixando aquela sensação de coitus interruptus.

Assim, as melhores cenas de sexo do cinema vêm de poucos e bons filmes, que vão do gênero pornô soft (aquele esquema Cine Privê, da Band) ao filme de arte, passando, é claro, pelo filme de sacanagem escancarada.

Aqui estão as eleitas do BLOGIE:


5- Nove Canções:















A história de amor entre um jovem inglês e uma estudante americana fez muito barulho pelas cenas de sexo explícito (foi o primeiro filme com cenas desse tipo a conseguir o certificado de exibição no circuito de cinema "normal" na Inglaterra), mas é um ótimo filme. A cena de sexo oral transborda sinceridade, parecendo muito mais real do que a coisa coreografada e sem graça de Brown Bunny, por exemplo. E, tudo isso, com trilha sonora de luxo: Primal Scream, Franz Ferdinand e outras bandas acompanham o rala-e-rola do casal. Curiosidade: a atriz Margot Stilley tentou usar um nome alternativo para não ficar marcada pelo filme, mas não teve jeito.


4- Deite Comigo:

Esse filme canadense (Lie With Me, no original) promete um Cine Privê e entrega muito mais do que isso. A atriz Laura Lee Smith faz um belo e desinibido trabalho. É o melhor representante da escola pornô soft, que traz representantes notáveis como Nove e Semanas e Meia de Amor, Corpo em Evidência e O Abraço do Vampiro, que cumpriram gloriosamente a tarefa de fazer Kim Basinger, Madonna e Alyssa Mylano tirarem a roupa.


3- Ata-Me:














Não há sexo explícito nesse grande filme de Pedro Almodóvar, mas Victoria Abril e Antonio Banderas passaram bem perto disso em três intensos minutos de sacanagem. Banderas é o fã obcecado que sequestra sua atriz pornô favorita (Abril) com o objetivo de fazê-la se apaixonar por ele. Depois de muito esforço e humilhação, ele é recompensado. E o espectador também.


2- Rio Babilônia:




















Um clássico formador da juventude brasileira, desde 1982. O filme bandido de Neville D'Almeida é impregnado de suor, cerveja e cocaína. E sexo. A montanha russa que passeia pelos morros, praias, festas e roubadas do Rio termina em grande estilo na piscina do casal milionário que promove um sexo a três com um estranho que acabara de conhecê-los. Denise Dumont, símbolo daqueles tempos de sexo livre e descompromissado, protagoniza a infame cena, durante a qual a coisa de fato esquentou e, como pode ser visto na tela, o ator Joel Barcelos não resistiu à visão da moça caindo de boca em Pedrinho Aguinaga e aproveitou para se divertir de verdade. Nenhum dos atores envolvidos nega o incidente.


1- New Wave Hookers:

























Filme de sexo bom ainda é o pornozão declarado. E o melhor de todos é o lendário New Wave Hookers, com as duas grandes estrelas pornô dos anos 80, Ginger Lynn e Traci Lords. Traci, descobriu-se depois, era menor de idade quando das filmagens, e o filme foi banido nos EUA e outros países (entre eles, o Brasil). Depois, foi relançado, sem as cenas com a musa. Hoje, para encontrar uma cópia do original em DVD, só no Canadá, que preferiu preservar o legado de Traci, caracterizada como o Demônio em lingerie vermelha, mandando ver.

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Prepare-se: vem aí "Titanic" em 3D

quarta-feira, 29 de julho de 2009 - 7 Comentários

Prepare o bolso e o estômago: James Cameron está preparando a versão em 3D de Titanic, o maior blockbuster de todos os tempos.

É óbvio que será um grande evento, e sua paquera / namorada / esposa não descartará uma ida básica ao cinema para curtir três longas horas de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet correndo dentro de um navio gigante afundando.

Pessoalmente, admito que as cenas do naufrágio em 3D poderão ser um grande espetáculo (imagine aquele cara que despenca lá de cima, quando o Titanic está perfeitamente perpendicular ao mar, pronto para afundar...). Também admito que teria um certo prazer em ver o DiCaprio, com gelinhos grudados no nariz, submergindo no mar gelado de maneira mais realista. Mas suspeito que três horas de ação em 3D pode causar avarias de ordem variada nas pessoas, como enjoos, crises de labirintite, etc.














DiCaprio indo a pique em 3D: até que não é má ideia...

Acho que este será o teste de ouro do cinema em 3D. Aí, veremos se ele é a tendência do futuro, o "formato vencedor" e que todos seguirão, ou se é apenas uma curiosidade para curtirmos de vez em quando (e notadamente em animações).

A conversão do filme para o formato levará 18 meses. Talvez seja o lançamento do Natal de 2010. Talvez fique pra depois.

PS: outra obra cuja conversão para 3D está sendo avaliada é a série O Senhor dos Anéis. Peter Jackson é entusiasta do formato e já declarou que só fará filmes em 3D. Daí, penso: se uns livros foram capazes de formar gerações de nerds, imagine o poder de nove horas de elfos e orcs em 3D... este mundo será transformado na Terra Média.

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Trilha sonora pra lavar a alma

domingo, 26 de julho de 2009 - 2 Comentários

Direto do fundo da memória: o filme é La Bamba, cinebiografia de Richie Valens, um dos astros da primeira geração de roqueiros, morto no mesmo acidente aéreo que pôs fim às vidas de Buddy Holly e Big Bopper. Valens é o cara que eternizou La Bamba e mais dois hits, Come On, Let's Go e a balada Donna.

A cena é a do funeral do cantor - vemos a mãe, a namorada e principalmente o irmão sofrendo a perda. Não seria grande coisa, se não fosse a trilha sonora... Confira:



A música é Sleepwalk, um instrumental lindo de guitarra gravado por Santo & Johnny, em 1959.

