Na natureza selvagem: Robert Redford é o cara
sábado, 9 de maio de 2009 - 0 Comentários
Fui pras férias com a intenção de rever uns filmes top dos anos 70, como Três Dias do Condor, com o Robert Redford. Onde eu estava, não consegui encontrá-los, mas me virei com o que tinha mais à mão.
E encontrei uns filmes com o próprio Robert Redford, que foram uma grata supresa.
O primeiro é um filme de 1972, chamado Mais Forte que a Vingança (no original, Jeremiah Johnson), dirigido pelo Sidney Polack.
Redford é Jeremiah Johnson, um cara que abandonou uma das guerras do final do século XIX (época em que os EUA desbravavam a "última fronteira", roubando uns territórios do México e ilhas no Caribe e no Pacífico). Ele estava cansado da vida em sociedade, e se isolou no meio das Montanhas Rochosas. Ursos, Neve, ermitões enlouquecidos, índios violentos, essa é a nova turma de Jeremiah.
Redford e o verdadeiro amigo-urso.
O filme é muito diferente de tudo o que se faz hoje, pois não tem medo de silêncios prolongados, não dá muitas explicações, não proporciona "grandes emoções". Bota a gente no meio da existência meio besta, lenta e sem luz no fim do túnel do protagonista. E acaba sendo um filmaço, com uma fotografia maravilhosa e um senso de humor especial, que corta o silêncio com diálogos engraçados e situações inusitadas. E isso não significa que não tenha momentos em que Redford não chute uns rabos. Confira o que ele faz com os índios que mataram a sua família:
Jeremiah Johnson mostra quem manda nas Montanhas Rochosas
Robert Redford, na época, era simplesmente o maior astro de Hollywood. Encarou esse filme estranho (tipo um O Náufrago, só que melhor). E acabou se engajando no lance da natureza: vive enfiado na sua fazenda e, depois de Mais Forte que a Vingança, protagnizou ou dirigiu vários outros filmes em que ele é o cara com linha direta com a natureza (O Encantador de Cavalos, Nada é Para Sempre, Entre Dois Amores).
No mais, Mais Forte que a Vingança é um claro precursor do recente Na Natureza Selvagem, dirigido pelo Sean Penn e protagonizado pelo jovem Emile Hirsch. Vale a pena ver.
Uns dez anos depois, Redford era novamente dirigido por Polack, desta vez na África, quando ele divide a tela com Meryl Streep no premiado Entre Dois Amores (Out of Africa, Oscar de melhor filme em 1983). Ele é o aventureiro cujo ganha-pão é a venda de pele e marfim obtidos em intermináveis safáris. Também compra uma avião para tornar as viagens mais rápidas (e para impressionar a Meryl). Outro filme que se passa numa rotação lenta para os padrões atuais, mas preparado com o mesmo cuidado que proporciona uma linda fotografia, belos diálogos e ótimas atuações. Filme de gente grande.
Essa - a do homem da natureza - é só uma das facetas de Redford. Ele também é o político liberal, tão presente em clássicos como Todos os Homens do Presidente, O Candidato, Nosso Amor de Ontem e em Quiz Show (dirigido por ele). Também é o entusiasta do esporte: Um Homem Fora de Série, Lendas da Vida. É, enfim, o humanista que levou o Oscar de melhor filme em 1980, por Gente Como a Gente, e ao mesmo tempo o astro de blockbusters (Butch Cassidy, Golpe de Mestre, Os Três Dias do Condor, Proposta Indecente) e de comédias românticas com a Jane Fonda e a Barbra Streisend.
E, de quebra, é o fundador do Sundance Festival, que abriga as produções independentes americanas há vinte e cinco anos, e que ajudou a impulsionar as carreiras de gente como Quentin Tarantino, Robert Rodriguez e Kevin Smith (Cães de Aluguel, El Mariachi e O Balconista foram lançados em Sundance).
Por todos esses motivos, Robert Redford é um dos heróis deste blog. É o Homem VIP do mês de maio. Vale uma lista de filmes. Aguarde.
Marcadores: cinema
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