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Oscar 2010: passando a régua

segunda-feira, 8 de março de 2010 - 9 Comentários

Bem, há coisa de um mês atrás havia uma certeza: Avatar salvara o cinema e seria devidamente reconhecido no Oscar, levando mais prêmios do que E o Vento Levou, Ben Hur e Titanic.

Daí, Guerra ao Terror foi chegando, o barulho foi aumentando, os prêmios foram vindo... e chegamos ao Oscar com um filme independente mais barato do que uns capítulos da novela das oito disputando o Oscar pau a pau com a maior super-produção da história. De tão polarizado, falava-se até em uma possível vitória de um azarão, que seria Bastardos Inglórios, do Tarantino.

O resultado final foi, em primeiro lugar, a confirmação de que a indústria do cinema americano privilegia, acima de tudo, a boa ideia, o filme autoral, em detrimento do blockbuster. Ao mesmo tempo, finalmente a questão da atuação americana no Oriente Médio ganhou a simpatia da classe (antes de ganhar a simpatia do público; este deve ir atrás só agora, depois da premiação). Guerra ao Terror é o grande vencedor do Oscar 2010.


















O filme de Kathryn Bigelow (a mesma de Caçadores de Emoção e outros filmes de ação) levou os prêmios de melhor filme, direção, roteiro original, edição, edição de som e mixagem de som. Seis prêmios, contra quatro de Avatar, todos técnicos.

Eu não considero Guerra ao Terror o melhor filme do ano, nem de longe, mas entendo o frisson em torno dele. Se Avatar remete a Star Wars e sua escola de filmes-evento, e se Amor Sem Escalas remete a Billy Wilder e o cinema mais classudo, Guerra ao Terror afilia-se ao cinema dos anos 70, nervoso, inconformado, criativo e de câmera viva, vivíssima.

Penso em O Franco Atirador, em Apocalipse Now. Penso em A Conversação e Operação: França. Filmes que, em algum grau, têm parentesco com a obra de Bigelow. Penso nas tentativas recentes de Ridley Scott, Brian DePalma, Robert Redford e Mike Nichols em abordar a questão da atuação americana no Oriente Médio. Todos foram mal sucedidos, mais por bad timing do que por deficiências artísticas. Eles também são premiados hoje, por terem gritado num momento em que seu país não queria ouvir.

Agora, o que eu queria mesmo era ver aquela turminha formada pelo Apache, pelo Urso Judeu e por Shosanna saindo triunfante do Kodak Theatre. Os Bastardos de Tarantino não tiveram a premiação que mereciam. Mas, fazer o quê?, a vida é assim.

E não vou ficar chateando o leitor com discursos sobre o absurdo de testemunharmos a Sandra Bullock ganhando um Oscar. Pra falar a verdade, nada mais natural. A mulher enche cinemas há mais de quinze anos. Entregou uma performance acima da média, era um ano sem muitos concorrentes fortes, premiaram a estrela. Isto é Hollywood, e dá pra conviver com isso.

E vamos dormir, porque a semana promete. Fico devendo uma análise mais detalhada de Guerra ao Terror.

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9 Comentários:

Anonymous Ricardo Perez disse...

O melhor do Oscar foi a reação do Rubens Ewald Filho - p da vida - na premiação de melhor filme a Guerra ao Terror. Eita filminho mais ou menos. Não é nem top 5 entre os indicados. Avatar - revolucionário - quase nada levou. Podem cobrar: em alguns anos ninguém se lembrará do "melhor filme" de 2009. American joke. Sorry por Bastardos, Distrito 9 e Up In the Air, ótimos filmes que viraram coadjuvantes de (mais) um filme de guerra bem filmado. E só.

8 de março de 2010 às 02:43

 
Anonymous Ricardo Perez disse...

Complementando, essa Kathryn Bigelow é a cara da Elizabeth Hurley - depois de uma temporada em Muscle Beach.
Destilando mau-humor madrugada adentro,
Ricardo

8 de março de 2010 às 02:46

 
Blogger danilo disse...

Poxa de todos os indicados eu curti muito Guerra ao Terror e não gostei de Avatar, pois os efeitos especiais são estupendos e só... a história é fraquissíma e só há efeitos especiais... tudo bem que Bastardos é uma obra prima mas eu achava impossível a Academia premiar este filme... enfim fora a Sandra Bullock o resto foi correto pois o grande nome do ano, na verdade não era tudo aquilo excetuando-se o quesito visual effects...
Danilo

8 de março de 2010 às 03:08

 
Blogger Redação VIP disse...