Ela também foi usada em um dos filmes malucos do Terry Gilliam, Os Doze Macacos. É naquela cena em que o Bruce Willis ouve, no rádio do carro, uma música que lembra sua infância. A própria.

Pra começar a semana com a alma lavada: veja os autores da pequena obra-prima, executando a belezinha com duas guitarras - uma normal, a outra deitada ("steel guitar", para os entendidos).




Boa semana!

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Estreia: "Inimigos Públicos", com Johnny Depp

sexta-feira, 24 de julho de 2009 - 2 Comentários

Já fazia um tempo que não tínhamos uma estreia forte na sexta-feira. Mas hoje temos notícia: Inimigos Públicos, de Michael Mann, com Johnny Depp, Cristian Bale e Marion Cotillard.

É o mais novo filme de gângster com potencial de entrar para o panteão do gênero. Depp já tinha aparecido no último grande filme de gângster, Donnie Brasco (com Al Pacino), mas, lá, ele era o policial bacana que se infiltrava na Máfia. Neste Inimigos Públicos, ele é John Dillinger, um bandido real que se tornou lenda durante a Grande Depressão (anos 30): em uma época de miséria total, os bancos viravam vilões e, quem os roubava, heróis.
























Johnny Depp: ele continua pegando os melhores papéis...


Conhecemos outros exemplos dessa época esquisita: Bonnie Parker e Clyde Barrow, por exemplo, se tornaram um ícone pop, reforçado pelo filme Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas, com Warren Beatty e Faye Dunaway, um marco dos anos 60. Outros bandidos famosos da Grande Depressão dão as caras em Inimigos Públicos: Pretty Boy Floyd e Baby Face Nelson (qual o lance com esses nomes engraçadinhos?).

A principal credencial do filme é seu diretor: Michael Mann, um sujeito que se especializou em filmar criminosos e que carrega uma reputação de ser o melhor nesse ofício. De fato, ele tem bons filmes nessa linha, como Colateral (aquele com o Tom Cruise loiro e mau) e Fogo Contra Fogo (famoso por ter juntado na tela, pela primeira vez, Al Pacino e Robert DeNiro) . Também conseguiu criar bons climas de suspense em O Informante. Mas não entendo essa lenda em torno do cara: esses triunfos não impressionam tanto e, para mim, o seu Miami Vice com Colin Farrel foi uma piada, e sua cinebiografia de Muhamed Ali, com Will Smith, pode ser considerada um escorregão. E ainda tem a aventura-pipoca O Último dos Moicanos, que todo mundo malhou (embora eu tenha gostado na época, se não me engano devido às mulheres bonitas). Quer dizer: é um diretor habilidoso e competente, mas longe de ser um gênio.


De qualquer modo, vamos lá, é um bom diretor, tem como protagonista Depp, o ator que melhor combina talento com celebridade, conta com um ótimo elenco de apoio (além de Bale, o sempre competente Billy Crudup faz o papel de J. Edgar Hoover, o pai do FBI) e traz a francesa Marion Cotillard como ela é e deve sempre ser: linda. Não há razão para não assistir. O trailer promete:



A crítica virá no final-de-semana.

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Raridade: Robert DeNiro em "O Poderoso Chefão"!

quarta-feira, 22 de julho de 2009 - 4 Comentários

Robert DeNiro ganhou seu primeiro Oscar, como ator coadjuvante, pelo seu sensacional desempenho como Don Corleone em O Poderoso Chefão - Parte II, de 1974. Pelo mesmo personagem, Marlon Brando ganhara seu segundo Oscar dois anos antes, no primeiro filme da série.

Mas o que poucos sabem é que, quando da produção do primeiro Chefão, DeNiro foi um dos candidatos ao papel de Sonny, o filho mais velho de Don Corleone.

O papel ficou com James Caan, um cara mais famoso (naquela época) e também talentoso, e perfeito para o papel.

Mas DeNiro deu um show no teste, como mostra o trechinho abaixo:



Muito boa a versão dele de uma fala que ficou famosa na boca de outro ator, na cena clássica em que os filhos e os capos da família Corleone discutem como se vingar dos autores do atentado contra o chefão.

Mais legal ainda é ouvir os risos da equipe que filmava os testes.

Ainda bem que Francis Ford Coppola guardou um lugar especial para o rapaz no segundo filme...

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À espera de Hemingway

terça-feira, 21 de julho de 2009 - 10 Comentários

Há exatos 110 anos, nascia Ernest Hemingway, o escritor mais macho da história e um dos mais importantes do século 20. Sua obra passeou por todos os principais conflitos humanos do século passado, sempre baseada na vivência pessoal do barbudo.
O que isso tem a ver com cinema? Deveria ter tudo...



























Hem: ele merecia ter filmes (bons) baseados nos seus romances!

E o Sol Também se Levanta
se divide entre Paris e o norte da Espanha, onde Hem e seus personagens enchiam a cara de vinho e corriam dos touros na rua, para depois ver as touradas.

Adeus às Armas baseia-se na experiência do autor como piloto de ambulância voluntário no exército italiano, durante a 1ª Guerra Mundial.

Por Quem os Sinos Dobram traz uma outra versão de Hemingway, como o especialista em explosões que luta contra os fascistas na Guerra Civil Espanhola.

Do Outro Lado do Rio, Entre as Árvores começa numa enevoada Veneza, durante a 2ª Guerra.

O Velho e o Mar conta a luta do velho pescador contra o peixe impossível de ser pescado, em Cuba, onde o escritor passou uns anos tomando seus mojitos.


