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Aprenda a ganhar discussões com Nick Naylor

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010 - 3 Comentários

Outro dia, falei de Obrigado por Fumar, primeiro filme de Jason Reitman, provável indicado a alguns Oscars por Amor sem Escalas. Pensando em prestar um serviço de utilidade pública para o leitor da VIP, estudei com calma o filme e resumi o método que nick Naylor, o genial lobista do tabaco retratado no filme, segue para dar conta das suas missões. BLOGIE apresenta:

O Método Nick Naylor de Argumentação



Não é nada pessoal; são apenas negócios. O mantra de O Poderoso Chefão, tão popular a partir dos anos 70, ganhou um complemento poderoso em Obrigado por Fumar: "não negocie; argumente". É uma grande diferença. Aprenda a argumentar - e a ganhar qualquer discussão - com os ensinamentos de Nick Naylor.


Nick Naylor: pós-graduado em ser xingado e em chutar rabos.
1- Debater é como pescar: é só jogar a isca.


Durante uma sabatina no Senado americano, Naylor tem o grande insight de sua cruzada pró-fumo: seu grande opositor é um senador de Vermont, estado notório pelo seu queijo cheddar. Naylor não ataca diretamente: joga a isca.

Pergunta, em uma linha de argumentação aparentemente frágil, se aviões Boeing ou carros Ford, a bordo dos quais pessoas também morrem, deveriam receber tratamento similar ao dado ao cigarro. É devidamente açoitado, sob o argumento de que carros e aviões não matam tanto quanto cigarros.


E então Naylor puxa o anzol: então por que ele está no banco dos réus? Afinal, o relator do caso é um senador que defende os interesses dos produtores de cheddar, rico em colesterol, este sim o verdadeiro assassino número 1 da América.

 2- Jogue para a plateia.


Em uma sorveteria, nosso herói fala com o filho pré-adolescente sobre a beleza da argumentação. Para exemplificar, cria uma discussão hipotética, na qual ele prefere sorvete de baunilha ao de chocolate, preferência oposta à do filho. Ele provoca o fedelho a declarar que prefere chocolate, que é o único sabor de que ele precisa e ponto. E Nick discursa:


"Bem, eu preciso de mais que chocolate, e na verdade preciso mais do que baunilha. Acredito que precisamos de liberdade. E escolha no que diz respeito ao nosso sorvete."


Desnorteado, o moleque observa que ele fugiu do assunto e, no mais, não o convenceu de que baunilha era melhor. E o pai arremata: "não quero você. Quero eles" - e aponta para o povo à sua volta.

Veja a cena e caia você também na lábia do rei da argumentação:



 3- Não dê mole para mané.


Ele destrói militantes, políticos e jornalistas, mas a melhor argumentação de todas é a mais comezinha: quando o tal médico que vive com sua ex-esposa, em tom de censura, o aconselha a não fumar perto do próprio filho, Naylor para por um segundo, pensa todas as palavras constantes do Webster’s e perpetra o fim da conversa:


"Brad, eu sou o pai do menino; você é o cara que está comendo a mãe dele."


Assim é Nick Naylor: o cara que encerra qualquer discussão, mesmo sem ter razão, só porque não dá pra entregar os pontos para um médico babaca.



Pronto; agora é só aplicar no seu trabalho e colher os frutos. Depois, deixe seu depoimento!

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3 Comentários:

Anonymous Thays disse...

seria revoltante na vida real, mas muito engraçado na tela. É um sofista pós-moderno, né não?

2 de fevereiro de 2010 às 09:13

 
Blogger Redação VIP disse...

Perfeito, o cara é um sofista genial - a cena em que ele dá um nó na criançada da sala do filho dele é absurda.

O exercício mais interessante desse filme é a maneira como Reitman consegue criar simpatia pelo lobista do tabaco, ao mesmo tempo que expõe a idiotia de quem mereceria nosso respeito e crédito. Ele acaba com o "politicamente correto", vaya con Dios!

2 de fevereiro de 2010 às 09:38

 
Anonymous Thays disse...

adoro a disputa dele com os amigos da indústria do álcool e das armas... A gente acaba rindo do absurdo!

2 de fevereiro de 2010 às 12:36

 

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