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Sobre Ferris Bueller, Zooey Deschanel e Smiths

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 - 3 Comentários

O Carnaval será usado por este blogueiro avesso a bailes, micaretas e folias em geral para zerar a leva de filmes do Oscar. É uma longa tradição, e a ansiedade é comparável à de uma colegial às vésperas de ir pra Salvador no trio do Chiclete ou algo que o valha.

Mas o momento é de respirar fundo e pensar no que realmente deu alegria em 2009. E, apesar de coisas ótimas como Bastardos Inglórios e Amor Sem Escalas e À Deriva, o que guardarei pra sempre na memória é mesmo 500 Dias com Ela.

Uma das cenas que me ficou na memória (entre tantas) é uma em que o rapaz aumenta o som da sua estação de trabalho, pra ver se a Summer (Zooey Deschanel) nota que ele está ouvindo Smiths - na verdade, pra ver se ela nota que ele existe.

A cena não tem nada de mais - mas a música, ah, a música... Please, Please, Please (Let Me Get What I Want), clássico singelo da banda inglesa mais amada depois dos Beatles, é daquelas que grudam na sua cabeça com apenas dez segundos de exposição - e nunca mais vão embora.

Ouça uma versão ao vivo da banda de Morrisey e Johnny Marr, com direito a um solinho de guitarra melódico e cortante no final. É curtinho, vale a pena:



Meses se passaram desde que vi o filme, a música ficou lá, martelando: "please, please, please... let me, let me, let me..." - e algo me remetia a outra cena memorável de outro filme que nunca mais saiu da minha memória RAM:  Curtindo a Vida Adoidado.

A comédia juvenil de John Hugues, lançada em 1986, é hoje um filme mitológico, com seu protagonista Ferris Bueller tendo sido promovido a ícone pop. A cena a que fui remetido é aquela em que Ferris, sua namorada e seu amigo passeiam pelo Museu de Chicago, no meio do seu "dia de folga". Eles andam entre Picassos e Matisses, ao lado de crianças de excursões escolares, namoram na frente de vitrais e Cameron, o amigo solitário, pira na frente da obra-prima do pontilhismo, Domingo no Parque (de George Seurat).



Coisa linda, não? E a música, percebeu?

É a mesma Please, Please, Please (Let Me Get I Want), aqui em uma versão instrumental do Dream Academy.

Que é a coisa mais distante que consigo pensar de qualquer tipo de sentimento carnavalesco.

OK, vai, uma pontinha de melancolia antes da esbórnia não vai atrapalhar nada o pé na jaca dos amigos de BLOGIE. Mandem ver, moçada!

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3 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Monstro.

11 de fevereiro de 2010 às 00:24

 
Blogger Unknown disse...

E olha a coinscidência: nos exatos 33s do filme postado, aparece no canto esquerdo a escultura "L'homme qui marche" que recentemente bateu o recorde mundial de preço pago por uma obra de arte: US$ 104,3 milhões

11 de fevereiro de 2010 às 09:32

 
Blogger Redação VIP disse...

Adriano,

É verdade! Quando vi "Curtindo a Vida...", eu não tinha percebido o nível do museu... pra mim, era um museu de "arte moderna", uns troços loucos... rever agora é uma descoberta!

Aos dois, obrigado pelo comentário e um abraço!
Ricardo

11 de fevereiro de 2010 às 09:38

 

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