Tanta coisa legal, tanta aventura, e nenhum filme que preste baseado na obra do cara. Ô, Hollywood, vamos investir um pouco e bancar um épico decente? As versões clássicas de Adeus às Armas (brega) e Por Quem os Sinos Dobram (limitada) não valeram. Queremos mais.

São meus votos para o 110º aniversário de Ernest Hemingway.

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Dia do amigo: breguices à parte, vale um filme

segunda-feira, 20 de julho de 2009 - 2 Comentários

Bom, alguém um dia inventou que 20 de julho seria o "dia do amigo".

OK, a coisa é cafona, mas aqui no BLOGIE, como nas mesas dos melhores bares, tudo é motivo pra puxar uma conversa.

Já falei várias vezes de filmes que tocam no tema da alta brodagem masculina (Butch Cassidy & Sundance Kid, Trainspotting, Brincando de Seduzir, Procura-se Amy...).

Há muitos outros que merecerão comentário mais cuidadoso por aqui: Era Uma Vez na América, Role Models (um filme recente e que nem foi lançado no cinema...), além, é claro, das comédias do Billy Wilder com a dupla Jack Lemmon e Walter Mathau...

Mas a minha cena preferida de todas, e que merece citação nesta data "especial", está em Quase Famosos, do Cameron Crowe. O filme trata do menino adolescente que, no meio dos anos 70, é contratado pela Rolling Stone para escrever sobre sua banda preferida - a fictícia Stillwater.

A moçada do Stillwater, como toda banda que se preza, briga a torto e à direita, se xinga, se separa, um come a mulher do outro - e no final tudo acaba em pizza.

A melhor cena do filme é aquela em que Russel Hammond (Billy Crudup), depois de brigar com a banda toda e de ter passado uma noite fora na balada (com bebida a rodo e LSD), é resgatado pelo ônibus da turnê. Silêncio no busão, aquele clima pra baixo, o cara no auge da bad trip, e o rádio começa a tocar uma música do Elton John: Tiny Dancer. Aos poucos, a trupe toda (a banda, suas groupies e agregados) começa a cantar a música - e a paz volta a reinar no mundo do rock'n'roll.


Que música é essa? Elton John, Tiny Dancer, do disco Madman Across the Water, de 1971.

Porque amizade de brother é assim: não tem que pedir desculpas, nem nada: bastar dar um soco no braço e deixar rolar, bola pra frente.

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Dossiê VIP: Evan Rachel Wood

Uma das atrizes mais interessantes, bonitas e malucas do momento é Evan Rachel Wood.
























Reconhece? É aquela menina revelada em Aos Treze, como a pré-adolescente que, sob as piores influências e uma certa falta de noção da mãe, acaba virando uma depravada barra-pesada. Um filmaço.

Mais tarde, ela foi se tornando moça, aparecendo em uns filmes independentes, e aí estrelou aquele vídeo-clipe maneiro do Green Day, When September Ends, no qual ela é a namorada do soldado Jamie Bell (outro astro pré-adolescente crescido: é o menino de Billy Elliot), que foi pra guerra e todos ficam tristes com o amor juvenil interrompido. Na época, os dois atores engataram um namoro.

E aí veio Across the Universe, aquele filme cheio de músicas dos Beatles, e ela é a Lucy, e ela canta lindamente, e é linda, e dorme pelada no sofá, enquanto o ator Jim Sturgess, tão deleitado quanto nós, canta Something, do George Harrison. Com coro deste lado da tela. Muito apropriado: Harrison, que escreveu a canção para outra loira maravilhosa (Pattie Boyd, musa também de Eric Clapton em Layla e Wonderful Tonight), certamente aprovaria.


Veja Evan cantando If I Fell, dos Beatles, em Across the Universe!

A partir daí, as atenções do mundo se viraram para a moça, que tem alto potencial de se tornar "a próxima grande estrela".

Contra isso, apenas o fato de que ela é uma notória maluca, dessas atrizes que sentem a necessidade de engatar um papo-cabeça sobre "a integridade da arte" ou algo que o valha, e que acha que namorar um cara bem escroto, tipo o Marylin Manson, é algo que "acrescenta", assim, como se fosse verbo intransitivo.
























Um estranho casal: Rachel Wood e Manson

É verdade: ela manteve um romance (?) de dois anos com o bizarro roqueiro, cujo maior feito foi ter supostamente retirado duas costelas para conseguir praticar sexo oral consigo mesmo. No mais, estrelou um vídeo-clipe de Manson, Heart-Shaped Glasses, no qual há uma cena de sexo que, diz a lenda, foi de verdade.

Essa tendência não é de todo ruim: de um certo modo, faz a loirinha ficar seletiva, e ela acaba entrando em bons filmes, como Correndo com Tesouras, um estranhíssimo filme sobre uma escritora frustrada (Annete Benning) que se submete ao mundo do seu analista, um cara muito mais louco do que ela. Wood é uma das filhas do tal analista e, como todo o resto da família, é doida de pedra.
















Correndo com Tesouras: os Excêntricos Tenembaun parece a Família Dó-Ré-Mi perto destes...

Ainda na linha "filmes independentes", ela mandou uma bola dentro como a filha lésbica (e morena, pra dar uma variada) de Mickey Rourke em O Lutador (que, na minha opinião, foi o melhor filme do ano passado). A propósito: a partir daí, a mocinha engatou uma relação com o seu pai na tela, o ex-galã e notório encrenqueiro Rourke. Prevejo uma vida dura para a garota.

Aos 22 anos, o próximo grande passo na carreira de Wood está dado: ela está entrando em cartaz nos EUA no novo filme do Woody Allen, Whatever Works, com o criador de Seinfeld, Larry David. Este faz o comediante entediado que se envolve com uma moça mais nova (adivinhe quem). É uma situação parecida com a de outro filme de Allen, Manhattan, onde o próprio diretor era o comediante entediado, vivendo um romance com Mariel Hemingway (neta do escritor). Para mim, é o filme mais esperado do ano (todo ano falo isso do filme que, infalivelmente, Woody Allen acaba lançando - e é sempre sincero).


