Homens VIP do Cinema: Marlon Brando / Don Corleone
segunda-feira, 23 de março de 2009 - 0 Comentários
Marlon Brando em O Poderoso Chefão. Provavelmente, o papel mais lendário da história do cinema, tanto pela importância - afinal, o filme foi um enorme sucesso, sustentando a marca de maior bilheteria de todos os tempos até o lançamento de Star Wars - quanto pelas curiosidades que o cercam - entre elas, o Oscar que Brando ganhou e não buscou, tendo mandado uma índia falsa em seu lugar para recusá-lo.
Mas o surgimento em si do Vito Corleone de Brando é a melhor história de todas.
O autor do livro O Poderoso Chefão, o ítalo-americano Mario Puzo, viu sua obra se tornando um best seller, e conseguiu vender os direitos de filmagem para um grande estúdio de cinema - a Paramount. Certo dia, mandou uma carta para Marlon Brando, dizendo: "Sr. Brando, eu escrevi um livro chamado The Godfather, e acho que você é o único ator vivo que pode fazer o protagonista, Don Vito Corleone".

Marlon Brando, o Chefão: o melhor ator no melhor melhor papel do melhor filme. Coisa única.
Convencer Brando a aceitar o papel era o menor dos obstáculos - difícil era convencer os estúdios a aceitarem Brando. À época, o ator já era uma lenda, tido como o maior de todos os tempos e tudo mais, mas estava em franca decadência. Tinha fama de encrenqueiro e vinha de uma série de filmes fracassados. Os executivos da Paramount condicionavam a grana para produzir o filme à não-escalação de Brando.
Mas estávamos nos anos 70 e, por algum motivo, o diretor escalado para o filme era o iniciante e talentoso Francis Ford Coppola, um sujeito que, aprenderiam os estúdios, gosta das coisas do seu jeito e não liga muito para estouros de orçamento. Coppola comprou a visão do autor do livro e queria emplacar Brando como protagonista. Encheu tanto o saco dos chefes que conseguiu um "teste de câmera" para Brando.
Só que, entenda, estamos falando de Marlon Brando, e Marlon Brando não faz "teste de câmera". Para disfarçar, lá foi Coppola com uma câmera na mão na casa do ator, para um "teste de maquiagem". E então aconteceu, bem em frente à câmera ligada do diretor, a transformação histórica.
Brando falou "andei pensando em algumas coisas", e começou a se transformar em Don Corleone. Passou as mãos cheias de graxa no cabelo, deixando-os pretos e esticados para trás. Encheu a boca com lenços Kleenex, para ficar com as bochechas gordas, pois acreditava que o seu personagem deveria ter o aspecto de um buldogue, "com aparência feroz mas, no fundo, de natureza pacata e carinhosa". E começou a falar em uma rouquidão sofrida, pois, na sua cabeça, o personagem tinha levado um tiro na garganta em seu passado. Nascia, ali, Don Vito Corleone.
A cena está gravada e disponível, escondida no meio do monte de extras contidos na caixa de DVDs da trilogia O Poderoso Chefão. Oportunidade rara de ver um gênio fazendo seu trabalho.
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