45 anos sem Cole Porter
quinta-feira, 15 de outubro de 2009 - 2 Comentários
Ontem, completaram-se 45 anos sem Cole Porter.
O homem que foi, provavelmente, o maior compositor do século 20. Páreos para ele, apenas John Lennon, Paul McCartney e seus contemporâneos, Irving Berlin e os irmãos Gershwin. (Eu acrescentaria Paul Simon na lista, mas aí é gosto pessoal.)
Profícuo, Porter escreveu canções avulsas, peças para a Broadway e, de bola cheia, aportou em Hollywood para ser o dono da bola na era de ouro dos musicais.
Seu repertório ficou imortalizado nas vozes dos maiores cantores americanos (Frank Sinatra, Tony Bennet, Ella Fitzgerald fizeram carreira baseados na obra de Porter) e meio mundo pop (U2, Rod Stewart e muitos outros ganharam uma grana gravando seus clássicos).
Mas Porter não pensava em astros pop ao compor. Pensava em ter suas canções cantadas por Fred Astaire no palco ou na tela grande.
Foi assim em A Alegre Divorciada, primeiro filme de Astaire com sua parceira ideal, Ginger Rogers. O grande dançarino mostrou que era um excelente cantor ao apresentar ao mundo o grande clássico de Cole Porter: Night and Day. Veja!
Um pensamento: mesmo para os padrões atuais, Ginger Rogers é nota dez!
Muitas outras músicas de Porter chegaram ao cinema. No mínimo dois filmes foram feitos em sua homenagem: Night and Day, biografia chapa-branca estrelado por Cary Grant, teve resultado constrangedor. Já De-Lovely, mais recente e com Kevin Kline defendendo com elegância o papel do compositor, foi bem ao escancarar o homossexualismo e o lado menos agradável de Porter. E teve resultados irregulares ao misturar Elvis Costello, Alanis Morrisete, Diana Krall e outros para cantar seus standarts. Bom mesmo, só o I Get a Kick Out of You com Robie Williams.
Mas mais bacana é lembrar a parceria de Frank Sinatra e Bono Vox em I've Got You Under My Skin (composta para o filme Born to Dance, de 1936, indicada - e inacreditavelmente derrotada - para o Oscar de melhor canção daquele ano).
Sinatra em seu campo de jogo (nota 10). Bono tirando uma onda (nota 8). Na média, um 9,0 honroso para a versão.
Cole Porter representa uma era de ouro de Hollywood, época de produtores poderosos, diretores tiranos, estrelas inatingíveis. Filmes de sonho, escapistas, maiores que a vida. Catarse coletiva. Trilha sonora mais adequada, impossível.
Marcadores: cinema, clássico, Cole Porter, música
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