Veja o trailer da nova comédia de Woody Allen, com Larry David e Evan Rachel Wood (estreia prevista só para o final do ano...)

Tudo isso porque a HBO exibe hoje dois filmes com Evan Rachel Wood, na sequência: Across the Universe, às 15:20, e Correndo com Tesouras, às 17:45. Sim, em horário de vagabundo, fazer o quê? Se você estiver de férias ou "between jobs", assista por mim.

Se estiver na labuta, lembre-se que a HBO 2 exibe a mesma programação com três horas de defasagem: assim, terem os Across the Universe às 18:20 e Correndo com Tesouras às 20:45. Bem melhor, não?

Vale assistir. Os dois filmes são bons, e em ambos Evan Rachel Wood está no ápice da sua beleza. Não dá pra ficar melhor.


OK, vai: vamos dividir o pão. A foto abaixo é da tal cena de Something, em Across the Universe, e já está guardada para o Arquivo Confidencial de Evan, que está sendo pacientemente preparado.











Ainda nesta semana, aqui no BLOGIE: Robert DeNiro faz teste (e é reprovado) para O Poderoso Chefão; DVDs imperdíveis do rock; e a estreia da semana, Inimigos Públicos, com Johnny Depp.

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Filme VIP da semana: "A Última Sessão de Cinema"

quinta-feira, 16 de julho de 2009 - 8 Comentários

Um tesouro meio escondido: A Última Sessão de Cinema, de Peter Bodganovich. É um dos menos badalados dos grandes filmes dos anos 70 mas, ao mesmo tempo, um dos mais importantes. Ele permanece como uma das obras mais sensíveis sobre o que era ser jovem nos EUA do pós-guerra.

Alugue. Compre o DVD. Faça alguma coisa, mas não deixe de ver esta obra-prima.


Trailer de A Última Sessão de Cinema.



Estamos, adequadamente em branco-e-preto e ao som de vitrolas cheias de ruído que tocam o country de Hank Williams, em uma cidadezinha do Texas, em 1951. Jovens aproveitam os meses finais de colégio, jogando no time de futebol americano, vagando pela rua, indo ao cinema e tentando transar com suas namoradas.

Daí até o final do filme, exatamente um ano depois, veremos que não havia direito à adolescência ou juventude na geração que precedeu os baby-boomers: os ritos de passagem acabavam passando pela constatação da falta de perspectivas e da entrada em um ciclo de repetição e sufocamento dentro da cidadezinha empoeirada. O sexo, que deveria ser algo libertário e novo, apresenta-se como algo frustrante e sujo, trazido por intermediários adultos - o sócio do pai da menina, a prostituta gorda, a esposa do treinador do rapaz...

Os dois principais personagens são dois rapazes, Sonny e Duane (Thimothy Buttons e Jeff Bridges, perfeitos), que têm a amizade abalada pelo fato de que ambos estão apaixonados pela mesma garota - Jacy, a menina rica e linda, tão desorientada e sem perspectivas quanto os outros. Cybill Shepherd interpreta Jacy, numa escolha inacreditavelmente feliz - pois só ela mesmo, com sua beleza fria e irretocável, conseguiria fazer contraponto a tanta feiúra e mesmice.



















Cybill Chepherd: mais de dez anos antes de A Gata e o Rato, ela já dava show no cinema. Você não quer perder isso. Mesmo.

Mais sobre o filme, não vale a pena falar. Basta dizer que é um filme triste e bonito, que injeta a angústia de ser jovem em quem o assiste. E que se deve comemorar o Big Bang da adolescência, que viria alguns anos depois, com a invenção do rock'n'roll e dos filmes do James Dean, com a chegada dos Beatles, e com a popularização da universidade. Todos ganhamos mais uns anos pra errar por aí, mas a principal mudança foi outra: ao contrário dos jovens de A Última Sessão de Cinema, que queriam queimar logo as etapas juvenis e entender logo o papel que lhes caberia no mundo, adquirimos o gosto por curtir os anos de transição, cumprindo os ritos com gente da mesma idade, celebrando nossa cabeça vazia ou nossas dúvidas.

E, se nada disso lhe interessar e se o filme não lhe servir para mais nada, pelo menos servirá pela visão de Cybill Shepherd, novinha, ora com roupa, ora sem roupa, se empenhando para perder a virgindade ao longo de duas horas.

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Fechando o Dia Mundial do Rock: "Febre de Juventude"

segunda-feira, 13 de julho de 2009 - 1 Comentários

Como não tive sucesso preparando a lista dos DVDs essenciais para este Dia Mundial do Rock, aproveito para celebrar meu fracasso falando sobre o melhor filme roqueiro que nunca foi lançado em DVD: Febre de Juventude, um clássico da Sessão da Tarde que, se você tiver mais de trinta anos, deve conhecê-lo bem e ter saudades...
















Você não se lembra dessa turma? Calma, já explico...

Relembrando ou explicando a quem nunca conheceu: Febre de Juventude é uma produção de 1978, ideia da cabeça do já milionário Steven Spielberg (ele estava entre Tubarão e Contatos Imediatos do Terceiro Grau). Foi roteirizado e dirigido por Robert Zemeckis, que depois ganharia fama, fortuna e prêmios por De Volta Para o Futuro e Forrest Gump.

Interessante, não?

