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Estreia: "Avatar", de James Cameron

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 - 6 Comentários

O grande evento cinematográfico do ano já foi eleito: trata-se de Avatar, o novo filme de James Cameron (sua última empreitada foi Titanic, há doze anos!). O filme, que estreia nesta sexta-feira, está sendo lançado com enorme alvoroço e amparado por uma campanha gigantesca, que inclui jogos de realidade aumentada, lançamento de celulares equipados com conteúdo exclusivo do filme e bonequinhos do Mc Lanche Feliz.

Tanto barulho se justifica: Cameron, megalomaníaco assumido e incorrigível, já foi de Alien a Exterminador do Futuro a O Segredo do Abismo a Titanic, aumentado o orçamento dos seus filmes de 100 em 100 milhões de dólares... e conseguindo sucesso em todos. Em Titanic, tornou-se oficialmente "rei do mundo" e passou a investir em seu novo brinquedinho: uma saga inteiramente filmada em 3D, com atores reais sobrepostos por imagens digitais (aquela tecnologia conhecida como "realidade digital"). O projeto se chama Avatar, e seu longo período de gestação passou pelo desenvolvimento de novas câmeras, novos monitores, novas técnicas de animação... enfim, lembra aquele papo do George Lucas quando do lançamento de Star Wars - Episódio I - "só agora há a tecnologia necessária para a realização de algo deste porte" -, só que agora é sério.



















James Cameron volta a atacar - agora com artilharia pesada.

Tive a oportunidade de assistir a Avatar em uma das duas cópias para I-Max no Brasil: tela gigante, 3D envolvente, som de show de heavy metal. E posso atestar que, de fato, o filme tem potencial de se tornar um grande marco na história da evolução do cinema - da mesma maneira que O Cantor de Jazz causou furor nos anos 20 por inaugurar a era do cinema falado, ou que O Mágico de Oz encantou no final da década de 30, ao imprimir cores ao filme, Avatar sinaliza o caminho que o cinema do futuro vai percorrer, enterrando a "velha" tecnologia do filme "chapado", tão facilmente reproduzida nas salas de TV da classe média.

No entanto, devo ponderar que, assim como O Cantor de Jazz - e ao contrário de O Mágico de Oz -, os méritos de Avatar param por aí. Não se trata de um filme que vá além dos méritos técnicos. Em diversos momentos, fica claro que seu realizador está mais preocupado em tirar vantagem das possibilidades do 3D do que em tocar a história pra frente. É um tanto incômodo, passando uma impressão daqueles filminhos promocionais que passam nas TVs de última geração expostas nas Fast Shops da vida. 

O roteiro do filme é uma cópia não muito inspirada de O Retorno de Jedi - um jovem soldado mais curioso do que inteligente é o "escolhido" pela misteriosa força da natureza que rege um mundo exótico, habitado por criaturas perigosas e esquisitas; ele se envolve com a turma do bem e com a turma do mal, opta pelo lado do bem e, com a ajuda das criaturas da floresta, acabará evitando que o exército do mal cause um enorme estrago no mundinho em questão. Desculpem por resumir a coisa dessa maneira, mas não é nada que não se perceba logo nos primeiros dez minutos de filme.

As pequenas diferenças: o jovem soldado, Jake Sully, é paraplégico. Por uma coincidência - seu irmão gêmeo, morto há pouco tempo, era um cientista renomado, e o fato de terem DNAs idênticos o habilita a ser escalado para a missão do irmão -, vai parar no planeta Pandora, um ambiente pra lá de inóspito, dada suas condições não adequadas para a respiração de humanos e sua fauna um tanto dada à violência.

O projeto do qual Jake fará parte é muito louco: ele se deita em uma câmara parecida com aquelas de bronzeamento artificial, e seu ser é totalmente transferido para o corpo gestado em laboratório de um "avatar" de aparência compatível com os nativos Na'vi - uns caras azuis de três metros de altura, com rabo e nariz achatado de boxeador. A aparência dos Na'vi motivou os mais maldosos a compararem Avatar com "a reunião de família do Jar Jar Binks", do já citado Episódio 1 da série Star Wars.
















Não compare os Na'vi com Jar Jar Binks, que eles ficam bravos.

