Lista: os maiores Serial Killers do cinema
terça-feira, 27 de abril de 2010 - 5 Comentários
Western, ficção científica, filmes de ação, comédias românticas... todo gênero já entrou e saiu de moda algumas vezes. No entanto, se há um tipo de filme que sempre esteve por cima foi o suspense. Desde o cinema mudo que inaugurou a série de vampiros e que recebeu os primeiros Hitchcocks, passando por suspenses em preto-e-branco sinistros e chegando nos filmes de terror para hordas de adolescentes a partir dos anos 70.
Este blogueiro foi convidado a comentar os maiores Serial Killers do cinema no programa de TV On Top, da Fashion TV. O programa, que já foi ao ar (estou sempre atrasado), pode ser visto abaixo.
ON TOP PGM 75 from Fina Filmes on Vimeo.
Bom, como pode ser visto, apareci falando uma coisa ou duas sobre metade dos filmes. Esclareço: a lista é dada pelo programa; a mim cabe apenas comentá-la. De qualquer modo, achei a lista muito boa. Destaco dela meus seis preferidos e divido com o leitor meus comentários completos (aí embaixo está, mais ou menos, tudo o que falei para o programa - mas cuja maior parte, claro, não resistiu à edição)...
Patrick Bateman, em Psicopata Americano
Patrick Bateman (Cristian Bale) é um típico yuppie do fim dos anos 80 - um executivo jovem, consumista e movido a cocaína, restaurantes caros e disputas com seus colegas sobre quem tem o cartão de visitas mais impecável.
A questão que ele enfrenta é a mesma do Tom Cruise em A Firma e do Edward Norton em O Clube da Luta e do Keanu Reeves em Advogado do Diabo - o mundo corporativo, em sua superfície tão atraente e poderoso, é vazio e fútil por dentro, e a frustração de se descobrir muito pior do que é cai forte.
Bateman, no entanto, pira totalmente e assassina o colega que conseguiu uma conta melhor na firma, e mata velhinhas e prostitutas e quem mais cruzar seu caminho. Usa machados, serras elétricas e tudo mais que se consagrou como armas de serial killers no cinema americano...
No final, o filme dá uma embolada, dando a entender que a piração de Bates era apenas interna - que tudo aquilo fora criação da cabeça dele -, mas o que interessa é que Psicopata Americano tornou-se, junto com Clube da Luta, um dos grandes formadores de personalidade da Geração Y... decretou o fim do yuppie.
O Zodíaco, em Zodíaco
É, ao lado do Clube da Luta, um dos dois melhores filmes do David Fincher. É baseado numa história real, que se passou em San Franscisco nos anos 70: trata-se de um serial killer brilhante - autointitulado "Zodíaco", porque mandava mensagens criptografadas pelos jornais anunciando seus assassinatos e brincando com a polícia. O Zodíaco em si pouco aparece e não é lá muito interessante.
Interessante mesmo é a construção psicológica de dois caras que ficam obcecados em descobrir quem é o Zodíaco e prendê-lo - o policial vivido pelo Mark Ruffalo, que é um ótimo ator, e o cartunista de um jornal local, vivido pelo Jake Gyllenhaal. Esse cartunista acaba sendo o personagem mais interessante do filme, porque ele coloca sua vida em função da solução do quebra-cabeça do Zodíaco; perde esposa, emprego e sanidade mental, e passa boa parte do filme "raspando" na solução... e no fim, o cara mais louco do filme é ele mesmo...
Norman Bates, em Psicose
Alfred Hitchcock, quando filmou Psicose, já era há uns vinte anos considerado o "mestre do suspense", tendo feito no mínimo uma dúzia de filmes memoráveis, inventivos, sinistros - O Homem que Sabia Demais, Janela Indiscreta, Festim Diabólico, Disque M Para Matar...
E, no entanto, Psicose, que é um filme até fraco se comparado às suas obras-primas, foi o filme que mais marcou sua carreira como diretor de suspense. Isso se deve a duas coisas:
- A primeira é a escalação de Anthony Perkins como o vilão, aliás, o psicopata mais famoso da história do cinema: Norman Bates. Perkins, assim como o Norman Bates, tinha uma questão de sexualidade muito mal resolvida, uma aparência suspeita e um ar de que há algo muito errado ali (uma obsessão pela mãe, de quem ele cuidava... a administração de um motel de beira de estrada sinistro...).
- A Kim Novak, loira, linda, má, merecedora de uma punição - do jeito que o Hitchcock gostava -; ela se hospeda no motel do Norman Bates, abre o chuveiro, está tomando um banho e aí entra aquela sequência antológica, os cortes perfeitos, a música tensa e irritante, a Kim Novak gritando, o sangue escorrendo pelo ralo...
A coisa é tão forte que o Gus Van Sant, um diretor renomado, que fez Gênio Indomável e outros filmes, teve a manha de refilmar Psicose - não é um remake, um filme refeito com outro roteiro ; é uma reprodução fiel, cena a cena, fala a fala, do filme do Hitchcock. E ficou diferente... porque a Anne Heche não era a Kim Novak; o Vincent Vaughn não era o Anthony Perkins e, principalmente, o Gus Van Sant não é o Hitchcock.
Chucky, o Brinquedo Assassino
Houve um momento, no meio dos anos 80, que a indústria do filme de terror - que sempre teve sua audiência nos adolescentes - passou a mirar no público pré-adolescente. O que aconteceu é que o vídeo-cassete ficou popular e a molecada de doze, treze anos passou a usar o equipamento da família, se deliciando com os filmes de terror nos quais eles eram barrados na porta do cinema.