Mas fica melhor: o filme tem por nome original I Wanna Hold Your Hand. Começa com a tela negra, onde se lê: "New York City - Sábado, 8 de fevereiro de 1964". E tome locação externa. No coração da Big Apple, policiais preparam a rua para receber uma multidão, colocando cavaletes. Um homem, na fachada de um auditório da emissora CBS, conserta o letreiro, trocando uma letra "E" no meio de uma palavra por uma letra "A" e, então, se lê na tal fachada: "The Beatles". Do lado de dentro, um famoso apresentador de TV (Ed Sullivan) ensaia o texto que será usado para apresentar a maior atração da história do seu programa, que seria exibido ao vivo no dia seguinte.

E aí entra I Wanna Hold Your Hand, a música, tendo como fundo aquelas deliciosas e famosas cenas dos Beatles desembarcando nos EUA pela primeira vez, embasbacados com a multidão e a demência generalizada, depois dando show de carisma e bom humor na primeira entrevista coletiva, na qual responderam a perguntas como "vocês sabem cantar?" e "vocês vão cortar o cabelo?" com uma ironia e uma euforia simplesmente nova para os americanos - e para o mundo.















George diz ter cortado seu cabelo ontem. John levanta a lebre de que todos são carecas. Ringo rebola, dizendo que ele dança, como forma de compensar a suposta falta de talento de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison como cantores (!). Foi assim que os EUA conheceram os Beatles.


O filme, no entanto, não é sobre os Beatles. Essas cenas são as únicas que trazem os rapazes de Liverpool. A partir do final dos créditos iniciais, passamos a acompanhar a saga de uma turma de jovens de New Jersey que faz de tudo - repito: de tudo - para conseguir ver os Beatles ao vivo.

Febre de Juventude é isso: 24 horas na vida de cinco jovens americanos - e ao mesmo tempo de todos os jovens do mundo -, a partir da chegada de quatro rapazes no aeroporto, até o final do programa de TV em que eles apareceram. O programa que se notabilizou por ser a maior audiência da história da TV americana, ao longo do qual se registrou o menor índice de crimes, e mais um monte de outras lendas.

24 horas que, sem exagero, mudaram o mundo.

Um ótimo registro histórico, um filme vibrante e juvenil, uma trilha sonora na linha "melhor é impossível", formada pelos dois primeiros discos dos Beatles.

E tem a cena inesquecível de Nancy Allen (que seria esposa e musa do Brian DePalma em Vestida para Matar e Um Tiro na Noite) escondida na suíte dos Beatles, embaixo da cama, ouvindo a conversa dos caras, que jamais aparecem. Um momento marcante da infância de qualquer um que tenha visto o filme (e que, no mínimo, acabou fazendo deste blogueiro mais um beatlemaníaco no mundo).














A fantasia de uns era estar no lugar da Nancy Allen; de outros, no lugar do pé do Paul McCartney.

Por que não lançam em DVD, não sei. Mas eu fui atrás e consegui um exemplar, que tratei de ver ontem mesmo. Hoje, sou uma pessoa mais feliz.

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Dia Mundial do Rock: um vídeo

Vamos tentar começar a semana bem. Eu fiquei três horas escrevendo um post com 10 DVDs essenciais de rock - afinal, hoje é dia mundial do rock. Mas aí, fui selecionar tudo para mudar a fonte e apaguei todo o texto. O Blogger não tem undo e, pra piorar, antes que meu dedo corresse para eu mudar de página e voltar ao estado anterior, o post em branco foi salvo automaticamente. Trabalho perdido.

Mas não vou me entregar. Cabeça em pé. Ânimo.

Há exatos 24 anos atrás, acontecia o Live Aid. Na Inglaterra, Queen, Elton John, David Bowie, Paul McCartney, The Who e um monte de gente se juntava a Bob Geldof no palco para cantar Do They Know It's Christmas?. Na Philadelphia, Bob Dylan, os Stones, Eric Clapton, Tina Turner, Led Zeppelin, Beach Boys e mais meio mundo se amontoava para cantar We Are the World no final.

(Na sua recente biografia, Eric Clapton escreveu que uma boa medida do seu vício no álcool nos anos 80 foi o fato de ele ter topado fazer aquilo.)

Bem, a coisa foi tão grande e tão significativa que a data do show, 13 de julho, tornou-se o dia oficial do rock.

A lista com os 10 DVDs que você precisa assistir, fico devendo. Mas vamos tentar salvar esta manhã de fúria com o melhor vídeo do Live Aid: David Bowie e banda, tocando Heroes com precisão, garra e alma. Coisa linda.



Ainda assim... odeio o Blogger.

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Maratona de estreia: "Harry Potter e o Enigma do Príncipe"

domingo, 12 de julho de 2009 - 0 Comentários

Aviso geral aos eventuais habitantes de Hogwarts que frequentem estas sujas páginas: estreia, agora no dia 15 de julho (quarta-feira), o sexto filme da série Harry Potter, agora com o complemento E o Enigma do Príncipe.

(A propósito: ver post anterior, sobre a atual frescura de lançar blockbusters às quartas-feiras...)

Bom, pra falar a verdade, encerrei minha carreira de aprendiz de feiticeiro após o segundo filme (A Câmara Secreta?). Achei o primeiro filme legal e tudo mais (principalmente a cena do quadribol), e aturei o segundo filme, embora tenha achado que ele era basicamente uma repetição do roteiro do primeiro. Mas decidi que já estava de bom tamanho. Era muita fofura e muita aventura sem tensão nenhuma...

Além disso, havia a irritante noção de que a Hermione demoraria muito para crescer e se tornar algo interessante (em outro post, discorrerei sobre a ausência de impulso sexual na molecada de Hogwarts).














Hermione, Ronnie e Harry: a turma continua tramando contra Voldemort, ao invés de se preocupar com o que interessa...

