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Crítica: "Amantes", com Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw

quarta-feira, 9 de setembro de 2009 - 10 Comentários

Tirando Up, a nova animação da Pixar, não tem nada de novo que valha a pena encarar no cinema. Para o leitor que, a esta altura, já viu Se Beber, Não Case! e os outros filmes mais badalados, uma boa pedida continua sendo Amantes, de James Grey.
O filme traz Joaquin Phoenix como um jovem que se recupera de uma depressão daquelas (tentou se matar e tudo mais). Basicamente, ele enfrenta aquelas questões familiares a todos os jovens: se livrar da sombra dos pais controladores; querer achar um caminho diferente daquele que seu destino parece lhe ter reservado; encontrar alguma imprevisibilidade, emoção e romantismo num mundo bem sem graça. Um ponto de partida bem parecido com o de A Primeira Noite de um Homem (clássico de Mike Nichols, com Dustin Hoffman no papel do jovem entediado).

Pra balançar a vida do rapaz - assim como em A Primeira Noite... -, aparecem duas mulheres: a filha do sócio do pai (as coincidências não param) e uma vizinha misteriosa. A primeira é interpretada por Vinessa Shaw, uma atriz de nuances, na linha Laura Linney - uma grata surpresa. A segunda é defendida com competência por Gwyneth Paltrow, que não fazia nada que prestasse há muito tempo. O jovem vai se dividir entre as duas (ou melhor, tenta se livrar de uma enquanto aumenta a obsessão pela outra), enquanto decide se casa ou se compra um guarda-chuva.
















Joaquin Phoenix e Vinessa Shaw: mais uma grande performance de um, revelação do talento da outra.

As comparações com A Primeira Noite de um Homem, no entanto, se sustentam por mais algumas citações espertas (como o aquário no quarto de Phoenix ou a sua trajetória desesperada do quarto até a porta da rua no meio de uma festa chata cheia de amigos dos seus pais)... e só. Todo o bom humor, a ironia e a juventude do filme de Nichols não dão as caras em Amantes. Aqui, a coisa é pesada.

O filme não tem grandes seduções, nem grandes brigas, nenhum momento "cinematográfico". A coisa é levada em banho-maria, como a vida dessas pessoas (e da maioria das pessoas). O clima é morno, e os tons, frios, como em Interiores, do Woody Allen. Apropriado para o desfile de personagens bem construídos, com personalidades complexas e que não se preocupam em fazer sentido. Tudo muito normal, especialmente se lembrarmos da máxima segundo a qual "de perto, ninguém é normal."





















Brinde para a moçada: Gwyneth exibe seus atrativos (que já lhe valeram um Oscar por Shakespeare Apaixonado).

Dessa maneira, sem nada mágico acontecendo, só com frustração em cima de frustração, Amantes vai nos conduzindo num passeio por uma praia durante o inverno, sob garoa fina, até que a maré decida o que Phoenix fará de sua vida. 
Incomoda? Um pouco. Mas vale a pena ver um filme desses de vez em quando.

Se você estiver de bem com a vida.

PS: aliás, que grande interpretação de Joaquin Phoenix! Ele é um dos grandes, não há dúvida, e sua piração momentânea (de abandonar a carreira de ator para virar produtor de hip-hop), tomara, será apenas um detalhe curioso na sua biografia de lenda de Hollywood.

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10 Comentários:

Blogger Unknown disse...

Com certeza. Vale a pena ver um fime desses no final de semana.

Entretanto preferiria uma partida de tênis.

9 de setembro de 2009 às 20:53

 
Blogger Redação VIP disse...

Moleque. Vai ter revanche.

9 de setembro de 2009 às 22:01

 
Anonymous Anônimo disse...

Amém, Ricardo. Tomara que seja uma piração momentânea.
E a Gwyneth, hém? Saidinha a moça...
Abraços,
Patrícia

10 de setembro de 2009 às 10:54

 
Blogger Unknown disse...

