Filme VIP da semana: "Descalços no Parque"
quarta-feira, 7 de outubro de 2009 - 2 Comentários
Como hoje é aniversário de casamento deste blogueiro, elejo como filme VIP da semana um filme que, ao mesmo tempo, é caro ao casal que ora comemora e que, de quebra, serve como referência para todo homem que resolve juntar os trapos com uma mulher. O filme é Descalços no Parque, de 1967, baseado numa peça da Broadway de grande sucesso, escrita pelo grande Neil Simon.
O filme trata de um jovem casal que inicia a vida em comum. A primeira coisa que sabemos sobre eles é que sua lua-de-mel foi uma maratona sexual, pois seis dias se passam sem que eles saiam da sua suíte. Findada a inauguração do casamento, o casal deixa o quarto e vemos os jovens Robert Redford - no caminho para se tornar o maior astro de Hollywood - e Jane Fonda - de beleza dourada e graça estonteantes. Um casal incomparavelmente atraente, esperto e promissor. Era o final da década de 60 e nada poderia detê-los.
Jane Fonda nem precisaria se esforçar muito para dar graça ao casamento, mas ela não se acomoda...
E então o filme ganha seu cenário definitivo: o pequeno apartamento no sexto andar de um prédio sem elevador. O apartamento, em sua precariedade de lar de recém-casados, será o detonador dos conflitos internos do casal.
Paul (Redford) é um advogado certinho, pé no chão, conservador, e vê o apartamento como ele é: um cubículo com um buraco no teto, sem aquecimento e com um quarto que mal abriga uma cama. Vê problemas em tudo e desconfia do vizinho fanfarrão e de prestadores de serviço.
Corie (Fonda) é uma moça espontânea, atrapalhada, que faz amigos com grande facilidade, preocupada com lances intangíveis como a "energia" que cerca o seu novo lar. Insiste em enxergar o potencial do apartamento, tendo uma visão otimista sobre todas as suas limitações, e se preocupa em levantar o astral do difícil começo dessa história.
As brigas começarão cedo e, ao final, veremos Redford enchendo a cara e trocando ideias com um mendigo no parque mais próximo. A moça vai buscá-lo, dando forma a uma inversão de papéis que os reaproximará. Aprender a conviver com as diferenças é, para este casalzinho, dar uma volta descalço no parque em pleno inverno.
Veja o trailer original de Descalços no Parque!
Descalços no Parque é uma bela crônica de como é viver com alguém sob o mesmo teto. Isoladas as variáveis da atração e da "liga" que se obtém no sexo, e afastadas as questões relativas a grana e família, a grande questão é suportar, mas mais do que suportar, se acostumar, se divertir e absorver as manias do outro. No fundo, Paul e Corie formam um ser único e diferente - e ainda mais interessante - do que eram separados. A beleza e a certa semelhança física de Redford e Jane ajudam a constituir essa nova unidade, que é garantida pela personalidade forte dos dois atores.
Quando me casei, não pude deixar de pensar nesse filme, ciente de que questões bestas como a louça escolhida para o lavabo ou o papel de parede poderiam se tornar ameaças sérias ao casamento. E esperançoso de que, assim como o casal-modelo do cinema americano (considero Redford e Fonda os astros com a melhor combinação de talento, beleza, carisma e caráter), atingíssemos rapidamente o clima de convivência feliz e orgulhoso que dá fim a Descalços no Parque.
Robert Redford e Jane Fonda em 1967: que modelo pode ser melhor?
Três anos depois, tudo ótimo em casa. Acertar na primeira é sorte? Acho que não. Aprendemos bastante no cinema. Quem começa como Descalços no Parque não termina como A Guerra dos Roses.
Marcadores: cinema, Jane Fonda, Robert Redford, VIP
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2 Comentários:
amei o texto, só falta eu ver o filme. E, a propósito, parabéns!!!
8 de outubro de 2009 às 05:27
Obrigado, Thays... sempre fiquei esperando uma oportunidade de falar desse filme. Ele é do tipo que mais gosto: dos despretensiosos, que dizem mais do que aquilo que se espera...
Um abraço,
Ricardo
8 de outubro de 2009 às 11:47
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