Oscar 2010: uma declaração de amor ao cinema
sábado, 6 de março de 2010 - 2 Comentários
A partir das 22:00 de domingo, 07 de março, vai ao ar o Oscar, aquele evento cafona com tapete vermelho que dispara uma semana de discussão sobre vestidos e cabelos, tamanho dos discursos e audiência em franca queda. É sempre a mesma coisa. Então, qual o interesse em avançar a madrugada de segunda-feira vendo uma sequência interminável de discursos e piadas de gosto questionável (que perdem metade do significado com as traduções simultâneas que a TV brasileira nos impõe)?
Minha resposta: porque ainda é melhor celebração de cinema para o espectador comum (que é aquele, como eu e você, que não vai a Cannes todo ano passar uma semana dos sonhos). É uma festa feita para TV, na qual é reunido o maior número possível de astros de Hollywood, todos comprometidos em fazer a coisa à moda antiga: grandiosa, emocionada, respeitosa com a História da própria "indústria" (como eles gostam de se chamar, e têm razão - são uma indústria, um setor relevante da economia americana). É uma premiação que não privilegia filmes de arte, e sim filmes comerciais - lógico, não é o MTV Movie Awards, francamente teen e trash; o Oscar vai no meio-termo, no filme comercial que apresenta méritos especiais. Essa é a proposta, e ela pode acolher um enorme sucesso comercial (E o Vento Levou, Titanic... e Avatar?) ou um pequeno grande filme que crescerá em reputação com um Oscar na prateleira (Casablanca, Se Meu Apartamento Falasse... e Amor Sem Escalas?). Vez por outra - ou quase sempre - uma injustiça que alimenta a polêmica (Hithcock e Kubrick nunca agraciados? Rocky ter vencido Taxi Driver?). E é nisso que reside a graça do Oscar.
O Oscar cria seus próprios mitos, heróis e vilões. Jack Nicholson é a personificação do evento: ele está lá todo ano, na primeira fila, de óculos escuros, sorrindo de orelha a orelha, rindo das piadas do apresentador, aplaudindo cada discurso. Woody Allen foi devidamente reconhecido pelo seu primeiro filme "sério" (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), não apareceu em L.A. para buscar seus Oscars e deu início a décadas de descaso da Academia e eventuais indicações por roteiro ignoradas por Allen. Sua única aparição na festa foi em 2002, numa homenagem a Nova Iorque pós 11/setembro.
Outras figuras clássicas: Billy Cristal, que é um ator de segundo escalão, consagrou-se no papel de mestre de cerimônias do Oscar; já David Letterman, comandando com segurança e acidez seu talk-show há décadas, foi um furo n'água em sua única tentativa. Mas saber rir de si mesmo é uma das melhores qualidades de Hollywood: no ano seguinte, lá estava Billy Cristal de novo, fazendo a abertura do evento em um número musical, fechado com um ataque aéreo (!) perpetrado por Letterman sobre a cabeça do substituto. Com isso, eram citados O Paciente Inglês, que seria o principal vencedor daquela noite, e também Intriga Internacional, do Hitchcock.
Este é o resumo de Hollywood: relembrar seu passado, requentá-lo, chamar a atenção para seus novos ídolos, rir de si mesmo e se auto-promover em escala industrial.
E no meio disso tudo, ainda há espaço para qualidade. Dizem que o Oscar premia mal. Se olharmos os maiores vencedores do Oscar, veremos Walt Disney, John Williams, Jack Nicholson, Katherine Hepburn, Meryl Streep, Billy Wilder... não é má companhia, concorda?
Pronto, já estou preparado para fazer minhas previsões sobre o Oscar. Aguarde o próximo post.
Em tempo: o Oscar vai ao ar às 22:00 na globo e na TNT. A transmissão da TNT é melhor (tapete vermelho a partir das 21:00), mas a Globo tem alta definição...
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2 Comentários:
e onde entra o Rubens Ewald?
Faz parte da tradição, pro bem e pro mal ;-)
6 de março de 2010 às 20:43
Do Rubens Ewald Filho eu gosto... ele é do ramo, conhece todo mundo, sabe listar um por um dos velhinhos que aparecem na cerimônia. Idiossincrasias à parte, ele é o melhor da transmissão. E é parte da tradição!
Eu também gostava do Zé Wilker, embora sinta falta daquele cinismo que é marca registrada do cara.
Duro de amargar são as outras tentativas (Marília Gabriela, atrizes "descoladas", etc). Vida dura...
A propósito, para quem interessar: o Rubens Ewald estará na transmissão da TNT.
6 de março de 2010 às 22:37
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