Na TV: "Serpico", com Al Pacino
sexta-feira, 31 de julho de 2009 - 5 Comentários
Nada de novo no cinema (o filme a ser visto ainda é Inimigos Públicos, de Michael Mann). A pedida de hoje está na TV, e é uma raridade: Serpico, um dos grandes filmes dos anos 70 - e um dos que se perderam com o tempo (por exemplo, nunca foi lançado em DVD no Brasil). O filme será exibido na TCM, às 22:00.
Pacino como Serpico: ícone dos anos 70 (esta foto está na parede do quarto de Tony Manero, personagem do John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noite).
O filme, dirigido por Sidney Lumet, traz Al Pacino como Frank Serpico, o policial dos sonhos dos liberais: um cara normal, fazendo seu trabalho e, que coisa!, incorruptível. Em Nova York, na década de 70, bem antes do "tolerância zero" - a cidade era um lixo. Como é um cara normal, e como estamos nos anos 70, ele anda barbudo e vestido feito um hippie, o que faz com que tenha mais facilidade para arrumar umas mulheres e fazer amigos, mas também faz com que seja visto como uma excrecência por seus colegas e superiores. Trabalhando à paisana, começa a ter sucesso nas suas missões de deter traficantes e outros bandidos.
Mas o problema aparece quanndo ele recebe seu primeiro envelope de dinheiro: a princípio, não entendendo tratar-se de suborno, leva para os colegas, depois para os chefões; depois, contrariando os conselhos de todos (ficar com a grana e fechar o bico), Serpico leva o caso às mais altas instâncias, provocando a ira de toda a corporação. Um tiro na cara é o mínimo que ele vai levar. A história é real, e o filme causou grande sensação quando do seu lançamento.
Veja o trailer de Serpico!
Sua jornada quixotesca ilustra a morte do sonho hippie e prenuncia a era Reagan: o sonho dourado de "uma vida melhor no futuro", "com gente fina, elegante e sincera, com habilidade de dizer mais 'sim' do que 'não'", estava acabando. Anos depois, John Lennon seria assassinado na mesma Nova York de Serpico e os EUA seriam jogados numa era de conservadorismo que acabaria, eventualmente, dando um jeito no problema da violência em NYC - mas à maneira de Rudy Giulliani, na base da porrada.
Bem diferente do jeito sonhado por Serpico, Lumet e o público idealista do início dos anos 70.
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