O resultado é que os filmes de terror sofreram um processo de infantilização... dessa época, tivemos Cemitério Maldito, filme que tem como vilão um menininho que ressucita após ter sido enterrado pelo pai em um cemitério pra bichos de estimação... e o fedelho sai matando todo mundo...
Outro fenômeno dessa época é o Chucky, um boneco que, através de uma seção de vudu, recebeu a alma de um estrangulador... um menininho ganha o boneco de presente e percebe que há algo errado nele, mas ninguém acredita, claro. E o Chucky sai matando todo mundo, menos seu dono - pelo menos num primeiro momento. E a coisa é tensa mesmo, mas também é divertida.
O resultado foi tão legal que o filme virou série, o Chucky ganhou uma noiva e, hoje, Brinquedo Assassino pode ser considerado um clássico dos slasher movies...
John Doe, em Seven
No meio dos anos 90, o Kevin Spacey foi convertido em um ator de primeiro time graças a dois vilões inesquecíveis e imprevisíveis - um deles é o Kaiser Soze, de Os Suspeitos, e o outro é o psicopata John Doe, de Seven. Em Seven, o psicopata John Doe é um tipo bem parecido com o Zodíaco - e vale lembrar que os dois filmes foram dirigidos pelo mesmo diretor, David Fincher...
Partindo dos sete pecados capitais, ele perpetra assassinatos elaborados e absolutamente asquerosos - a cena do defunto glutão é uma das coisas mais nojentas da história do cinema.
No final, de maneira genial e ao mesmo tempo doentia, ele envolve os dois policiais que estão encarregados de encontrá-lo e prendê-lo - Brad Pitt e Morgan Freeman - no seu plano pra fechar os sete assassinatos temáticos. O último, que é a ira, é de dar um nó no estômago.
O Kevin Spacey pode fazer mil tiozinhos bacanas como o de Beleza Americana, que não vai adiantar - eu vou desconfiar dele pra sempre...
Freddy Krugger e Jason Vorhees, de Freddy vs Jason
Freddy VS Jason é um filme-tributo aos dois maiores ícones dos filmes de terror para adolescentes que fizeram muito sucesso nos anos 80 - Jason, da série Sexta-Feira 13, e Freddy Krugger, da série A Hora do Pesadelo.
O que eu acho interessante é que o filme se preocupou em retratar os aspectos psicológicos mais marcantes dos dois personagens: Freddy Krugger é um cara vaidoso e com mania de Deus - quer dominar tudo e não aceita concorrência no seu pedaço - que é a Elm Street -; e Jason é uma máquina de matar irracional e incontrolável - uma vez iniciada a matança, ele não para mais.
A partir daí, o filme brinca com esses dois traços e se limita a desfilar toda a mitologia dos dois personagens - suas máscaras, armas e métodos - com uma tecnologia melhor do que a da época em que eles viviam seu auge...
Como resultado, eu prefiro a tosqueira dos anos 80. Fico com Sexta-Feira 13 Parte 2 e Parte 4, e com os seis primeiros filmes d' A Hora do Pesadelo.
E aí? Faltou algum serial killer importante? Lembro que o primeiro colocado da lista, Hannibal Lecter (de O Silêncio dos Inocentes e Hannibal), não aparece aqui nos meus comentários porque nunca gostei tanto assim dos filmes, em que pesem Oscars e Anthony Hopkins e etc e tal. Deixe seus comentários!
PS: post atualizado para mitigar confusões sobre a autoria do filme Os Suspeitos (que é do Bryan Singer). Agradeço aos leitores que levantaram a lebre!
Marcadores: cinema, Freddy Krugger, Jason, listas, On Top, Serial Killers, terror
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5 Comentários:
Lista Legal!
Mas Suspeitos é do Bryan Singer, não do David Fincher.
abs,
28 de abril de 2010 às 16:37
Hércules,
Obrigado pela participação!
Realmente, o parágrafo ficou meio mal escrito. Quando me referi aos dois filmes do David Fincher, falava do "Zodíaco" e de "Seven" - e não de "Os Suspeitos".
Enfim, muita informação para um parágrafo só, e ficou confuso. Obrigado pelo toque.
Um abraço,
Ricardo
28 de abril de 2010 às 18:28
Minha conexão anda péssima, caindo, mas vou ver sua participação!
Enquanto não cai, só pra adiantar... Destes filmes só vi Psicose (clássico, não tem como não ver) e Seven - inacreditavelmente em um Natal, no cinema, fiquei péssima...
Não vi este Psicopata Americano, mas, pelo que você falou, como crítica ao mundo corporativo, lembrei do demitido em O Corte. Muito bom, por sinal - este sim, um psicopata acima de qualquer suspeita, não acha?
29 de abril de 2010 às 14:06
Como é que um cara que se diz crítico de cinema poder confundir Kim Novak com JANET LEIGH em PSICOSE? Ela protagonizou uma das cenas mais antológicas do cinema! Você tem que voltar para o primário da cinemateca!
4 de maio de 2010 às 23:59
Putz, que derrapada! Claro, Janet Leigh, e não Kim Novak... A gafe me lembra um episódio recente, em que o Inácio Araújo, da Folha de SP, "matou" o Kurt Russel, confundindo-o com o finado Patrick Swayze... that's life.
Das loiras do Hitchcock, as melhores são a Grace Kelly, claro, e a Tippi Hedren. A Kim Novak vem atrás, seguida da Janet Leigh (essa classificação intermediária pode ter sido a razão da troca...). E Doris Day, com aquela cantoria chata de "o que será, será", não tá com nada.
Apesar da grosseria, obrigado pela observação. Vou consertar o texto.
Um abraço,
Ricardo Garrido
5 de maio de 2010 às 12:15
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