Por incrível que pareça, os anos se passaram, outros quatro filmes foram feitos e, hoje, Emma Watson, a moça que faz a Hermione de fato virou uma gata. Mas agora é tarde demais, já perdi o fio da meada.


Pra quem se manteve fiel à saga de Potter, a boa notícia é que o Unibanco IMAX (aqui em SP, no Shopping Bourbon) vai exibir a estreia na quarta feira a partir da meia-noite, com seções a cada três horas. Naquela tela gigante, e com cenas em 3D.

Deu até vontade de ver.

Os ingressos já estão à venda.

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Quarta-feira é a nova sexta-feira

sábado, 11 de julho de 2009 - 0 Comentários

Parêntese: a nova moda é lançar os grandes blockbusters às quartas-feiras, ao contrário da regra, que renova a programação dos cinemas toda sexta-feira. Isso tem feito com que:

1- Os mais doentes (como eu) tenham que fazer duas rodadas semanais de estudo cuidadoso sobre a programação das salas (pra se ter uma ideia, esse processo costuma me tomar cerca de 1 hora);

2- Nossos Guias da Folha e Vejinhas percam sua validade dois dias antes.

Mas deixa pra lá. A Internet está aí pra isso.

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Pra quem duvidava...

quinta-feira, 9 de julho de 2009 - 0 Comentários

Pra quem duvidava do fato irrefutável de que Suzanna Hoffs, cantora e guitarrista dos Bangles, era a maior gata da década de 80, BLOGIE garimpou uma cena do único filme estrelado pela moça, em 1987: The Allnighter. (Sim, até filme, ela fez, tá vendo?)



O filme é uma droga? É. A cena se parece com um daqueles quadros de strip-tease light do Sexytime? Parece. A molecada nos anos 80 se preocupou com esse detalhes?

Claro que não.

Com isso, encerro meu caso sobre Suzanna Hoffs. Há outras obsessões a serem expostas.

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Estreia: "Paris", com Juliette Binoche

quarta-feira, 8 de julho de 2009 - 6 Comentários

Estreou, na última sexta-feira, Paris, o mais recente exemplar daquele que está se tornando um gênero à parte no mundo do cinema: os filmes com um monte de personagens desconexos que levam as suas vidinhas e enfrentam seus dramas e amores, até que todo mundo se cruza de alguma maneira no final.


É o jeito que inventaram para transformar a crônica (ou meia dúzia delas) em longa-metragem.
















Juliette Binoche vai à feira: um dia normal em Paris.

Isso não é problema; o formato já gerou obras-primas (Short Cuts - Cenas da Vida, Amores Brutos), comédias românticas simpáticas (Simplesmente Amor, Ele Não Está Tão a Fim de Você), dramas poderosos (21 Gramas, Crash - No Limite) e algumas bombas pretensiosas (Babel, Magnólia).

Paris aproveita a vertente menos cansativa desse tipo de filme: a do clima agridoce, humanista, que aposta em personagens de bairro vivendo situações comuns - e extraindo uma certa beleza disso. Pra melhorar, usa a cidade onde a ação se ambienta como um dos personagens. E Paris é um personagem que dá um bom caldo...

As histórias

As histórias giram em torno de Pierre (Romain Duris), um cara que descobre que precisa se submeter a um transplante de coração. Vários personagens - que compõem Paris de maneira um tanto esquemática - cruzam seu caminho ou circulam pelas redondezas: uma bairrista esnobe e xenófoba, imigrantes, feirantes grosseirões e gente-fina, socialites hedonistas e metidas a besta, uma assistente social de mal com a vida... salpicando as vidas de toda essa gente, o medo da morte e da solidão. Este, talvez, seja não o tema central, mas o tema em comum das várias histórias.

Juliette Binoche é a irmã de Pierre, e, embora não tenha muito o que fazer no filme, é ela quem dá o foco para o espectador - é sob seu ponto de vista que vemos essa turma toda patinando na vida. É através dela que sentimos dó de quem sofre injustamente, e é através dela que sorrimos para as coisas bacanas que acontecem. Meio maniqueísta, mas tudo bem...

Os personagens mais interessantes e mais completos do filme são dois irmãos de meia idade: um é professor de história; o outro, engenheiro civil. Um vive na "velha Paris" - prédios com séculos de vida, um apartamento caindo aos pedaços cheio de livros, museus; o outro, na "nova Paris" - está tocando a obra de um arranha-céu modernoso, mora num apartamento novinho e bem decorado. O historiador está marcando passo na vida: é sozinho, falta grana, e passou a nutrir uma paixão à distância por uma jovem aluna que anda de bicicleta. O engenheiro, bombando: sua bela esposa está grávida e seus projetos profissionais o empolgam e o remuneram em igual e alta intensidade.

Parêntese necessário: é nessa parte que aparece Melanie Laurent, como a estudante que deixa o velho professor, por assim dizer, de quatro. Dá até pra entender:
















Melanie Laurent: ela alimenta a velha fantasia da universitária que dorme com o professor.

O que acontece com cada um a partir da morte do seu pai é o xis da questão, e discussões, dúvidas, presentes e consultas ao analista se sucedem para entendermos o grande dilema dos irmãos e de cada parisiense: deixar o barco correr e abraçar a modernidade ou se prender àquilo que fez da cidade (ou da sua vida) algo tão especial?

O mais interessante é que o filme não decifra o enigma; ele é a pergunta, não a resposta. Interessante.

Bittersweet simphony

Então, pra saber como é este Paris, imagine Short Cuts no cenário e com o clima levemente melancólico, agradavelmente otimista de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain.