Engraçado vc colocar essa cena do filme. Repare que o primeiro beijo na boa moça foi feita na frente de toda a família. E com a aprovação da mãe. Detalhes como esse fazem de Amantes um ótimo filme. Alguns clichés, é verdade, mas muito bem lapidado.

10 de setembro de 2009 às 13:47

 
Blogger Redação VIP disse...

Bem observado, Adriano! Aliás, essa cena é tocante - pelo constrangimento da Sandra, pela performance do JP e por esses detalhes...

A mãe é um terror, não é?

Me fez lembrar outra mãe judia durona: a do Woody Allen em "Contos de Nova York"... o clima é outro, mas a pressão é a mesma.

Patrícia, pra mim a Gwyneth é uma atriz que soube faturar bem em cima do seu visual. De vez em quando (em filmes mais artísticos), ela fica pelada. Ela volta e meio apela para personagens meio apáticos (como ela). Mas até que ela construiu uma carreira respeitável...

Abraços!
Ricardo

10 de setembro de 2009 às 17:44

 
Anonymous Thays disse...

Pelo visto tenho de rever 'A primeira noite de um homem' para achar estes pontos em comum. Ele não era tão novinho assim...

Mas,ah, por que a mãe é um terror? estereótipo da mãe judia? acho que é uma mãe preocupada com um filho que, mais do que deprimido, tem um diagnóstico de bipolar. Vai passar a vida dependendo de remédio, não tem um futuro garantido, os pais se preocupam com deixá-lo bem. Enfim, tenho de defendê-la.

Olha, aquele final foi meio improvável de acontecer mas, no cômputo geral... nota 7

15 de setembro de 2009 às 22:53

 
Blogger Redação VIP disse...

Thays,

Taí outra semelhança entre "A Primeira Noite" e "Amantes": os dois protagonistas são atores bem mais velhos do que seus papéis... o Dustin Hoffman tinha 30 anos, mas fazia papel de um recém-formado de 21...

O negócio da mãe judia, sem dúvida. A mulher não fala uma palavra e tem controle sobre tudo. T-U-D-O. É quase um observador onisciente. Ela FUÇOU as passagens do rapaz!!!

Eu fiquei com medo dela, mas OK, concordo com seu ponto. Ela estava preocupada com o filho, que já tinha tentado se matar...

Final improvável, sim, mas condizente com o espírito do filme e dos tempos: o cara acabou se entregando ao "destino" que montaram pra ele. Diferente de "A Primeira Noite...", em que Benjamin e Elaine trombaram de frente com os planos paternos e partiram "pras cabeça" - mas sem saber direito pra que lado ir...

Tudo isso pra concordar: nota 7, em um filme com potencial para ter sido 8 ou 9.

Abraços,
Ricardo

16 de setembro de 2009 às 15:00

 
Anonymous Thays disse...

Em defesa da mãe: ela não fuçou, não! eu fiquei bem atenta, antevendo, pois ele não finalizou a página. Quando ela o chamou, ele baixou o monitor e não fez logoff. Fica a pergunta: será que, 'inconscientemente', ele não queria ser descoberto??? hein, hein, hein? rsrsrsrs
Se não quisesse, fechava o site, limpava o cache, ia fazer a compra num cyber café e não no notebook da sala, ora...

Daqui a uns diazinhos vai ter minha versão psi lá no blog, aguarde.

Até,

16 de setembro de 2009 às 19:14

 
Blogger Redação VIP disse...

É, sem dúvida esse negócio de mãe controladora é um sistema muito bem equilibrado - as duas partes deixam as portas abertas para a outra desempenhar...

Quero ver essa versão psi!

Abs,
Ricardo

16 de setembro de 2009 às 20:29

 
Anonymous Thays disse...

Ricardo, depois de um dia inteiro pensando e repensando, e deixando muita coisa de fora, tá lá!

[]s

18 de setembro de 2009 às 17:53

 

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