Estreia: "A Mulher Invisível", com Selton Mello e Luana Piovani!
domingo, 7 de junho de 2009 - 11 Comentários
Filme brasileiro sem papo-cabeça, sem favela, sem retirante, sem choro nem crítica social. Antigamente, isso era coisa rara, e como essas coisas são muito chatas, o próprio filme brasileiro tornou-se coisa rara. Daí veio o tal "renascimento", e filmes com bom potencial de público passaram a dar as cartas. Hoje, estamos tranquilos na situação de que temos uns cinco, seis "Se Eu Fosse Você" para cada Walter Salles wannabe.
É o caso de A Mulher Invisível, comédia despretensiosa e muito bem acabada de Cláudio Torres (o mesmo diretor de Redentor). O filme traz Selton Mello como o homem romântico que entra em crise após ser abandonado pela esposa. No ponto mais baixo de sua fossa, ele conhece, de maneira bem improvável, uma mulher perfeita, que imediatamente se apaixona por ele e lhe oferece a vida mais confortável de sexo, devoção e cumplicidade: Luana Piovani, fazendo a linha "nunca estive tão bonita". No apartamento vizinho, Maria Manoella nutre paixão platônica pelo personagem de Mello, munida de muita ingenuidade e um copo unindo a parede ao seu ouvido.
Relembre o primeiro ensaio de Luana Piovani na VIP
Relembre o primeiro ensaio de Luana Piovani na VIP

A partir daí, o filme é feito das situações bizarras que Mello protagoniza em público, imaginando que está abafando com uma Luana Piovani arfante, bem como dos contrapontos cômicos de Vladimir Britcha e Fernanda Torres, como a irmã desbocada de Maria Manoella.
É com essa fórmula consagrada de Hollywood - a da comédia romântica baseada em uma premissa absurda e que equilibra humor rasgado com ingenuidade assumida, rumando ao final feliz - que Cláudio Torres adiciona um belo feito à sua produção. O filme é muito bem feito, desde seus créditos iniciais, passando pelo roteiro repleto de boas frases e bons personagens, culminando em um ótimo trabalho de direção de atores (todos estão ótimos, e Selton Mello brilha) e de edição. A trilha sonora - com sons nada óbvios dos Ramones e da Janis Joplin - é ótima, e faz você ter vontade de ficar no cinema até o final dos créditos, para anotar os nomes das músicas.
Luana Piovani, como se viu no trailer acima, é um capítulo à parte. O amigo leitor que não tiver lá muito interesse sobre essa conversa de cinéfilo pode ir no cinema tranquilo, que a missão se pagará. Digamos que a condição de "mulher ideal" da moça é explorada a contento, pelo menos no que diz respeito à forma física.
Veja as fotos do mais recente ensaio de Luana Piovana na VIP
Veja as fotos do mais recente ensaio de Luana Piovana na VIP
Ou seja: Torres (que é filho da Fernanda Montenegro e sócio da Conspiração Filmes) consegue fazer um filme com alto potencial de bilheteria, que consegue agradar os marmanjos (apesar da premissa bem feminina) e, tudo isso, embalado com o apuro estético que só se vê em filmes americanos.
De quebra, o diretor vai construindo um certo padrão autoral em sua obra: A Mulher Invisível, assim como Redentor, trata de um homem que desce a ladeira da dignidade e da sanidade ao se apaixonar por uma mulher que está bem acima da sua liga. No caminho, a perda das seguranças e confortos da classe média (emprego, amigos) e muitas trapalhadas, enquanto se busca uma certa purificação da alma. Pedro Cardoso, no primeiro filme, e Selton Mello, neste divertido conto d'A Mulher Invisível, vão montando o personagem-padrão do cinema de Torres.
Um filme que entra muito bem numa noite de sexta, sábado ou domingo. Sem risco de errar. Pode comprar o ingresso. É bacana.
Marcadores: cinema, estreias, Luana Piovani, mulheres
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11 Comentários:
tá bem, tá bem... vou ver! Esta é a dica romântica da semana?
Fiz uma lista de filmes 'românticos', depois queria a sua opinião, pra ver se quais os mais importantes que deixei de fora!
8 de junho de 2009 às 01:00
A outra dica que vale é "Duplicidade", com a Julia Roberts e o Clive Owen (casal que dá liga). Não é exatamente romântico, mas é legal...
Vou ver sua lista. Tá no seu blog?
Abs,
Ricardo
8 de junho de 2009 às 08:44
sim, tá lá no blog. Pode sugerir muito mais...
Quanto ao Duplicidade, estou muito a fim de conferir - sou super fã do Clive.
Até,
8 de junho de 2009 às 13:10
Selton Mello, não tem o que errar mas Luana? Sei não... acho que vou esperar pra ver na tv. Já Julia e Owen tô topando.
Abraços
8 de junho de 2009 às 15:46
Dá uma chance pra moça, Patricia... ela é boa atriz. Em "O Casamento de Romeu e Julieta", que é bem meia-boca, ela mandou bem. Já neste filme, com a direção bem competente do Claudio Torres, ela vai melhor ainda.
... Mas o Selton Mello arrebenta. Está engraçado demais.
Abraços,
Ricardo
8 de junho de 2009 às 19:08
Vou pensar no seu caso. kkkkkkkkkkk
9 de junho de 2009 às 16:05
com algumas semanas de atraso, fui conferir. O elenco (incluindo Luana) está ótimo mas acho que quiseram colocar uma 'Vani' ali pra ajudar. Não sei se precisava!
Reconheci várias teorias psis por ali... Hehehe, claro que os marmanjos não estão nem aí pra este lado 'filosófico'. Faço votos de que aprendam que a 'mulher ideal' (que faxina como ela, assiste jogo da terceirona numa boa e que não se incomoda com que se peguem todas as mulheres do mundo etc etc) só existe no mundo imaginário? ;)
19 de junho de 2009 às 00:19
A Vani foi bem, Thays... na sala em que eu vi o filme, a galera ria muito quando ela entoava o bordão "vai lá e dá pra esse cara!"
Emenda um post no seu blog com essas teorias... fiquei curioso...
O interessante é que a "mulher ideal", ao ser rejeitada, vira um estorvo, é possessiva, maluca, etc. No final, parecia "Atração Fatal"!
Abraços,
Ricardo
19 de junho de 2009 às 11:59
Pode deixar, em breve a análise 'psi' já deve estar no ar...
Bom findi!
19 de junho de 2009 às 21:46
Eu assisti , não é o padrão de filme que eu gosto , meio bobinho e com uma mulher de calcinha o tempo todo, mas pra ir com o namorado no final de semana ta ótimo. Principalmente porque ele percebe que mulher perfeita... só em sonho msmo.. rs
21 de junho de 2009 às 14:47
Bazinha, não perca então "Apenas o Fim"... esse é ESPERTO!!!
Obrigado pelo comentário e um abraço,
Ricardo
22 de junho de 2009 às 20:01
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