"Eu Te Amo, Cara" e outros filmes de brodagem
domingo, 26 de abril de 2009 - 3 Comentários
Uma das estreias da semana traz o sempre engraçado Paul Rudd em mais uma comédia de macho: Eu Te Amo, Cara - a história de um rapaz que, às vésperas do casamento, percebe que não tem nenhum amigo para ser seu padrinho (o best man dos americanos). E aí ele entra numa cruzada em busca do brother.
É um filme que toma como tema central uma preocupação clássica do cinema: a amizade masculina. Veja o trailer:
A crítica de cinema Isabela Boscov escreveu na VEJA desta semana que o filme trata do "amor intenso, estritamente não gay, entre homens heterossexuais". E listou alguns filmes que vão fundo no assunto, como Gênio Indomável, Superbad e Onze Homens e um Segredo.
BLOGIE aproveita para entrar de sola no assunto: o "bromance" (romance de bróder, em tradução porca) é um tema tradicional do cinema, mas alguns filmes têm maior receio de discutir o componente gay da amizade, outros não.
Por exemplo: Butch Cassidy & Sundance Kid - há como negar que há atração entre os heróis vividos por Paul Newman e Robert Redford? O filme traz um monte de insinuações, tão escancaradas quanto naqueles episódios de Batman & Robin dos anos 60.
Perdidos na Noite, com Dustin Hoffman e Jon Voight: muito além da amizade, tá na cara.
A maioria dos filmes, no entanto, evita entrar nessa seara - como Gênio Indomável.
Eu Te Amo, Cara até brinca com o assunto, mas o filme mais indigesto e corajoso com esse tema foi trazido por Kevin Smith em meados dos anos 90: Procura-se Amy, com Ben Affleck e Jason Lee.
Lembrando: os caras são cartunistas, parceiros e melhores amigos. Ben Affleck se apaixona por uma lésbica (a Amy do título), situação que bota a amizade em xeque. A própria Amy é quem percebe que tem coisa estranha por ali, e constata que Jason Lee está se comendo de ciúmes do amigo, mas de uma maneira muito mais doída do que seria razoável. Ela joga no ar: o cara ama o melhor amigo. E é uma verdade tão verdadeira que não é possível conviver com ela. A amizade acaba, os amigos se separam, e a gente fica com a pulga atrás da orelha.
Ainda assim, pinta aquela bela cena final - os caras se encontram em uma convenção de HQ, e se cumprimentam meio de longe, e sorriem, e a velha amizade está toda ali, ainda que eles entendam que o convívio não será restaurado... e aí eu me pego lamentando pelas amizades perdidas com os amigos de infância, do colégio e tal.
O que me faz pensar no filme que melhor trata da amizade masculina, não entre dois caras, mas entre uma turma toda: Brincando de Seduzir (em inglês: Beautiful Girls). O filme nunca foi lançado em DVD no Brasil, mas é um filmaço. Tem o Timothy Hutton, o Matt Dillon e a Uma Thurman (e a Natalie Portman com 14 aninhos). Hutton é o cara que mora em Nova Iorque, e que volta para a sua cidadezinha no interior do Massachussets para o Natal. Encontra todos os velhos amigos: um casado e cheio de filhos; o outro chafurdando no casa-não-casa com sua noiva; outro, que era o pegador da cidade e astro do colégio, tentando viver no passado, enquanto enrola sua eterna namorada que merece coisa melhor (papel da Mira Sorvino); e assim por diante.
A vida está dura para todo mundo, e todos estão enfrentando em silêncio os desafios de ser adulto e lidar com a frustração dos sonhos juvenis. Mas aí, quando todos se juntam no mesmo boteco de sempre, e Hutton senta no piano e toca Sweet Caroline (o hino informal do Red Sox, o lendário time de baseball do estado), os problemas se dissolvem: os amigos cantam juntos, e se apoiam em suas misérias, e se redimem em conjunto enquanto berram que "os bons tempos nunca pareceram tão bons". Veja a cena:
E aí podemos pensar, é isso aí, a amizade está bem retratada, em terreno seguro e confortável.
Que é como devemos nos sentir perto dos amigos de verdade.
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3 Comentários:
ó, vou na sua onda de novo e vou assistir. Qualquer coisa, depois comento.
Você assistiu ao francês, chamado "Meu melhor amigo", com o Daniel Auteuil? Também pode ser classificado como filme de 'brodagem' mas, pelo trailer que vi deste novo, as razões são diferentes! Em comum, o protagonista também tem um prazo curto para encontrar um amigo. Vale conferir - principalmente pelo ator, que acho muuuuuuuito bom.
3 de maio de 2009 às 16:25
"Meu Melhor Amigo", taí, não assisti. Vou procurar e comento aqui neste espaço - porque, aqui, filme de brothers sempre é assunto!
Abraços,
Ricardo
8 de maio de 2009 às 11:26
mas é francês, são uns brothers mais refinados, rsrsrs
13 de maio de 2009 às 21:32
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