As motivações do protagonista - entender a "Força", lutar pelo bem de um povo mais fraco, amar sua nativa azul - são um tanto previsíveis. Os episódios que ele vive não são mais inusitados. E assim, com poucas surpresas - e com a tradicional mão pesada de Cameron nos diálogos -, seguindo o esquema convencional de aventura das matinês do George Lucas, Avatar avança suas mais de duas horas de duração e chega ao final.


Veja o trailer de Avatar!

Cabe aqui uma observação sobre meu estado físico ao longo da sessão: um enjoo, daqueles que se sentem em barcos balançando no mar, bateu forte no meio do filme e tive que passar alguns minutos sem os óculos gigantes, respirando fundo e de olhos fechados. Essa sensação, após mitigada, deixou como herança uma dor de cabeça que ainda lateja na cabeça deste blogueiro. Posto que não se trata de falta de hábito na sala de cinema (só faltava essa), divido a culpa entre James Cameron, com seu competente 3D, e a sala I-Max, com seu gigantismo sufocante. Depois de uma hora enfiado nos desfiladeiros de Pandora, ou pulando de árvore em árvore, parecia que era eu quem tinha sido transferido para o enorme corpo azul do avatar de Jake Sully. Acho que James Cameron ficaria feliz com essa observação.

Mas eu, cá no meu canto, já recomposto por dois Neosaldinas e um Dramin, respiro aliviado e aguardo ansioso pelo próximo filme "convencional", quem sabe o novo Woody Allen.

Resumo da ópera: Avatar é um evento incontornável, é a História acontecendo na nossa cara. Deve ser visto, deve ser admirado, renderá uma baita grana para seu criador talentoso e excêntrico, ganhará até uns Oscars nas categorias técnicas. Mas dificilmente será seu filme preferido.

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6 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Excelente comentário, Ricardo.
Que loucura esse enjoo! Adorei o resumo da ópera. Creio que todos nós, amantes de bons e tradicionais filmes, concluiremos da mesma forma.
Abraços,
Patrícia

18 de dezembro de 2009 às 10:02

 
Blogger Redação VIP disse...

Pois é... e eu já tinha lido sobre gente que passou mal no I-Max, e pensei que era frescura... Mas acho que esse "Avatar" é muito mais intenso.

Outra coisa é o tanto que essa tecnologia força a vista. Você sente o esforço da visão se ajustando pra captar o que está rolando...

Particularmente, acho legal, como curiosidade, mas não é um programa agradável para ver toda semana. Prefiro o velho 2D.

Um abraço,
Ricardo

18 de dezembro de 2009 às 13:21

 
Blogger Unknown disse...

Eu tive os mesmos sintomas e não consegui terminar de assistir. Tive que ir embora após já ter tomado 2 neosaldinas e não ter passado o sintoma.

5 de janeiro de 2010 às 13:23

 
Blogger Redação VIP disse...

OHARA, quem me dera ter dois neosaldinas na hora!

Complicado, isso... acho que é um desafio para a nova tecnologia ser algo confortável. Exige muito da visão...

Obrigado pelo comentário e um abraço,
Ricardo

5 de janeiro de 2010 às 15:45

 
Anonymous Angelica disse...

Assisti com 3D em sala comum, sem problemas de enjôo, e deixou um gostinho de quero mais. A minha experiência no I-max foram os 15 min do Harry Potter, sem efeitos colaterais. É bom saber que mais que isso pode ser ruim. Quanto ao Avatar, que horríveis aquelas criaturas azuis sendo comparadas aos índios!!! Pelo menos podiam ser mais originais...
Ah, aguardo comentários sobre o "The Road", quando lançar logo mais por aí. Adianto que não gostei e fiquei no "E???...", mas minha opinião foi contrária a de vários amigos que se encantaram com a mensagem (!!!).

17 de janeiro de 2010 às 06:47

 
Blogger Redação VIP disse...

Angélica,

Concordo 100% contigo: esse lance do Peri azul... primário. Brincadeira ainda darem Globo de Ouro de melhor filme (e vem o Oscar por aí...).

Abração,
Garrido

22 de janeiro de 2010 às 00:46

 

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