Pra quem gosta de cinema francês: lembra bastante alguns episódios (os melhores) do recente Paris, Eu Te Amo (coletânea de curtas metragens sobre a Cidade Luz). Também dialoga com Medos Privados em Lugares Públicos, outro filme ambientado em Paris, e que também usa personagens aparentemente desconexos. Mas é mais otimista do que este último.

Mas, se for pra ir direto na fonte, o fato é que Cédric Klapisch (o diretor do filme) bebeu bastante da água de François Truffaut, que retratava como ninguém a beleza das pessoas comuns através das suas imperfeições. (Sugestão de filme do Truffaut que melhor exemplifica isso: Beijos Roubados).

Resumindo: o filme é bom. Tem lá seus defeitos (esse tipo de roteiro sempre acaba ficando meio esquemático), mas é honesto. É agradável, e foge daquele tipo de filme "feito pra pensar". Ele é mais "feito pra sentir". Isso o qualifica como bom programa para um sábado à noite, especialmente se sua paquera/namorada/esposa não topar os blockbusters do momento.

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Lista: a Lua e o Cinema

segunda-feira, 6 de julho de 2009 - 4 Comentários

Há quarenta anos, a Apollo 11 pousava na lua, o Neil Armstrong falou aquela frase famosa, a TV transmitiu o episódio ao vivo e as mesas redondas de 1969 passaram a discutir se a coisa toda não era armação dos ianques.

Na VIP deste mês, em alusão a tão importante efeméride, você encontra uma matéria que traz uma seleção de lunetas, binóculos e telescópios, acompanhada de dicas de um astrônomo da USP sobre como observar os astros. Não que você não possa espiar a vizinha com o aparato.

Aproveitando o gancho, BLOGIE preparou uma lista das melhores citações à Lua no cinema - no sentido físico ou poético, vale tudo. Este tipo de lista é bacana, porque dá pra ser bem eclético.


Poucas e Boas: um maluco e uma lua de papelão


Woody Allen, Sean Penn, jazz do bom: um filme que você não pode perder!

No filmaço de Woody Allen, Sean Penn é Emmet Ray, um genial guitarrista de jazz dos anos 30. Apaixonado pela lua, Ray resolve entrar no palco - bêbado - montado em uma enorme lua minguante de papelão. Dá tudo errado, mas a cena é poesia pura.



Namorada de Aluguel: o velho xaveco da lua funciona

























Até pagar ele pagou, mas a gata só caiu na dele quando ele assumiu a nerdice.

Uma das comédias adolescentes mais populares dos anos 80 (vale uma lista sobre o assunto), calcada na velha história do nerd que se apaixona pela maior gata da escola. A gata, inexplicavelmente, acaba se mostrando afeita ao papo-cabeça do rapaz: ele descreve poeticamente - e em detalhes - o relevo lunar, enquanto ela espia o mar da tranquilidade pela sua luneta.



2001 - Uma Odisseia no Espaço: um passeio pela cratera de Clavius



A trilha é sinistra, e Kubrick não tinha pressa, mas o filme é bom!

No maior clássico da ficção científica, a aventura está só começando quando o Dr. Floyd viaja até a base lunar montada dentro da cratera de Clavius (um buraco com mais de 200 km de diâmetro!) para discutir um tal monolito negro. De lá, ele se manda em missão a bordo de um "ônibus lunar".

Austin Powers - Um Agente "Bond" Cama: a lua vira a Estrela da Morte



Dr. Evil recebe a moçada em sua base lunar - até que um engraçadinho começa a mexer na cena...

Dr. Evil continua tentando dominar o mundo - e roubar o mojo de Austin Powers... no segundo filme da série, o vilão afetado pretende explodir Washington com um canhão laser instalado na lua. Organizado, Dr. Evil divide a lua em duas áreas: a Unidade Alfa e a Unidade Zappa. Psicodelismo puro.



Feitiço da Lua: uma mulher de fases
























Deve-se respeitar uma mulher que vai receber um Oscar fantasiada de pavão preto.

Tem que ter estômago pra engolir um filme com um casal central tão inusitado quanto Cher e Nicolas Cage. Mas a história da mulher dividida entre o noivo e o cunhado, totalmente influenciada pelas fases da lua, é boa e rendeu Oscars para Cher (como melhor atriz) e para o roteirista, John Patrick Shanley (o mesmo autor do recente Dúvida).



Independence Day: nos alienígenas, a gente acredita; difícil é engolir o Bill Pulman como presidente dos EUA


(filme ruim não merece nem fotinho)

A cena inicial mostra uma nave alienígena fazendo um voo rasante pelo solo lunar. Passando bem perto do local onde a Apollo 11 pousara, os monstrengos levantam poeira e apagam as pegadas deixadas por Neil Armstrong e Edwin Aldrin. Mas Bill Pulman, o presidente americano mais bola-murcha da história do cinema, salvaria todo o mundo mais tarde, a bordo de um teco-teco...


Em suma, dá um pouco de trabalho selecionar filmes que tenham na Lua um tema central. Melhor e mais perigoso uso da luneta fez James Stewart em Janela Indiscreta, do Hitchcock. Assunto para outro post.

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Histórico: Michael Jackson faz o primeiro "moonwalk"

domingo, 5 de julho de 2009 - 3 Comentários

Essa história toda sobre a morte do Michael Jackson é simplesmente bizarra. Um monte de coisas desnecessárias são jogadas na nossa cara: com quem ficam os "filhos", se vai ser cobrado ingresso para o enterro... e a imagem do pai, que é uma mistura do Little Richard envelhecido com Rocky Horror.