Rica, foi Hilário o comentário despeitado do Rubens Ewald Filho! Pra falar a verdade, concordo: as gerações futuras de jornalistas ganharam hoje uma curiosidade para suas matérias sobre o Oscar: "em 2010, Avatar, filme de maior bilheteria de todos os tempos - e pioneiro do cinema como o conhecemos hoje - perdeu para o hoje obscuro Guerra ao Terror". Já Bastardos perdeu a chance de aumentar seu lugar na história - um Oscar viria bem a calhar.

Ótimo o comentário sobre a semelhança entre a bigelow e a lis hurley!!!!

Danilo, gostei de Guerra ao Terror, especialmente da direção. Foi uma grande surpresa, tipo "um dia de cão" - o tpio de pequeno filme que surpreende e que pode virar clássico. Entre ele e avatar, não há duvida, bendita seja K Bigelow. Mas sinto por Tarantino. Ele e o que e, representa tudo o que representa, e tem só um Oscar de roteiro por Pulp Fiction... Este era o ano, e os bananas deixaram passar...

Obrigado pelos comentários!

Abraços,
Ricardo

8 de março de 2010 às 08:50

 
Blogger Redação VIP disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

8 de março de 2010 às 08:52

 
Anonymous João Daniel Oliveira disse...

Pra mim o choque da noite foi mesmo Preciosa levando como roteiro adaptado, prêmio injusto- cá entre nós, era o trabalho mais fraco ali.

Adorei Avatar perdendo quase tudo, e a cara de preocupado do James Cameron.

A cerimônia foi terrível, sem graça,pelo menos foi mais, err, "mente aberta", cheia de clipes e referências a filmes B - de Sexta Feira 13 a S.W.A.T. Interessante.

Sandra Bullock?Pluft!Ela deixando a Meryl Streep, "her lover",abraçando o ar foi tosco.Sei que foi uma piada, que as duas vem brincando a tempos,mas achei um vexame.

Fica a impressão de que atrizes como Kate Winslet e Julia Roberts tiveram que esperar, lutar e trabalhar muito (na frente e atrás das telas)pra ganhar um Oscar. Já Sandy parece que não se esforçou em nada,pulou etapas e chegou lá rapidinho. Nada contra, se fosse merecido.

Não vou nem lembrar que Michelle Pfeiffer, Juliane Moore, Laura Linney,Joan Allen...uma cacetada de grandes atrizes de Hollywood não tem um Oscar. E agora a Sandra Bullock tem.


Muito bom ver a Kathryn Bigelow tirando onda. Mas o que eu gostei mesmo foi do Ben Stiller, vestido de Na'Vi. Cara, eu acho que nunca ri tanto vendo um Oscar, foi genial, e meio que mostrou o quanto Avatar é patético e pretensioso - mas aí já é uma visão minha.

Agora que o Oscar já foi,ufa, vamos mergulhar nos filmes, e não no oba-oba!Abraços!

8 de março de 2010 às 10:23

 
Anonymous Alana disse...

Sou suspeita para comentar sobre o Bastardos, porque amo profundamente - como tudo do Tarantino. Mas, enfim, não é filme de Oscar, né? Pelo menos o Waltz levou o coadjuvante, mais do que merecido.
Gosto muito de Hurt Locker, mas essa coisa de americano no Oriente Médio já tá virando nossas produções brasileiras recheadas de favela, favelados e cuíca.
Bom, fiquemos felizes que Avatar ganhou apenas os prêmios merecidos - todos técnicos - porque, francamente, o roteiro é tão ruim que chega a ser desrespeitoso.
Quanto a Demi, realmente, preciso concordar: poderosa!

8 de março de 2010 às 12:39

 
Blogger Redação VIP disse...

João Daniel, esse Oscar de roteiro adaptado pra "Preciosa" foi de doer mesmo. Uma sacanagem não ter ido para "Amor Sem Escalas".

Alana, OK, mas lembre-se que os filmes sobre os conflitos no Oriente Médio só bateram na trave nos EUA... este é o primeiro que emplaca. Isso é benvindo, não?

Acho que ainda há espaço para abordagens diferentes. Essa fase conturbada da história americana já ganhou seu Platoon, mas ainda não ganhou seu MASH ou seu Apocalipse Now...

Obrigado pelos comentários!

Abraços
Ricardo

9 de março de 2010 às 20:10

 
Anonymous Angelica disse...

Só ontem consegui assistir Hurt Locker, em Blu-ray, e gostei muito! de verdade. Filmes como esse que não trazem cenas de guerra por guerra mas sim para explorar a complexidade do ser humano é fantástico! E que contexto mais oportuno do que o estresse da guerra?! Edição primoroza, câmera inteligente, atuação simples e real. Enfim, ainda não assisti todos os outros filmes, mas me parece mais do que merecido premiar a genialidade e não somente efeitos especiais. Já lançou o The Road por aí? Aguardo ainda os comentários.

4 de abril de 2010 às 14:03

 

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