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"Apenas o Fim", que filme!

segunda-feira, 22 de junho de 2009 - 5 Comentários

Como dizem aqueles senadores, aos brados, no meio de uma CPI: QUESTÃO DE ORDEM!!!

Pronto. Agora, que tenho sua atenção, devo dizer com todas as letras: não deixe de assistir ao melhor filme brasileiro do ano, o pop, despretensioso e genial Apenas o Fim, de Matheus Souza.















O tal Matheus, se liga só, é um moleque de 19 anos. Digo "moleque" com todo o respeito que o epíteto merece - digamos, como quem fala de um time de futebol abusado que impressiona todo mundo. Lembra o Santos de Diego e Robinho? É o equivalente futebolístico do filme do jovem cineasta carioca: ao final do show (jogo ou filme), dá alegria de estar vivo e presenciar o nascimento de um talento tão natural e precoce.

Apenas o Fim é um registro praticamente integral da última conversa de um jovem casal de namorados, com uma hora e vinte minutos de duração, começando do anúncio da garota (Erika Mader, uma graça e espontânea) de que ela está deixando o rapaz (já falo dele), indo até a sua partida. No meio, uma conversa esperta, despretensiosa, revestida de um cinismo que tenta disfarçar o romantismo, em planos bem enquadrados e câmera na mão perseguindo o casal. Pontuando a conversa, flash-backs de momentos felizes do casal entre quatro paredes. Milhões de citações pop. Um misto de Kevin Smith (Procura-se Amy) com Até o Amanhecer, do Richard Linkater. Ecos de Truffaut (Beijos Roubados) são percebidos. E tudo isso é legal, você se diverte, ri alto e se emociona.

Volto ao contexto do filme: o autor é estudante de cinema na PUC carioca. Fez o filme dentro do campus, ao custo de R$ 8 mil, como um trabalho escolar. E o filme foi parar nos cinemas Brasil afora, simplesmente porque é bom demais.


Veja o trailer de Apenas o Fim!!!


No mais, duas grandes novidades vêm de bônus com o filme de Souza:

1- a revelação de Gregório Duvivier, o namorado rejeitado, um ator engraçadíssimo, com timing perfeito e alta capacidade de improvisação. De início, eu achava que ele lembra muito o Woody Allen novinho. Mas depois acho que ele foi mais longe: ele se parece com o Peter Sellers. Não sei se você entende o quanto isso, partindo de mim, é um elogio (para este blogueiro, Peter Sellers é o maior ator cômico de todos os tempos).

2- A inauguração da era de nostalgia dos anos 90. O casalzinho se diverte discutindo video-game, desenhos animados, filmes, música pop. Mas saem de cena Atari, Caverna do Dragão, Goonies e Menudo ou Kiss. Entram Super Mario, Cavaleiros do Zodíaco, Transformers e Backstreet Boys ou Strokes. O mundo girou, a molecada que nasceu quando os Smiths já tinham acabado cresceu e está fazendo filmes. Os anos 90 são os novos anos 80, viva!

Deixando claro: não se trata do melhor filme de todos os tempos. Nem é essa a intenção do seu realizador. Há defeitos, mas isso não interessa. Vamos colocar a coisa assim: Cidade de Deus é um filme perfeito, profissional. Apenas o Fim é um filme amador, feito do jeito que seu jovem diretor conseguiu fazer. E não há nada nisso que impeça o filme de conquistar a audiência de boa fé.

Claro, em plena temporada de blockbusters, poucas salas abrigam o modesto filme juvenil. Mas abençoado seja o programador que acreditou em Apenas o Fim. Se você gosta de algo feito com prazer e paixão, com todas as virtudes e defeitos que saem das mãos de um adolescente talentoso, não deixe de ver Apenas o Fim.

É disso que o cinema é feito.

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5 Comentários:

Anonymous Thays disse...

já tinha visto umas cenas e estava a fim de apostar nele. Depois do seu comentário, vou conferir...

24 de junho de 2009 às 08:56

 
Blogger Redação VIP disse...

Legal, mas lembre-se de desinflar as expectativas... se entramos no cinema pensando que vamos ver o próximo Woody Allen, o resultado será provavelmente decepcionante...

(Sempre acontece comigo, quando leio uma crítica positiva!)

Depois me conta o que achou, OK?

24 de junho de 2009 às 14:02

 
Blogger Unknown disse...

Pois é, não desinflei. Gostei dos atores, a interpretação deles é bem legal, tem cenas muito legais (principalmente os flashbacks) e adorei ver como a Puc-RJ rende? Talvez talvez seja porque eu sou da geração anos 80 e os nossos ídolos e ícones não sejam os mesmos...

25 de junho de 2009 às 23:33

 
Blogger Redação VIP disse...

É, eu também estranhei quando começou o papo de Cavaleiros do Zodíaco e Tartarugas Ninja... mas já estava na hora da fila andar. Ninguém aguenta mais o revival do Sidney Magal e "Qual é a Música?"...

26 de junho de 2009 às 09:54

 
Anonymous Thays disse...

Sidney Magal? Já está antecipando sobre o novo filme,da vida do Jean Charles, em que ele faz uma participação? Vi o trailer algumas vezes, parece bom.

Ah, a propósito: bloguei sobre este filme e também sobre A mulher invisível (lembra que falei da Psicologia?) e Minhas adoráveis ex-namoradas, - que você não arriscou ver, mas é bem interessante.

26 de junho de 2009 às 14:42

 

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