BLOGIE tenta dar sua modesta contribuição para focarmos no que realmente interessa:

1983. Show que comemorava 25 anos da gravadora Motown (que revelou, entre outros, Marvin Gaye, Diana Ross, Stevie Wonder e o Jackson 5). Michael Jackson acabara de lançar seu segundo disco-solo, Thriller. Toma o palco sozinho para cantar sua nova canção, Billie Jean.

E então, aos 3:44, ele mostra ao mundo pela primeira vez o passo de dança que se tornaria sua marca registrada, o moonwalk. E o público delira.



Isso é o que interessa. O resto é pobreza de alma.

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Mulheres que não queremos esquecer - 1

quinta-feira, 2 de julho de 2009 - 2 Comentários

Ontem, falei sobre o filme libanês Caramelo, escrito, dirigido e estrelado pela gata Nadine Labaki.

Pois bem, constatei que, depois de ter visto o filme, passei dias cantarolando, no carro, a música Eternal Flame, hit meio cafona dos anos 80, balada certa nos bailinhos de vassoura que rolavam nos andares de prédio e nas festas improvisadas nas garagens do bairro.

E o que uma baladinha esquecida tem a ver com filme libanês?

A resposta: tudo. Constatei que a tal da Nadine Labaki me lembra muito a Suzanna Hoffs, cantora e guitarrista da banda The Bangles, autora de Eternal Flame.

Suzanna Hoffs era tão gata, mas tão gata, que mexeu seriamente no meu senso de julgamento: desde o final da década de 80, considero Eternal Flame uma canção tão boa quanto Yesterday, dos Beatles. Gosto da melodia, da letra, do refrão, das vozes de fundo, está tudo certinho na gravação das moças.

Exagero? Então dá uma olhada no vídeo-clipe da música, com Suzanna Hoffs e seus enormes olhos castanhos no centro das atenções.


Seja amigo: diga se o blogueiro tem razão ou se é tara juvenil!

Outro dia, vi Suzanna Hoffs em um desses documentários nostálgicos da VH1, e ela continua uma mulher muito bonita e sexy. Esse é o tipo de banda que valeria uma reunião caça-níqueis, e não Kiss com os caras gordos, Doors sem Jim Morrison, Queen sem Freddie Mercury...

Esta conversa meio que inaugura uma nova seção no BLOGIE: de vez em quando, vou lembrar alguma mulher do cinema (ou das imediações) que não pode ser esquecida de jeito nenhum. Mande sua sugestão!

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Crítica: "23 Anos em 7 Segundos"

quarta-feira, 1 de julho de 2009 - 2 Comentários

Entenda a situação: lançam um filme sobre um título estadual conquistado trinta anos atrás pelo seu time. Em toda a cidade (e falo da maior cidade do Brasil), há apenas três salas de cinema exibindo o filme. Horário único: 21:40. Que esposa toparia essa empreitada?

A minha, apesar de tantas qualidades e demonstrações de cumplicidade, chegou ao seu limite. Desejou-me sorte e ficou em casa, enquanto eu partia, acompanhado de três marmanjos, para assistir ao novo filme sobre o Corinthians: 23 Anos em 7 Segundos.

O filme é um documentário sobre o título paulista de 1977, quando o Corinthians deu fim ao jejum de 23 anos sem ganhar nada. Jogadores daquela época e corintianos famosos (Juca Kfouri, Washington Olivetto, Neto, Hortência, Dudu Braga - filho do Roberto Carlos - e outros) estrelam a fita.

Mas a cereja do bolo são umas imagens descobertas pelos produtores em algum canto empoeirado de algum museu, com registro do grande jogo de dentro do campo. O gol de Basílio é mostrado de dois ângulos, por gente dentro do campo. A expulsão de um jogador é filmada de dentro do campo (na época, repórteres invadiam o campo a cada gol ou expulsão). Andamos no meio da confusão que foi a invasão de campo por uma horda de fieis, que pagavam promessas e arrancavam pedações da grama, da rede, das traves, para guardar de recordação.



















Por exemplo, esta foto - a foto mais famosa do Corinthians - é viva no filme, vemos os jogadores gritando, se mexendo, tensos e agitados, enquanto a foto é batida. Quanto vale isso? Muito.


Depois dessa revelação absolutamente acachapante, de alma lavada, saíamos do cinema. Um dos amigos foi o primeiro a falar:

- Será que gente normal também vai achar o filme tão sensacional?

Eu respondo: se você é corintiano doente, não tem conversa. Vá ver o filme e seja feliz.

Os outros - ou seja, os torcedores de outros times e, principalmente, aqueles que não ligam para futebol - não vão gostar, é claro. Mas deveriam entender o nosso lado.

Porque, se o Corinthians fosse uma nação (e sabemos que é), o gol do Basílio, naquela noite de outubro de 1977, seria o nosso grito do Ipiranga. O nosso Independence Day. Nossa queda da Bastilha. Simples assim. Veja o lance, com antológica narração de Osmar Santos (devidamente utilizada no filme):

"Corinthians, doce mistério da vida!" - este é Osmar Santos, o poeta do improviso...

Agora, imaginem só se alguém estivesse do lado de Dom Pedro, com câmera na mão, quando ele gritou "Independência ou Morte!" Filmando os detalhes do cavalo, da reação das pessoas, do chão barrento onde pisavam. Não seria incrível?

Pois, hoje, os cidadãos do Planeta Corinthians têm isso. E desejo esta sorte para todos os outros torcedores. Que o Flamengo resgate um filme desses sobre a Era Zico. Que o São Paulo permita obra semelhante sobre a Era Telê. O Inter de Falcão. E assim por diante.

E vem mais pela frente: até a data de aniversário de 100 anos do Timão, em setembro do ano que vem, outros três filmes serão lançados - um sobre o tetra brasileiro, outro sobre o mundial de clubes de 2000, outro sobre o centenário.

Coisa linda!

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