Nada mais classudo: Fred Astaire e Ginger Rogers
quinta-feira, 11 de março de 2010 - 2 Comentários
Todos sabem que o Fred Astaire foi aquele cara orelhudo e feioso que dançava como ninguém, especialmente nos números de sapateado, e que se tornou um dos maiores astros do cinema de todos os tempos. Fez par com três gerações de atrizes que foram, cada uma a seu tempo, candidatas a mulher mai linda (e famosa) do mundo: Ginger Rogers, Rita Hayworth, Audrey Hepburn.
Não é uma biografia ruim, concorda?
Mas há uma injustiça nisso tudo: poucos lembram do valor de Astaire como cantor. Para sua voz, mestres como Irving Berlin e Cole Porter compunham suas canções, que se tornariam os standarts definitivos da música americana.
Só um gostinho com o básico:
Night and Day, por exemplo, foi composta para Astaire para um musical da Broadway. Fez enorme sucesso e chegou ao cinema no filme A Alegre Divorciada, de 1934 (o segundo filme do dançarino em Hollywood). A canção pode ter sido gravada por Frank Sinatra, por Ella Fitzgerald, pelo U2 - Fred Astaire continua sendo o melhor intérprete, até porque ele foi o primeiro, e principalmente porque a usou para pegar a Ginger Rogers!
Veja a cena original de Night and Day, em A Alegre Divorciada!
Cheek to Cheek, de Irving Berling, foi a canção original de O Picolino, de 1935. Foi indicada e, inacreditavelmente, perdeu o Oscar daquele ano. A cena em que Astaire começa a sussurrar a letra no ouvido de Ginger Rogers é simplesmente mágica (trecho já mostrado no BLOGIE, clique aqui para vê-lo novamente).
The Way You Look Tonight... sim, é aquela música que o Rod Stewart gravou há alguns anos e que fez o maior sucesso, em parte devido à inclusão na trilha sonora de uma novela das oito. A música de Jerome Kern foi escrita para o filme Ritmo Louco, de 1936. Fred Astaire a canta lindamente no piano. Ginger Rogers (sempre ela) fica toda enamorada e se esquece que está com a cabeça toda ensaboada. Deixa o banheiro e vai até o piano de Astaire, que termina a música enaltecendo a aparência da moça naquela noite, até que... Veja a cena, que valeu Oscar de melhor canção naquele ano:
Sensacional, não?
Agora, se quer ver Fred Astaire fazendo seu show como sapateador, esta é a cena que você precisa ver. É do mesmo Ritmo Louco, de 1936. O filme também tem a vantagem de contar com Ginger Rogers no auge da beleza e do treino (aqui, finalmente, ele entregava aquilo que ela prometeu na famosa frase: "faço a mesma coisa que ele, só que de salto alto"). Vale ver o vídeo duas vezes, uma para checar a performance de Astaire, outra para se embevecer com a imagem estonteante de Ginger (confesso que, na época em que descobri os musicais da dupla, passei algum tempo apaixonado por Ginger Rogers):
Olha só as pernas dessa mulher. Em 1936. God bless America.
Mais classe que isso, amigo, não encontraremos no cinema tão cedo. Sinto muito.
Quem quiser se iniciar no assunto, a trilogia básica é mesmo essa exposta acima: A Alegre Divorciada, O Picolino e Ritmo Louco. O que me parece muito interessante nesses filmes é que, a despeito de um certo tratamento simplista no roteiro, há um erotismo bem apimentado - e totalmente disfarçado, só há sugestões - para o cinema da década de 30. Muito interessante.
P.S.: aliás, esta é uma boa maneira de criar um clima durante um encontro. Se se lançar mão de Nove Semanas e Meia de Amor, o filme já sai queimado de cara. Outra coisa é chegar com um musical dos anos 30, classudo, divertido, leve - e cheio de tesão enrustido. Sucesso.
Marcadores: anos 30, cinema, Fred Astaire, Ginger Rogers, música, musical
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2 Comentários:
Olá!
Você poderia me mandar um e-mail para que possamos entrar em contato direto?
Aguardo resposta e agradeço pela atenção.
12 de março de 2010 às 11:29
Quincas,
Você pode entrar em contato comigo no e-mail rgarrido@abril.com.br
Um abraço
Ricardo
12 de março de 2010 às 12:08
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