Filme VIP da semana: "Um Dia a Casa Cai"
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 - 1 Comentários
Imagine o leitor algo muito chato e muito trabalhoso. Dia-a-dia no escritório? Compras de fim de ano?
Nada. A coisa mais desgastante que já inventaram é mudança de casa. Este blogueiro tem vivido esse drama durante os últimos meses - marceneiros que botam a culpa nos pintores; pintores que reclamam dos pedreiros; pedreiros que veem no pobre cliente um estorvo que só atrapalha seu trabalho. Voltando do reveillón, deparei-me com o caso de um colocador de papel de parede que simplesmente sumiu.
Depois vem a mudança em si: só de pensar na sua vida toda empacotada e depositada sem muito cuidado ao longo do apartamento novo... dá uma preguiça...
E então, casa nova, instalado, tudo fica melhor, certo?
Negativo, diriam Tom Hanks e Shelley Long, o jovem casal que compra a "casa dos sonhos" em Um Dia a Casa Cai, comédia irresistível lançada em 1986.
O casal, após um início de filme maluco - como era comum nas comédias da era Saturday Night Live -, compra a preço de banana uma mansão gigantesca. A dona, que dizia precisar consumar logo o negócio devido à situação de seu marido (ele estaria sendo perseguido por judeus por ter sido piscineiro de Hitler!), se manda e deixa a bomba nas mãos de Hanks e Long.
A casa, claro, está caindo aos pedaços, e as tensões decorrentes das reformas e dos rolos com os fornecedores não muito honestos, pouco habilidosos e pra lá de preguiçosos, acabam afastando o casal. Aí entra o chefe da moça - que é violinista -, o maestro da orquestra, dando em cima da pequena. Hanks atura a situação até saber que a esposa acabou indo pra cama com o cara.
Para uma comédia despretensiosa, é impressionante a tensão quase insuportável que se abate sobre o personagem de Hanks. Você se pega pensando, "pra que aprontar uma sacanagem dessas num filminho desses?"
Mas o final, é claro, acaba redimindo tudo, aparando as pontas, explicando as coisas e destinando o casal a curtir sua enorme mansão, finalmente impecável. Ou não.
Uma curiosidade interessante: Um Dia a Casa Cai foi escrito pelo mesmo roteirista que criou As Loucuras de Dick e Jane - outra comédia de "casal em crise", no caso Jim Carrey e Tea Leoni, que passam pelas agruras do desemprego, colocando em xeque seu poder aquisitivo. A casa "troféu", conquistada como símbolo de tudo que a vida pode oferecer de bom, também tem papel central.
Infelizmente, o filme, lançado em 2005, não causou impressão muito boa. Talvez porque, nos dias de hoje, o público esteja menos afeito a premissas absurdas e simplificadoras, que davam um delicioso tom farsesco às comédias oitentistas. Uma pena, pois o filme de Carrey e Leoni também vale muito a pena.Especialmente como complemento do genial Um Dia a Casa Cai.
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