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Na TV: "Crepúsculo dos Deuses", de Billy Wilder

domingo, 7 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Hoje, no TC Cult, às 22:00: Crepúsculo dos Deuses, obra-prima de Billy Wilder - este que é, simplesmente, o maior diretor de Hollywood de todos os tempos.

Os superlativos acima entregam: o autor deste texto é fã incondicional do diretor austríaco que se tornou ícone em Hollywood. Wilder se serviu dos maiores astros americanos dos anos 40 e 50: usou Audrey Hepburn e Humphrey Bogart em Sabrina; Jack Lemmon e Shirley McLaine em Se Meu Apartamento Falasse e Irma LaDouce; Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado e naquela que é considerada a maior comédia do cinema, Quanto Mais Quente, Melhor.


Mas o melhor de tantos filmes geniais é mesmo Crepúsculo dos Deuses, uma dissecação impiedosa da vida em Hollywood e da crueldade da carreira em cinema. Gloria Swanson, uma ex-estrela do cinema mudo que vivia no ostracismo, ganhou o papel principal do longa: uma ex-estrela do cinema mudo que vive no ostracismo. Seu mordomo, mais tarde é revelado, era um diretor renomado do cinema mudo - e o ator que o vive, de fato, foi um grande diretor dos primórdios do cinema.
























Gloria Swanson está piradinha, coitada, em Crepúsculo dos Deuses.


E temos William Holden, o alter-ego favorito de Wilder, no papel do jovem roteirista que topa qualquer negócio pra se montar na cidade dos sonhos. Ele é, basicamente, um fanfarrão: vagabundo, desprovido dos valores mais básicos e de talento questionável.

No conteúdo, Crepúsculo dos Deuses se aproxima muito de Cidade dos Sonhos, do David Lynch. Este é, na verdade, quase uma atualização do primeiro, retratando Hollywood como uma cidade onde as pessoas chegam para viver um sonho e acabam tragadas pra dentro de um pesadelo de aparências e egos.

Na forma, o filme de Wilder é tão especial que não dialoga com nenhum outro filme, mas sim com literatura de peso: a cena de abertura deixa claro que o protagonista é o defunto que aparece enorme na tela, e é ele o narrador da história. É o narrador-defunto que Machado de Assis lançou em Memórias Póstumas de Brás Cubas, e Wilder soube usá-lo como ninguém.

Wilder era especialmente habilidoso para criar cenas iniciais e cenas finais. Em Quanto Mais Quente Melhor, botou o Jack Lemmon travestido se revelando um homem para um milionário enamorado, que responde, olhando para a frente, a anárquica última frase: "ninguém é perfeito!"

Em Crepúsculo dos Deuses, a última cena também é clássica. Mas não vou comentá-la. Convido o leitor a ficar em casa, fechar as janelas para não ouvir o foguetório são-paulino e assistir a este filmaço.

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